Um contraste atravessa os
séculos e confronta a consciência da Igreja: de um lado, a ousadia dos
apóstolos; de outro, a acomodação de muitos líderes espirituais da atualidade.
Não se trata de idealizar o passado nem de demonizar o presente, mas de reconhecer
uma verdade incontornável: o Evangelho jamais foi chamado a se moldar ao
sistema, e sim a transformá-lo.
Após a ressurreição de Jesus
Cristo, os apóstolos não receberam promessas de conforto, prestígio ou
segurança institucional. Receberam uma missão; e a cumpriram com coragem.
Pregaram o que era proibido, falaram mesmo quando ameaçados e permaneceram
fiéis quando o silêncio parecia a opção mais segura. Sua ousadia não brotava de
ambição pessoal, mas da convicção profunda de que obedecer a Deus vale mais do
que agradar aos homens. Por isso, foram perseguidos, presos e mortos; não como
derrotados, mas como testemunhas fiéis.
Em contraste, o cenário
atual revela uma realidade inquietante: líderes que negociam a verdade para
preservar posições, ajustam a mensagem para evitar o confronto com o pecado e
preferem a aprovação do sistema vigente à fidelidade às Escrituras. A cruz, antes
o centro da mensagem, torna-se mero ornamento. O arrependimento cede espaço à
autoajuda. A santidade é relativizada para manter audiência. Onde antes havia
fogo, agora há cálculo.
Essa adaptação ao sistema
não é neutra. Ela cobra um preço elevado: a perda da autoridade espiritual.
Quando a Igreja deixa de ser profética, passa a ser apenas decorativa. Quando
sua voz se cala para não desagradar, sua luz se apaga para não incomodar. O
Evangelho, então, já não confronta; limita-se a confirmar o status quo.
Os apóstolos sabiam que o
destino de uma fé ousada poderia ser o martírio, e, ainda assim, avançaram.
Muitos líderes contemporâneos, porém, temem o custo da fidelidade e escolhem a
rota da conveniência. O resultado é uma fé sem cicatrizes, mas também sem
poder; sem perseguição, porém sem impacto.
A pergunta que permanece não
diz respeito a métodos, estilos ou plataformas, mas à lealdade. A quem servimos
quando a verdade nos custa algo? O sistema sempre recompensará os que se
adaptam. Deus, porém, honra os que permanecem fiéis. A história testemunha: a
Igreja cresceu não quando se misturou ao sistema, mas quando teve coragem de
enfrentá-lo com amor, verdade e ousadia.
Ser ousado hoje talvez não
conduza à cruz física, mas certamente exigirá renúncia, perdas e incompreensão.
Ainda assim, esse é o caminho que ecoa o testemunho apostólico. Porque, no fim,
não é a aprovação do sistema que define o destino eterno, mas a fidelidade ao
chamado.






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