A atitude de Cristo e o preço da nossa salvação


Vladimir Chaves

O sacrifício de Cristo é o maior ato de amor já revelado à humanidade. Quando lemos Filipenses capítulo 2 e Hebreus capítulo 9, entendemos não apenas o que Jesus fez, mas como e por que Ele fez.

Em Filipenses 2, vemos o caminho da humildade. A Bíblia nos ensina que Cristo, sendo em forma de Deus, não se apegou aos seus direitos divinos. Ele se esvaziou, assumiu a forma de servo e se fez semelhante aos homens. O Rei se tornou servo. O Senhor se fez obediente. E essa obediência não foi parcial; foi até a morte, e morte de cruz.

Isso nos revela que o sacrifício de Cristo não começou na cruz, mas no coração. Começou na decisão de descer. De abrir mão. De amar acima de tudo. A cruz foi o ponto máximo de um caminho de entrega.

Já em Hebreus 9, entendemos o propósito desse sacrifício. O autor explica que, no Antigo Testamento, o sangue de animais era oferecido repetidamente para cobrir pecados. Porém, esses sacrifícios eram limitados e temporários. Cristo, porém, entrou no Santo dos Santos celestial não com sangue de animais, mas com o seu próprio sangue. E fez isso uma única vez, garantindo redenção eterna.

Aqui está a diferença gloriosa: o sacrifício de Jesus não foi simbólico, foi definitivo. Não foi repetitivo, foi suficiente. Ele não apenas cobriu o pecado; Ele purificou a consciência e abriu o caminho para Deus.

Filipenses 2 nos mostra a atitude do coração de Cristo: humildade e obediência. Hebreus 9 nos mostra o resultado da obra de Cristo: redenção eterna e acesso ao Pai.

A cruz não foi derrota, foi exaltação. Depois da humilhação veio a glória. Deus O exaltou sobremaneira e lhe deu um nome acima de todo nome. O Servo sofredor é agora o Senhor exaltado.

Essa verdade nos chama a duas respostas: gratidão e imitação. Gratidão, porque fomos alcançados por um amor que não merecíamos. Imitação, porque somos convidados a ter a mesma atitude de Cristo; humildade, serviço e obediência.

O sacrifício de Cristo nos ensina que o verdadeiro poder está em servir, que a verdadeira grandeza está em se entregar, e que a verdadeira vitória nasce da obediência a Deus.

Na cruz, o amor venceu. E por causa desse sacrifício, hoje temos vida, esperança e acesso livre ao Pai.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

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O Pão que expõe e o Pão que ilumina


Vladimir Chaves

 


Algumas cenas envolvendo o pão aparecem em momentos distintos do ministério de Jesus, mas carregam um significado profundo em ambas.

Na última ceia, conforme narrado no Evangelho de João, Jesus toma um pedaço de pão, embebe-o e o entrega a Judas. Era um gesto de honra e amizade. No contexto judaico, oferecer o pão molhado era sinal de proximidade, de comunhão à mesa. Cristo sabia o que estava no coração de Judas e, ainda assim, estendeu-lhe a mão. Antes da traição, houve amor. Antes da queda, houve oportunidade; um convite silencioso para que ele permanecesse à mesa, ceiando com o Senhor.

Já em Lucas 24:30, encontramos outra cena marcada pelo pão. Dois discípulos caminhavam tristes em direção a Emaús, frustrados e confusos diante dos acontecimentos da cruz. Ao sentar-se com eles, Jesus toma o pão, dá graças, parte-o e o entrega. Nesse instante, seus olhos se abrem e eles o reconhecem.

O pão oferecido a Judas foi recebido por um coração endurecido. O pão oferecido aos discípulos de Emaús foi acolhido por corações que, embora abatidos, ainda ardiam pela verdade. O gesto foi semelhante; a diferença estava na disposição interior de quem o recebeu.

Isso nos ensina algo simples e profundo: Cristo continua oferecendo o “pão” da comunhão, da graça e da revelação. Ele se aproxima tanto de quem está prestes a traí-lo quanto de quem está desanimado no caminho. Sua iniciativa é sempre de amor.

A pergunta que permanece não é sobre o gesto de Cristo; porque Ele sempre oferece. A pergunta é sobre o nosso coração. O pão pode tornar-se sinal de condenação ou de revelação. Pode selar uma traição ou abrir os olhos para uma nova esperança.

Em cada mesa da nossa vida, Cristo ainda parte o pão. E cada um de nós decide se permanecerá à mesa ou se irá se levantar e sair.

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As três lágrimas do salvador


Vladimir Chaves

Ao longo dos Evangelhos, vemos que Jesus não foi indiferente à dor humana. Ele chorou. E cada lágrima revelou algo profundo sobre o seu coração.

No relato do Evangelho de João 11:35, diante da morte de Lázaro, a Bíblia diz simplesmente: “Jesus chorou.”

Ele sabia que em poucos instantes realizaria um milagre extraordinário. Mesmo assim, ao ver o sofrimento de Marta e Maria, foi tocado pela dor delas. Isso nos ensina que Deus não despreza nossas lágrimas. Antes de mudar a situação, Ele se aproxima da nossa dor. Jesus não é frio nem distante, Ele se compadece.

Já no Evangelho de Lucas 19:41, Jesus chorou ao olhar para Jerusalém. Não era uma dor causada por uma perda pessoal, mas pela incredulidade de um povo que rejeitava a oportunidade de salvação. Suas lágrimas ali eram lágrimas de amor rejeitado. Ele via as consequências que viriam e sofria por isso. Isso nos mostra que o coração de Cristo se entristece quando escolhemos caminhos que nos afastam de Deus.

Em Hebreus 5:7, lemos que Ele ofereceu orações “com grande clamor e lágrimas”. No Getsêmani, Jesus sentiu o peso da missão. Não era fraqueza; era a profundidade do sacrifício. Ele chorou porque sabia o preço da redenção. Suas lágrimas carregavam amor, entrega e obediência.

Esses três momentos revelam um Cristo profundamente humano e plenamente divino.

Ele chora com os que sofrem.

Ele chora pelos que se perdem.

Ele chora ao assumir o peso da cruz.

Se Jesus chorou, isso significa que a sensibilidade não é sinal de fraqueza, mas de amor verdadeiro. Suas lágrimas nos ensinam que Deus se importa, com nossas perdas, com nossas escolhas e com nossa salvação.

Cristo não apenas viu a dor do mundo. Ele a sentiu.

E, por amor, decidiu transformá-la.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

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A cruz como ato de amor e obediência


Vladimir Chaves

A obediência de Cristo não foi parcial, nem circunstancial. Foi plena, constante e consciente; desde a manjedoura até a cruz.

O apóstolo Paulo escreve em Epístola aos Filipenses 2.8 que Jesus, “na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz”. Essa expressão revela a profundidade de sua entrega. Ele não apenas veio ao mundo; Ele desceu. Não apenas viveu entre os homens; assumiu a condição de servo. Não apenas morreu; morreu da forma mais humilhante possível naquele tempo.

Em Segunda Epístola aos Coríntios 8.9 aprendemos que, sendo rico, fez-se pobre por amor de nós. O Criador entrou na história como criatura. O Senhor vestiu-se de simplicidade. O Rei escolheu a pobreza. Essa não foi uma imposição externa, mas um ato voluntário de obediência e amor.

A carta aos Hebreus declara que, “pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a vergonha” (Epístola aos Hebreus 12.2). Jesus sabia o que O aguardava. Conhecia a dor, a rejeição, o abandono e a injustiça. Ainda assim, submeteu-se ao plano do Pai. Sua obediência não foi movida por conveniência, mas por propósito. Ele viu além do sofrimento: viu a redenção dos pecadores.

Do nascimento humilde ao Calvário, cada passo de Cristo foi marcado por submissão ao Pai. Sua obediência restaurou o que a desobediência humana havia rompido. Onde o primeiro homem falhou, o Filho eterno permaneceu fiel.

A cruz não foi derrota; foi o ápice da obediência. Não foi fraqueza; foi amor em ação. Cristo nos ensina que a verdadeira grandeza está em obedecer a Deus, mesmo quando isso exige renúncia, humildade e sacrifício.

Refletir sobre a obediência de Jesus é confrontar o nosso próprio coração. Se o Senhor da glória se fez servo por nós, somos chamados a viver em submissão ao Pai, confiando que sua vontade é perfeita, mesmo quando o caminho envolve cruz.

A obediência de Cristo nos salvou. Que a nossa obediência seja a resposta grata a tão grande amor.

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Os quatro Evangelhos: A revelação plena de Jesus Cristo


Vladimir Chaves

Os quatro Evangelhos formam o alicerce do Novo Testamento e apresentam a vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo sob perspectivas complementares. A palavra “evangelho” significa “boa notícia”, e cada livro proclama a boa nova da salvação, revelando quem é Jesus e o significado de sua missão redentora.

Os Evangelhos foram escritos no primeiro século, em um contexto judaico-romano. Israel vivia sob domínio do Império Romano e aguardava o Messias prometido nas Escrituras do Antigo Testamento. Cada evangelista escreveu com um propósito específico e para públicos distintos, mas todos convergem na afirmação central: Jesus é o Filho de Deus e o Salvador prometido.

Os três primeiros (Mateus, Marcos e Lucas) são chamados de “Evangelhos Sinópticos” (do grego synopsis, “visão conjunta”), porque apresentam estrutura e conteúdo semelhantes. João, por sua vez, possui estilo e abordagem teológica próprios.

Evangelho segundo Mateus – Jesus, o Rei prometido

Mateus escreve principalmente para leitores judeus. Seu objetivo é demonstrar que Jesus é o Messias prometido no Antigo Testamento.

Características principais:

Ênfase no cumprimento das profecias.

Uso frequente da expressão: “para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta”.

Genealogia que liga Jesus a Abraão e a Davi.

Forte ensino sobre o Reino dos Céus.

Destaque teológico:

Mateus apresenta Jesus como o novo Moisés e o Rei legítimo de Israel. O Sermão do Monte (Mateus 5–7) revela a ética do Reino. O evangelho termina com a Grande Comissão (Mateus 28:19-20), mostrando que o Reino ultrapassa Israel e alcança todas as nações.

Evangelho segundo Marcos – Jesus, o servo em ação

Marcos é o mais curto e provavelmente o mais antigo dos Evangelhos. Tradicionalmente associado ao apóstolo Pedro, apresenta Jesus de maneira dinâmica e prática.

Características principais:

Linguagem objetiva e rápida.

Ênfase nas ações de Jesus mais do que em longos discursos.

Apresentação de milagres e autoridade espiritual.

Destaque teológico:

Marcos revela Jesus como o Servo sofredor. O ponto central está em Marcos 10:45: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” A cruz é o clímax do livro, mostrando que o caminho do Messias passa pelo sofrimento.

Evangelho segundo Lucas – Jesus, o Salvador Universal

Lucas, médico e companheiro de Paulo, escreve com linguagem cuidadosa e histórica. Seu Evangelho é dirigido a Teófilo e apresenta investigação detalhada dos fatos.

Características principais:

Narrativa organizada e histórica.

Ênfase na compaixão de Jesus.

Destaque para mulheres, pobres e marginalizados.

Muitas parábolas exclusivas (como o Bom Samaritano e o Filho Pródigo).

Destaque teológico:

Lucas enfatiza que a salvação é para todos, judeus e gentios. Jesus é o Salvador da humanidade inteira. A alegria e o Espírito Santo são temas recorrentes. Seu Evangelho continua no livro de Atos, mostrando a expansão da igreja.

Evangelho segundo João – Jesus, o Filho de Deus

João apresenta uma abordagem profundamente teológica. Diferente dos sinópticos, ele seleciona sinais específicos para revelar a identidade divina de Cristo.

Características principais:

Linguagem simbólica (luz, vida, água, pão).

Longos discursos de Jesus.

Sete “Eu Sou” que revelam sua divindade.

Destaque teológico:

João começa declarando: “No princípio era o Verbo.” Ele conecta Jesus à eternidade e à criação. O propósito do livro é explícito: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31).

Harmonia e complementaridade

Embora cada Evangelho tenha estilo próprio, eles não se contradizem; ao contrário, se complementam. Podemos visualizar assim:

Mateus: Jesus como Rei.

Marcos: Jesus como Servo.

Lucas: Jesus como Salvador.

João: Jesus como Filho de Deus.

Os quatro juntos oferecem uma visão completa da pessoa e obra de Cristo. Assim como quatro testemunhas descrevem o mesmo acontecimento sob ângulos diferentes, os Evangelhos revelam a plenitude da identidade de Jesus.

A mensagem central dos quatro Evangelhos

O coração dos Evangelhos é a morte e a ressurreição de Cristo. Aproximadamente um terço do conteúdo de cada livro dedica-se à última semana da vida de Jesus. Isso demonstra que o propósito principal não é apenas relatar ensinamentos, mas anunciar o plano redentor de Deus.

A cruz não foi um acidente histórico, mas cumprimento do plano divino. A ressurreição confirma a vitória sobre o pecado e a morte, sendo o fundamento da fé cristã.

Os quatro Evangelhos formam uma unidade inspirada que revela:

O cumprimento das promessas do Antigo Testamento.

A manifestação do Reino de Deus.

O amor sacrificial de Cristo.

A esperança da vida eterna.

Estudar os quatro Evangelhos é contemplar Jesus sob múltiplas perspectivas e compreender, de maneira mais profunda, o centro da fé cristã: Deus se fez carne e habitou entre nós para salvar a humanidade.

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Deus: Nossa fortaleza em tempos de batalha


Vladimir Chaves

“Deus é a minha fortaleza e a minha força, e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho.” 2 Samuel 22.33

Esse texto não foi escrito em um momento de tranquilidade, mas depois de anos de perseguições, batalhas e incertezas. Davi não falava de um Deus distante, mas de um Deus que o sustentou quando tudo parecia desabar.

Quando ele diz que Deus é sua fortaleza, está reconhecendo que a verdadeira segurança não está nas estruturas visíveis. Fortaleza é lugar alto, seguro, protegido. É como dizer: “Quando tudo ameaça cair, eu tenho onde me refugiar.” Em um mundo onde as pessoas confiam em posições, dinheiro ou influência, Davi aponta para algo mais sólido: a presença de Deus.

Ao afirmar que Deus é sua força, ele desmonta a ideia de autossuficiência. Davi era guerreiro, treinado, experiente. Ainda assim, reconhece que a capacidade para vencer vinha do Senhor. Isso é profundamente atual. Vivemos na cultura do “seja forte sozinho”, mas a Bíblia apresenta outra lógica: a verdadeira força nasce da dependência.

E talvez a parte mais tocante seja: “Ele perfeitamente desembaraça o meu caminho.” Quantas vezes nos sentimos emaranhados em situações confusas, decisões difíceis, portas fechadas? Davi testemunha que Deus não apenas protege e fortalece, mas também organiza o caminho. Ele remove obstáculos invisíveis, ajusta direções e conduz com precisão.

Esse versículo nos ensina que fé não é negação das dificuldades. Davi enfrentou muitas. Fé é reconhecer, no meio delas, que não estamos sozinhos. É confiar que há um Deus que protege por cima, sustenta por dentro e guia pela frente.

Em minha opinião, esse texto é um convite à confiança madura. Não é a confiança ingênua de quem nunca sofreu, mas a convicção de quem já atravessou vales e ainda assim declara: “Foi Deus quem me sustentou.”

Talvez o maior ensinamento seja este: quando Deus é nossa fortaleza, não precisamos viver dominados pelo medo. Quando Ele é nossa força, não precisamos provar nada a ninguém. E quando Ele desembaraça nosso caminho, podemos caminhar com paz, mesmo sem enxergar tudo à frente.

É uma fé que transforma insegurança em descanso, não porque os problemas desapareceram, mas porque a presença de Deus se tornou maior do que eles.

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O tempo de Deus e o arrependimento humano


Vladimir Chaves

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” 2 Pedro 3:9

Esse é um dos textos mais consoladores e, ao mesmo tempo, desafiadores do Novo Testamento. Ele nasce em um contexto de questionamento e zombaria. Havia pessoas que ridicularizavam a promessa da volta de Cristo, dizendo que tudo continuava como sempre foi e que, portanto, não haveria intervenção divina alguma.

O ponto central do versículo é que a percepção humana do tempo não define a fidelidade de Deus. Para nós, a passagem dos anos pode parecer longa demais. Nossa vida é breve, nossa espera é limitada e nossa paciência é curta.

Deus, porém, não está submetido à nossa cronologia. Ele age dentro de um plano eterno, no qual cada etapa tem propósito. A promessa não está atrasada; ela está sendo cumprida dentro do tempo perfeito de Deus.

Pedro revela que o que parece demora é, na verdade, longanimidade. Essa palavra carrega a ideia de paciência sustentada por amor, de alguém que poderia agir imediatamente, mas escolhe esperar por causa de um propósito maior.

Deus não está indiferente ao pecado nem omisso diante do mal. Ele está oferecendo tempo. Tempo para arrependimento, tempo para reconciliação, tempo para que vidas sejam alcançadas pela graça.

Quando o texto afirma que Deus não quer que alguns se percam, mas que todos venham ao arrependimento, ele revela o coração misericordioso do Senhor. O juízo é real e o “Dia do Senhor” virá, como o próprio capítulo afirma.

Porém, antes do juízo vem o convite. Antes da justiça plena, manifesta-se a misericórdia. A demora da promessa não é sinal de descuido, mas de compaixão. Cada novo dia que nasce é evidência de que a porta da graça ainda está aberta.

Isso nos leva a uma reflexão pessoal. Em vez de perguntar por que Cristo ainda não voltou, talvez devamos perguntar o que estamos fazendo com o tempo que Ele nos concede.

2 Pedro 3:9 nos ensina que o silêncio aparente de Deus não é ausência, e que a espera não é abandono. É o tempo da misericórdia operando.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

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Carnaval: Celebrando o prazer, ignorando as consequências


Vladimir Chaves


“Ai dos que se levantam pela manhã para seguir a bebida forte… e não consideram as obras do Senhor.” (Isaías 5:11-12)

O brado de Isaías não pertence a um passado distante. Ele descreve, com precisão desconfortável, a realidade de uma geração que transformou o excesso em virtude e a ausência de Deus em estilo de vida. O profeta denuncia uma sociedade que amanhece buscando embriaguez e adormece ignorando o Senhor. A pergunta é inevitável: o que mudou?

Em períodos como o carnaval, essa advertência bíblica ganha contornos ainda mais evidentes. O discurso oficial fala de cultura, liberdade e alegria. Mas, por trás da narrativa romantizada, o que se vê é a celebração da desmedida. Exalta-se a perda de controle como se fosse libertação. Trata-se a embriaguez como direito, a sensualização como empoderamento e a irresponsabilidade como autenticidade.

Não se trata de demonizar cultura ou música. O problema é outro: quando o prazer ocupa o trono e Deus é empurrado para a periferia da consciência. Quando qualquer limite é visto como opressão. Quando a única regra é “sentir”, “experimentar” e “aproveitar”, independentemente das consequências.

A sociedade repete, quase como um dogma: “Você merece ser feliz.” Mas nunca explica que felicidade construída sobre impulsos é frágil. O álcool e as drogas prometem euforia, mas frequentemente entregam acidentes, violência e decisões irreversíveis. A liberdade proclamada nas ruas muitas vezes termina em lares feridos, consciências culpadas e relacionamentos despedaçados.

Há um custo, sempre há. Só que ele raramente aparece nas propagandas, nos discursos oficiais ou nas postagens festivas. Ele surge depois: nas estatísticas de violência, nas famílias desestruturadas, nas vidas marcadas por escolhas feitas sob efeito de instantes intensos e pouco refletidos.

Isaías descreve festas, instrumentos, celebrações. O problema nunca foi a música. O problema era a indiferença espiritual. “Não consideram as obras do Senhor.” Eis o diagnóstico. Uma sociedade pode cantar alto e, ainda assim, estar espiritualmente surda. Pode sorrir para as câmeras e, ao mesmo tempo, caminhar para o vazio.

O cristianismo não propõe uma vida sem alegria. Pelo contrário: oferece uma alegria que não depende de substâncias químicas, não exige máscaras e não cobra juros emocionais depois. A alegria que vem de Deus não destrói vínculos, não banaliza o corpo, não transforma pessoas em objetos de consumo momentâneo.

O que está em jogo não é um evento isolado, mas uma mentalidade: a crença de que prazer sem responsabilidade não causa danos. A história mostra o oposto. Civilizações não entram em colapso apenas por crises econômicas ou políticas, mas por erosão moral; quando o excesso deixa de ser vício e passa a ser celebrado como valor.

Ignorar isso não é sinal de progresso; é sinal de cegueira voluntária. O alerta de Isaías continua ecoando porque continua necessário. Uma geração que se acostuma a viver anestesiada dificilmente perceberá quando estiver espiritualmente falida.

A questão final não é cultural, é espiritual: quem ocupa o centro? O prazer momentâneo ou o Senhor da vida? Porque toda sociedade que escolhe viver sem considerar as obras de Deus acaba, inevitavelmente, colhendo as consequências dessa decisão.

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As três vezes que Deus escreveu


Vladimir Chaves

A Bíblia registra momentos únicos em que o próprio Deus escreveu. Não foram palavras apenas proclamadas, mas mensagens gravadas pelo “dedo de Deus”. Cada registro carrega um significado profundo e revela quem Ele é: santo na Lei, justo no juízo e misericordioso na graça.

Quando Deus escreve, Ele não escreve por acaso. Ele escreve para revelar, confrontar e transformar.

Deus escreveu na pedra: A Lei

Êxodo 31:18

No Monte Sinai, Deus escreveu os Dez Mandamentos em tábuas de pedra. Entre eles estavam palavras como:

“Não terás outros deuses diante de mim.”

“Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.”

“Honra teu pai e tua mãe.”

“Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás.”

A Lei mostra que Deus é santo, justo e verdadeiro. Ali aprendemos que existe um padrão divino para a vida. Deus estabelece limites porque nos ama. A Lei revela o caráter de Deus e mostra ao homem a necessidade de viver em obediência.

Deus escreveu na parede: O Juízo

Daniel 5:25

No palácio da Babilônia, durante um banquete marcado pela arrogância do rei Belsazar, apareceu uma mão que escreveu na parede:

MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM

Daniel interpretou assim:

MENE: Deus contou os dias do teu reino e lhe pôs fim.

TEQUEL: Pesado foste na balança e achado em falta.

PARSIM: O teu reino foi dividido.

Foi uma mensagem direta de juízo. Deus mostrou que vê tudo e que nenhum império é eterno diante Dele.

A escrita na parede nos lembra que a soberba passa, mas a justiça de Deus permanece.

Deus escreveu na terra: A Graça

João 8:6-8

Diante de uma mulher acusada de adultério, Jesus se inclinou e escreveu no chão. A Bíblia não revela o que Ele escreveu.

Alguns entendem que poderia ter escrito pecados ocultos dos acusadores. Outros creem que foi apenas um gesto de autoridade e silêncio. O fato é que, logo depois, Ele declarou:

“Quem dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra.”

Um a um, todos saíram. E então Jesus disse: “Nem eu também te condeno; vai e não peques mais.”


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O caminho da humildade que nos salvou


Vladimir Chaves

 

Filipenses 2 nos conduz ao centro do Evangelho: a humildade voluntária de Cristo. Paulo exorta a igreja a ter o mesmo “sentimento” de Jesus, isto é, o mesmo modo de pensar. Trata-se de uma mente moldada pela humildade, pelo amor e pela obediência. Ter a mente de Cristo é renunciar ao egoísmo e viver para a glória de Deus e o bem do próximo.

Cristo, sendo Deus, não se apegou aos seus direitos divinos (Fp 2.6). Diferente de Adão, que quis ser como Deus, Jesus, sendo Deus, humilhou-se. Ele se esvaziou voluntariamente, não deixando de ser divino, mas abrindo mão da manifestação de sua glória para assumir a forma de servo. O Rei dos céus fez-se homem para cumprir o plano da redenção.

Sua humilhação culminou na cruz. Jesus foi obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.8). Enquanto a desobediência de Adão trouxe condenação, a obediência de Cristo trouxe justificação (Rm 5.19). Nossa salvação é fruto dessa entrega perfeita, não de nossos méritos.

Contemplar esse caminho nos desafia a viver do mesmo modo. Se Ele se humilhou, devemos cultivar humildade. Se Ele obedeceu ao Pai, também somos chamados a obedecer. Seguir a Cristo é trilhar o caminho da entrega, certos de que toda glória pertence a Deus.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

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