A eleição da deputada Erika
Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na
Câmara dos Deputados, não foi apenas mais uma disputa interna do Congresso.
Para milhões de cristãos, foi um episódio simbólico, e o voto decisivo do
deputado e pastor Otoni de Paula caiu como uma traição.
Não se trata de birra
política, nem de radicalismo religioso.
Trata-se de coerência.
Trata-se de respeito ao
eleitor que colocou Otoni de Paula no mandato justamente por acreditar que ele
representaria valores que agora parecem ter sido negociados.
Otoni não chegou à Câmara
com votos neutros.
Chegou com votos de igrejas,
de pastores, de famílias cristãs, de pessoas que acreditaram em seu discurso
firme em defesa da fé, da família e da leitura bíblica tradicional.
Foi assim que construiu sua
carreira.
Foi assim que se elegeu.
E foi exatamente essa base
que se sentiu desrespeitada com o voto que ajudou a eleger para a Comissão da
Mulher uma parlamentar que simboliza pautas frontalmente rejeitadas pela
maioria do mundo evangélico.
Em democracia, há um
princípio simples: quem se elege por um grupo não tem o direito de fingir que
esse grupo não existe depois da vitória.
O eleitor evangélico não
votou em Otoni de Paula para que ele fosse neutro em temas morais.
Votou para que ele fosse
firme.
Votou para que ele
representasse convicções, não para que participasse de acordos que contradizem
o discurso que o levou ao poder.
Não foi articulação
política. Foi quebra de confiança.
Alguns tentam tratar o
episódio como mera composição parlamentar, como se tudo pudesse ser resolvido
no jogo interno do Congresso.
Mas para quem tem fé
bíblica, existem limites que não podem ser atravessados sem consequência.
Gênesis 1:27 sempre
foi um dos fundamentos da compreensão cristã sobre identidade humana.
Quando um pastor, ainda que
exercendo mandato político, toma uma posição que favorece pautas vistas como
contrárias a esse entendimento, a sensação entre os fiéis não é de estratégia,
é de concessão.
E concessão, quando parte de
quem pregava firmeza, pesa ainda mais.
Por isso a reação foi dura. E
era previsível que fosse.
A reação dentro da igreja
mostra o tamanho da indignação
Circula entre lideranças
cristãs uma circular atribuída à MAAC, sob liderança do bispo Assis Léo
Padilha, anunciando medidas disciplinares contra Otoni de Paula. Entre elas:
cassação da autoridade
pastoral
proibição de ministrar a
Palavra
impedimento de subir ao
púlpito
afastamento da Ceia
enquadramento do caso como erro grave de natureza doutrinária
Segundo o documento, a
disciplina se baseia em Mateus 18:17, texto bíblico tradicionalmente
usado quando há resistência à correção ou persistência em conduta considerada
incompatível com a fé.
A insatisfação dentro do meio
evangélico é profunda.
O problema não é só o voto.
É o que ele representa.
Quando um político eleito
com discurso cristão passa a agir de forma que seu próprio eleitorado não
reconhece mais como fiel, surge algo pior que discordância: surge a sensação de
engano.
E quem decide entrar na
política usando o título de pastor precisa entender que será cobrado duas
vezes: como político e como líder espiritual.
O caso de Otoni de Paula
deixa um alerta claro para a igreja brasileira:
Não basta eleger quem fala
bonito em púlpito.
Não basta votar em quem cita
versículo em campanha.
É preciso acompanhar, cobrar
e lembrar que mandato não é cheque em branco.
O voto do povo evangélico
não é estatística.
É confiança.
E quando a confiança é
quebrada, a reação não vem da oposição.
Vem de dentro.










