Há uma grande diferença
entre viver uma religião e viver o Evangelho. A religiosidade pode fazer alguém
frequentar cultos durante décadas, conhecer muitos versículos, participar de
todos os eventos da igreja e, ainda assim, permanecer com o coração distante de
Deus.
Jesus nunca condenou pessoas
por buscarem a Deus. O que Ele confrontou com firmeza foi a religiosidade que
escondia um coração endurecido. Aos fariseus, disse:
"Este povo honra-me com
os lábios, mas o seu coração está longe de mim." (Mateus 15:8)
A religiosidade permite que
uma pessoa aparente espiritualidade por fora, enquanto por dentro abriga
inveja, orgulho, ressentimento, amargura e falta de misericórdia. Ela produz
uma aparência de santidade, mas não transforma o caráter.
O apóstolo Paulo escreveu:
"Ainda que eu fale as
línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa
ou como o címbalo que retine." (1 Coríntios 13:1)
É possível falar em línguas
estranhas, cantar com entusiasmo, levantar as mãos durante o culto e, ao mesmo
tempo, ser incapaz de pedir perdão, reconhecer um erro ou tratar um irmão com
respeito. O verdadeiro mover do Espírito Santo sempre produz humildade, amor e
transformação.
A religiosidade mantém corações pequenos mesmo depois de muitos anos de igreja. Enquanto o Evangelho nos ensina a servir, ela ensina a disputar posições. Enquanto Cristo nos chama para amar, ela alimenta comparações e invejas.
A Palavra de Deus afirma:
"Nada façais por
partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros
superiores a si mesmo." (Filipenses 2:3)
Infelizmente, a
religiosidade também prende pessoas a tradições humanas que acabam sendo
colocadas acima da vontade de Deus. Foi exatamente isso que Jesus denunciou:
"Negligenciando o
mandamento de Deus, guardai a tradição dos homens." (Marcos 7:8)
Quando a tradição ocupa o
lugar da graça, a fidelidade bíblica é confundida com arrogância. Versículos
passam a ser usados como armas para ferir, humilhar e expor irmãos, quando
deveriam servir para corrigir com amor.
A Bíblia orienta:
"Mas, seguindo a
verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo."
(Efésios 4:15)
E também:
"Irmãos, se alguém for
surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito
de brandura; e guarda-te para que não sejas também pecado." (Gálatas 6:1)
A religiosidade faz alguns
comemorarem quando pessoas deixam a igreja, em vez de chorarem por elas.
Esquecem-se de que Jesus contou a parábola da ovelha perdida para mostrar que
um único pecador restaurado produz alegria no céu.
"Digo-vos que, assim, haverá
maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove
justos que não necessitam de arrependimento." (Lucas 15:7)
O verdadeiro Evangelho de
Cristo nunca celebra perdas; celebra restaurações.
Outro sinal da religiosidade
é amar mais a placa da igreja do que o Reino de Deus. Pessoas passam a defender
denominações como se fossem o centro da fé, esquecendo que Cristo morreu para
formar um só corpo.
"Há somente um corpo e
um Espírito... há um só Senhor, uma só fé, um só batismo." (Efésios 4:4-5)
A igreja pertence a Cristo,
não aos homens.
A religiosidade cria pessoas
especialistas em julgar os outros, mas incapazes de examinar a si mesmas.
Jesus advertiu:
"Hipócrita! Tira
primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro
do olho de teu irmão." (Mateus 7:5)
O verdadeiro Evangelho não
transforma apenas o comportamento exterior; transforma o coração. Ele produz
misericórdia em lugar da dureza, humildade em vez do orgulho, perdão em vez da
vingança, amor em lugar da indiferença.
Jesus declarou:
"Nisto conhecerão todos
que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35)
Não serão os dons, os
títulos, o tempo de igreja ou o conhecimento teológico que identificarão um
discípulo de Cristo, mas o amor que demonstra pelas pessoas.
Por isso, todo cristão
precisa fazer uma pergunta sincera: minha vida revela o caráter de Cristo ou
apenas uma prática religiosa?
A religiosidade pode encher
templos, mas somente o Evangelho enche corações da presença de Deus. A
religiosidade produz aparência; Cristo produz nova vida.
Que nunca amemos mais nossas
tradições do que a cruz, mais nossa denominação do que o Reino de Deus, mais
nossas opiniões do que a verdade e mais nossa reputação do que a vontade do
Senhor.
Pois, onde reina o
Evangelho, o orgulho cede lugar à humildade, a condenação dá lugar à
restauração e o amor de Cristo vence toda forma de religiosidade.








