Por Fabiana Bentes: Para Joaquim Barbosa


Vladimir Chaves

Não quero chamá-lo de Ministro ou colocar qualquer outro tratamento, quero chamá-lo de Joaquim Barbosa. Não foi pelo cargo que você entrou nos lares, ministros há vários, você entrou nos lares porque você é Joaquim Barbosa. Sua notoriedade, incrivelmente, falando de Brasil, não aconteceu porque você é rico, ator ou um cantor romântico que amolece o coração de milhões de pessoas, sua notoriedade veio por algo que falta no país.

Para mim, é muito estranho pensar que foi pela falta que você ganhou notoriedade, e é essa mesma falta que me preocupa drasticamente... Uma sociedade que dá notoriedade para alguém, é porque esse alguém fez algo além do normal, do possível, do talvez inatingível para os pobres mortais. Para este reconhecimento existem os prêmios Nobel por exemplo... da paz, da economia e assim por diante. Mas não há o "Prêmio Nobel da Falta", mas no Brasil há a notoriedade pela falta.

Nunca tivemos líderes premiados, como citei, nos prêmios Nobel. Mas os cidadãos brasileiros escolheram você para entrar em suas casas. Claro, ninguém é bem-vindo em todos os lugares. Há pessoas que gostam por gostar, gostam por interesse, não gostam por não gostar e também não gostam por interesse. Mas ninguém ganha notoriedade por causa de uma minoria, e isso acontece tanto no Brasil como fora dele. Quando a maioria percebe algum valor, a notoriedade acontece.

Para um país carente de celebridades com profundidade intelectual, que realmente desejam e fazem mudanças positivas num país, você, Joaquim Barbosa, adquiriu um status que os papagaios de plantão diriam ser pouco provável. Um Ministro como qualquer outro… Mas você adquiriu um status tão espetacular, como se fosse o de um filme que os diretores demoraram tanto para produzir, que os espectadores esperaram anos para ver, e que os analistas comerciais estudaram tanto um mercado para atingir o público de A ao Z com a mesma sensação de querer mais. Mas você conseguiu.

Essa falta, Joaquim Barbosa, chama-se lei. A lei que os cidadãos de um país, numa democracia, devem respeitar e temer. Sua notoriedade veio porque falta a representação de aqui há regras, hierarquia, punição e para quem não a cumpre, não há liberdade. E quando um país dá a notoriedade para alguém que aplica a lei, é porque aplica-la não é comum. Entendeu, agora, porque a sua notoriedade pela falta me preocupa drasticamente?

Agradeço Joaquim, que você tenha mostrado que a lei é possível. Agradeço também, ter deixado perceber que o brasileiro há anos espera por ela. Lamento, porém, que com a sua ausência sentiremos novamente a dor da falta: a injusta, que é a sua e a inadmissível, que é a da lei.

País rico é país sem pobreza DE CARÁTER.


Fabiana Bentes.

Texto publicado originalmente na pagina "Facebook" de Fabiana Bentes.

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