A frequência aos cultos não
é, por si só, uma prova de fidelidade a Deus. É possível estar presente em
todas as reuniões da igreja e, ao mesmo tempo, ausentar-se dos deveres que o
Senhor considera indispensáveis no dia a dia.
A religiosidade costuma
fiscalizar mais do que obedecer. É rigorosa com horários, costumes e
aparências, mas pode ser negligente com aquilo que realmente revela o caráter
de Cristo.
De que adianta estar todos
os domingos no templo e faltar como pai, como mãe, como esposo, como esposa,
como filho, como irmão ou como vizinho? De que vale cantar louvores diante da
congregação e tratar o próximo com indiferença, falta de perdão ou ausência de
amor?
A Palavra de Deus ensina que
a verdadeira fé transforma todas as áreas da vida. O cristão não pertence a
Cristo apenas durante algumas horas no templo; ele pertence ao Senhor em casa,
no trabalho, na escola, na rua e em seus relacionamentos.
Jesus denunciou aqueles que
valorizavam as práticas religiosas enquanto mantinham o coração distante de
Deus:
"Este povo honra-me com
os lábios, mas o seu coração está longe de mim." (Mateus 15:8)
Em outra ocasião, declarou:
"Ai de vós, escribas e
fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e
tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a
misericórdia e a fé." (Mateus 23:23)
Congregar é uma ordem
bíblica. A igreja deve reunir-se para adorar a Deus, aprender a sua Palavra,
fortalecer a comunhão e encorajar uns aos outros.
"Não deixemos de
congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto
mais quanto vedes que o Dia se aproxima." (Hebreus 10:25)
Entretanto, a Bíblia não
transforma o domingo em um dia mais santo do que os demais. O Novo Testamento
não ensina que a espiritualidade do cristão é medida pela observância de um dia
específico da semana. O próprio apóstolo Paulo escreveu:
"Ninguém, pois, vos
julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou
sábados." (Colossenses 2:16)
E também:
"Um faz diferença entre
dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente
seguro em sua própria mente." (Romanos 14:5)
Isso não diminui a
importância da reunião da igreja. Pelo contrário, ressalta que o verdadeiro
valor do culto não está no dia em que acontece, mas em seu propósito.
O culto existe para
glorificar a Deus. Sua centralidade pertence exclusivamente a Cristo. Quando o
foco deixa de ser o Senhor e passa a ser o formato da reunião, a excelência da
programação, os talentos humanos ou o reconhecimento daqueles que dirigem o culto,
a adoração perde sua essência.
Jesus afirmou:
"Mas vem a hora e já
chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em
verdade; porque o Pai procura para seus adoradores." (João 4:23)
O culto não é um palco para
exaltar quem canta, quem prega, quem toca ou quem organiza. Também não é um
ambiente para medir quem é mais espiritual pela frequência, pela posição que
ocupa ou pela quantidade de atividades que realiza. O culto é um encontro do
povo de Deus para reconhecer que somente Cristo é digno de toda honra, toda
glória e todo louvor.
A verdadeira espiritualidade
é reconhecida pelos frutos. É possível ocupar um banco na igreja todos os
domingos e, ainda assim, viver distante da vontade de Deus. Da mesma forma,
quem anda diariamente em obediência demonstra, por meio de suas atitudes, que
Cristo governa seu coração.
Tiago escreveu:
"Tornai-vos, pois,
praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós
mesmos." (Tiago 1:22)
E Jesus declarou:
"Se me amais,
guardareis os meus mandamentos." (João 14:15)
A presença física no templo
é importante, mas ela nunca substituirá a presença de Cristo na vida diária. O
verdadeiro discípulo adora a Deus na congregação e continua adorando quando
volta para casa, quando trabalha, quando serve sua família, quando ama o
próximo e quando vive de maneira coerente com o Evangelho.
A igreja é o lugar onde os
santos se reúnem. A vida cristã, porém, é vivida todos os dias. Deus não
procura apenas pessoas que ocupem um lugar no templo aos domingos; Ele procura
discípulos cuja vida inteira revele a supremacia de Cristo.












