Ensinar a Palavra não é
apenas uma atividade da Igreja. É uma missão.
“Procura apresentar-te a
Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a
palavra da verdade.” 2 Timóteo 2:15
Hoje, 20 de setembro,
celebramos o Dia Nacional da Escola Bíblica Dominical. É uma data importante
para reconhecer o valor de um dos mais antigos e relevantes ministérios de
ensino da Igreja.
A EBD não é apenas mais uma
reunião na programação semanal. É lugar de ensino, discipulado, formação cristã
e crescimento espiritual por meio da Palavra de Deus.
Foi na Escola Bíblica
Dominical que muitos aprenderam suas primeiras histórias bíblicas, conheceram
os fundamentos da fé cristã e descobriram que seguir a Cristo exige mais do que
emoção: exige conhecimento, obediência e prática da Palavra.
Mas talvez a melhor maneira
de celebrar a EBD seja fazendo uma pergunta incômoda:
Estamos realmente ensinando
a Bíblia?
UMA ESCOLA BÍBLICA COM A
BÍBLIA FECHADA
Precisamos reconhecer uma
realidade que nem sempre queremos discutir: em algumas igrejas, a Escola
Bíblica Dominical vem sendo negligenciada.
Há salas cada vez mais
vazias, professores desmotivados e alunos que não encontram na EBD o interesse
pelo conhecimento das Escrituras que deveriam encontrar.
Mas existe um problema ainda
mais profundo.
Em algumas classes, a Bíblia
está sendo substituída pela revista.
A revista de lições é uma
ferramenta útil. Ela pode organizar temas, apresentar referências, auxiliar o
professor e facilitar o planejamento da aula. Mas ela não foi criada para
ocupar o lugar das Escrituras.
A revista deve conduzir à
Bíblia, não substituir a Bíblia.
Quando o professor lê a
revista, comenta a revista, segue a revista do início ao fim e termina a aula
sem praticamente abrir, ler, explicar e examinar o texto bíblico, temos um
problema sério.
Não estamos falando de uma
aula sobre a Bíblia.
Estamos falando de uma aula
sobre uma revista que fala sobre a Bíblia.
E existe uma diferença
enorme entre as duas coisas.
Uma EBD verdadeiramente
bíblica precisa colocar as Escrituras no centro. O professor deve abrir o
texto, ler o contexto, explicar seu significado, comparar Escritura com
Escritura e mostrar ao aluno como aquela verdade se aplica à vida.
A revista é instrumento. A
Bíblia é fundamento.
Uma não pode tomar o lugar
da outra.
Jesus advertiu: “Errais, não
conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” Mateus 22:29
Uma Igreja que conhece pouco
as Escrituras torna-se vulnerável ao erro, à superficialidade e às opiniões
humanas.
Por isso, uma Escola Bíblica
sem Bíblia aberta contradiz a própria razão de sua existência.
O PROFESSOR NÃO PODE SER
APENAS UM LEITOR DE REVISTA
Outro ponto precisa ser
tratado com seriedade: a preparação dos professores.
Ser professor da EBD não
significa simplesmente ocupar uma classe, ler o comentário da lição e conduzir
uma conversa.
Quem ensina a Palavra
recebeu uma grande responsabilidade.
O professor precisa estudar.
Precisa conhecer o texto bíblico. Precisa compreender o contexto. Precisa
distinguir opinião pessoal de ensino das Escrituras. Precisa estar disposto a
aprender continuamente.
A Bíblia diz: “Meus irmãos, não
vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo”
Tiago 3:1
Essa advertência não
significa que somente especialistas podem ensinar. Significa que ninguém
deveria assumir o ensino da Palavra de Deus de maneira irresponsável.
Professor que não estuda
corre o risco de transformar a aula bíblica em opinião pessoal.
Professor que apenas
reproduz a revista corre o risco de transformar o ensino em leitura comentada.
Mas professor que estuda as
Escrituras pode fazer da EBD um verdadeiro ambiente de formação de discípulos.
A REVISTA É AUXÍLIO. A
BÍBLIA É A AUTORIDADE.
É preciso recuperar esse
princípio.
Não há problema em utilizar
uma revista de Escola Bíblica. O problema começa quando a ferramenta passa a
ocupar o lugar da fonte.
A revista pode indicar o
caminho, mas é a Bíblia que deve conduzir a aula.
A revista pode apresentar
uma explicação, mas o aluno precisa aprender a examinar as Escrituras.
A revista pode organizar o
conteúdo, mas a autoridade final continua sendo a Palavra de Deus.
Se amanhã uma revista deixar
de existir, a EBD deve continuar.
Se um comentário mudar, a
verdade das Escrituras permanece.
Se uma interpretação humana
precisar ser corrigida, a Bíblia continua sendo a referência.
Por isso, não devemos formar
alunos que saibam apenas acompanhar uma revista.
Precisamos formar cristãos
que saibam abrir a Bíblia, ler a Bíblia, compreender a Bíblia e viver a Bíblia.
NÃO PODEMOS TRATAR A EBD
COMO ATIVIDADE SECUNDÁRIA
Uma igreja pode ter
excelentes cultos, boa música, equipamentos modernos, grandes eventos e uma
agenda cheia.
Tudo isso tem seu lugar.
Mas nada disso substitui o
ensino sistemático da Palavra de Deus.
A Igreja precisa adorar, precisa
evangelizar, precisa servir, precisa orar e precisa aprender.
A igreja primitiva “E
perseveravam na doutrina dos apóstolos” (Atos 2:42).
O ensino não era um detalhe
da vida cristã. Fazia parte da própria identidade daquela comunidade.
Por isso, a EBD não deveria
ser tratada como uma reunião para preencher o domingo pela manhã.
É uma escola de formação
cristã.
E uma escola de formação
cristã não pode sobreviver de superficialidade.
NESTE DIA, A PERGUNTA
PRECISA SER MAIS PROFUNDA
Neste Dia Nacional da Escola
Bíblica Dominical, talvez não devêssemos perguntar apenas: Quantas pessoas
estão frequentando a EBD?
Precisamos perguntar:
Estamos realmente ensinando
a Bíblia?
As Bíblias estão abertas
durante as aulas?
A revista está servindo à
Bíblia ou ocupando o lugar da Bíblia?
Os alunos estão aprendendo a
interpretar e aplicar as Escrituras?
Estamos formando discípulos
ou apenas cumprindo uma programação semanal?
O verdadeiro sucesso da EBD
não está apenas em quantos estão sentados na sala, mas em quantos estão sendo
formados pela Palavra de Deus.
É HORA DE RECUPERAR O CENTRO
Precisamos de professores
que estudem antes de ensinar.
Precisamos de alunos que
tenham fome da Palavra.
Precisamos de líderes que
valorizem o ensino bíblico.
Precisamos de famílias que
incentivem seus filhos a participar.
Precisamos de igrejas que
compreendam que discipular não é apenas reunir pessoas; é ensiná-las a viver
segundo as Escrituras.
E precisamos devolver à
Bíblia ao lugar que jamais deveria ter saído.
Que a revista continue sendo
utilizada como ferramenta. Mas que a Bíblia volte a ser o centro.
Jesus declarou: “Santifica-os
na verdade; a tua palavra é a verdade.” João 17:17
Neste Dia Nacional da Escola
Bíblica Dominical, não celebremos apenas uma tradição.
Reafirmemos uma missão.
Não basta ter uma revista, é
preciso ter a Bíblia aberta.
Não basta dar uma aula, é
preciso ensinar a verdade.
Não basta reunir alunos, é preciso
formar discípulos.
Não basta manter a EBD
funcionando, é preciso fazê-la cumprir aquilo para o qual existe: ensinar a
Palavra de Deus.
Feliz Dia Nacional da Escola
Bíblica Dominical!




