“Pois todos os que são
guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.” Romanos 8:14
A afirmação de Paulo é
simples, mas profunda: os filhos de Deus são aqueles que se deixam conduzir
pelo Espírito de Deus.
Para entender o significado
dessa afirmação, é preciso observar o que Paulo está desenvolvendo em Romanos
8. Ele apresenta duas formas de viver: segundo a carne e segundo o
Espírito.
Viver segundo a carne é
orientar a existência pelos desejos, pensamentos e inclinações que não estão
submetidos a Deus. Viver segundo o Espírito é permitir que a vontade de Deus
tenha lugar nas decisões, nos pensamentos e nas atitudes.
Por isso, ser guiado pelo
Espírito não significa apenas receber uma orientação para tomar determinada
decisão. O sentido é mais amplo. Trata-se de uma vida que passa a ser conduzida
por Deus.
Ser guiado pelo Espírito é
aprender a obedecer, a direção do Espírito Santo nem sempre coincide com aquilo
que desejamos.
Podemos querer responder com
ira, mas a Palavra nos chama à mansidão.
Podemos desejar guardar
ressentimento, mas somos chamados a perdoar.
Podemos querer justificar
determinada atitude, mas o Espírito nos leva ao reconhecimento do erro.
Ser guiado pelo Espírito,
portanto, envolve submissão.
Não podemos dizer que somos
guiados pelo Espírito se aceitamos sua direção apenas quando ela coincide com a
nossa vontade.
Paulo estabelece uma relação
entre filiação e direção espiritual.
Quem pertence a Deus não
apenas recebe bênçãos de Deus; também aprende a viver debaixo do governo de
Deus.
Isso não significa
perfeição.
O cristão continua
enfrentando tentações, conflitos interiores e momentos de fraqueza. O próprio Romanos
8 fala sobre a luta entre a carne e o Espírito.
A diferença está na direção
da vida.
Quem vive segundo o Espírito
não faz da própria vontade seu senhor. Existe dentro dele o desejo de conhecer
e cumprir a vontade de Deus.
Discernir a voz de Deus
É necessário também ter
cuidado para não chamar de direção do Espírito aquilo que nasce simplesmente de
nossos pensamentos ou desejos.
Uma pessoa pode desejar
muito alguma coisa e interpretar esse desejo como uma resposta de Deus.
Pode tomar uma decisão e
depois dizer que foi “Deus quem mandou”.
Pode sentir uma emoção
intensa e considerá-la uma manifestação espiritual.
Por isso, o discernimento
espiritual é indispensável.
A direção do Espírito Santo
não pode ser colocada em oposição à Palavra de Deus. O Espírito Santo
não conduz o cristão para uma prática que contradiz aquilo que Deus revelou nas
Escrituras.
O Espírito transforma o
caráter
A ação do Espírito não se
limita às decisões que tomamos. Ela alcança o nosso caráter.
Paulo apresenta em Gálatas
5:22-23 o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade,
benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio.
Isso oferece um critério
importante para refletirmos sobre nossa caminhada. A pessoa que deseja ser
conduzida pelo Espírito deve permitir que essa direção produza mudanças reais
em sua maneira de viver.
O Espírito Santo não apenas
nos mostra o que fazer. Ele trabalha em nós para que nos tornemos pessoas
diferentes.
Por isso, uma vida dirigida
pelo Espírito deve produzir frutos visíveis: mais domínio próprio, mais amor,
mais verdade, mais disposição para perdoar, mais humildade e maior compromisso
com Deus.
Romanos 8:14
coloca diante de nós perguntas que não podem ser ignoradas:
Quem está dirigindo nossas
vidas, nossas vontades, nossos desejos, nossas emoções, nossas necessidades de
reconhecimento?
Essa pergunta é importante
porque podemos falar muito sobre Deus e, ainda assim, continuar conduzindo
nossa própria vida.
Ser guiado pelo Espírito
exige entrega.





0 comentários:
Postar um comentário
Conteúdo é ideal para leitores cristãos interessados em doutrina, ética ministerial e fidelidade bíblica.