Cristofobia avança no Brasil e desafia a liberdade religiosa


Vladimir Chaves

A intolerância contra cristãos, fenômeno conhecido como cristofobia, tem se tornado cada vez mais visível no Brasil. O avanço desse comportamento levanta questionamentos sérios sobre os limites da liberdade religiosa e o uso distorcido desse próprio conceito para justificar perseguições contra pessoas que professam publicamente a fé cristã.

De forma paradoxal, grupos que se apresentam como defensores da tolerância religiosa têm utilizado esse discurso para silenciar pregadores, líderes e fiéis que anunciam o evangelho de Cristo com convicção. A pregação bíblica, quando não se submete a determinadas narrativas ideológicas, passa a ser tratada como discurso ofensivo, abrindo espaço para censura e hostilidade.

Esse ambiente de pressão também se reflete dentro das igrejas. O receio de retaliações sociais, institucionais ou midiáticas tem levado parte das lideranças a suavizar ou evitar temas centrais da fé cristã. A autocensura enfraquece o testemunho cristão e compromete o papel histórico da Igreja como proclamadora da verdade bíblica, que jamais foi chamada a se moldar ao espírito do tempo.

No ambiente escolar, a situação assume contornos ainda mais preocupantes. Professores que professam sua fé cristã têm sido alvo de ameaças, processos administrativos e punições disciplinares. O avanço ocorre de forma gradual e contínua: primeiro, a retirada da Bíblia do espaço escolar; depois, a proibição da oração; em seguida, a ridicularização da fé cristã; e, agora, a institucionalização de punições contra educadores que se recusam a ocultar suas convicções.

Tais práticas colocam em risco princípios constitucionais básicos. A Constituição Federal garante o livre exercício da religião e a liberdade de crença, direitos que não podem ser relativizados por interpretações ideológicas da laicidade do Estado. Um Estado laico não é um Estado antirreligioso, mas aquele que assegura espaço para todas as manifestações de fé.

Diante desse cenário, cresce a responsabilidade da Igreja e de suas lideranças. O silêncio diante da perseguição contribui para a normalização da intolerância. Oferecer apoio espiritual, moral e institucional aos professores cristãos perseguidos é mais do que um gesto solidário; é um dever diante da justiça e da liberdade.

Do ponto de vista bíblico, a oposição à fé cristã não é novidade. O apóstolo Paulo advertiu:

“E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.” (2 Timóteo 3:12)

O avanço da cristofobia no Brasil exige reflexão profunda. Silenciar a fé cristã sob o pretexto de tolerância não fortalece a democracia; ao contrário, fragiliza direitos fundamentais e empobrece o debate público. Defender a liberdade religiosa é defender a convivência plural e o respeito mútuo.

Este texto é dedicado às professoras e professores vítimas da cristofobia, especialmente à educadora que compartilhou seu testemunho de perseguição em minha congregação, tornando visível uma realidade que muitos ainda insistem em ignorar.

Vladimir Chaves

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