Quando o ‘Auê’ substitui o nome de Jesus


Vladimir Chaves

Nem toda música que empolga é louvor. Nem toda canção que faz o povo cantar junto glorifica a Deus. A música “Auê, a fé ganhou” pode até ser contagiante, animada e bem produzida, mas isso não a torna, automaticamente, adoração. Quando uma canção esconde o nome de Jesus, flerta com símbolos ambíguos e aproxima-se de linguagens místicas ou culturais carregadas de outros significados espirituais, ela deixa de ser louvor e passa a ser apenas entretenimento religioso.

O Evangelho nunca precisou de “roupagem mística” para ser relevante. A cruz sempre foi suficiente. O poder do Evangelho está na mensagem, não na estética; está na verdade, não na performance. Quando tentamos “embelezar” a fé com elementos estranhos às Escrituras, corremos o risco de diluir aquilo que é santo e substituir arrependimento por animação, conversão por comportamento, e adoração por emoção.

A Bíblia é clara: o verdadeiro louvor é fruto de lábios que confessam o nome de Deus. Hebreus 13.15 nos lembra que adorar não é fazer barulho, mas exaltar o nome que está acima de todo nome. Quando uma música celebra mais as “birras humanas”, a superação pessoal ou a euforia coletiva do que a obra redentora de Cristo, algo está fora do lugar. O foco deixa de ser o arrependimento e passa a ser o homem.

Por isso, discernimento é indispensável. A própria Escritura nos alerta: “Provai os espíritos se são de Deus” (1 João 4.1). Nem tudo o que soa espiritual vem do Espírito Santo. Existe diferença entre arte e distorção doutrinária. Existe uma linha clara entre o sagrado e o profano; e ela não pode ser apagada em nome da popularidade.

O verdadeiro louvor coloca Jesus no centro, confessa a doutrina bíblica e preserva a separação entre o que pertence a Deus e o que vem do mundo. Quando esses elementos não estão presentes, o que resta é apenas um “auê” profano: uma música com linguagem religiosa, mas sem essência espiritual.

O Evangelho não se mistura. Inserir símbolos, expressões ou referências carregadas de outras espiritualidades dentro da fé cristã é sincretismo. E Deus não aceita fogo estranho. Nomes, gestos e expressões culturais não são neutros; eles carregam história, significado e espiritualidade. Negar isso não muda a realidade.

Precisamos de menos “Auê” e mais Bíblia. Menos personagens simbólicos e mais Jesus. Menos euforia vazia e mais quebrantamento genuíno. Porque no Reino de Deus, não é o barulho que vence, é a verdade.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

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Obediência que nasce da fé, não da religião


Vladimir Chaves

A história de Abraão nos ajuda a compreender, com muita clareza, o tipo de obediência que Deus espera do cristão; uma obediência que nasce da fé e do relacionamento com Ele, e não da submissão cega a regras humanas ou tradições religiosas.

Quando Deus chamou Abrão, Ele não apresentou um mapa, nem deu explicações detalhadas. Apenas chamou. E Abrão respondeu. Pela fé, saiu de sua terra, deixou sua segurança e caminhou rumo a um destino que não conhecia. Essa atitude revela que obedecer a Deus é confiar nEle acima da lógica, do conforto e das certezas humanas.

Abrão não conhecia a definição bíblica de fé que hoje encontramos em Hebreus 11.1, mas viveu essa fé na prática. Ele não sabia como seria sua vida naquela terra desconhecida, mas sabia quem era o Deus que o estava chamando. Isso fez toda a diferença.

No entanto, a Palavra também nos mostra que obediência parcial não é obediência completa. Deus havia ordenado que Abrão deixasse sua terra e sua parentela, mas ele permitiu que Ló o acompanhasse. Mais tarde, essa decisão gerou conflitos e dificuldades. O texto nos alerta: sempre que escolhemos adaptar a vontade de Deus à nossa conveniência, acabamos colhendo problemas.

Outro detalhe importante é que Deus não conduziu Abrão diretamente ao destino final. Antes de chegar a Canaã, ele passou por Harã. Esse tempo não foi perdido. Pelo contrário, foi um período de preparo, amadurecimento e formação de caráter. A obediência verdadeira aceita os processos de Deus, mesmo quando parecem atrasos aos nossos olhos.

Aqui está um ponto crucial para os nossos dias:

Deus não busca uma obediência meramente externa, ritualística ou religiosa. A Bíblia deixa claro que Ele rejeita o serviço apenas da boca para fora, quando o coração está distante. O Senhor prefere um coração obediente a sacrifícios vazios, como bem declarou o profeta Samuel: “Obedecer é melhor do que sacrificar”.

Muitos hoje confundem obediência a Deus com obediência irrestrita a homens, sistemas ou regras religiosas que, muitas vezes, não têm base bíblica sólida. A Escritura nos ensina que a obediência que agrada a Deus não é submissão a tradições humanas, mas alinhamento sincero à Sua vontade revelada.

No Novo Testamento, essa obediência ganha um foco ainda mais claro: obedecer a Jesus Cristo. Não se trata mais de cumprir a Lei como um código frio, mas de seguir a Cristo em fé, amor e verdade. É uma obediência que nasce do relacionamento, não do medo; do coração transformado, não da imposição religiosa.

Assim como Abraão, o cristão é chamado a obedecer mesmo sem ter todas as respostas. É essa obediência (simples, profunda e sincera) que Deus continua esperando do Seu povo hoje.

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Quando obedecer a Jesus se torna um incômodo religioso


Vladimir Chaves

“Jesus disse-lhes: Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” Marcos 16: 15

Ele não disse: “fiquem confortáveis onde estão com o seu evangelho particular”, muito menos “adaptem o evangelho ao gosto do público”. A ordem foi simples, direta e nada confortável: ide. Movimento. Ação. Saída. Qualquer coisa diferente disso é desobediência com verniz religioso.

Cristo também não instituiu manuais burocráticos nem modelos engessados para a proclamação da mensagem. Ele não terceirizou a missão nem autorizou comissões para decidir se o momento era oportuno. O chamado sempre foi o mesmo: ir, anunciar e obedecer; mesmo quando isso custa caro.

Desde a igreja primitiva, a história é bem clara (para quem ainda lê a Bíblia): todos os que levaram essa ordem a sério enfrentaram humilhações, perseguições e, muitas vezes, a morte. Nada de aplausos, tapetes vermelhos ou prêmios de “crente do ano”. E não, os tempos não mudaram tanto assim. Hoje, quem anuncia o evangelho com ousadia continua sendo ridicularizado, desprezado e atacado. Jesus avisou com antecedência, para ninguém alegar surpresa espiritual:

“Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim.” (Jo 15:18)

A forma muda, o incômodo é o mesmo.

Quem prega nas ruas é chamado de fanático.

Quem louva em praças públicas tem instrumento apreendido.

Quem anuncia o evangelho nas escolas é transferido.

Quem usa as redes sociais é acusado de querer aparecer, de querer likes, views e aplausos; como se o problema fosse o meio, e não a mensagem.

E o mais irônico de tudo: muitas vezes, a oposição mais dura não vem de fora, mas de dentro. Dentro das igrejas. Em nome da “ordem”, da “prudência” ou da “boa imagem”, tenta-se silenciar justamente quem resolveu obedecer. Em várias comunidades, crentes que levam a fé a sério (e não brincam de ser crentes) são punidos, afastados e proibidos até mesmo de subir ao púlpito. Obedecer a Cristo, nesse caso, vira um problema administrativo.

Mas sejamos honestos: Jesus nunca prometeu conforto para os obedientes. Ele prometeu o oposto.

“No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (Jo 16:33)

Portanto, siga em frente. Seja ousado. Não negocie a verdade para evitar ofensas. Não se curve às pressões do inimigo; nem às versões “religiosas” dele. Obedecer a Cristo sempre teve um preço. E, ainda assim, sempre valeu a pena.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz as igrejas” Apocalipse 2: 11

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João 1:1–16: A luz verdadeira que veio ao mundo


Vladimir Chaves

O Verbo eterno

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”

João começa antes da criação, ecoando Gênesis 1:1. O “Verbo” (do grego Logos) não é apenas uma palavra falada, mas a expressão perfeita de Deus, Sua mente, Sua vontade.

Jesus não foi criado: Ele já existia “no princípio”, estava em comunhão com o Pai e é plenamente Deus. Aqui fica claro que Cristo compartilha da mesma natureza divina.

O Criador de todas as coisas

“Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.” (v. 3)

Nada existe fora da ação do Verbo. Jesus não é parte da criação; Ele é o Agente da criação. Isso afirma Sua autoridade absoluta sobre o universo e sobre a vida.

Fonte de vida e luz

“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.” (v. 4)

A vida verdadeira (espiritual e eterna) está em Cristo. Essa vida ilumina a humanidade caída, trazendo verdade, sentido e salvação.

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas as trevas não prevaleceram contra ela” (v.5)

As trevas (o pecado, a ignorância espiritual, a rejeição a Deus) tentam resistir à luz, mas não conseguem vencê-la.

O testemunho de João Batista (vv. 6–8)

João Batista não é a luz, mas a testemunha. Ele aponta para Cristo. Isso nos ensina que todo verdadeiro ministério cristão não exalta o homem, mas direciona as pessoas a Jesus.

A rejeição e a aceitação do Verbo (vv. 9–13)

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.”

Mesmo sendo o Criador, Jesus foi rejeitado por muitos, inclusive pelo Seu próprio povo.

Mas há uma promessa gloriosa: os que O recebem pela fé tornam-se filhos de Deus. A salvação não vem de herança, esforço humano ou mérito, mas dá vontade de Deus, mediante a fé em Cristo.

O Verbo se fez carne

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (v. 14)

Aqui está o coração do Evangelho. Deus entrou na história humana. Jesus assumiu a nossa condição, sem deixar de ser Deus.

“Habitou” significa “armou Sua tenda”, lembrando o tabernáculo: agora, a presença de Deus não está em um edifício, mas em uma Pessoa. Nele vemos a glória divina cheia de graça e verdade.

Graça sobre graça

“Da sua plenitude todos nós recebemos, e graça sobre graça.” (vv. 15–16)

Cristo é inesgotável. Tudo o que precisamos para salvação, vida espiritual e comunhão com Deus vem da Sua plenitude. A expressão “graça sobre graça” aponta para uma abundância contínua, não limitada, que substitui a condenação pela misericórdia.

O Prólogo de João Batista (João 1:1–16) declara que Jesus é Deus eterno, Criador, Salvador e revelação perfeita do Pai. Negar qualquer uma dessas verdades é esvaziar o Evangelho.

Crer nelas é receber vida, luz e o privilégio de ser chamado filho de Deus.

“Quem vê o Filho, vê o próprio Deus agindo em favor da humanidade.”

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Fidelidade revelada nas pequenas decisões


Vladimir Chaves



Na parábola do administrador (Lucas 16:1–9), Jesus conta a história de um homem que recebeu a responsabilidade de cuidar dos bens do seu senhor. Ele não era o dono, apenas um administrador. Tudo o que passava por suas mãos pertencia a outro. Quando sua má administração veio à tona, ele precisou prestar contas.

Essa parábola nos lembra de uma verdade essencial: nada do que temos é realmente nosso. Tempo, recursos, dons e oportunidades nos foram confiados por Deus. Somos mordomos, não proprietários.

O administrador da parábola agiu de forma astuta para garantir o futuro, e Jesus usa esse exemplo não para elogiar a desonestidade, mas para chamar a atenção dos seus ouvintes. Se pessoas deste mundo se esforçam tanto para assegurar vantagens passageiras, quanto mais os filhos de Deus deveriam agir com sabedoria e responsabilidade em relação às coisas eternas.

É nesse contexto que Jesus ensina: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito” (Lucas 16:10). A fidelidade não começa nas grandes decisões, mas nas pequenas escolhas diárias. Ela se revela quando ninguém está olhando, quando o reconhecimento é pequeno e quando a tarefa parece simples demais.

Deus observa como lidamos com o “pouco”: como tratamos as pessoas, como usamos nosso tempo, como administramos aquilo que recebemos. A maneira como cuidamos dessas pequenas responsabilidades revela quem somos de verdade.

A parábola nos convida a viver com consciência espiritual. Um dia, todos nós prestaremos contas ao Senhor. Por isso, vale a pena viver com integridade, sabedoria e fidelidade, sabendo que o que fazemos hoje ecoa na eternidade.

Ser fiel no pouco é mais do que um dever, é uma forma de honrar Aquele que nos confiou tudo.

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A responsabilidade de não ser pedra de tropeço


Vladimir Chaves

Jesus foi firme ao ensinar sobre o tropeço espiritual. Ele sabia que, ao longo da caminhada da fé, escândalos, erros e influências negativas surgiriam. Por isso, deixou um alerta claro: “É inevitável que venham tropeços, mas ai daquele por quem vierem” (Lucas 17:1).

A “Parábola do Tropeço” no evangelho de Lucas, expressa esse forte apelo espiritual. Nela, Jesus mostra que nossas atitudes têm poder: podem conduzir alguém para mais perto de Deus ou afastá-lo completamente. Por isso, Ele usa palavras severas: “Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequeninos” (Lucas 17:2; Mateus 18:6).

Os “pequeninos” referem-se àqueles cuja fé é simples, frágil ou ainda está em crescimento. Fazer alguém tropeçar significa agir de modo que o outro se escandalize, se desanime ou até abandone o caminho do Senhor por causa do nosso exemplo.

A “Parábola do Tropeço” nos convida a olhar para dentro de nós mesmos e refletir: minha vida aproxima ou afasta as pessoas de Cristo? Que nossas palavras, atitudes e escolhas sejam instrumentos de edificação, e não pedras no caminho da fé de ninguém.

“Assim, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12).

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Negar quem Cristo é significa distorcer o evangelho.


Vladimir Chaves

O Cristo que servimos não é apenas um mestre sábio ou um profeta entre outros. Ele é o Verbo eterno, aquele que existia antes de todas as coisas. A Bíblia afirma: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1). Isso nos lembra que Jesus não começou em Belém; Ele é Deus desde a eternidade.

Foi por meio d’Ele que tudo foi criado. Nada existe sem a sua ação e vontade. “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3). Essa verdade nos leva à humildade, pois reconhecemos que nossa vida, nosso tempo e nosso futuro estão nas mãos do Criador.

Além disso, Jesus revelou plenamente o Pai. Quem deseja conhecer a Deus não precisa procurar outro caminho. O próprio Cristo declarou: “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14:9). Em Jesus, Deus se aproximou de nós, falou nossa língua, caminhou entre as pessoas e demonstrou amor, graça e verdade.

Negar que Cristo é eterno, Criador e revelação perfeita do Pai é distorcer o Evangelho. O apóstolo Paulo alerta que há ensinos que se afastam da verdade e comprometem a fé (Gálatas 1:6–7). Por isso, somos chamados a permanecer firmes naquilo que as Escrituras ensinam sobre quem Jesus realmente é.

Diante dessas verdades, nossa resposta deve ser clara: adorá-lo, porque Ele é Deus; obedecê-lo, porque Ele é Senhor; e anunciá-lo, porque Ele é o único Salvador. Como diz a Palavra: “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho” (Filipenses 2:10). Em Jesus Cristo, vemos o próprio Deus agindo para nos salvar. Essa é a essência do verdadeiro Evangelho.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

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A fé que agrada a Deus nem sempre atrai multidões


Vladimir Chaves

A Bíblia nos mostra que existe um padrão que se repete ao longo da história: quando o coração do homem se afasta de Deus, a verdade passa a incomodar.

Em 2 Timóteo 4:3, Paulo alerta que chegaria um tempo em que as pessoas não suportariam a sã doutrina. Não é que a Palavra deixaria de existir, mas que o desejo de ouvi-la desapareceria. Em seu lugar, surgiria a busca por mensagens que agradam, confortam e confirmam vontades pessoais.

Esse mesmo alerta aparece em Atos 20, quando Paulo se despede dos líderes da igreja de Éfeso. Ele afirma, com lágrimas, que lobos ferozes surgiriam, até mesmo de dentro da própria comunidade, distorcendo a verdade para atrair discípulos. O perigo não estava apenas fora, mas no abandono silencioso da fidelidade à Palavra.

Muito antes disso, o profeta Isaías já havia descrito esse comportamento. Em Isaías 30, o povo pede aos profetas que não falem o que é reto, mas que anunciem coisas agradáveis. Eles preferem ilusões à verdade. É como se dissessem: “Não nos confrontem, não nos chamem ao arrependimento, apenas nos façam sentir bem.”

Já em Amós 8, Deus revela uma consequência ainda mais séria: viria um tempo de fome, não de pão ou de água, mas fome de ouvir a Palavra do Senhor. As pessoas correriam de um lado para o outro procurando a mensagem de Deus, mas não a encontrariam. Não porque Deus se calou primeiro, mas porque a rejeitaram quando Ele falou.

Ao olharmos para os nossos dias, esse cenário se torna ainda mais evidente. Igrejas que permanecem firmes na exposição fiel das Escrituras muitas vezes se veem quase vazias, enquanto congregações que prometem apenas fartura, sucesso, prosperidade e bênçãos sem arrependimento ficam cheias. Não é a fé que cresce, mas a expectativa de benefícios pessoais.

O mesmo acontece com a música. Cânticos profundamente bíblicos, que exaltam a cruz, o arrependimento e a santidade, dão lugar a músicas sem conteúdo bíblico, algumas com linguagem, valores e espírito tão próximos do mundo que mal se distinguem do que é tocado fora da igreja. Ainda assim, esses louvores atraem multidões, porque emocionam, entretêm e agradam; mas não edificam.

Isso não é apenas uma questão de estilo, mas de mensagem. Quando a Palavra deixa de ser central, o culto passa a girar em torno do homem, de suas emoções e desejos. O resultado é uma fé barulhenta, porém rasa; animada, porém frágil; cheia de promessas, mas vazia de cruz.

Resumindo:

O problema nunca foi a falta de voz de Deus, mas a falta de disposição do homem para ouvir.

Onde a verdade é substituída por entretenimento, a igreja pode até lotar, mas o discipulado desaparece.

Onde não há correção, não há crescimento. Onde não há confronto, não há transformação.

Essas passagens nos chamam à reflexão pessoal e coletiva:

Estamos buscando a Palavra que nos transforma ou apenas a que nos agrada?

Queremos uma igreja cheia de pessoas ou cheia da presença de Deus?

A sã doutrina pode confrontar, mas também cura. Pode ferir o orgulho, mas salva a alma.

Ela não foi dada para agradar os ouvidos, mas para endireitar o coração.

Permanecer na verdade, mesmo quando ela não atrai multidões, é sinal de fidelidade a Cristo.

Melhor uma igreja pequena e fiel à Palavra do que grandes ajuntamentos vazios da verdade.

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Lucas 14:33 — O custo que vale a pena


Vladimir Chaves

Jesus não falava para impressionar, falava para despertar. Em Lucas 14, Ele está cercado por multidões. Muita gente andando com Ele, ouvindo Suas palavras, admirando Seus milagres. Mas Jesus sabia que nem todos estavam dispostos a segui-lo de verdade. Por isso, Ele para e fala com clareza, sem suavizar o chamado.

Antes do versículo 33, Jesus conta duas histórias simples: a de um homem que começa a construir uma torre sem calcular os custos e a de um rei que vai à guerra sem avaliar suas forças. A mensagem é direta: ninguém começa algo sério sem antes entender o que isso exige. Seguir Jesus não é diferente.

Quando Ele diz que quem não renuncia a tudo o que possui não pode ser seu discípulo, Jesus não está pregando desprezo pelos bens materiais, nem exigindo pobreza como regra. O foco não está nas coisas em si, mas no lugar que elas ocupam no coração. Renunciar, aqui, significa abrir mão do controle, da autonomia absoluta, da ideia de que somos donos de nossa própria vida.

Jesus está ensinando que o discipulado exige prioridade. Nada pode estar acima d’Ele: nem posses, nem sonhos, nem segurança, nem mesmo nossos próprios planos. Tudo continua existindo, mas agora sob um novo senhorio. O que antes nos dominava passa a ser colocado aos pés de Cristo.

Esse ensino confronta uma fé confortável. Ele desmonta a ideia de seguir Jesus apenas quando é conveniente. O chamado de Cristo é para uma entrega real, consciente e diária. Não é perda, é decisão. Não é castigo, é propósito.

Lucas 14:33 nos convida a olhar para dentro e perguntar: quem está no controle da minha vida? O que governa minhas escolhas? O que eu não gostaria de entregar a Deus? Essas perguntas revelam se estamos apenas caminhando com a multidão ou vivendo o discipulado verdadeiro.

No fim, Jesus não pede tudo porque quer nos esvaziar, mas porque deseja nos preencher com algo maior. Quem renuncia descobre que nada do que é entregue a Cristo é realmente perdido. Pelo contrário, tudo ganha sentido, direção e eternidade.

Seguir Jesus custa, sim. Mas não segui-lo custa muito mais.Parte superior do formulário

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

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Eu não sei o que Ele viu em mim


Vladimir Chaves

“Eu não sei o que Ele viu em mim, não entendo por que me amou.”

Essa frase da canção Eu só quero adorar expressa com precisão o que sinto quando olho para a minha própria história. Sempre que ouço essa música, algo em mim se quebranta. Quanto mais me conheço, mais percebo que não havia nada em mim que explicasse um amor tão insistente, tão profundo e tão real.

Quando olho para trás, não encontro méritos que justifiquem esse amor. Vejo falhas, quedas, decisões erradas e muitos momentos em que Deus me chamou, mas eu escolhi ignorar. Se o amor dEle dependesse do meu desempenho, eu já teria sido deixado para trás. Mas Ele não foi embora.

Eu não fui chamado e transformado porque fiz tudo certo. Fui amado, chamado e transformado apesar de tudo que fiz errado. E isso muda tudo. Porque então entendo que não foi a minha força que me sustentou, mas a graça dEle que me alcançou quando eu já não tinha argumentos, defesas ou justificativas.

Essa verdade desmontou o meu orgulho e começou a curar a minha alma. Hoje, só me resta me render, me entregar e obedecer. Adorar a Deus deixou de ser um meio e se tornou o fim. Eu não adoro para ser aceito; eu adoro porque já fui aceito.

Quando canto essa frase, não canto em dúvida, mas em admiração. Não entender por que Ele me amou não me afasta; me aproxima. Isso me leva a agradecer, a reverenciar e a desejar viver de um modo que honre esse amor que me encontrou no meio das minhas fraquezas.

Talvez eu nunca entenda completamente o que Ele viu em mim. Mas sei o suficiente para afirmar: eu fui amado, eu fui alcançado e eu fui transformado. E isso me basta. Por isso, eu só quero adorar.

 

Vladimir Chaves

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