Porque levaram o meu Senhor?


Vladimir Chaves

“Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.” João 20:13

Essa frase de Maria Madalena, diante do túmulo vazio de Cristo, pode nos conduzir a uma reflexão séria nos dias atuais: onde colocamos Jesus quando homens, autoridades e interesses políticos passam a ocupar o centro daquilo que deveria pertencer exclusivamente a Cristo?

É difícil aceitar a inversão da centralidade de Cristo que, por vezes, pode ser percebida em determinados cultos. O púlpito, que deveria ser lugar de proclamação da Palavra de Deus, se transformar em espaço de homenagens, aproximação e exposição de autoridades políticas.

E quando isso acontece durante a Santa Ceia, a preocupação se torna ainda maior.

A Santa Ceia não é momento para se montar palanque. Não é cerimônia de exaltação a homens. Não é oportunidade para promover autoridade alguma. A mesa é do Senhor.

O pão aponta para o corpo de Cristo; o cálice aponta para o seu sangue; e a ordem é clara:

Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.” 1 Coríntios 11:24

Não é “em memória de nós”.

Não é em memória de políticos.

Não é em memória de partidos.

Não é em memória de líderes religiosos.

É em memória de Cristo.

A Igreja pode e deve respeitar as autoridades, orar por elas e cumprir seu papel como cidadã. Mas uma coisa é receber uma autoridade com respeito; outra, completamente diferente, é conceder-lhe um espaço que comprometa a centralidade de Cristo e a fidelidade aos princípios da Palavra de Deus.

O problema não é simplesmente a presença de um político dentro da igreja. O problema começa quando essa presença passa a ocupar um espaço que deveria ser exclusivamente de Cristo.

E há algo ainda mais preocupante: quando líderes religiosos fazem questão de abraçar, fotografar-se e demonstrar publicamente intimidade com políticos de esquerda cujas posições entram em conflito com princípios claramente apresentados nas Escrituras.

Precisamos ter cuidado.

A Igreja não foi chamada para trocar a verdade bíblica por conveniência política.

Jesus não precisou de autoridade política para legitimar sua missão. Ele não subiu ao púlpito para agradar governantes. Não negociou a verdade para conquistar influência. Não ajustou sua mensagem para ser aceito pelos poderosos.

Pelo contrário, sua mensagem confrontava tanto os religiosos quanto os poderosos.

Por isso, quando vejo líderes religiosos, durante um culto de Santa Ceia, prestando homenagens a políticos e compartilhando essas demonstrações nas redes sociais, vem à minha mente o beijo de Judas, registrado em Mateus 26:49.

O beijo de Judas nos conduz a uma reflexão dolorosa: as moedas que compraram a traição de Cristo continuam circulando; e a aparência de proximidade, quando acompanhada de infidelidade aos princípios da Palavra, continua sendo um perigo para a Igreja.

Não temos autoridade para conhecer as intenções do coração de cada pessoa. Deus conhece o coração. Mas cabe à Igreja examinar suas atitudes, preservar seus princípios e perguntar se aquilo que está fazendo realmente honra a Cristo.

Precisamos parar de perguntar: “Onde colocaram o meu Senhor?”

E começar a perguntar: “Onde nós estamos colocando o nosso Senhor?”

Precisamos parar de celebrar excessivamente a presença de homens importantes e voltar a anunciar a presença daquele que realmente importa.

Precisamos deixar de buscar fotografias ao lado de autoridades e voltar nossos olhos para a cruz.

A Igreja não precisa de políticos para ocupar o lugar de Cristo. A Igreja precisa de Cristo.

Se uma autoridade entra no templo, deve ser recebida com respeito. Mas, se para receber homens precisamos diminuir a voz da Palavra, comprometer princípios bíblicos, suavizar verdades das Escrituras ou transformar o púlpito em um palanque político, então alguma coisa está profundamente errada.

O altar não pertence a partidos.

O púlpito não pertence a políticos.

A Santa Ceia não pertence a autoridades.

Tudo pertence a Cristo.

E talvez seja exatamente por isso que a frase de Maria Madalena seja tão apropriada para os nossos dias:

“Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram”

Que Deus nos livre de uma igreja cheia de autoridades, mas vazia de reverência.

Cheia de fotografias, mas pobre em Palavra.

Cheia de aplausos, mas sem arrependimento.

Cheia de influência, mas sem fidelidade.

Cheia de homens importantes, mas com Cristo colocado em lugar incerto.

Que Jesus não seja apenas mencionado no culto.

Que Ele seja o centro do culto.

Porque, quando Cristo deixa de ocupar o centro, não importa quantas pessoas importantes estejam no altar: perdemos justamente aquilo que a Igreja jamais poderia perder.

Perdemos a centralidade de Cristo

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