Redução das taxas do DPVAT será de até 85,4%


Vladimir Chaves


O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) aprovou hoje (27) a redução dos valores a serem pagos na contratação do seguro obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT). Em 2020, o custo para proprietários de carros será R$ 5,23. O novo valor representa uma queda de 67,7% em relação ao cobrado em 2019. No caso das motos, a redução é ainda maior. O preço do seguro será R$ 12,30 e é 85,4% menor do que o praticado neste ano.

A redução drástica dos valores também se observa nas demais categorias: o preço para ônibus com frete será R$ 10,57; para ônibus sem frete será R$ 8,11 e para caminhões R$ 5,78.

Os conselheiros também aprovaram a realização de um estudo acerca do fim do monopólio. Atualmente, os valores acumulados por meio do DPVAT são administrados unicamente pela Seguradora Líder, criada em 2007 como um consórcio das seguradoras responsáveis pela garantia das indenizações.

Um projeto detalhado deverá ser elaborado e concluído até agosto de 2020. Nele, serão apresentadas as regras que deverão vigorar a partir de 2021. O objetivo é permitir qualquer seguradora possa comercializar o seguro DPVAT, dando mais opções para que o proprietário de veículo possa escolher livremente qual delas vai contratar. Nesse caso, caberia ao CNSP definir um teto para os preços a serem praticados.

Valores distorcidos

A queda no valor do DPVAT vem se acentuando desde 2016, ano em que era cobrado R$ 105,65 para os carros, por exemplo. Esse preço caiu para R$ 68,10 em 2017, depois para R$ 45,72 em 2018, chegou a R$ 16,21 em 2019 e será de R$ 5,23 em 2020. Considerando todo o período, trata-se de uma redução de 95%. No caso das motos, a queda nos últimos quatro anos chega a 95,7%. Saiu de R$ 292,01 em 2016 e caiu para R$ 185,50 em 2017, preço que se manteve em 2018. No ano passado, o valor passou para R$ 84,58 e chegará aos R$ 12,30 no próximo ano.

De acordo com a superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, houve uma distorção nos preços dos últimos anos que geraram um excedente de R$ 5,8 bilhões. "Entre outros fatores, foram majorados por processos de corrupção que a Operação Tempo de Despertar apurou em 2015. A precificação do seguro ficou maior durante um período de tempo e isso tem sido corrigido", disse. A Operação Tempo de Despertar identificou fraudes no DPVAT e resultou em prisões temporárias, conduções coercitivas, busca e apreensão, quebras de sigilo, além de aproximadamente 120 ações penais e civis públicas.

Segundo a superintendente do Susep, os valores definidos para 2020 podem ser mantidos por quatro anos que ainda assim não haverá prejuízo para a cobertura dos acidentados, caso não ocorram variações significativas nas estatísticas de indenizações pagas. A superintende diz, porém, que os preços para o ano seguinte devem sempre ser definidos em reunião do CNSP, que ocorre todos os meses de dezembro.

Proposta

Tanto os novos valores para 2020 quanto o fim do monopólio foram propostos pela Susep, autarquia vinculada ao Ministério da Economia. "O CNSP entendeu que esse modelo de operação precisava ser revisto por conta da recente aprovação da Lei da Liberdade Econômica que prega a concorrência", disse a superintendente da Susep.

O pagamento obrigatório do DPVAT é previsto na Lei Federal 6.194/1974, que chegou a ser revogada pelo presidente Jair Bolsonaro por meio de uma medida provisória editada no início de novembro. No entanto, a Rede contestou o fim do DPVAT por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade. O partido sustentou, entre outros argumentos, que o seguro é necessário porque permite que as vítimas de acidentes de trânsito tenham proteção social garantida no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na semana passada, a questão foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte entendeu que o DPVAT cumpre uma função social constitucional e derrubou a medida provisória . Após a decisão do STF, o advogado-geral da União, André Mendonça, anunciou que o governo federal não vai recorrer .

Repasses ao SUS

Conforme a Lei Federal 6.194/1974, os recursos do DPVAT devem assegurar três coberturas. O valor atual da indenização por morte é de R$ 13,5 mil. Nos casos de invalidez permanente, os valores variam conforme o tipo e a intensidade da sequela, mas podem chegar aos mesmos R$ 13,5 mil. O reembolso de despesas médicas e suplementares tem teto de R$ 2,7 mil.

A Seguradora Líder defende que o DPVAT é importante para o SUS e protege especialmente a população de renda mais baixa. Ela sustenta que o Brasil está entre os dez países que apresentam os mais elevados números de mortes por acidentes de trânsito e que, de cada 10 veículos, menos de três possuem cobertura por algum tipo de seguro facultativo. Mais de 70% transitam somente com o seguro obrigatório.

Conforme consta em seu site, a Seguradora Líder repassou ao SUS 45% dos R$ 4,6 bilhões arrecadados em 2018, ou seja, cerca de R$ 2,1 bilhões. Foram pagas 103.068 indenizações por invalidez permanente, 18.841 indenizações por morte e 33.123 indenizações para despesas médicas.

De outro lado, a equipe econômica do governo federal divulgou um estudo  no qual a parcela do seguro obrigatório repassado ao SUS em 2019 foi de R$ 965 milhões. De acordo com a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, os valores mostram que o DPVAT têm pouco impacto para a saúde pública, já que equivale a 0,79% do orçamento total definido para a área deste ano.


Agencia Brasil

sábado, 28 de dezembro de 2019

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Dois em cada três brasileiros não confia na imprensa


Vladimir Chaves


O Paraná Pesquisas divulgou pesquisa e o resultado aponta que a maioria dos brasileiros afirma que a imprensa não é isenta com o governo federal.

Segundo os dados, 62,4% dos entrevistados não acreditam que a imprensa é isenta com o governo Bolsonaro.

Outros 32,8% acreditam que “sim” e 4,95 não quiseram responder.

Os entrevistados também responderam a pergunta de qual o veículo de comunicação mais usam para se informar e 42,1% disseram a internet, seguido por televisão (35,7%), rádio (5,9%), Facebook (5,7%) e jornal impresso (3,6%) são os mais utilizados.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

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Ibovespa supera 116 mil pontos com investidor já de olho em 2020


Vladimir Chaves


O Ibovespa renovava máximas nesta quinta-feira, na volta do feriado do Natal, superando os 116 mil pontos pela primeira vez, conforme agentes financeiros já miram 2020 com expectativas favoráveis para o país e de um avanço prometido nas relações comerciais entre os Estados Unidos e a China.

Às 11:08, o Ibovespa subia 0,31 %, a 116.217,29 pontos. O volume financeiro somava 1,6 bilhão de reais.

De acordo com analistas da Guide Investimentos, na falta de novidades e em um cenário de liquidez reduzida, investidores passam a voltar a suas atenções para 2020, na expectativa de que a fase 1 do acordo comercial firmado entre China e EUA entre em vigor a partir de janeiro, conforme nota a clientes.

“Uma melhor perspectiva para o desfecho das conversas entre as duas maiores potências globais combinada à manutenção da postura mais acomodatícia adotada pelos principais bancos centrais ao longo de 2019 deverão ser os principais ‘drivers’ (fatores) dos mercados no início do ano que vem”, disse a Guide.

A equipe da XP Investimentos também destacou em relatório a clientes que o horizonte está limpo e aberto para o Brasil no próximo ano. “Os preparos necessários já foram feitos e, agora, estamos na cabeceira da pista, prontos para decolar. Esse é o Brasil de 2020.”

Para analistas, gestores, economistas e estrategistas da casa, o rastro da crise econômica começa, enfim, a ficar para trás. “2019 foi um ano transformacional e acreditamos que 2020 será exponencial”, estima a equipe liderada por Karel Luketic, que espera uma grande e constante migração de ativos para a bolsa.

DESTAQUES

- VIA VAREJO ON avançava 2,83%, a 12 reais, renovando máximas, caminhando para fechar o ano com valorização de mais de 170%, na esteira de apostas em um ‘turnaround’ da empresa após mudança no comando em meados de 2019, bem como expectativas de melhora da economia do país. No setor, MAGAZINE LUIZA ON subia 0,47% e B2W tinha alta de 1,34%.

- MARFRIG ON valorizava-se 2,55%, em sessão de recuperação, após uma sequência de nove pregões de baixa, em que acumulou declínio de 16%.

- ELETROBRAS ON perdia 2,26% e ELETROBRAS PNB recuava 0,29%. A estatal de energia informou na noite de segunda-feira que uma operação para aumento de capital resultou na subscrição privada de 7,47 bilhões de reais em ações da companhia. A Eletrobras afirmou ainda que realizará o pagamento de 1,25 bilhão de reais em dividendos em 30/12.

Créditos: SÃO PAULO (Reuters)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

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PGR recorre de decisão que mandou soltar ex-governador da Paraíba


Vladimir Chaves


A Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu da decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Napoleão Nunes Maia, que determinou a soltura do ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho. O recurso foi apresentado na noite de ontem (23) ao próprio tribunal.

No sábado (21), Maia atendeu a um pedido de habeas corpus protocolado pela defesa do ex-governador. Para o ministro, a decisão que determinou a prisão, proferida pela Justiça da Paraíba, não estava fundamentada.

Coutinho foi preso na quinta-feira (19), na Operação Calvário, da Policia Federal (PF), que investiga o desvio de R$ 134,2 milhões em verbas públicas da saúde no estado, durante o período em que ele esteve no cargo.

No recurso, o subprocurador Humberto Jacques de Medeiros sustenta que a decisão de Napoleão Maia não levou em conta análise individualizada da conduta de cada investigado. Além de Coutinho, outros presos também foram soltos pela decisão do ministro.

"Na decisão proferida em favor de Ricardo Coutinho, apenas foram tecidas considerações a respeito dele. Assim, nota-se que a ausência de demonstração de que os casos são semelhantes já seria motivo suficiente para o afastamento da decisão ora impugnada", argumentou o subprocurador.

Após a expedição do decreto de prisão, o ex-governador negou as acusações e disse que "jamais seria possível o estado ser governado por uma organização criminosa e ter vivenciado avanços nas obras e políticas sociais nunca antes registrados".

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

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