Dia Mundial da Oração: um elo espiritual entre as nações


Vladimir Chaves

O Dia Mundial da Oração é um exemplo de como a fé pode ultrapassar fronteiras e unir pessoas em torno de um propósito comum. Trata-se de um movimento cristão ecumênico presente em mais de 170 países, que nasceu da iniciativa simples, mas poderosa, de mulheres que decidiram transformar a oração em um instrumento de solidariedade e ação.

Sua história começou no final do século XIX, em 1887, nos Estados Unidos e no Canadá. Naquele período, mulheres de diferentes denominações cristãs perceberam que havia problemas sociais urgentes que exigiam não apenas preocupação, mas também intercessão e mobilização. Questões como a situação dos imigrantes, o combate à escravidão e o apoio às missões despertaram nelas o desejo de se reunir para orar. Inicialmente, existiam dois momentos distintos: um dedicado às missões nacionais e outro às missões estrangeiras. Com o tempo, percebeu-se que a união dessas iniciativas poderia fortalecer ainda mais o movimento. Assim, em 1927, nasceu oficialmente o Dia Mundial da Oração.

Mais do que um simples evento anual, o DMO funciona como um ciclo de comunhão e consciência social. A cada ano, um país diferente é escolhido para preparar o tema e a liturgia do encontro. Dessa forma, as igrejas do mundo passam a conhecer a realidade espiritual, cultural e social daquela nação. Em 2026, por exemplo, essa responsabilidade foi assumida por mulheres da Nigéria. A celebração acontece sempre na primeira sexta-feira de março, criando uma rede mundial de oração que se espalha por diversos continentes no mesmo dia.

O lema do movimento resume bem sua proposta: “Oração informada e ação orante.” A ideia é simples e profunda ao mesmo tempo: a oração não deve ser desligada da realidade. Ao conhecer os desafios enfrentados por outros povos e comunidades, os participantes são convidados não apenas a orar, mas também a agir com compaixão, justiça e solidariedade.

No Brasil, essa tradição chegou em 1938, trazida pela Igreja Presbiteriana no estado do Rio de Janeiro. Com o passar dos anos, o movimento foi sendo abraçado por diferentes tradições cristãs. Católicos, anglicanos, luteranos, metodistas e outras igrejas passaram a participar juntos, transformando o Dia Mundial da Oração em um símbolo de diálogo e cooperação entre os cristãos.

Ao olhar para a história do DMO, percebe-se que ele nasceu de um gesto simples: pessoas que decidiram se unir para orar. Contudo, esse gesto revela uma verdade importante: quando a fé se expressa em oração consciente e em atitudes concretas, ela se torna uma força capaz de aproximar povos, despertar compaixão e inspirar mudanças na sociedade.

sábado, 7 de março de 2026

 Nenhum comentário

Salvar a alma e salvar a mente: As duas dimensões da evangelização


Vladimir Chaves

O filósofo e diplomata cristão Charles Malik deixou uma reflexão profunda sobre a missão da igreja no mundo. Ele afirmou:

“Como cristão estamos diante de duas tarefas na evangelização: salvar a alma e salvar a mente; ou seja, não somente converter pessoas espiritualmente, mas também convertê-las intelectualmente.”

Essa afirmação chama a atenção para uma verdade muitas vezes esquecida: o evangelho não transforma apenas o coração, mas também a mente. A obra de Deus na vida do ser humano é completa. Ela alcança a alma, mas também transforma a maneira de pensar, compreender e interpretar a realidade.

A salvação da alma

A primeira grande tarefa da evangelização é anunciar a salvação em Cristo. A humanidade está afastada de Deus por causa do pecado, e somente por meio de Jesus é possível experimentar o perdão e a reconciliação com o Criador.

A Bíblia declara: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (Efésios 2:8)

A mensagem central do evangelho é que Deus oferece salvação gratuitamente por meio de Jesus Cristo. O próprio Senhor afirmou: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” (Lucas 19:10)

Portanto, evangelizar significa anunciar que há redenção, esperança e nova vida em Cristo. Quando alguém recebe essa mensagem com fé, ocorre o milagre da salvação da alma.

A renovação da mente 

No entanto, a obra de Deus não termina na conversão. A vida cristã envolve também uma profunda transformação da mente.

O apóstolo Paulo ensina: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.” (Romanos 12:2)

A conversão muda o coração, mas o discipulado transforma o pensamento. A mente do cristão passa a ser moldada pela verdade das Escrituras. Valores, decisões e percepções começam a ser guiados pela Palavra de Deus.

Isso significa que o evangelho também confronta ideias, filosofias e conceitos que se opõem à verdade divina.

Uma fé que envolve o coração e o entendimento

A fé cristã nunca foi uma fé cega ou baseada apenas em emoção. Jesus ensinou que devemos amar a Deus de forma completa:

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.” (Mateus 22:37)

Isso mostra que o cristianismo envolve coração, alma e mente. O evangelho convida o ser humano a confiar em Deus, mas também a compreender sua verdade.

Por isso, a igreja tem o papel de ensinar, formar e discipular. A chamada conhecida como A Grande Comissão, dada por Jesus Cristo, inclui o ensino como parte essencial da missão:

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações… ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.” (Mateus 28:19–20)

Levando todo pensamento à obediência de Cristo

Quando o evangelho alcança a mente, o cristão aprende a desenvolver discernimento espiritual. Ele passa a avaliar ideias, valores e comportamentos à luz da Palavra de Deus.

O apóstolo Paulo expressa isso de forma clara:

“Levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.” (2 Coríntios 10:5)

Isso significa que o cristão não vive apenas guiado por sentimentos ou costumes culturais. Ele aprende a pensar biblicamente.

Uma igreja que forma cristãos maduros

Quando a igreja cumpre essas duas tarefas (salvar a alma e salvar a mente) ela forma cristãos espiritualmente vivos e intelectualmente firmes na verdade.

São pessoas que não apenas experimentaram a graça de Deus, mas também aprenderam a compreender sua Palavra, defender a fé e viver de maneira sábia no mundo.

A evangelização verdadeira, portanto, não termina na conversão. Ela continua no discipulado, no ensino e na formação de uma mente renovada pela verdade de Deus.

Assim, o evangelho cumpre sua obra completa: transforma o coração, ilumina a mente e direciona toda a vida para a glória de Deus.

 Nenhum comentário

Igreja imperfeita, propósito perfeito


Vladimir Chaves

Vivemos um tempo em que muitos parecem ter encontrado uma justificativa conveniente para abandonar a comunhão cristã. Basta surgir uma decepção, um erro humano ou uma discordância, e logo aparece alguém afirmando que não precisa mais da igreja para viver a fé. Sinceramente, não concordo com esse pensamento.

A igreja nunca foi perfeita e nunca será, porque é formada por pessoas. Onde existem seres humanos, existirão falhas, limitações e erros. Isso não é novidade para quem estuda as Escrituras com atenção. O próprio Jesus conviveu com homens que erravam, discutiam entre si, demonstravam fraquezas e até o abandonaram em momentos decisivos. Ainda assim, Cristo não desistiu de formar um povo e de estabelecer uma comunidade de fé.

Por isso, quando vejo crescer a ideia de que o melhor caminho é se afastar da igreja, tenho a impressão de que algo está fora do lugar. A fé cristã não foi feita para ser vivida de forma solitária. Precisamos da comunhão, precisamos ouvir a Palavra sendo pregada, participar da Ceia e estar naquele ambiente onde o Espírito Santo fala ao coração da igreja. Há algo que acontece quando o povo de Deus se reúne que simplesmente não pode ser substituído por experiências isoladas.

É claro que, ao longo da caminhada, surgem frustrações. Pessoas falham, líderes falham, irmãos falham. Isso machuca e decepciona profundamente. No entanto, abandonar a comunhão por causa disso é permitir que as fragilidades humanas tenham mais peso do que o propósito de Deus.

Outra coisa que me preocupa é a quantidade de vozes que hoje tentam justificar o afastamento da igreja. Sempre aparece alguém com discursos elaborados e interpretações que parecem inteligentes, mas que acabam distorcendo o sentido da mensagem bíblica. No fundo, abandonar a igreja é ceder sem lutar. Deus não nos deu espírito de covardia.

Diante disso, minha posição é simples: prefiro continuar crendo no que está escrito. A Bíblia aponta para a comunhão, para o corpo de Cristo, para a reunião dos santos. Mesmo com imperfeições, é ali que seguimos buscando a Deus, ouvindo o que o Espírito diz e mantendo viva a chama da fé.

Entre evitar confrontar a soberba humana, ignorar a vaidade daqueles que valorizam mais cargos e títulos do que a Deus, ou permanecer firme naquilo que a Palavra ensina, escolho a fidelidade à Palavra. Porque, no final das contas, a fé cristã nunca foi sobre encontrar ambientes perfeitos, mas sobre permanecer fiel ao que Deus determinou.

sexta-feira, 6 de março de 2026

 Nenhum comentário

Os três estágios da vida cristã


Vladimir Chaves


“Eu vos escrevo, filhinhos, porque os vossos pecados são perdoados por causa do seu nome.

Eu vos escrevo, pais, porque conheceis aquele que é desde o princípio.

Eu vos escrevo, jovens, porque vencestes o maligno.

Eu vos escrevi, filhinhos, porque conheceis o Pai.

Eu vos escrevi, pais, porque conheceis aquele que é desde o princípio.

Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o maligno.” 1 João 2:12-14

O apóstolo João, escreve essas palavras com o coração de um pastor que cuida da igreja. Ele se dirige aos cristãos usando três expressões: filhinhos, jovens e pais. Mais do que falar de idade, João está descrevendo etapas da vida espiritual.

Quando ele fala aos filhinhos, lembra a base da fé: o perdão dos pecados. A caminhada com Deus começa quando entendemos que fomos alcançados pela graça por meio de Jesus Cristo. Quem inicia a vida cristã precisa lembrar dessa verdade todos os dias: não caminhamos com Deus por mérito próprio, mas porque fomos perdoados e recebidos como filhos.

Depois João fala aos jovens. Aqui aparece a ideia de força espiritual. A vida cristã não é apenas receber perdão; também envolve luta contra o pecado e contra o mal. João afirma que os jovens são fortes porque a Palavra de Deus permanece neles, e por isso já venceram o maligno, identificado na Bíblia como Satanás. Isso nos ensina que a verdadeira força espiritual não está em nós mesmos, mas na Palavra de Deus guardada no coração.

Por fim, João se dirige aos pais, que representam a maturidade espiritual. Ele repete a mesma frase duas vezes: “vocês conhecem aquele que é desde o princípio”. Isso mostra que o maior sinal de maturidade na fé não é apenas conhecimento teológico ou tempo de igreja, mas conhecer profundamente a Deus. É uma vida de comunhão, experiência e intimidade com o Senhor.

Assim, nesses poucos versículos, João descreve a jornada da fé cristã. Primeiro experimentamos o perdão, depois enfrentamos a batalha espiritual, e com o tempo chegamos à maturidade de conhecer a Deus de forma mais profunda.

Essa mensagem nos convida a refletir sobre nossa própria caminhada. O importante não é em qual etapa estamos, mas continuar crescendo na fé. Quando a Palavra de Deus permanece em nós e nosso relacionamento com Cristo se aprofunda, a vida espiritual amadurece e aprendemos a viver de forma firme e confiante no Senhor.

quinta-feira, 5 de março de 2026

 Nenhum comentário

“Voltarei e vos receberei para mim mesmo” (João 14:3)


Vladimir Chaves


Nas palavras de Jesus registradas no Evangelho de João 14:3, encontramos uma das promessas mais consoladoras da fé cristã: “Voltarei e vos receberei para mim mesmo.”

Jesus falou essas palavras em um momento delicado. Seus discípulos estavam confusos e entristecidos, pois Ele havia dito que iria partir. Para acalmar seus corações, Ele explicou que sua partida não significava abandono. Pelo contrário, Ele estava indo preparar um lugar para aqueles que o amam.

Essa promessa revela algo profundo sobre o caráter de Cristo: Ele não deseja que seus seguidores fiquem para sempre neste mundo marcado por dor, injustiça e sofrimento. Há um destino preparado por Deus, um lugar de comunhão plena com Ele.

Quando Jesus diz que voltará, Ele aponta para uma esperança viva. A fé cristã não está baseada apenas em memórias do passado, mas também em uma promessa para o futuro. Cristo não apenas veio ao mundo; Ele prometeu voltar.

E mais do que voltar, Ele disse que nos receberá para si mesmo. Isso mostra que o maior presente do céu não é apenas um lugar, mas a presença de Jesus. Estar com Ele é o verdadeiro descanso da alma.

Essa promessa também nos convida a viver com propósito. Quem crê que Cristo procura viver com fidelidade, esperança e confiança, sabendo que a história não termina nas dificuldades deste mundo.

Assim, cada dia se torna uma oportunidade de caminhar com Deus, aguardando com alegria o momento em que a promessa de Cristo se cumprirá plenamente:

Ele voltará, e aqueles que lhe pertencem estarão para sempre com Ele.

 Nenhum comentário

Cristo é maior que nossas placas de igrejas


Vladimir Chaves

A maturidade cristã não se mede pelo nome da igreja que frequentamos, mas pela transformação que a Palavra de Deus opera em nosso coração. Quando alguém conhece as Escrituras e decide vivê-las com verdadeiro temor ao Senhor, compreende que a fé autêntica não levanta muros entre irmãos, mas constrói pontes de comunhão.

A Bíblia é clara ao condenar qualquer forma de favoritismo ou discriminação. Em Tiago 2:1 lemos: “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.” O ensino é direto: a fé em Cristo não combina com divisões baseadas em aparência, posição social ou rótulos religiosos. Se somos chamados a não fazer acepção por status, muito menos devemos fazê-lo por placas de igrejas ou denominações.

O apóstolo Paulo enfrentou situação semelhante na igreja de Corinto. Alguns afirmavam ser de Paulo, outros de Apolo, outros de Cefas. Diante disso, ele questiona: “Está Cristo dividido?” (1 Coríntios 1:13). Em seguida, esclarece que os servos são apenas cooperadores, pois “eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento” (1 Coríntios 3:6-7). A lição é evidente: líderes, ministérios e denominações são instrumentos; o centro sempre será Cristo.

A verdadeira unidade da Igreja não está na uniformidade de tradições, mas na submissão ao Senhor. Efésios 4:4-6 declara: “Há um só corpo e um só Espírito… um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos.” A ênfase recai sobre aquilo que nos une, não sobre o que nos diferencia. Quando entendemos essa verdade, deixamos de alimentar disputas desnecessárias e passamos a valorizar a comunhão. 

Reconhecer que Cristo é o cabeça da Igreja também transforma nossa postura. Colossenses 1:18 afirma: “Ele é a cabeça do corpo, da igreja.” Se Ele é a cabeça, não nos cabe ocupar o lugar de juiz supremo. A Ele pertence o poder de sondar os corações, como está em Apocalipse 2:23: “Eu sou aquele que sonda mentes e corações.” Também é Ele quem julga com justiça (João 5:22).

Quando essa verdade se firma em nós, aprendemos a agir com humildade. Em vez de condenar irmãos sinceros por diferenças secundárias, passamos a examinar a nós mesmos à luz da Palavra. O verdadeiro temor ao Senhor nos conduz ao amor. Jesus declarou: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (João 13:35). O sinal do discipulado não é a bandeira denominacional, mas o amor visível e prático.

Viver a Bíblia, portanto, é refletir o caráter de Cristo: promover a paz, buscar a unidade e reconhecer que pertencemos a um só corpo. Onde há temor de Deus, nasce a humildade; onde há humildade, floresce a comunhão. E onde Cristo é, de fato, o cabeça, não há espaço para rivalidades humanas, mas para a manifestação da graça que une, fortalece e edifica a Igreja.

quarta-feira, 4 de março de 2026

 Nenhum comentário

Estultícia: O conceito bíblico que você precisa entender hoje.


Vladimir Chaves

A estultícia não é apenas uma palavra antiga ou difícil; ela é um alerta sobre como conduzimos a nossa vida. Na Bíblia, ser "estulto" não significa ter pouca instrução escolar, mas sim sofrer de uma miopia espiritual. É o agir sem pensar, o falar sem ouvir e, principalmente, o viver como se as nossas escolhas não tivessem consequências.

Imagine a estultícia como uma neblina que cega o bom senso. Ela nos faz acreditar que a pressa é melhor que a paciência. O texto sagrado é claro ao dizer que "responder antes de ouvir é estultícia e vergonha" (Provérbios 18:13), mostrando que o tolo atropela o tempo do entendimento. Quando agimos assim, transformamos o que deveria ser sabedoria em algo desagradável, pois "assim como a mosca morta faz exalar mau cheiro ao unguento, assim é, para a sabedoria, um pouco de estultícia" (Eclesiastes 10:1).

Vencer essa inclinação exige esforço, pois a Bíblia nos lembra que essa característica é profunda: "a estultícia está ligada ao coração da criança" (Provérbios 22:15). Isso indica que a tolice é um impulso natural, uma tendência de querer ter sempre a razão ou de buscar o prazer imediato, já que "a estultícia é alegria para o que carece de entendimento" (Provérbios 15:21).

Portanto, o caminho para a clareza envolve o exercício diário de:

Dominar as palavras, pois "o estulto multiplica as palavras" (Eclesiastes 10:14) sem critério.

Aprender com a correção, aceitando que nem sempre sabemos o que é melhor para nós.

Vigiar a reputação, cuidando para que atitudes impensadas não manchem uma vida de integridade.

No fim das contas, a sabedoria é o antídoto. Enquanto a estultícia nos isola em nossas próprias vontades, a sabedoria nos conecta ao que é eterno, transformando nossa confusão em passos firmes.

 Nenhum comentário

Eclesiastes 10.10: Afiando o machado da vida


Vladimir Chaves

“Se o ferro está embotado, e não se afia o corte, é preciso redobrar a força; mas a sabedoria é proveitosa para dirigir.”  Eclesiastes 10:10

Em Eclesiastes 10:10 lemos que, se o ferro está embotado e não se afia o corte, será preciso muito mais força. Mas a sabedoria é proveitosa para dirigir.

Essa pequena imagem do machado traz uma grande lição para a vida.

Muitas vezes queremos resultados rápidos. Trabalhamos, insistimos, nos esforçamos… e mesmo assim parece que tudo exige força demais. O problema nem sempre está na falta de dedicação, mas na falta de preparo. Um machado cego até corta, mas exige energia desnecessária e produz menos efeito.

A vida espiritual também funciona assim. Antes de agir, precisamos nos preparar. Antes de falar, precisamos ouvir a Deus. Antes de decidir, precisamos buscar direção. A oração, a leitura da Palavra e o tempo de reflexão são o “afiamento” da nossa alma.

Em Provérbios 27:17 aprendemos que “assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro”. Isso nos lembra que Deus usa pessoas, conselhos e experiências para nos moldar e fortalecer. O crescimento não acontece no isolamento, mas no relacionamento.

Afiar o machado é parar para melhorar. É investir tempo em crescimento antes de enfrentar grandes desafios. É entender que força sem sabedoria gera desgaste, mas sabedoria com preparo gera frutos.

Talvez hoje Deus esteja nos chamando menos para correr e mais para preparar.

Menos para insistir na força e mais para buscar direção. Porque quando o machado está afiado, o trabalho se torna mais leve, e os resultados, mais consistentes.

 Nenhum comentário

Da profecia ao cumprimento: O Espírito para todos


Vladimir Chaves

Ao longo da história bíblica, percebemos que a atuação do Espírito de Deus sempre foi essencial, mas nem sempre foi compreendida da mesma forma. Na Antiga Aliança, o Espírito vinha de maneira específica e pontual. Ele capacitava pessoas para missões determinadas; como aconteceu nos dias de 1 Samuel, quando o Espírito se manifestou em meio aos profetas (1Sm 19.20); em 2 Crônicas, fortalecendo líderes para conclamar o povo ao arrependimento (2Cr 15.1); e em Ezequiel, conduzindo o profeta em visões poderosas (Ez 37.1). Eram momentos marcantes, mas direcionados a pessoas e propósitos específicos.

Contudo, cerca de 800 anos antes de Cristo, o profeta Joel anunciou algo extraordinário: “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2.28). Essa promessa revelava uma mudança profunda na forma como Deus se relacionaria com a humanidade. Não seria mais uma atuação restrita a poucos escolhidos para tarefas pontuais, mas um derramar amplo, com alcance muito maior.

Na Nova Aliança, essa promessa ganha ainda mais clareza. Todos os Evangelhos registram a esperança do batismo com o Espírito, conforme anunciado em Mateus (Mt 3.11), Marcos (Mc 1.8), Lucas (Lc 3.16) e João (Jo 1.32,33). A promessa deixa de ser apenas profética e passa a fazer parte da realidade inaugurada por Cristo.

Quando Joel declara que o Espírito seria derramado “sobre toda a carne”, ele não está afirmando uma concessão automática e indiscriminada a todos, mas uma disponibilidade universal: todos os que invocarem o nome do Senhor poderão participar dessa promessa (Jl 2.32). A salvação e o agir do Espírito não ficam limitados a uma nação, classe social ou gênero.

Essa linguagem quebra paradigmas antigos. O Espírito alcança jovens e velhos, homens e mulheres, servos e livres (Jl 2.28,29). Deus amplia o alcance da sua graça e mostra que o seu propósito sempre foi incluir, restaurar e capacitar pessoas de todas as origens.

Essa verdade nos convida à reflexão: estamos vivendo como quem reconhece essa promessa? O mesmo Espírito que atuou no passado continua disponível hoje, não restrito a um grupo privilegiado, mas acessível a todo aquele que clama ao Senhor com fé. A promessa é abrangente, viva e atual, um chamado para que cada geração experimente o poder transformador do Espírito de Deus.

 Nenhum comentário

A doutrina cósmica do bem e do mal no Cristianismo: uma reflexão


Vladimir Chaves


Quando falamos em “doutrina cósmica” no cristianismo, estamos nos referindo à ideia de que existe um conflito espiritual que vai além do ser humano. Não é apenas uma luta interior entre certo e errado, mas um embate maior, que envolve o céu, a terra e o destino eterno da criação.

Na Bíblia, especialmente no livro de Apocalipse, vemos imagens fortes dessa batalha: luz contra trevas, verdade contra mentira, Cristo contra o mal. Porém, diferente de outras religiões dualistas, o cristianismo não ensina que o bem e o mal são forças iguais disputando o controle do universo. Deus é soberano. O mal não é eterno nem equivalente a Ele, é uma rebelião limitada e temporária.

Na minha opinião, essa doutrina não deve ser entendida como algo místico ou fantasioso, mas como uma maneira profunda de explicar a realidade moral que vivemos. O mundo revela beleza e bondade, mas também violência, injustiça e sofrimento. O cristianismo interpreta isso como reflexo de um conflito espiritual iniciado com a rebelião contra Deus.

Ao mesmo tempo, essa visão traz esperança. A cruz de Cristo não é apenas um símbolo religioso; é apresentada como o ponto decisivo dessa batalha. A ressurreição afirma que o mal não terá a palavra final. O fim da história não é o caos, mas a restauração.

Outro ponto importante é que essa “batalha cósmica” não nos transforma em espectadores. Cada escolha moral que fazemos participa desse conflito. Amar, perdoar, praticar a justiça; tudo isso é alinhamento com o Reino de Deus.

Contudo, é preciso cuidado. Alguns exageram essa doutrina e passam a ver demônios em tudo ou culpam forças espirituais por qualquer problema. O cristianismo equilibrado ensina responsabilidade pessoal, sabedoria e discernimento.

Em resumo, a doutrina cósmica no cristianismo nos lembra que:

O mundo tem uma dimensão espiritual real.

O mal existe, mas não é soberano.

Cristo é o vencedor final.

Nossas escolhas têm peso eterno.

Mais do que medo, essa doutrina deveria produzir coragem, fé e compromisso com o bem; porque, segundo a nossa fé cristã, a vitória final já está determinada.



terça-feira, 3 de março de 2026

 Nenhum comentário