A sabedoria do silêncio


Vladimir Chaves

“Tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar.” (Eclesiastes 3:7)

A lucidez e o discernimento espiritual nos levam a perceber padrões que muitos preferem ignorar. Esse tipo de visão não é um privilégio confortável; é uma responsabilidade. Quem enxerga além do óbvio aprende, com o tempo, que nem todo ambiente suporta a verdade e que nem toda pessoa deseja, de fato, acordar.

Há momentos em que os lúcidos são forçados a fingir cegueira. Não por covardia, mas por sobrevivência. Falar tudo o que se vê pode gerar conflitos desnecessários, desgastes emocionais e até feridas que não precisam existir. O exercício da paciência, nesses casos, consome por dentro. É como se fosse preciso se diminuir por fora para não se perder por dentro, evitando ser contaminado pela ignorância daqueles que escolhem permanecer duros como pedras.

Com o amadurecimento, aprende-se uma lição essencial: nem toda verdade precisa ser dita, nem todo confronto precisa acontecer. O silêncio, muitas vezes, é mais sábio do que a explicação. No fim, não vence quem fala mais alto ou quem tenta convencer a todos. Vence quem entende o jogo da vida, discerne o tempo certo e aprende a caminhar com firmeza, mesmo em silêncio.

Vladimir Chaves

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