O Pão que expõe e o Pão que ilumina


Vladimir Chaves

 


Algumas cenas envolvendo o pão aparecem em momentos distintos do ministério de Jesus, mas carregam um significado profundo em ambas.

Na última ceia, conforme narrado no Evangelho de João, Jesus toma um pedaço de pão, embebe-o e o entrega a Judas. Era um gesto de honra e amizade. No contexto judaico, oferecer o pão molhado era sinal de proximidade, de comunhão à mesa. Cristo sabia o que estava no coração de Judas e, ainda assim, estendeu-lhe a mão. Antes da traição, houve amor. Antes da queda, houve oportunidade; um convite silencioso para que ele permanecesse à mesa, ceiando com o Senhor.

Já em Lucas 24:30, encontramos outra cena marcada pelo pão. Dois discípulos caminhavam tristes em direção a Emaús, frustrados e confusos diante dos acontecimentos da cruz. Ao sentar-se com eles, Jesus toma o pão, dá graças, parte-o e o entrega. Nesse instante, seus olhos se abrem e eles o reconhecem.

O pão oferecido a Judas foi recebido por um coração endurecido. O pão oferecido aos discípulos de Emaús foi acolhido por corações que, embora abatidos, ainda ardiam pela verdade. O gesto foi semelhante; a diferença estava na disposição interior de quem o recebeu.

Isso nos ensina algo simples e profundo: Cristo continua oferecendo o “pão” da comunhão, da graça e da revelação. Ele se aproxima tanto de quem está prestes a traí-lo quanto de quem está desanimado no caminho. Sua iniciativa é sempre de amor.

A pergunta que permanece não é sobre o gesto de Cristo; porque Ele sempre oferece. A pergunta é sobre o nosso coração. O pão pode tornar-se sinal de condenação ou de revelação. Pode selar uma traição ou abrir os olhos para uma nova esperança.

Em cada mesa da nossa vida, Cristo ainda parte o pão. E cada um de nós decide se permanecerá à mesa ou se irá se levantar e sair.

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