“Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.” João 20:13
Essa frase de Maria
Madalena, diante do túmulo vazio de Cristo, pode nos conduzir a uma reflexão séria
nos dias atuais: onde colocamos Jesus quando homens, autoridades e interesses
políticos passam a ocupar o centro daquilo que deveria pertencer exclusivamente
a Cristo?
É difícil aceitar a inversão
da centralidade de Cristo que, por vezes, pode ser percebida em determinados
cultos. O púlpito, que deveria ser lugar de proclamação da Palavra de Deus, se
transformar em espaço de homenagens, aproximação e exposição de autoridades
políticas.
E quando isso acontece
durante a Santa Ceia, a preocupação se torna ainda maior.
A Santa Ceia não é momento
para se montar palanque. Não é cerimônia de exaltação a homens. Não é
oportunidade para promover autoridade alguma. A mesa é do Senhor.
O pão aponta para o corpo de
Cristo; o cálice aponta para o seu sangue; e a ordem é clara:
“Isto é o meu corpo, que
é dado por vós; fazei isto em memória de mim.” 1 Coríntios 11:24
Não é “em memória de nós”.
Não é em memória de
políticos.
Não é em memória de
partidos.
Não é em memória de líderes
religiosos.
É em memória de Cristo.
A Igreja pode e deve
respeitar as autoridades, orar por elas e cumprir seu papel como cidadã. Mas
uma coisa é receber uma autoridade com respeito; outra, completamente
diferente, é conceder-lhe um espaço que comprometa a centralidade de Cristo e a
fidelidade aos princípios da Palavra de Deus.
O problema não é
simplesmente a presença de um político dentro da igreja. O problema começa
quando essa presença passa a ocupar um espaço que deveria ser exclusivamente de
Cristo.
E há algo ainda mais
preocupante: quando líderes religiosos fazem questão de abraçar, fotografar-se
e demonstrar publicamente intimidade com políticos de esquerda cujas posições entram
em conflito com princípios claramente apresentados nas Escrituras.
Precisamos ter cuidado.
A Igreja não foi chamada
para trocar a verdade bíblica por conveniência política.
Jesus não precisou de
autoridade política para legitimar sua missão. Ele não subiu ao púlpito para
agradar governantes. Não negociou a verdade para conquistar influência. Não
ajustou sua mensagem para ser aceito pelos poderosos.
Pelo contrário, sua mensagem
confrontava tanto os religiosos quanto os poderosos.
Por isso, quando vejo
líderes religiosos, durante um culto de Santa Ceia, prestando homenagens a
políticos e compartilhando essas demonstrações nas redes sociais, vem à minha
mente o beijo de Judas, registrado em Mateus 26:49.
O beijo de Judas nos conduz
a uma reflexão dolorosa: as moedas que compraram a traição de Cristo continuam
circulando; e a aparência de proximidade, quando acompanhada de infidelidade
aos princípios da Palavra, continua sendo um perigo para a Igreja.
Não temos autoridade para
conhecer as intenções do coração de cada pessoa. Deus conhece o coração. Mas
cabe à Igreja examinar suas atitudes, preservar seus princípios e perguntar se
aquilo que está fazendo realmente honra a Cristo.
Precisamos parar de
perguntar: “Onde colocaram o meu Senhor?”
E começar a perguntar: “Onde
nós estamos colocando o nosso Senhor?”
Precisamos parar de celebrar
excessivamente a presença de homens importantes e voltar a anunciar a presença
daquele que realmente importa.
Precisamos deixar de buscar
fotografias ao lado de autoridades e voltar nossos olhos para a cruz.
A Igreja não precisa de
políticos para ocupar o lugar de Cristo. A Igreja precisa de Cristo.
Se uma autoridade entra no
templo, deve ser recebida com respeito. Mas, se para receber homens precisamos
diminuir a voz da Palavra, comprometer princípios bíblicos, suavizar verdades
das Escrituras ou transformar o púlpito em um palanque político, então alguma
coisa está profundamente errada.
O altar não pertence a
partidos.
O púlpito não pertence a
políticos.
A Santa Ceia não pertence a
autoridades.
Tudo pertence a Cristo.
E talvez seja exatamente por
isso que a frase de Maria Madalena seja tão apropriada para os nossos dias:
“Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram”
Que Deus nos livre de uma
igreja cheia de autoridades, mas vazia de reverência.
Cheia de fotografias, mas
pobre em Palavra.
Cheia de aplausos, mas sem
arrependimento.
Cheia de influência, mas sem
fidelidade.
Cheia de homens importantes,
mas com Cristo colocado em lugar incerto.
Que Jesus não seja apenas
mencionado no culto.
Que Ele seja o centro do
culto.
Porque, quando Cristo deixa
de ocupar o centro, não importa quantas pessoas importantes estejam no altar:
perdemos justamente aquilo que a Igreja jamais poderia perder.
Perdemos a centralidade de
Cristo





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