“Apesar disso, muitos até
dentre as autoridades creram nele; mas por causa dos fariseus não o
confessavam, para não serem expulsos da sinagoga. Porque amaram mais a glória
dos homens do que a glória de Deus.”
João 12:42–43
João 12:42–43 nos
mostra líderes que criam em Jesus, mas não O confessavam. Não era falta de fé,
era medo. Medo de perder espaço, reputação e aceitação. Eles amaram mais a
glória dos homens do que a glória de Deus. Esse texto lança luz sobre um
problema que também se manifesta hoje, especialmente dentro da religiosidade
rígida.
Em muitos ambientes
religiosos, o evangelho é apresentado junto com uma lista de exigências que não
vêm do coração da fé, mas da tradição humana: regras severas sobre vestes,
adornos, costumes e comportamentos externos, tratados como se fossem pecados
mortais. O resultado não é maturidade espiritual, mas peso, culpa e medo.
Recém-convertidos, que
deveriam ser acolhidos, ensinados e discipulados com paciência, muitas vezes
são pressionados a “se encaixar” rapidamente em um padrão externo. Antes mesmo
de entenderem a graça, já aprendem a ter medo de errar. Antes de conhecerem a
liberdade em Cristo, já sentem o peso da vigilância humana.
Esse texto bíblico se
conecta diretamente com a nossa realidade.
O custo do discipulado não é
trocar roupas, cortar adornos ou adotar um comportamento forçado para agradar
líderes ou denominações. O verdadeiro custo é morrer para o ego, para o
orgulho, para o desejo de aprovação. Mas quando a religiosidade ocupa o lugar
do evangelho, o foco se inverte: busca-se agradar pessoas, sistemas e
tradições.
“Amaram mais a glória dos
homens” (aprovação,
reconhecimento, prestígio...)
Essa glória também se
manifesta quando líderes e instituições defendem regras rígidas mais para
manter controle, identidade ou status espiritual do que para conduzir pessoas a
Cristo. Cria-se um ambiente onde obedecer regras vale mais do que amar pessoas,
e onde parecer santo é mais importante do que ser transformado.
O efeito disso é silencioso
e devastador: muitos até creem, mas se calam; muitos até começam, mas desistem;
muitos até querem Cristo, mas fogem da igreja. Não porque rejeitam o evangelho,
mas porque não suportam o peso de uma fé que se tornou fardo, não boa notícia.
Jesus nunca afastou os
fracos com exigências imediatas. Ele chamou, acolheu, ensinou e transformou de
dentro para fora. Quando a igreja faz o contrário, ela repete o erro dos
líderes de João 12: protege a estrutura, mas perde pessoas; mantém a aparência,
mas sufoca a fé.
A reflexão que fica é clara
e necessária:
Estamos conduzindo pessoas à
glória de Deus ou exigindo que elas se ajustem à glória dos homens?
Onde a graça não é o ponto
de partida, a fé se torna medo.
Onde a aparência é
prioridade, o evangelho perde sua força.



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