Algumas cenas envolvendo o
pão aparecem em momentos distintos do ministério de Jesus, mas carregam um
significado profundo em ambas.
Na última ceia, conforme
narrado no Evangelho de João, Jesus toma um pedaço de pão, embebe-o e o entrega
a Judas. Era um gesto de honra e amizade. No contexto judaico, oferecer o pão
molhado era sinal de proximidade, de comunhão à mesa. Cristo sabia o que estava
no coração de Judas e, ainda assim, estendeu-lhe a mão. Antes da traição, houve
amor. Antes da queda, houve oportunidade; um convite silencioso para que ele
permanecesse à mesa, ceiando com o Senhor.
Já em Lucas 24:30,
encontramos outra cena marcada pelo pão. Dois discípulos caminhavam tristes em
direção a Emaús, frustrados e confusos diante dos acontecimentos da cruz. Ao
sentar-se com eles, Jesus toma o pão, dá graças, parte-o e o entrega. Nesse
instante, seus olhos se abrem e eles o reconhecem.
O pão oferecido a Judas foi
recebido por um coração endurecido. O pão oferecido aos discípulos de Emaús foi
acolhido por corações que, embora abatidos, ainda ardiam pela verdade. O gesto
foi semelhante; a diferença estava na disposição interior de quem o recebeu.
Isso nos ensina algo simples
e profundo: Cristo continua oferecendo o “pão” da comunhão, da graça e da
revelação. Ele se aproxima tanto de quem está prestes a traí-lo quanto de quem
está desanimado no caminho. Sua iniciativa é sempre de amor.
A pergunta que permanece não
é sobre o gesto de Cristo; porque Ele sempre oferece. A pergunta é sobre o
nosso coração. O pão pode tornar-se sinal de condenação ou de revelação. Pode
selar uma traição ou abrir os olhos para uma nova esperança.
Em cada mesa da nossa vida,
Cristo ainda parte o pão. E cada um de nós decide se permanecerá à mesa ou se
irá se levantar e sair.





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