Nem toda música que empolga
é louvor. Nem toda canção que faz o povo cantar junto glorifica a Deus. A
música “Auê, a fé ganhou” pode até ser contagiante, animada e bem produzida,
mas isso não a torna, automaticamente, adoração. Quando uma canção esconde o nome
de Jesus, flerta com símbolos ambíguos e aproxima-se de linguagens místicas ou
culturais carregadas de outros significados espirituais, ela deixa de ser
louvor e passa a ser apenas entretenimento religioso.
O Evangelho nunca precisou
de “roupagem mística” para ser relevante. A cruz sempre foi suficiente. O poder
do Evangelho está na mensagem, não na estética; está na verdade, não na
performance. Quando tentamos “embelezar” a fé com elementos estranhos às Escrituras,
corremos o risco de diluir aquilo que é santo e substituir arrependimento por
animação, conversão por comportamento, e adoração por emoção.
A Bíblia é clara: o
verdadeiro louvor é fruto de lábios que confessam o nome de Deus. Hebreus
13.15 nos lembra que adorar não é fazer barulho, mas exaltar o nome que
está acima de todo nome. Quando uma música celebra mais as “birras humanas”, a
superação pessoal ou a euforia coletiva do que a obra redentora de Cristo, algo
está fora do lugar. O foco deixa de ser o arrependimento e passa a ser o homem.
Por isso, discernimento é indispensável. A própria Escritura nos alerta: “Provai os espíritos se são de Deus” (1 João 4.1). Nem tudo o que soa espiritual vem do Espírito Santo. Existe diferença entre arte e distorção doutrinária. Existe uma linha clara entre o sagrado e o profano; e ela não pode ser apagada em nome da popularidade.
O verdadeiro louvor coloca
Jesus no centro, confessa a doutrina bíblica e preserva a separação entre o que
pertence a Deus e o que vem do mundo. Quando esses elementos não estão
presentes, o que resta é apenas um “auê” profano: uma música com linguagem religiosa,
mas sem essência espiritual.
O Evangelho não se mistura.
Inserir símbolos, expressões ou referências carregadas de outras
espiritualidades dentro da fé cristã é sincretismo. E Deus não aceita fogo
estranho. Nomes, gestos e expressões culturais não são neutros; eles carregam
história, significado e espiritualidade. Negar isso não muda a realidade.
Precisamos de menos “Auê” e
mais Bíblia. Menos personagens simbólicos e mais Jesus. Menos euforia vazia e
mais quebrantamento genuíno. Porque no Reino de Deus, não é o barulho que vence,
é a verdade.






