Jesus não falava para
impressionar, falava para despertar. Em Lucas 14, Ele está cercado por
multidões. Muita gente andando com Ele, ouvindo Suas palavras, admirando Seus
milagres. Mas Jesus sabia que nem todos estavam dispostos a segui-lo de
verdade. Por isso, Ele para e fala com clareza, sem suavizar o chamado.
Antes do versículo 33,
Jesus conta duas histórias simples: a de um homem que começa a construir uma
torre sem calcular os custos e a de um rei que vai à guerra sem avaliar suas
forças. A mensagem é direta: ninguém começa algo sério sem antes entender o que
isso exige. Seguir Jesus não é diferente.
Quando Ele diz que quem não
renuncia a tudo o que possui não pode ser seu discípulo, Jesus não está
pregando desprezo pelos bens materiais, nem exigindo pobreza como regra. O foco
não está nas coisas em si, mas no lugar que elas ocupam no coração. Renunciar,
aqui, significa abrir mão do controle, da autonomia absoluta, da ideia de que
somos donos de nossa própria vida.
Jesus está ensinando que o
discipulado exige prioridade. Nada pode estar acima d’Ele: nem posses, nem
sonhos, nem segurança, nem mesmo nossos próprios planos. Tudo continua
existindo, mas agora sob um novo senhorio. O que antes nos dominava passa a ser
colocado aos pés de Cristo.
Esse ensino confronta uma fé
confortável. Ele desmonta a ideia de seguir Jesus apenas quando é conveniente.
O chamado de Cristo é para uma entrega real, consciente e diária. Não é perda,
é decisão. Não é castigo, é propósito.
Lucas 14:33 nos
convida a olhar para dentro e perguntar: quem está no controle da minha vida? O
que governa minhas escolhas? O que eu não gostaria de entregar a Deus? Essas
perguntas revelam se estamos apenas caminhando com a multidão ou vivendo o
discipulado verdadeiro.
No fim, Jesus não pede tudo
porque quer nos esvaziar, mas porque deseja nos preencher com algo maior. Quem
renuncia descobre que nada do que é entregue a Cristo é realmente perdido. Pelo
contrário, tudo ganha sentido, direção e eternidade.
Seguir Jesus custa, sim. Mas não segui-lo custa muito mais.

