Os quatro Evangelhos: A revelação plena de Jesus Cristo


Vladimir Chaves

Os quatro Evangelhos formam o alicerce do Novo Testamento e apresentam a vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo sob perspectivas complementares. A palavra “evangelho” significa “boa notícia”, e cada livro proclama a boa nova da salvação, revelando quem é Jesus e o significado de sua missão redentora.

Os Evangelhos foram escritos no primeiro século, em um contexto judaico-romano. Israel vivia sob domínio do Império Romano e aguardava o Messias prometido nas Escrituras do Antigo Testamento. Cada evangelista escreveu com um propósito específico e para públicos distintos, mas todos convergem na afirmação central: Jesus é o Filho de Deus e o Salvador prometido.

Os três primeiros (Mateus, Marcos e Lucas) são chamados de “Evangelhos Sinópticos” (do grego synopsis, “visão conjunta”), porque apresentam estrutura e conteúdo semelhantes. João, por sua vez, possui estilo e abordagem teológica próprios.

Evangelho segundo Mateus – Jesus, o Rei prometido

Mateus escreve principalmente para leitores judeus. Seu objetivo é demonstrar que Jesus é o Messias prometido no Antigo Testamento.

Características principais:

Ênfase no cumprimento das profecias.

Uso frequente da expressão: “para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta”.

Genealogia que liga Jesus a Abraão e a Davi.

Forte ensino sobre o Reino dos Céus.

Destaque teológico:

Mateus apresenta Jesus como o novo Moisés e o Rei legítimo de Israel. O Sermão do Monte (Mateus 5–7) revela a ética do Reino. O evangelho termina com a Grande Comissão (Mateus 28:19-20), mostrando que o Reino ultrapassa Israel e alcança todas as nações.

Evangelho segundo Marcos – Jesus, o servo em ação

Marcos é o mais curto e provavelmente o mais antigo dos Evangelhos. Tradicionalmente associado ao apóstolo Pedro, apresenta Jesus de maneira dinâmica e prática.

Características principais:

Linguagem objetiva e rápida.

Ênfase nas ações de Jesus mais do que em longos discursos.

Apresentação de milagres e autoridade espiritual.

Destaque teológico:

Marcos revela Jesus como o Servo sofredor. O ponto central está em Marcos 10:45: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” A cruz é o clímax do livro, mostrando que o caminho do Messias passa pelo sofrimento.

Evangelho segundo Lucas – Jesus, o Salvador Universal

Lucas, médico e companheiro de Paulo, escreve com linguagem cuidadosa e histórica. Seu Evangelho é dirigido a Teófilo e apresenta investigação detalhada dos fatos.

Características principais:

Narrativa organizada e histórica.

Ênfase na compaixão de Jesus.

Destaque para mulheres, pobres e marginalizados.

Muitas parábolas exclusivas (como o Bom Samaritano e o Filho Pródigo).

Destaque teológico:

Lucas enfatiza que a salvação é para todos, judeus e gentios. Jesus é o Salvador da humanidade inteira. A alegria e o Espírito Santo são temas recorrentes. Seu Evangelho continua no livro de Atos, mostrando a expansão da igreja.

Evangelho segundo João – Jesus, o Filho de Deus

João apresenta uma abordagem profundamente teológica. Diferente dos sinópticos, ele seleciona sinais específicos para revelar a identidade divina de Cristo.

Características principais:

Linguagem simbólica (luz, vida, água, pão).

Longos discursos de Jesus.

Sete “Eu Sou” que revelam sua divindade.

Destaque teológico:

João começa declarando: “No princípio era o Verbo.” Ele conecta Jesus à eternidade e à criação. O propósito do livro é explícito: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31).

Harmonia e complementaridade

Embora cada Evangelho tenha estilo próprio, eles não se contradizem; ao contrário, se complementam. Podemos visualizar assim:

Mateus: Jesus como Rei.

Marcos: Jesus como Servo.

Lucas: Jesus como Salvador.

João: Jesus como Filho de Deus.

Os quatro juntos oferecem uma visão completa da pessoa e obra de Cristo. Assim como quatro testemunhas descrevem o mesmo acontecimento sob ângulos diferentes, os Evangelhos revelam a plenitude da identidade de Jesus.

A mensagem central dos quatro Evangelhos

O coração dos Evangelhos é a morte e a ressurreição de Cristo. Aproximadamente um terço do conteúdo de cada livro dedica-se à última semana da vida de Jesus. Isso demonstra que o propósito principal não é apenas relatar ensinamentos, mas anunciar o plano redentor de Deus.

A cruz não foi um acidente histórico, mas cumprimento do plano divino. A ressurreição confirma a vitória sobre o pecado e a morte, sendo o fundamento da fé cristã.

Os quatro Evangelhos formam uma unidade inspirada que revela:

O cumprimento das promessas do Antigo Testamento.

A manifestação do Reino de Deus.

O amor sacrificial de Cristo.

A esperança da vida eterna.

Estudar os quatro Evangelhos é contemplar Jesus sob múltiplas perspectivas e compreender, de maneira mais profunda, o centro da fé cristã: Deus se fez carne e habitou entre nós para salvar a humanidade.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

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Deus: Nossa fortaleza em tempos de batalha


Vladimir Chaves

“Deus é a minha fortaleza e a minha força, e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho.” 2 Samuel 22.33

Esse texto não foi escrito em um momento de tranquilidade, mas depois de anos de perseguições, batalhas e incertezas. Davi não falava de um Deus distante, mas de um Deus que o sustentou quando tudo parecia desabar.

Quando ele diz que Deus é sua fortaleza, está reconhecendo que a verdadeira segurança não está nas estruturas visíveis. Fortaleza é lugar alto, seguro, protegido. É como dizer: “Quando tudo ameaça cair, eu tenho onde me refugiar.” Em um mundo onde as pessoas confiam em posições, dinheiro ou influência, Davi aponta para algo mais sólido: a presença de Deus.

Ao afirmar que Deus é sua força, ele desmonta a ideia de autossuficiência. Davi era guerreiro, treinado, experiente. Ainda assim, reconhece que a capacidade para vencer vinha do Senhor. Isso é profundamente atual. Vivemos na cultura do “seja forte sozinho”, mas a Bíblia apresenta outra lógica: a verdadeira força nasce da dependência.

E talvez a parte mais tocante seja: “Ele perfeitamente desembaraça o meu caminho.” Quantas vezes nos sentimos emaranhados em situações confusas, decisões difíceis, portas fechadas? Davi testemunha que Deus não apenas protege e fortalece, mas também organiza o caminho. Ele remove obstáculos invisíveis, ajusta direções e conduz com precisão.

Esse versículo nos ensina que fé não é negação das dificuldades. Davi enfrentou muitas. Fé é reconhecer, no meio delas, que não estamos sozinhos. É confiar que há um Deus que protege por cima, sustenta por dentro e guia pela frente.

Em minha opinião, esse texto é um convite à confiança madura. Não é a confiança ingênua de quem nunca sofreu, mas a convicção de quem já atravessou vales e ainda assim declara: “Foi Deus quem me sustentou.”

Talvez o maior ensinamento seja este: quando Deus é nossa fortaleza, não precisamos viver dominados pelo medo. Quando Ele é nossa força, não precisamos provar nada a ninguém. E quando Ele desembaraça nosso caminho, podemos caminhar com paz, mesmo sem enxergar tudo à frente.

É uma fé que transforma insegurança em descanso, não porque os problemas desapareceram, mas porque a presença de Deus se tornou maior do que eles.

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O tempo de Deus e o arrependimento humano


Vladimir Chaves

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” 2 Pedro 3:9

Esse é um dos textos mais consoladores e, ao mesmo tempo, desafiadores do Novo Testamento. Ele nasce em um contexto de questionamento e zombaria. Havia pessoas que ridicularizavam a promessa da volta de Cristo, dizendo que tudo continuava como sempre foi e que, portanto, não haveria intervenção divina alguma.

O ponto central do versículo é que a percepção humana do tempo não define a fidelidade de Deus. Para nós, a passagem dos anos pode parecer longa demais. Nossa vida é breve, nossa espera é limitada e nossa paciência é curta.

Deus, porém, não está submetido à nossa cronologia. Ele age dentro de um plano eterno, no qual cada etapa tem propósito. A promessa não está atrasada; ela está sendo cumprida dentro do tempo perfeito de Deus.

Pedro revela que o que parece demora é, na verdade, longanimidade. Essa palavra carrega a ideia de paciência sustentada por amor, de alguém que poderia agir imediatamente, mas escolhe esperar por causa de um propósito maior.

Deus não está indiferente ao pecado nem omisso diante do mal. Ele está oferecendo tempo. Tempo para arrependimento, tempo para reconciliação, tempo para que vidas sejam alcançadas pela graça.

Quando o texto afirma que Deus não quer que alguns se percam, mas que todos venham ao arrependimento, ele revela o coração misericordioso do Senhor. O juízo é real e o “Dia do Senhor” virá, como o próprio capítulo afirma.

Porém, antes do juízo vem o convite. Antes da justiça plena, manifesta-se a misericórdia. A demora da promessa não é sinal de descuido, mas de compaixão. Cada novo dia que nasce é evidência de que a porta da graça ainda está aberta.

Isso nos leva a uma reflexão pessoal. Em vez de perguntar por que Cristo ainda não voltou, talvez devamos perguntar o que estamos fazendo com o tempo que Ele nos concede.

2 Pedro 3:9 nos ensina que o silêncio aparente de Deus não é ausência, e que a espera não é abandono. É o tempo da misericórdia operando.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

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Carnaval: Celebrando o prazer, ignorando as consequências


Vladimir Chaves


“Ai dos que se levantam pela manhã para seguir a bebida forte… e não consideram as obras do Senhor.” (Isaías 5:11-12)

O brado de Isaías não pertence a um passado distante. Ele descreve, com precisão desconfortável, a realidade de uma geração que transformou o excesso em virtude e a ausência de Deus em estilo de vida. O profeta denuncia uma sociedade que amanhece buscando embriaguez e adormece ignorando o Senhor. A pergunta é inevitável: o que mudou?

Em períodos como o carnaval, essa advertência bíblica ganha contornos ainda mais evidentes. O discurso oficial fala de cultura, liberdade e alegria. Mas, por trás da narrativa romantizada, o que se vê é a celebração da desmedida. Exalta-se a perda de controle como se fosse libertação. Trata-se a embriaguez como direito, a sensualização como empoderamento e a irresponsabilidade como autenticidade.

Não se trata de demonizar cultura ou música. O problema é outro: quando o prazer ocupa o trono e Deus é empurrado para a periferia da consciência. Quando qualquer limite é visto como opressão. Quando a única regra é “sentir”, “experimentar” e “aproveitar”, independentemente das consequências.

A sociedade repete, quase como um dogma: “Você merece ser feliz.” Mas nunca explica que felicidade construída sobre impulsos é frágil. O álcool e as drogas prometem euforia, mas frequentemente entregam acidentes, violência e decisões irreversíveis. A liberdade proclamada nas ruas muitas vezes termina em lares feridos, consciências culpadas e relacionamentos despedaçados.

Há um custo, sempre há. Só que ele raramente aparece nas propagandas, nos discursos oficiais ou nas postagens festivas. Ele surge depois: nas estatísticas de violência, nas famílias desestruturadas, nas vidas marcadas por escolhas feitas sob efeito de instantes intensos e pouco refletidos.

Isaías descreve festas, instrumentos, celebrações. O problema nunca foi a música. O problema era a indiferença espiritual. “Não consideram as obras do Senhor.” Eis o diagnóstico. Uma sociedade pode cantar alto e, ainda assim, estar espiritualmente surda. Pode sorrir para as câmeras e, ao mesmo tempo, caminhar para o vazio.

O cristianismo não propõe uma vida sem alegria. Pelo contrário: oferece uma alegria que não depende de substâncias químicas, não exige máscaras e não cobra juros emocionais depois. A alegria que vem de Deus não destrói vínculos, não banaliza o corpo, não transforma pessoas em objetos de consumo momentâneo.

O que está em jogo não é um evento isolado, mas uma mentalidade: a crença de que prazer sem responsabilidade não causa danos. A história mostra o oposto. Civilizações não entram em colapso apenas por crises econômicas ou políticas, mas por erosão moral; quando o excesso deixa de ser vício e passa a ser celebrado como valor.

Ignorar isso não é sinal de progresso; é sinal de cegueira voluntária. O alerta de Isaías continua ecoando porque continua necessário. Uma geração que se acostuma a viver anestesiada dificilmente perceberá quando estiver espiritualmente falida.

A questão final não é cultural, é espiritual: quem ocupa o centro? O prazer momentâneo ou o Senhor da vida? Porque toda sociedade que escolhe viver sem considerar as obras de Deus acaba, inevitavelmente, colhendo as consequências dessa decisão.

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As três vezes que Deus escreveu


Vladimir Chaves

A Bíblia registra momentos únicos em que o próprio Deus escreveu. Não foram palavras apenas proclamadas, mas mensagens gravadas pelo “dedo de Deus”. Cada registro carrega um significado profundo e revela quem Ele é: santo na Lei, justo no juízo e misericordioso na graça.

Quando Deus escreve, Ele não escreve por acaso. Ele escreve para revelar, confrontar e transformar.

Deus escreveu na pedra: A Lei

Êxodo 31:18

No Monte Sinai, Deus escreveu os Dez Mandamentos em tábuas de pedra. Entre eles estavam palavras como:

“Não terás outros deuses diante de mim.”

“Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.”

“Honra teu pai e tua mãe.”

“Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás.”

A Lei mostra que Deus é santo, justo e verdadeiro. Ali aprendemos que existe um padrão divino para a vida. Deus estabelece limites porque nos ama. A Lei revela o caráter de Deus e mostra ao homem a necessidade de viver em obediência.

Deus escreveu na parede: O Juízo

Daniel 5:25

No palácio da Babilônia, durante um banquete marcado pela arrogância do rei Belsazar, apareceu uma mão que escreveu na parede:

MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM

Daniel interpretou assim:

MENE: Deus contou os dias do teu reino e lhe pôs fim.

TEQUEL: Pesado foste na balança e achado em falta.

PARSIM: O teu reino foi dividido.

Foi uma mensagem direta de juízo. Deus mostrou que vê tudo e que nenhum império é eterno diante Dele.

A escrita na parede nos lembra que a soberba passa, mas a justiça de Deus permanece.

Deus escreveu na terra: A Graça

João 8:6-8

Diante de uma mulher acusada de adultério, Jesus se inclinou e escreveu no chão. A Bíblia não revela o que Ele escreveu.

Alguns entendem que poderia ter escrito pecados ocultos dos acusadores. Outros creem que foi apenas um gesto de autoridade e silêncio. O fato é que, logo depois, Ele declarou:

“Quem dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra.”

Um a um, todos saíram. E então Jesus disse: “Nem eu também te condeno; vai e não peques mais.”


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O caminho da humildade que nos salvou


Vladimir Chaves

 

Filipenses 2 nos conduz ao centro do Evangelho: a humildade voluntária de Cristo. Paulo exorta a igreja a ter o mesmo “sentimento” de Jesus, isto é, o mesmo modo de pensar. Trata-se de uma mente moldada pela humildade, pelo amor e pela obediência. Ter a mente de Cristo é renunciar ao egoísmo e viver para a glória de Deus e o bem do próximo.

Cristo, sendo Deus, não se apegou aos seus direitos divinos (Fp 2.6). Diferente de Adão, que quis ser como Deus, Jesus, sendo Deus, humilhou-se. Ele se esvaziou voluntariamente, não deixando de ser divino, mas abrindo mão da manifestação de sua glória para assumir a forma de servo. O Rei dos céus fez-se homem para cumprir o plano da redenção.

Sua humilhação culminou na cruz. Jesus foi obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.8). Enquanto a desobediência de Adão trouxe condenação, a obediência de Cristo trouxe justificação (Rm 5.19). Nossa salvação é fruto dessa entrega perfeita, não de nossos méritos.

Contemplar esse caminho nos desafia a viver do mesmo modo. Se Ele se humilhou, devemos cultivar humildade. Se Ele obedeceu ao Pai, também somos chamados a obedecer. Seguir a Cristo é trilhar o caminho da entrega, certos de que toda glória pertence a Deus.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

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O valor da alma à luz da eternidade


Vladimir Chaves

“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mt 16:26)

Jesus faz uma das perguntas mais impactantes de todo o Evangelho: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

Hoje as pessoas medem o sucesso pelas conquistas visíveis. Desde cedo, somos incentivados a buscar reconhecimento, estabilidade financeira, influência, conforto e realização pessoal. Nada disso, em si, é errado. O problema começa quando essas coisas ocupam o lugar que pertence a Deus e passam a definir o sentido da vida.

Quando Jesus fala em “ganhar o mundo inteiro”, Ele não se refere apenas a riquezas materiais. O “mundo” representa tudo aquilo que pode capturar o coração humano e afastá-lo do propósito eterno: ambições desordenadas, vaidade, orgulho, poder, prazer sem limites e uma vida vivida sem referência ao Criador. É possível ter muito e, ainda assim, estar espiritualmente vazio.

Já “perder a alma” é um processo silencioso. A alma se perde quando Deus deixa de ser prioridade, quando a comunhão é trocada pela pressa, quando a consciência é calada para acomodar escolhas erradas, quando o coração se acostuma a viver longe da presença divina. A pessoa continua vivendo, produzindo, sorrindo, mas por dentro vai se afastando da fonte da vida.

Jesus então aprofunda a reflexão com outra pergunta:

“Ou que dará o homem em troca da sua alma?”

Aqui, Ele nos lembra que a alma tem um valor incalculável. Tudo neste mundo pode ser substituído: bens, cargos, títulos, até oportunidades perdidas. Mas a alma não pode ser recomprada com dinheiro, nem restaurada por status ou aplausos humanos. Ela só encontra redenção em Deus.

Essa palavra nos convida a olhar para a vida com os olhos da eternidade. O que hoje parece essencial pode, amanhã, perder completamente o sentido. O que hoje é invisível (fé, obediência, comunhão com Deus) é justamente o que permanece para sempre. Jesus não está condenando o trabalho, o crescimento ou os sonhos, mas está ensinando que nada deve ser buscado à custa da alma.

Seguir a Cristo, como o próprio contexto do texto ensina, envolve renúncia. Não uma renúncia vazia, mas consciente. É escolher dizer “não” ao que destrói a vida espiritual para dizer “sim” ao que produz vida eterna. É entender que perder para Deus nunca é perda, e que ganhar sem Deus sempre será prejuízo.

Mateus 16:26 nos chama a reorganizar prioridades. Ele nos lembra que a vida não termina aqui e que cada decisão carrega peso eterno. No fim, a grande pergunta não será quanto acumulamos, mas quem fomos diante de Deus.

A alma é o bem mais precioso do ser humano.

Cuidar dela é sabedoria.

Preservá-la é obediência.

Entregá-la a Deus é o maior investimento que alguém pode fazer.

Porque tudo passa, mas a alma permanece.

E somente em Deus ela encontra descanso.

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Campina Grande e o chamado bíblico para a família cristã


Vladimir Chaves

A aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei que reconhece Campina Grande como a cidade que reúne o maior número de famílias cristãs do Brasil durante o período do Carnaval vai além de um ato legislativo. O reconhecimento evidencia uma identidade espiritual construída ao longo dos anos e reforça o papel da cidade como referência nacional na valorização da fé cristã e da família.

Em um contexto em que a fé cristã enfrenta constantes desafios e, muitas vezes, é pressionada a permanecer restrita ao âmbito privado, Campina Grande apresenta um testemunho equilibrado e público. Durante esse período do ano, a cidade se torna um espaço dedicado ao ensino bíblico, à oração, ao louvor e à comunhão cristã. Eventos como o Encontro para a Consciência Cristã, o Encontro da Família Católica Crescer, o Encontro da Nova Consciência, o Acampamento Verbo da Vida e diversas programações evangélicas demonstram uma escolha clara: priorizar aquilo que edifica a fé e fortalece os lares.

A Palavra de Deus ensina que o testemunho cristão não deve ser oculto, mas vivido com coerência e responsabilidade:

“Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte” (Mateus 5:14).

Campina Grande, nesse cenário, torna-se um sinal visível de compromisso com os valores do Evangelho. Famílias, jovens e lideranças cristãs de diferentes regiões do país se reúnem para ouvir a Palavra, refletir sobre a vida cristã e renovar sua caminhada com Deus, criando um ambiente de edificação espiritual e comunhão.

O destaque dado à família cristã é especialmente relevante. Em tempos de instabilidade moral e enfraquecimento dos vínculos familiares, ver lares inteiros reunidos em torno da fé reafirma o propósito divino para a família. Como declarou Josué:

“Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24:15).

Campina Grande demonstra que é possível permanecer fiel ao Evangelho, honrar a Deus e investir na formação espiritual das próximas gerações. Mais do que um título, esse momento reforça o chamado bíblico para que famílias cristãs vivam sua fé de forma consciente, pública e comprometida com a Palavra de Deus.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

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Quando Jesus ora por nós


Vladimir Chaves

“Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.” Lucas 22:31–32

Na noite mais escura da história da humanidade, Jesus faz uma revelação, citada em Lucas 22:31-32:

“Simão, Simão…”

Jesus chama Pedro pelo nome antigo, o nome do homem antes da transformação. É como se dissesse: “Eu conheço quem você é por dentro. Conheço suas fraquezas, seus impulsos, seus medos.”

Então Jesus revela uma realidade invisível: Satanás havia pedido permissão para peneirar os discípulos como trigo. Peneirar é sacudir, balançar, tentar separar o que tem valor do que parece não ter. A fé seria provada, a coragem testada, a lealdade confrontada.

“Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça.”

Jesus não diz que Pedro não cairia. Ele não promete ausência de dor, de vergonha ou de lágrimas. Ele promete algo maior: a fé não seria destruída. A queda não seria o fim da história. O inimigo poderia sacudir, mas não arrancar a raiz da fé que Deus havia plantado.

Isso nos ensina algo: nossa segurança não está na nossa constância, mas na fidelidade de Cristo. Pedro falhou, mas não foi abandonado. A fé vacilou, mas não morreu. O olhar de Jesus depois da negação não foi de condenação, mas de lembrança: “Eu orei por você.”

Quando Jesus diz: “Quando te converteres…”, Ele não está falando de uma nova conversão no sentido de salvação, mas de um retorno quebrantado. Pedro voltaria diferente: menos confiante em si mesmo, mais dependente da graça. A queda o humilhou, mas a graça o restaurou.

E então vem o propósito: “fortalece teus irmãos.”

Quem foi peneirado, tratado e restaurado por Deus se torna instrumento de cuidado. A dor não é desperdiçada. O choro não é inútil. A restauração gera ministério. Pedro, que negou, seria o mesmo que pregaria com ousadia.

Lucas 22:31–32 nos lembra que Jesus não nos ama por causa da nossa firmeza, mas apesar da nossa fragilidade. Ele vê a luta antes que ela comece, intercede antes da queda e nos chama de volta depois do fracasso. A fé verdadeira pode ser abalada, mas não será destruída, porque está sustentada pela oração de Cristo.

No fim, essa passagem nos consola e nos corrige: não somos fortes como pensamos, mas somos guardados como não imaginamos. E isso faz toda a diferença.

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Nem toda paz ou aliança vem de Deus


Vladimir Chaves

“Naquele mesmo dia, Herodes e Pilatos se tornaram amigos; antes, eram inimigos.” Lucas 23:12

Esse versículo é curto, mas carrega um peso espiritual enorme. Ele nos mostra que, no dia mais injusto da história, duas autoridades que viviam em conflito deixaram suas diferenças de lado. O motivo dessa aproximação não foi a verdade, nem a justiça, nem o arrependimento. Foi Jesus; não por quem Ele era, mas por quem eles decidiram rejeitar.

Herodes e Pilatos não se tornaram amigos porque mudaram de caráter. Tornaram-se amigos porque dividiram a mesma postura: a recusa em assumir responsabilidade diante da verdade. Ambos reconheceram, ainda que silenciosamente, que Jesus não era culpado. Mesmo assim, preferiram preservar seus interesses, sua imagem pública e seu poder.

Esse texto revela algo profundo sobre o coração humano: às vezes, a injustiça une mais rápido do que a verdade.

Quando a verdade exige posicionamento, ela separa. Mas quando a conveniência governa, até inimigos se dão as mãos.

Pilatos queria evitar um conflito político. Herodes queria entretenimento, sinais, algo que alimentasse sua curiosidade vazia. Nenhum dos dois queria transformação. Nenhum queria ouvir Deus. Ambos queriam se livrar do incômodo que Jesus representava. E, nesse ponto, eles concordaram.

Há uma ironia dolorosa aqui. Jesus veio ao mundo para reconciliar o homem com Deus, para restaurar relacionamentos quebrados, para unir o que o pecado separou. No entanto, naquele dia, Sua rejeição foi o elo que uniu dois homens. Eles se aproximaram não porque acolheram Cristo, mas porque o descartaram.

Lucas nos ensina que não existe neutralidade diante de Jesus. Pilatos tentou ser neutro. Herodes tentou ser espectador. Mas ambos acabaram participantes da injustiça.

Esse versículo também nos confronta hoje. Ele nos pergunta, em silêncio: com quem eu me alio quando a verdade me custa algo?

Será que, para evitar conflitos, não abrimos mão do que é certo?

Será que, para manter a paz com as pessoas, não silenciamos diante do que Deus já deixou claro?

Nem toda amizade, acordo ou paz é sinal da aprovação de Deus. Algumas alianças nascem do medo de perder posição, aceitação ou conforto. Herodes e Pilatos nos lembram que é possível estar “em paz” com os homens e, ainda assim, em guerra com a verdade.

Lucas 23:12 nos chama a uma decisão pessoal: não basta reconhecer que Jesus é justo; é preciso assumir um posicionamento.

A verdade não pede aplausos, pede fidelidade.

E essa fidelidade, muitas vezes, nos separa.

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