Aprender a falar também é maturidade cristã


Vladimir Chaves

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem.” (Efésios 4:29)

Na minha opinião, um dos maiores desafios da vida cristã não está no que fazemos, mas no que falamos. Muitas pessoas dizem amar a Deus, mas machucam profundamente com palavras ditas sem cuidado. Efésios 4:29 nos confronta exatamente nesse ponto.

Opinar sem pensar, criticar sem medir as consequências e responder no impulso tornaram-se hábitos comuns. No entanto, a Bíblia nos ensina que o cristão deve ser diferente. Nem toda verdade precisa ser dita de qualquer maneira, e nem toda opinião precisa ser expressa. Muitas vezes, é melhor evitar focar nas partes negativas de um assunto; o ideal é falar daquilo que edifica e traz crescimento.

A Palavra de Deus deixa claro: nossas palavras devem edificar. Isso não significa bajular, mas escolher palavras que constroem e não destroem. Às vezes, o silêncio honra mais a Deus do que um discurso cheio de razão, mas vazio de amor.

Acredito que a maturidade espiritual aparece quando aprendemos a perguntar antes de falar: isso vai ajudar alguém? Vai trazer paz? Vai refletir o caráter de Cristo? Quando deixamos o Espírito Santo governar nossa boca, nossas palavras se tornam canais de graça.

Falar menos e edificar mais talvez seja um dos maiores sinais de uma fé verdadeira.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

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A espiritualidade que condena em nome de Deus


Vladimir Chaves

Quando a religião deixa de ser instrumento de restauração e passa a ser mecanismo de controle, exclusão e julgamento. Julgar pessoas pelas vestes, impor padrões externos como sinal de espiritualidade e condenar sem ouvir defesa não nasce do Evangelho, mas do espírito dos fariseus que Jesus duramente repreendeu.

A Escritura é clara ao afirmar que Deus não olha como o homem olha.

“O Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.” (1 Samuel 16:7)

Quando irmãos são atacados por não se enquadrarem em um molde religioso (seja pela roupa, pela aparência séria, pelo temperamento mais reservado) ignora-se que o Corpo de Cristo é diverso. Nem todos expressam alegria da mesma forma, nem todos vivem a fé com o mesmo gesto exterior.

“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.” (1 Coríntios 12:4)

Ouvir fuxicos, acolher acusações sem dar oportunidade de defesa e permitir que a difamação se espalhe dentro da igreja é negar frontalmente o ensino bíblico. A Palavra condena a língua maldosa e exige justiça nos julgamentos.

“Não aceites acusações contra ninguém sem o depoimento de duas ou três testemunhas.” (1 Timóteo 5:19)

“O que encobre a transgressão busca a amizade, mas o que revolve o assunto separa os maiores amigos.” (Provérbios 17:9)

Mais grave ainda é o uso do púlpito (lugar santo, destinado à edificação) como arma para humilhar, ferir e constranger publicamente, impedindo qualquer defesa. Isso não é autoridade espiritual; é abuso espiritual.

“Apascentai o rebanho de Deus… não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho.” (1 Pedro 5:2–3)

Quando líderes exigem fidelidade absoluta a regras humanas, mas relativizam ou ignoram a própria Palavra, repetem exatamente o erro que Jesus denunciou:

“Invalidais a palavra de Deus por causa da vossa tradição.” (Marcos 7:13)

Acusar quem estuda, se prepara e busca crescimento espiritual de “querer aparecer” revela insegurança e medo, não zelo santo. A Bíblia, ao contrário, incentiva o estudo diligente e responsável das Escrituras.

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15)

Fechar a cara para quem busca conhecimento, desprezar quem se dedica ao ensino sério e preferir textos prontos e rasos não é sinal de espiritualidade, mas de acomodação.

“O meu povo foi destruído por falta de conhecimento.” (Oséias 4:6)

Diante disso, a pergunta final é inevitável: isso está correto? Isso vem de Deus?

À luz das Escrituras, a resposta é não. O que vem de Deus produz humildade, justiça, misericórdia e amor.

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8)

Onde há opressão, julgamento precipitado, vaidade religiosa e desprezo pela verdade bíblica, ali não reina o Espírito de Cristo, mas uma caricatura da fé. O Evangelho não veste máscaras, não se alimenta de fuxico e não silencia consciências; ele liberta, transforma e chama ao arrependimento, começando pela liderança e pela própria igreja.

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Quando a fé vira vitrine e o sagrado é usado como escudo


Vladimir Chaves

“Ouvindo todo o povo, disse Jesus aos seus discípulos: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes longas, amam as saudações nas praças, as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes; os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações. Estes receberão mais duro juízo.” (Lucas 20:45–47)

Lucas 20:45–47 não é apenas uma advertência aos escribas do primeiro século. É um espelho que atravessa o tempo e confronta a fé contemporânea. Jesus não condena a Lei, o ensino ou a liderança espiritual em si, mas algo mais perigoso: o uso da fé como instrumento de autopromoção.

Os escribas ocupavam o topo da autoridade religiosa. Eram referências morais e intérpretes da Escritura. O problema não estava no cargo, mas na distância entre discurso e prática. O ministério virou palco, a devoção virou performance e a oração, estratégia. A fé deixou de ser serviço e passou a ser status.

Essa denúncia ecoa fortemente hoje. Vivemos tempos em que visibilidade vale mais que fidelidade. Há quem fale muito de Deus, mas pouco se pareça com Cristo. Orações longas e discursos eloquentes não garantem comunhão. É possível falar de Deus e, ainda assim, estar longe dEle.

O alerta mais grave está na frase: “devoram as casas das viúvas”. Não é só corrupção financeira, é violência espiritual. É usar o nome de Deus para explorar a fé simples, a dor e a vulnerabilidade. Quando a religião pesa mais do que consola e cobra mais do que ama, ela deixa de refletir o Reino.

Hoje isso aparece quando a fé vira negócio, quando a promessa depende da oferta e o medo do juízo vira controle. Jesus é claro: o juízo será mais severo. Não por injustiça, mas porque quem lida com o sagrado carrega maior responsabilidade.

Há também um chamado pessoal. Esse texto não é só para líderes. Sempre que buscamos aplausos acima da obediência e reconhecimento acima da aprovação divina, flertamos com a mesma espiritualidade vazia. A religião que Jesus rejeita não é a do templo, mas a do ego.

Cristo nos chama a uma fé sem holofotes. Uma espiritualidade que se revela no cuidado com o próximo, na integridade silenciosa, na oração no secreto e na justiça longe das câmeras. O Reino não se constrói com aparência, mas com corações rendidos.

Lucas 20:45–47 nos confronta e nos purifica. Deus não se impressiona com títulos, discursos ou um terno alinhado e bem passado. Ele busca verdade, misericórdia e humildade. No fim, não será avaliada a imagem que projetamos, mas a vida que vivemos diante dEle.

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Temor a Deus: A base esquecida da verdadeira sabedoria


Vladimir Chaves

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” Provérbios 9:10

O temor do Senhor não deve ser confundido com medo. Trata-se de reverência, respeito profundo e consciência da grandeza de Deus. É reconhecer quem Ele é e quem nós somos diante d’Ele. Esse temor ajusta a visão, corrige o orgulho e rompe a ilusão de autossuficiência tão comum ao ser humano.

Vivemos em uma época de muito conhecimento e pouco discernimento. A informação cresce, mas a sabedoria diminui quando Deus é retirado do centro. O conhecimento separado do temor do Senhor informa, mas não transforma. Ele ensina técnicas, mas não forma valores nem direciona o caráter.

A sabedoria bíblica começa no interior e se revela na prática. Ela aparece na forma de falar, reagir, decidir e enfrentar as dificuldades da vida. Quem teme ao Senhor pensa antes de agir, ouve antes de responder e escolhe com responsabilidade.

Temer ao Senhor é admitir limites e buscar direção. Essa postura não enfraquece o ser humano; ao contrário, o fortalece. A verdadeira sabedoria nasce quando o coração se curva diante de Deus e reconhece que viver bem não é apenas saber muito, mas andar segundo a vontade d’Aquele que vê o fim desde o começo.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

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Religião não abre a porta estreita


Vladimir Chaves

“Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.” Lucas 13:24

Há palavras de Jesus que confortam, e há palavras que despertam. Lucas 13:24 pertence a segunda opção. Quando Cristo diz: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita”, Ele não está tentando assustar, mas acordar consciências adormecidas.

A pergunta feita a Jesus era curiosa: “Senhor, são poucos os que se salvam?” Em vez de responder com números, Ele devolve a responsabilidade ao coração de quem pergunta. É como se dissesse: “A questão não é quantos entram, mas se você está entrando.” Isso muda tudo. A fé deixa de ser um debate teórico e se torna uma decisão pessoal e urgente.

A tal porta estreita não é estreita porque Deus quer excluir, mas porque não permite excessos que nos afastam d’Ele. Por ela não passa o orgulho, a hipocrisia, nem uma fé apenas de fachada. Também não passam desculpas do tipo “sempre estive na igreja” ou “sempre ouvi a Palavra”, “sempre obedeci aos meus líderes”. A porta é estreita porque exige arrependimento sincero e entrega verdadeira.

Quando Jesus afirma que muitos tentarão entrar e não conseguirão, Ele confronta uma ilusão comum: a ideia de que basta querer, no fim da vida, ou basta estar por perto, para ser aceito. A fé não é algo que se improvisa na última hora. Ela é construída no cotidiano, nas escolhas simples, no compromisso silencioso, na obediência quando ninguém está olhando.

Lucas 13:24 também nos lembra que o tempo importa. Existe um “agora” da graça. A porta está aberta hoje, mas não permanecerá aberta para sempre. Adiar decisões espirituais é um risco que muitos assumem, acreditando que sempre haverá outra chance. Jesus, porém, ensina que chega um momento em que a porta se fecha; não por falta de amor, mas por falta de resposta.

Lucas 13:24 nos chama a uma fé viva, consciente e prática. Não uma fé herdada, uma fé imposta pelas regras humanas das religiões ou cultural, mas uma fé que transforma atitudes, molda o caráter e redefine prioridades. Entrar pela porta estreita não é fácil, mas é necessário. E, no fim, descobrimos que essa porta, embora estreita, conduz à verdadeira vida.

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Igrejas que acolhem ou apenas impõem regras?


Vladimir Chaves

Quando alguém entra em uma igreja pela primeira vez, carrega consigo expectativas, dores, dúvidas e, muitas vezes, feridas espirituais. A grande pergunta é: essa pessoa encontra Cristo ou apenas um conjunto de regras? Encontra braços abertos ou olhares de julgamento?

Jesus nunca começou sua abordagem apontando normas, mas oferecendo relacionamento, graça e transformação. Ele dizia: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). O convite era para Ele, não para um sistema rígido.

Muitas igrejas, infelizmente, ainda ensinam mais como se comportar externamente do que como viver como Cristo internamente. O apóstolo Paulo foi claro ao dizer: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Coríntios 11:1). O foco do discipulado bíblico não é formar seguidores de costumes humanos, mas imitadores de Jesus.

Quando regras humanas ocupam o lugar da Palavra, o risco é produzir religiosos sem transformação. Jesus confrontou duramente essa prática ao afirmar: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15:9). A Palavra liberta, mas regras sem amor aprisionam.

A liderança cristã precisa entender que cuidar bem das pessoas é fortalecer a igreja. Pedro orienta: “Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, cuidando dele” (1 Pedro 5:2). Cuidar envolve ouvir, acompanhar, ensinar com paciência e amar com verdade.

Uma igreja saudável não é aquela que apenas cresce em número, mas a que cresce em maturidade espiritual. Quando o novo convertido é bem acolhido, ensinado na Palavra e conduzido a Cristo, ele cria raízes firmes. Como diz Provérbios 27:23: “Procura conhecer o estado das tuas ovelhas e cuida dos teus rebanhos.”

A igreja que prioriza a Palavra acima das regras humanas se torna um lugar de cura, crescimento e permanência. Afinal, Cristo não nos chamou para um fardo pesado, mas para uma vida transformada pelo amor, pela verdade e pela graça (Mateus 11:30).

Que nossas igrejas sejam conhecidas não pelo rigor das normas, mas pela presença viva de Cristo no cuidado com pessoas.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

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Quando o ‘Auê’ substitui o nome de Jesus


Vladimir Chaves

Nem toda música que empolga é louvor. Nem toda canção que faz o povo cantar junto glorifica a Deus. A música “Auê, a fé ganhou” pode até ser contagiante, animada e bem produzida, mas isso não a torna, automaticamente, adoração. Quando uma canção esconde o nome de Jesus, flerta com símbolos ambíguos e aproxima-se de linguagens místicas ou culturais carregadas de outros significados espirituais, ela deixa de ser louvor e passa a ser apenas entretenimento religioso.

O Evangelho nunca precisou de “roupagem mística” para ser relevante. A cruz sempre foi suficiente. O poder do Evangelho está na mensagem, não na estética; está na verdade, não na performance. Quando tentamos “embelezar” a fé com elementos estranhos às Escrituras, corremos o risco de diluir aquilo que é santo e substituir arrependimento por animação, conversão por comportamento, e adoração por emoção.

A Bíblia é clara: o verdadeiro louvor é fruto de lábios que confessam o nome de Deus. Hebreus 13.15 nos lembra que adorar não é fazer barulho, mas exaltar o nome que está acima de todo nome. Quando uma música celebra mais as “birras humanas”, a superação pessoal ou a euforia coletiva do que a obra redentora de Cristo, algo está fora do lugar. O foco deixa de ser o arrependimento e passa a ser o homem.

Por isso, discernimento é indispensável. A própria Escritura nos alerta: “Provai os espíritos se são de Deus” (1 João 4.1). Nem tudo o que soa espiritual vem do Espírito Santo. Existe diferença entre arte e distorção doutrinária. Existe uma linha clara entre o sagrado e o profano; e ela não pode ser apagada em nome da popularidade.

O verdadeiro louvor coloca Jesus no centro, confessa a doutrina bíblica e preserva a separação entre o que pertence a Deus e o que vem do mundo. Quando esses elementos não estão presentes, o que resta é apenas um “auê” profano: uma música com linguagem religiosa, mas sem essência espiritual.

O Evangelho não se mistura. Inserir símbolos, expressões ou referências carregadas de outras espiritualidades dentro da fé cristã é sincretismo. E Deus não aceita fogo estranho. Nomes, gestos e expressões culturais não são neutros; eles carregam história, significado e espiritualidade. Negar isso não muda a realidade.

Precisamos de menos “Auê” e mais Bíblia. Menos personagens simbólicos e mais Jesus. Menos euforia vazia e mais quebrantamento genuíno. Porque no Reino de Deus, não é o barulho que vence, é a verdade.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

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Obediência que nasce da fé, não da religião


Vladimir Chaves

A história de Abraão nos ajuda a compreender, com muita clareza, o tipo de obediência que Deus espera do cristão; uma obediência que nasce da fé e do relacionamento com Ele, e não da submissão cega a regras humanas ou tradições religiosas.

Quando Deus chamou Abrão, Ele não apresentou um mapa, nem deu explicações detalhadas. Apenas chamou. E Abrão respondeu. Pela fé, saiu de sua terra, deixou sua segurança e caminhou rumo a um destino que não conhecia. Essa atitude revela que obedecer a Deus é confiar nEle acima da lógica, do conforto e das certezas humanas.

Abrão não conhecia a definição bíblica de fé que hoje encontramos em Hebreus 11.1, mas viveu essa fé na prática. Ele não sabia como seria sua vida naquela terra desconhecida, mas sabia quem era o Deus que o estava chamando. Isso fez toda a diferença.

No entanto, a Palavra também nos mostra que obediência parcial não é obediência completa. Deus havia ordenado que Abrão deixasse sua terra e sua parentela, mas ele permitiu que Ló o acompanhasse. Mais tarde, essa decisão gerou conflitos e dificuldades. O texto nos alerta: sempre que escolhemos adaptar a vontade de Deus à nossa conveniência, acabamos colhendo problemas.

Outro detalhe importante é que Deus não conduziu Abrão diretamente ao destino final. Antes de chegar a Canaã, ele passou por Harã. Esse tempo não foi perdido. Pelo contrário, foi um período de preparo, amadurecimento e formação de caráter. A obediência verdadeira aceita os processos de Deus, mesmo quando parecem atrasos aos nossos olhos.

Aqui está um ponto crucial para os nossos dias:

Deus não busca uma obediência meramente externa, ritualística ou religiosa. A Bíblia deixa claro que Ele rejeita o serviço apenas da boca para fora, quando o coração está distante. O Senhor prefere um coração obediente a sacrifícios vazios, como bem declarou o profeta Samuel: “Obedecer é melhor do que sacrificar”.

Muitos hoje confundem obediência a Deus com obediência irrestrita a homens, sistemas ou regras religiosas que, muitas vezes, não têm base bíblica sólida. A Escritura nos ensina que a obediência que agrada a Deus não é submissão a tradições humanas, mas alinhamento sincero à Sua vontade revelada.

No Novo Testamento, essa obediência ganha um foco ainda mais claro: obedecer a Jesus Cristo. Não se trata mais de cumprir a Lei como um código frio, mas de seguir a Cristo em fé, amor e verdade. É uma obediência que nasce do relacionamento, não do medo; do coração transformado, não da imposição religiosa.

Assim como Abraão, o cristão é chamado a obedecer mesmo sem ter todas as respostas. É essa obediência (simples, profunda e sincera) que Deus continua esperando do Seu povo hoje.

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Quando obedecer a Jesus se torna um incômodo religioso


Vladimir Chaves

“Jesus disse-lhes: Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” Marcos 16: 15

Ele não disse: “fiquem confortáveis onde estão com o seu evangelho particular”, muito menos “adaptem o evangelho ao gosto do público”. A ordem foi simples, direta e nada confortável: ide. Movimento. Ação. Saída. Qualquer coisa diferente disso é desobediência com verniz religioso.

Cristo também não instituiu manuais burocráticos nem modelos engessados para a proclamação da mensagem. Ele não terceirizou a missão nem autorizou comissões para decidir se o momento era oportuno. O chamado sempre foi o mesmo: ir, anunciar e obedecer; mesmo quando isso custa caro.

Desde a igreja primitiva, a história é bem clara (para quem ainda lê a Bíblia): todos os que levaram essa ordem a sério enfrentaram humilhações, perseguições e, muitas vezes, a morte. Nada de aplausos, tapetes vermelhos ou prêmios de “crente do ano”. E não, os tempos não mudaram tanto assim. Hoje, quem anuncia o evangelho com ousadia continua sendo ridicularizado, desprezado e atacado. Jesus avisou com antecedência, para ninguém alegar surpresa espiritual:

“Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim.” (Jo 15:18)

A forma muda, o incômodo é o mesmo.

Quem prega nas ruas é chamado de fanático.

Quem louva em praças públicas tem instrumento apreendido.

Quem anuncia o evangelho nas escolas é transferido.

Quem usa as redes sociais é acusado de querer aparecer, de querer likes, views e aplausos; como se o problema fosse o meio, e não a mensagem.

E o mais irônico de tudo: muitas vezes, a oposição mais dura não vem de fora, mas de dentro. Dentro das igrejas. Em nome da “ordem”, da “prudência” ou da “boa imagem”, tenta-se silenciar justamente quem resolveu obedecer. Em várias comunidades, crentes que levam a fé a sério (e não brincam de ser crentes) são punidos, afastados e proibidos até mesmo de subir ao púlpito. Obedecer a Cristo, nesse caso, vira um problema administrativo.

Mas sejamos honestos: Jesus nunca prometeu conforto para os obedientes. Ele prometeu o oposto.

“No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (Jo 16:33)

Portanto, siga em frente. Seja ousado. Não negocie a verdade para evitar ofensas. Não se curve às pressões do inimigo; nem às versões “religiosas” dele. Obedecer a Cristo sempre teve um preço. E, ainda assim, sempre valeu a pena.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz as igrejas” Apocalipse 2: 11

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João 1:1–16: A luz verdadeira que veio ao mundo


Vladimir Chaves

O Verbo eterno

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”

João começa antes da criação, ecoando Gênesis 1:1. O “Verbo” (do grego Logos) não é apenas uma palavra falada, mas a expressão perfeita de Deus, Sua mente, Sua vontade.

Jesus não foi criado: Ele já existia “no princípio”, estava em comunhão com o Pai e é plenamente Deus. Aqui fica claro que Cristo compartilha da mesma natureza divina.

O Criador de todas as coisas

“Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.” (v. 3)

Nada existe fora da ação do Verbo. Jesus não é parte da criação; Ele é o Agente da criação. Isso afirma Sua autoridade absoluta sobre o universo e sobre a vida.

Fonte de vida e luz

“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.” (v. 4)

A vida verdadeira (espiritual e eterna) está em Cristo. Essa vida ilumina a humanidade caída, trazendo verdade, sentido e salvação.

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas as trevas não prevaleceram contra ela” (v.5)

As trevas (o pecado, a ignorância espiritual, a rejeição a Deus) tentam resistir à luz, mas não conseguem vencê-la.

O testemunho de João Batista (vv. 6–8)

João Batista não é a luz, mas a testemunha. Ele aponta para Cristo. Isso nos ensina que todo verdadeiro ministério cristão não exalta o homem, mas direciona as pessoas a Jesus.

A rejeição e a aceitação do Verbo (vv. 9–13)

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.”

Mesmo sendo o Criador, Jesus foi rejeitado por muitos, inclusive pelo Seu próprio povo.

Mas há uma promessa gloriosa: os que O recebem pela fé tornam-se filhos de Deus. A salvação não vem de herança, esforço humano ou mérito, mas dá vontade de Deus, mediante a fé em Cristo.

O Verbo se fez carne

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (v. 14)

Aqui está o coração do Evangelho. Deus entrou na história humana. Jesus assumiu a nossa condição, sem deixar de ser Deus.

“Habitou” significa “armou Sua tenda”, lembrando o tabernáculo: agora, a presença de Deus não está em um edifício, mas em uma Pessoa. Nele vemos a glória divina cheia de graça e verdade.

Graça sobre graça

“Da sua plenitude todos nós recebemos, e graça sobre graça.” (vv. 15–16)

Cristo é inesgotável. Tudo o que precisamos para salvação, vida espiritual e comunhão com Deus vem da Sua plenitude. A expressão “graça sobre graça” aponta para uma abundância contínua, não limitada, que substitui a condenação pela misericórdia.

O Prólogo de João Batista (João 1:1–16) declara que Jesus é Deus eterno, Criador, Salvador e revelação perfeita do Pai. Negar qualquer uma dessas verdades é esvaziar o Evangelho.

Crer nelas é receber vida, luz e o privilégio de ser chamado filho de Deus.

“Quem vê o Filho, vê o próprio Deus agindo em favor da humanidade.”

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