Dia Nacional da EBD: Celebrar ou reconhecer a negligência do ensino bíblico?


Vladimir Chaves

Ensinar a Palavra não é apenas uma atividade da Igreja. É uma missão.

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” 2 Timóteo 2:15

Hoje, 20 de setembro, celebramos o Dia Nacional da Escola Bíblica Dominical. É uma data importante para reconhecer o valor de um dos mais antigos e relevantes ministérios de ensino da Igreja.

A EBD não é apenas mais uma reunião na programação semanal. É lugar de ensino, discipulado, formação cristã e crescimento espiritual por meio da Palavra de Deus.

Foi na Escola Bíblica Dominical que muitos aprenderam suas primeiras histórias bíblicas, conheceram os fundamentos da fé cristã e descobriram que seguir a Cristo exige mais do que emoção: exige conhecimento, obediência e prática da Palavra.

Mas talvez a melhor maneira de celebrar a EBD seja fazendo uma pergunta incômoda:

Estamos realmente ensinando a Bíblia?

UMA ESCOLA BÍBLICA COM A BÍBLIA FECHADA

Precisamos reconhecer uma realidade que nem sempre queremos discutir: em algumas igrejas, a Escola Bíblica Dominical vem sendo negligenciada.

Há salas cada vez mais vazias, professores desmotivados e alunos que não encontram na EBD o interesse pelo conhecimento das Escrituras que deveriam encontrar.

Mas existe um problema ainda mais profundo.

Em algumas classes, a Bíblia está sendo substituída pela revista.

A revista de lições é uma ferramenta útil. Ela pode organizar temas, apresentar referências, auxiliar o professor e facilitar o planejamento da aula. Mas ela não foi criada para ocupar o lugar das Escrituras.

A revista deve conduzir à Bíblia, não substituir a Bíblia.

Quando o professor lê a revista, comenta a revista, segue a revista do início ao fim e termina a aula sem praticamente abrir, ler, explicar e examinar o texto bíblico, temos um problema sério.

Não estamos falando de uma aula sobre a Bíblia.

Estamos falando de uma aula sobre uma revista que fala sobre a Bíblia.

E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.

Uma EBD verdadeiramente bíblica precisa colocar as Escrituras no centro. O professor deve abrir o texto, ler o contexto, explicar seu significado, comparar Escritura com Escritura e mostrar ao aluno como aquela verdade se aplica à vida.

A revista é instrumento. A Bíblia é fundamento.

Uma não pode tomar o lugar da outra.

Jesus advertiu: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” Mateus 22:29

Uma Igreja que conhece pouco as Escrituras torna-se vulnerável ao erro, à superficialidade e às opiniões humanas.

Por isso, uma Escola Bíblica sem Bíblia aberta contradiz a própria razão de sua existência.

O PROFESSOR NÃO PODE SER APENAS UM LEITOR DE REVISTA

Outro ponto precisa ser tratado com seriedade: a preparação dos professores.

Ser professor da EBD não significa simplesmente ocupar uma classe, ler o comentário da lição e conduzir uma conversa.

Quem ensina a Palavra recebeu uma grande responsabilidade.

O professor precisa estudar. Precisa conhecer o texto bíblico. Precisa compreender o contexto. Precisa distinguir opinião pessoal de ensino das Escrituras. Precisa estar disposto a aprender continuamente.

A Bíblia diz: “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo” Tiago 3:1

Essa advertência não significa que somente especialistas podem ensinar. Significa que ninguém deveria assumir o ensino da Palavra de Deus de maneira irresponsável.

Professor que não estuda corre o risco de transformar a aula bíblica em opinião pessoal.

Professor que apenas reproduz a revista corre o risco de transformar o ensino em leitura comentada.

Mas professor que estuda as Escrituras pode fazer da EBD um verdadeiro ambiente de formação de discípulos.

A REVISTA É AUXÍLIO. A BÍBLIA É A AUTORIDADE.

É preciso recuperar esse princípio.

Não há problema em utilizar uma revista de Escola Bíblica. O problema começa quando a ferramenta passa a ocupar o lugar da fonte.

A revista pode indicar o caminho, mas é a Bíblia que deve conduzir a aula.

A revista pode apresentar uma explicação, mas o aluno precisa aprender a examinar as Escrituras.

A revista pode organizar o conteúdo, mas a autoridade final continua sendo a Palavra de Deus.

Se amanhã uma revista deixar de existir, a EBD deve continuar.

Se um comentário mudar, a verdade das Escrituras permanece.

Se uma interpretação humana precisar ser corrigida, a Bíblia continua sendo a referência.

Por isso, não devemos formar alunos que saibam apenas acompanhar uma revista.

Precisamos formar cristãos que saibam abrir a Bíblia, ler a Bíblia, compreender a Bíblia e viver a Bíblia.

NÃO PODEMOS TRATAR A EBD COMO ATIVIDADE SECUNDÁRIA

Uma igreja pode ter excelentes cultos, boa música, equipamentos modernos, grandes eventos e uma agenda cheia.

Tudo isso tem seu lugar.

Mas nada disso substitui o ensino sistemático da Palavra de Deus.

A Igreja precisa adorar, precisa evangelizar, precisa servir, precisa orar e precisa aprender.

A igreja primitiva “E perseveravam na doutrina dos apóstolos” (Atos 2:42).

O ensino não era um detalhe da vida cristã. Fazia parte da própria identidade daquela comunidade.

Por isso, a EBD não deveria ser tratada como uma reunião para preencher o domingo pela manhã.

É uma escola de formação cristã.

E uma escola de formação cristã não pode sobreviver de superficialidade.

NESTE DIA, A PERGUNTA PRECISA SER MAIS PROFUNDA

Neste Dia Nacional da Escola Bíblica Dominical, talvez não devêssemos perguntar apenas: Quantas pessoas estão frequentando a EBD?

Precisamos perguntar:

Estamos realmente ensinando a Bíblia?

As Bíblias estão abertas durante as aulas?

A revista está servindo à Bíblia ou ocupando o lugar da Bíblia?

Os alunos estão aprendendo a interpretar e aplicar as Escrituras?

Estamos formando discípulos ou apenas cumprindo uma programação semanal?

O verdadeiro sucesso da EBD não está apenas em quantos estão sentados na sala, mas em quantos estão sendo formados pela Palavra de Deus.

É HORA DE RECUPERAR O CENTRO

Precisamos de professores que estudem antes de ensinar.

Precisamos de alunos que tenham fome da Palavra.

Precisamos de líderes que valorizem o ensino bíblico.

Precisamos de famílias que incentivem seus filhos a participar.

Precisamos de igrejas que compreendam que discipular não é apenas reunir pessoas; é ensiná-las a viver segundo as Escrituras.

E precisamos devolver à Bíblia ao lugar que jamais deveria ter saído.

Que a revista continue sendo utilizada como ferramenta. Mas que a Bíblia volte a ser o centro.

Jesus declarou: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” João 17:17

Neste Dia Nacional da Escola Bíblica Dominical, não celebremos apenas uma tradição.

Reafirmemos uma missão.

Não basta ter uma revista, é preciso ter a Bíblia aberta.

Não basta dar uma aula, é preciso ensinar a verdade.

Não basta reunir alunos, é preciso formar discípulos.

Não basta manter a EBD funcionando, é preciso fazê-la cumprir aquilo para o qual existe: ensinar a Palavra de Deus.

Feliz Dia Nacional da Escola Bíblica Dominical!

domingo, 20 de setembro de 2026

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