Quando Deus levanta os improváveis, até o inferno treme


Vladimir Chaves


A Bíblia nos ensina, de forma clara e consistente, que Deus não age segundo os critérios humanos. Ele não escolhe apenas os mais fortes, os mais influentes ou os socialmente bem-posicionados. Ao contrário, ao longo da história bíblica, o Senhor tem levantado os improváveis para cumprir seus propósitos. E quando isso acontece, algo se move; no mundo espiritual e também no cenário social.

A conhecida expressão de que “o inferno treme quando Deus levanta homens” não se refere à exaltação de pessoas, mas ao impacto da obediência. O que confronta estruturas injustas não é o homem em si, mas o Deus que age por meio dele. Moisés, um fugitivo no deserto; Davi, um pastor esquecido; Gideão, o menor da sua casa; todos improváveis, todos instrumentos nas mãos do Senhor.

O apóstolo Paulo resume esse princípio ao afirmar:

“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.” (1 Co 1:27)

Esse padrão não ficou restrito às páginas da Escritura. Ele continua se manifestando nos nossos dias. Em tempos de crise moral, institucional e espiritual, quando a injustiça parece sufocar a esperança e a verdade é relativizada, Deus continua levantando vozes que despertam consciências e provocam reflexão.

É nesse contexto que nós cristãos observamos a mobilização liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Jovem, de origem simples e fora do perfil tradicional das elites políticas, ele se tornou uma voz nacional ao abordar temas sensíveis à fé cristã, à liberdade e à justiça.

No dia 19 de janeiro de 2026, Nikolas iniciou a “Caminhada pela Justiça e Liberdade”, um percurso de cerca de 240 quilômetros a pé, entre Paracatu (MG) e Brasília (DF), com chegada prevista para 25 de janeiro. Segundo o próprio parlamentar, expressando-se em carta aberta ao povo brasileiro, a iniciativa não tem como objetivo promover desordem ou atacar instituições, mas chamar atenção para o avanço da injustiça, defendendo o respeito ao devido processo legal, à dignidade humana e às garantias constitucionais.

Independentemente de posições políticas, o gesto carrega um simbolismo que merece reflexão à luz da fé cristã. Trata-se de sair do conforto do discurso e assumir o peso do caminho. A Bíblia nos ensina que fé sem obras é morta, e que obediência verdadeira envolve atitude, sacrifício e perseverança.

O profeta Zacarias registra uma verdade eterna:

“Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” (Zc 4:6)

A história bíblica e a história da Igreja mostram que a luta por liberdade, justiça e verdade nunca foi simples. Sempre exigiu coragem, oração, discernimento e ação responsável. A libertação, nas Escrituras, não ocorre sem enfrentamento, mas também não se sustenta sem dependência de Deus.

Mais do que a defesa de nomes ou projetos humanos, este é um chamado à reflexão espiritual. Deus continua levantando homens e mulheres comprometidos com a verdade. E quando isso acontece, a opressão se inquieta, estruturas injustas são confrontadas e consciências são despertadas. O inferno treme; não por causa de homens, mas por causa do Deus soberano que age por meio deles.

Que a Igreja permaneça vigilante, firme na Palavra, equilibrada em discernimento e fiel Àquele que continua governando soberanamente sobre todas as coisas.

Vladimir Chaves

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