A Bíblia nos alertou com
muita antecedência que chegaria um tempo em que muitos cultos deixariam de ser
centrados em Deus para se tornarem centrados no homem. O que deveria ser um
momento de reverência, temor e ensino da Palavra tem sido transformado, em
muitos lugares, em espetáculos emocionais, onde a sensação substitui a verdade
e o barulho toma o lugar da revelação.
Dias em que surgem cursos
para tudo: cursos para pregar, cursos para profetizar, cursos para liderar e
até cursos ensinando como falar em línguas. O que deveria ser dom do Espírito
está sendo tratado como técnica humana. Aquilo que nasce da comunhão com Deus
está sendo reduzido a método, treinamento e performance. A espiritualidade está
sendo ensaiada, treinada e encenada.
A Escritura já havia
advertido: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo
comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias
concupiscências.” (2 Timóteo 4:3)
Nunca houve tanta oferta de
mensagens agradáveis, motivacionais e emocionais, e ao mesmo tempo tão pouca
fome pela verdade bíblica. Muitos não querem ouvir aquilo que confronta,
corrige e transforma. Preferem aquilo que estimula, anima e empolga. O resultado
disso é um ambiente onde o culto passa a ser conduzido por estratégias humanas,
e não pela direção do Espírito Santo.
Luzes, efeitos, instrumentos
cada vez mais altos, repetições emocionais, ambientes preparados para mexer com
os sentimentos; tudo isso pode produzir reação, pode produzir lágrimas, pode
produzir arrepios, mas não necessariamente produz arrependimento. A dopamina
pode ser liberada, a emoção pode ser despertada, mas isso não significa que
houve presença de Deus.
Existe hoje um tipo de
avivamento que nasce do volume, não da Palavra. Um avivamento provocado pelo
som, não pelo Espírito. Um mover produzido por estímulos sensoriais, não por
transformação interior.
Quando alguém se acostuma
com esse tipo de culto, passa a depender do barulho para sentir alguma coisa. E
quando o barulho é retirado e resta apenas a Palavra, muitos sentem vazio,
inquietação e até rejeição. É como alguém que se acostuma com estímulos fortes
e depois não consegue mais apreciar o simples.
Mas o culto verdadeiro nunca
dependeu de instrumentos, de efeitos ou de técnicas.
O próprio Jesus ensinou: “Deus
é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João
4:24)
Adorar em espírito não é
entrar em êxtase emocional.
Adorar em verdade não é
sentir muito, é obedecer à Palavra.
O problema de muitos hoje
não é falta de culto, é falta de discernimento espiritual.
Não é falta de igreja, é
falta de conhecimento bíblico.
Não é falta de emoção, é
falta de verdade.
A Bíblia também diz: “O meu
povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento.” (Oséias 4:6)
Sem conhecer a Palavra,
qualquer barulho parece unção.
Sem conhecer a Palavra,
qualquer emoção parece presença de Deus.
Sem conhecer a Palavra,
qualquer pregador parece ungido.
Mas quem conhece a Escritura
percebe quando há manipulação, percebe quando há exagero, percebe quando há
espetáculo, e percebe quando há realmente a ação do Espírito Santo.
O culto verdadeiro não
precisa de manipulação sensorial.
Não precisa de volume alto
para parecer espiritual.
Não precisa de técnicas para
convencer.
Quando Deus está presente, a
Palavra confronta, o coração se quebranta, a mente é iluminada e a vida é
transformada.
Por isso, mais do que nunca,
precisamos voltar para a Bíblia, voltar para a simplicidade do Evangelho e
pedir a Deus discernimento espiritual, porque as profecias estão se cumprindo
diante dos nossos olhos. E somente quem conhece a verdade não será enganado.










