Não é pelo que fazemos, é pelo que Cristo fez


Vladimir Chaves


“Sabendo, contudo, qu
e o homem não é justificado por obra da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fossemos justificados pela fé em Cristo e não nas obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será salvo” Gálatas 2:16

Gálatas 2:16 nos conduz a uma das verdades mais profundas do Evangelho: ninguém consegue ser justificado diante de Deus pelos próprios méritos. Paulo afirma que o ser humano não é declarado justo pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo.

Isso nos faz refletir sobre uma tendência muito comum do coração humano: querer conquistar tudo por mérito. Estudamos para obter um diploma, trabalhamos para receber um salário e nos esforçamos para alcançar reconhecimento. É natural pensar que, diante de Deus, também precisamos apresentar uma lista de coisas boas para provar que somos dignos.

Mas o Evangelho quebra essa lógica.

Deus não nos salva porque somos bons o suficiente. Deus nos salva porque Cristo é suficiente.

A fé em Jesus significa abandonar a confiança em nossa própria capacidade de alcançar a justiça e confiar inteiramente naquilo que Cristo fez por nós. Não significa que as boas obras não tenham importância. Pelo contrário: aquele que verdadeiramente encontra Cristo começa a viver de maneira diferente.

As obras não são a raiz da salvação, mas podem ser fruto dela.

Uma árvore não produz frutos para se tornar uma árvore. Ela produz frutos porque é uma árvore saudável. Da mesma maneira, não praticamos o bem para comprar a salvação; praticamos o bem porque fomos alcançados pela graça de Deus.

Por isso, existe uma diferença enorme entre fazer boas obras para ser salvo e fazer boas obras porque fomos salvos.

A primeira coloca a confiança no homem.

A segunda coloca a confiança em Cristo.

Gálatas 2:16 também nos livra de dois perigos. O primeiro é o orgulho espiritual: pensar que somos melhores do que os outros porque fazemos mais coisas certas. O segundo é o desespero espiritual: imaginar que Deus não pode nos aceitar porque nossas falhas são grandes demais.

A graça destrói os dois.

Se a salvação dependesse de nossos méritos, ninguém poderia ter segurança. Sempre haveria algo que faltaria. Mas quando nossa esperança está em Cristo, podemos dizer com humildade: “Não confio na minha própria justiça; confio na justiça de Cristo.”

Isso não é licença para pecar. É um convite para viver uma nova vida.

Paulo deixa isso claro logo adiante, em Gálatas 2:20: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim...”

Aquele que foi justificado pela fé não permanece indiferente à graça recebida. Ele passa a desejar agradar a Deus, não para comprar seu amor, mas porque já experimentou esse amor.

Talvez essa seja uma das maiores lições de Gálatas 2:16:

Não precisamos trabalhar para conquistar aquilo que Cristo já realizou na cruz. Precisamos crer, receber a graça e permitir que essa graça transforme nossa maneira de viver.

No fim, a pergunta não é: “Será que eu fiz o suficiente para Deus me aceitar?”

A pergunta correta é: “Em quem está depositada a minha confiança: em mim mesmo ou em Jesus Cristo?”

Porque, diante de Deus, nossa esperança não está naquilo que conseguimos fazer por Ele, mas, antes de tudo, naquilo que Cristo fez por nós.

0 comentários:

Postar um comentário

Conteúdo é ideal para leitores cristãos interessados em doutrina, ética ministerial e fidelidade bíblica.