Há momentos em que uma
eleição deixa de ser apenas uma disputa por cargos. As urnas passam a funcionar
como um termômetro de um país inquieto e determinado a ser ouvido.
O 4 de outubro foi um desses
momentos.
Enquanto analistas se
debruçam sobre números, alianças e estratégias eleitorais, uma mensagem
política emergiu com força entre milhões de brasileiros:
“Presidente Bolsonaro, nós
ainda estamos aqui.”
Não se trata apenas da
escolha de candidatos. Para seus apoiadores, trata-se de lealdade, identidade e
resistência. Trata-se de demonstrar que a ausência de Bolsonaro dos palanques
não significou seu desaparecimento da política brasileira.
Ao contrário.
Quando um líder é impedido
de falar diretamente com seus eleitores, o silêncio pode assumir uma dimensão
política própria. E foi pelas urnas que seu eleitorado encontrou uma maneira de
responder.
De norte a sul do país,
candidatos identificados com o bolsonarismo receberam votos que carregam um
significado que vai além dos nomes impressos na urna. Para seus eleitores, cada
voto também representa uma mensagem: a liderança de Bolsonaro não desaparece
simplesmente porque decisões políticas ou alguns tiranos determinaram que ela
deveria desaparecer.
Pode-se apoiar Bolsonaro ou
rejeitá-lo. Pode-se concordar com suas ideias ou combatê-las. Isso é
democracia.
O que não se pode fazer, em
uma democracia, é fingir que milhões de eleitores deixaram de existir porque
sua preferência política incomoda.
Bolsonaro se tornou uma das
maiores lideranças populares da história recente do Brasil. Seu nome mobiliza
milhões, desperta paixões, provoca rejeições e ocupa um espaço central no
debate político nacional. Essa realidade não pode ser apagada por decretos,
decisões judiciais, restrições políticas ou pelo desejo de seus adversários.
Pode-se retirar um homem do
palanque.
Pode-se limitar sua atuação
política.
Pode-se impedir que ele faça
campanha.
Mas não se pode determinar
por decreto o que milhões de brasileiros devem pensar, sentir ou votar.
É aí que reside a força da
urna.
A urna não discute. Não
grita. Não ameaça. Não precisa de microfone.
Ela simplesmente registra a
escolha do eleitor.
E, quando milhões fazem a
mesma escolha, o silêncio deixa de ser silêncio.
Transforma-se em mensagem.
Transforma-se em força
política.
Transforma-se em voz.
Neste 4 de outubro, milhões
de brasileiros tiveram uma maneira simples de dizer que continuam atentos. Que
continuam participando. Que não aceitam ser tratados como uma parcela
irrelevante da sociedade.
Cada voto foi uma mensagem.
E, somados, esses votos
formaram um recado impossível de ignorar.
Bolsonaro ainda ocupa um
lugar central na política brasileira.
Seus apoiadores não se
sentem representados pelas tentativas de encerrar sua trajetória política. E,
mais importante, não parecem dispostos a desaparecer do cenário nacional apenas
porque determinados setores gostariam que isso acontecesse.
É possível discordar dessa
interpretação.
É legítimo contestá-la.
Mas não é razoável fingir
que ela não existe.
Democracias verdadeiras não
funcionam apenas quando o resultado agrada. A democracia é justamente o
mecanismo que obriga todos a conviverem com a existência do outro; inclusive
quando suas ideias incomodam, desafiam ou contrariam aquilo em que acreditamos.
Essa talvez seja a principal
lição deste domingo.
Quando um cidadão acredita
que sua voz está sendo silenciada, ele procura outra forma de falar.
E a urna continua sendo uma
das formas mais poderosas de fazê-lo.
Sem palanque.
Sem microfone.
Sem discurso.
Apenas com um voto.
Para aqueles que continuam
ao lado de Bolsonaro, a mensagem é direta:
“Presidente, o senhor pode
estar longe do palanque. Pode estar impedido de falar. Pode ter sido afastado
da disputa política. Mas nós ainda ouvimos a sua voz. E, enquanto existir uma
urna, nós também teremos a nossa.”
O Brasil pode discordar.
Pode discutir.
Pode escolher outro caminho.
Mas não pode fingir que
milhões de brasileiros não estão dizendo alguma coisa.
Eles estão.
E estão dizendo pelas urnas.
Libertem Bolsonaro!






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