“Porque dele, e por meio dele, e para ele são
todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” Romanos 11:36
Existe uma verdade que
precisa permanecer viva em nossa consciência, especialmente quando estamos
envolvidos na obra de Deus: Deus não precisa de nós, mas nós precisamos
inteiramente d’Ele. Essa compreensão muda a maneira como enxergamos o chamado,
o ministério e o próprio significado de servir ao Senhor.
O apóstolo Paulo, ao
escrever Romanos 11:36, apresenta uma das declarações mais profundas
sobre a soberania divina. Todas as coisas têm sua origem em Deus, encontram n’Ele
sua sustentação e caminham para a manifestação de sua glória. Isso significa
que Deus não é dependente de nossas capacidades, de nossos talentos, de nossos
recursos ou de nossos esforços para realizar seus propósitos. Ele não precisa
de nossa força para continuar sendo poderoso, nem de nossa sabedoria para tomar
decisões. Sua vontade não está condicionada à nossa disponibilidade.
Às vezes, porém, podemos
desenvolver uma percepção equivocada sobre o serviço cristão. Sem perceber,
começamos a agir como se Deus tivesse uma necessidade que somente nós
pudéssemos suprir. Passamos a considerar nossa participação na igreja, no
ministério ou em determinada atividade como algo indispensável para o
funcionamento da obra. Quando isso acontece, corremos o risco de transformar o
privilégio de servir em sentimento de importância pessoal.
É necessário compreender que
o chamado de Deus não nasce de uma carência divina, mas de sua graça. Quando
Ele nos chama, não está procurando alguém que complete aquilo que lhe falta.
Está nos concedendo a oportunidade de participar de algo que já pertence a Ele
e que continuará sob seu governo. O Senhor poderia realizar seus propósitos sem
a nossa participação, mas, em sua bondade, permite que sejamos instrumentos de
sua vontade.
Servir a Deus, portanto, não
é prestar-lhe um favor; é receber uma honra que não conquistamos por mérito
próprio.
Essa verdade também nos
ensina a lidar corretamente com nossos dons e capacidades. Se recebemos a
oportunidade de ensinar, pregar, evangelizar, aconselhar, contribuir ou exercer
qualquer função no corpo de Cristo, não devemos interpretar isso como motivo de
superioridade. Nenhum dom é uma conquista que nos torna maiores diante de Deus.
Tudo aquilo que temos e somos encontra sua origem n’Ele.
O talento não nos faz donos
do ministério. A oportunidade não nos torna proprietários da obra. A função não
nos concede autoridade para buscar reconhecimento pessoal. Somos apenas servos
encarregados de administrar aquilo que pertence ao Senhor.
Por isso, o verdadeiro servo
não mede sua importância pela posição que ocupa, pela quantidade de pessoas que
o acompanham ou pela visibilidade de suas atividades. Ele compreende que a
fidelidade não depende de aplausos. Há serviços que acontecem diante de muitas
pessoas e outros que são realizados no silêncio, sem reconhecimento humano.
Entretanto, diante de Deus, o valor do serviço não está na exposição de quem o
realiza, mas na fidelidade com que é realizado.
Essa consciência também nos
protege de uma armadilha espiritual: acreditar que, por estarmos servindo a
Deus, Ele nos deve alguma coisa. O serviço cristão não é uma negociação, na
qual oferecemos dedicação esperando receber privilégios em troca. Não servimos
para obrigar Deus a nos abençoar, nem para conquistar uma posição especial
diante d’Ele. Servimos porque reconhecemos sua autoridade, seu senhorio e a
graça que nos alcançou.
Quando entendemos isso,
nossa postura muda. Já não trabalhamos para construir um nome, mas para honrar
aquele a quem pertencemos. Já não disputamos espaços, porque sabemos que a obra
não é nossa. Já não precisamos diminuir o trabalho de outros para valorizar o
nosso, pois compreendemos que existem diferentes funções, mas um só Senhor.
O orgulho pergunta: Quem
está vendo o que estou fazendo? A humildade pergunta: Estou sendo fiel àquilo
que Deus me confiou?
Essa diferença revela muito
sobre nossas motivações.
É importante lembrar também
que servir a Deus exige dependência constante d’Ele. Não basta ter disposição,
conhecimento ou experiência. Precisamos reconhecer que, sem sua direção,
podemos nos ocupar de muitas atividades e ainda assim perder de vista o
propósito espiritual do serviço. A experiência não substitui a dependência; o conhecimento
não substitui a obediência; a capacidade não substitui a comunhão com Deus.
O próprio Jesus declarou, em
João 15:5: “Porque sem mim nada podereis fazer”. Essa afirmação coloca o
serviço cristão em sua perspectiva correta. Não somos a fonte da obra, somos
participantes dela. Não somos a origem do poder, somos dependentes dele. Não
somos o centro da missão, somos chamados a servir sob o senhorio de Cristo.
Por isso, quando Deus nos
concede a oportunidade de servi-lo, nossa resposta deve ser de gratidão,
responsabilidade e humildade. Não porque sejamos indispensáveis, mas porque
fomos alcançados por uma graça que nos permite participar de algo infinitamente
maior do que nossos próprios interesses.
Para mim, servir ao meu
Senhor é um privilégio, não uma posição de destaque. É uma responsabilidade,
não uma oportunidade de autopromoção. É uma expressão de gratidão, não uma
tentativa de conquistar méritos.
Quero servir com humildade,
reconhecendo minhas limitações; com honra, respeitando aquilo que me foi
confiado; e com fidelidade, sem permitir que o desejo de reconhecimento tome o
lugar da verdadeira motivação.
Se algum resultado for
alcançado, a glória pertence a Deus. Se alguma vida for edificada, a glória
pertence a Deus. Se algum propósito for cumprido por meio do meu trabalho, a
glória continua pertencendo a Deus.
Não quero que minha
participação na obra seja lembrada como uma demonstração da minha capacidade,
mas como uma oportunidade em que a graça de Deus se manifestou apesar das
minhas limitações.
Afinal, não fui chamado para
que Deus tivesse alguém de quem depender. Fui chamado porque, em sua infinita
graça, Ele me permitiu servi-lo.
Ele é o Senhor. Eu sou o
servo. Ele é a origem, o sustento e o propósito de todas as coisas. E a maior
honra que posso receber é viver de maneira que minha vida e meu serviço apontem
para a glória d’Ele.
“Porque dele, e por ele, e
para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” Romanos
11:36





