“E conhecereis a verdade, e
a verdade vos libertará.” João 8:32
Milhões de pessoas se
identificam como evangélicas. Frequentam igrejas, participam de cultos, cantam
louvores, acompanham pregadores, compartilham versículos e defendem suas
convicções religiosas. Mas existe uma pergunta que precisa ser feita; e talvez
ela seja incômoda, mas necessária:
Quantas dessas pessoas
realmente conhecem o Evangelho de Cristo?
É possível conhecer o
ambiente da igreja sem conhecer as Escrituras. É possível memorizar versículos
sem compreender a mensagem bíblica. É possível repetir discursos religiosos
durante anos sem jamais questionar se aquilo que aprendeu corresponde, de fato,
ao que a Bíblia ensina.
E talvez seja justamente aí
que esteja uma das maiores armadilhas da religiosidade: ela pode produzir a
sensação de conhecimento sem necessariamente produzir conhecimento.
Jesus falou sobre liberdade,
mas essa liberdade está diretamente relacionada ao conhecimento da verdade. Não
de uma verdade inventada por homens, adaptada aos interesses de grupos ou
sustentada apenas pela tradição, mas da verdade revelada por Deus.
Quando a religião ocupa o
lugar da verdade
Religião, por si só, não é
sinônimo de transformação.
Uma pessoa pode cumprir
rituais, seguir costumes, frequentar reuniões e defender determinadas doutrinas
e, ainda assim, carregar dentro de si medo, culpa, ignorância e dependência de
autoridades humanas.
Jesus encontrou esse
problema entre pessoas profundamente religiosas.
Os escribas e fariseus
conheciam a Lei, dominavam as tradições e eram respeitados religiosamente.
Entretanto, Jesus os confrontou porque havia uma distância entre aquilo que
ensinavam e aquilo que viviam.
Em Mateus 23, Cristo
expõe essa contradição de maneira contundente. O problema não era simplesmente
conhecer a Lei; era transformar o conhecimento religioso em aparência, enquanto
o coração permanecia distante de Deus.
Isso deveria nos fazer
refletir.
Não basta perguntar se uma
pessoa é religiosa. É preciso perguntar se ela conhece a verdade e se essa
verdade está transformando sua vida.
Conhecer a Bíblia pode ser
desconfortável
Existe uma razão pela qual
alguns preferem receber a fé pronta: pensar dá trabalho.
Examinar as Escrituras exige
tempo, comparar textos exige atenção, conhecer o contexto exige estudo, reconhecer
que determinada crença pode estar equivocada exige humildade.
Por isso, muitas vezes é
mais fácil simplesmente aceitar:
“Meu pastor disse.”
“Minha igreja ensinou.”
“Aprendi assim.”
“Todo mundo acredita dessa
maneira.”
Mas a Bíblia apresenta outro
caminho.
Os cristãos de Bereia
ouviram Paulo e, em vez de aceitar suas palavras automaticamente, “examinando as
Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos
17:11).
Eles ouviam, analisavam e conferiam.
Essa deve ser uma
característica de uma fé madura.
A verdade não precisa ter
medo de ser examinada.
Quem realmente deseja
conhecer a Deus não deveria fugir das perguntas sinceras. Deveria buscar
respostas nas Escrituras.
O perigo de acreditar sem
conhecer
Quando uma pessoa não
conhece a Bíblia, torna-se muito mais fácil ser conduzida para qualquer
direção.
Um versículo fora do
contexto pode parecer uma doutrina.
Uma opinião pessoal pode ser
apresentada como revelação.
Uma tradição pode adquirir
autoridade de mandamento bíblico.
Um costume pode ser tratado
como requisito para a salvação.
E, pouco a pouco, a pessoa
deixa de seguir aquilo que está escrito para seguir aquilo que alguém afirmou
estar escrito.
Esse é um dos perigos mais
sérios da ignorância espiritual.
Quem não examina a Palavra
pode acabar confundindo a voz de Deus com a voz dos homens.
Oséias registrou uma
advertência que merece reflexão: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe
falta o conhecimento.” Oséias 4:6
A falta de conhecimento não
é um problema pequeno.
Ela pode produzir escravidão
espiritual.
O Evangelho não é um sistema
de controle
Cristo não veio estabelecer um
sistema religioso, Ele veio anunciar o Reino de Deus, chamar pessoas ao
arrependimento, revelar o Pai, oferecer perdão e conduzir o ser humano a uma
nova vida.
O centro do Evangelho não é
uma denominação.
Não é uma placa de igreja.
Não é um líder religioso.
Não é uma tradição.
O centro do Evangelho é
Jesus Cristo.
Paulo declarou: “Porque decidi
nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.” 1 Coríntios
2:2
Quando Cristo deixa de ser o
centro, a religião começa a ocupar o espaço que deveria pertencer a Ele. E
quando isso acontece, a fé pode se transformar em uma disputa permanente por
costumes, posições, interpretações e tradições.
Discute-se muito sobre
religião e conhece-se pouco sobre Cristo.
A verdade não existe para
confirmar nossas opiniões
Estudar a Bíblia exige uma
postura que nem sempre estamos dispostos a assumir: a disposição de sermos
corrigidos por aquilo que lemos.
Não devemos abrir as
Escrituras apenas para encontrar argumentos que confirmem aquilo em que já
acreditamos. Devemos abri-las também para descobrir onde estamos errados.
Essa talvez seja uma das
formas mais honestas de buscar a verdade.
Quando lemos a Bíblia dessa
maneira, algumas convicções serão fortalecidas, outras precisarão ser revistas,
algumas tradições serão confirmadas, outras revelarão que nunca tiveram o
fundamento bíblico que imaginávamos.
Isso pode ser
desconfortável.
Mas crescer espiritualmente
também significa aprender a abandonar aquilo que não pode permanecer diante da
verdade.
Paulo escreveu: “E não vos
conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.”
Romanos 12:2
A transformação começa
também pela mente, uma mente que não pensa é facilmente conduzida, uma fé que
não conhece as Escrituras torna-se vulnerável.
Viver além da religião
Viver além da religião não
significa abandonar a igreja, desprezar a comunhão cristã ou rejeitar a fé. Significa
não permitir que a estrutura religiosa substitua o relacionamento com Cristo.
A igreja tem seu lugar, o
pastor tem sua função, o professor de EBD tem sua importância, a comunhão é
necessária. Mas nenhum deles pode assumir a responsabilidade que cada cristão
possui de conhecer a Palavra de Deus.
Não entregue sua consciência
completamente às mãos de outras pessoas.
Ouça pregadores, mas
confira. Aprenda com professores, mas examine. Respeite líderes, mas não
transforme seres humanos em autoridades acima das Escrituras.
Leia a Bíblia. Compare
textos. Conheça o contexto. Faça perguntas. Ore. Pense. E permita que a Palavra
confronte aquilo que precisa ser confrontado.
Desperte
Talvez seja necessário
romper com uma ideia muito comum: a de que frequentar uma igreja
automaticamente significa conhecer o Evangelho.
Não significa.
Assim como possuir uma
Bíblia não significa conhecê-la.
Ter acesso à verdade não é a
mesma coisa que viver pela verdade. É possível carregar uma Bíblia debaixo do
braço e continuar preso a conceitos que ela nunca ensinou.
É possível falar
constantemente de Jesus e conhecer muito pouco sobre aquilo que Ele ensinou.
É possível defender a fé com
intensidade e nunca ter parado para examiná-la profundamente.
Por isso, o chamado é
simples, mas profundo: Desperte.
Questione aquilo que precisa
ser questionado.
Examine aquilo que lhe
ensinaram.
Não aceite uma afirmação
apenas porque foi pronunciada em um púlpito.
Conheça as Escrituras, conheça
o contexto, conheça o Evangelho. E, acima de tudo, conheça Cristo.
A verdadeira liberdade
A liberdade prometida por
Jesus não consiste simplesmente em fazer aquilo que desejamos. A verdadeira
liberdade é deixar de ser escravo da mentira.
É libertar-se do medo
produzido pela ignorância.
É abandonar a culpa
manipulada pela religiosidade.
É romper com superstições.
É deixar de depender
cegamente da interpretação de outras pessoas.
É compreender a graça.
É conhecer a verdade.
É viver uma fé consciente,
fundamentada e transformada pelo Evangelho.
Por isso Jesus também
declarou: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” João
8:36
A liberdade cristã não está
em viver sem limites, mas em deixar de ser governado pelo que nos escraviza.
E poucas coisas escravizam
tanto quanto uma mentira aceita como verdade.
Conheça a verdade
A pergunta mais importante
não é: “Você é evangélico?”
A pergunta importante é: “Você
conhece o Evangelho?”
Não apenas o nome de Jesus, não apenas histórias bíblicas, não apenas versículos decorados.
Não apenas os ensinamentos
recebidos de sua denominação.
Mas o Evangelho, a mensagem
de Cristo, Sua graça, seu chamado ao arrependimento, sua morte, sua
ressurreição, seu senhorio, seu convite para uma vida transformada.
Porque existe uma diferença
enorme entre ser religioso e ser discípulo.
A religião ensina
comportamentos, Cristo transforma o coração.
A religião cria dependência
de homens, o Evangelho conduz à verdade.
A religião preserva
tradições, a Palavra confronta e transforma.
Por isso, não tenha medo de
conhecer, não tenha medo de perguntar, não tenha medo de descobrir.
A verdade não precisa ser
protegida da investigação. Ela precisa ser conhecida.
Desperte, questione, estude,
conheça a Bíblia, conheça o Evangelho, conheça Cristo.
E permita que a verdade não
apenas mude aquilo que você pensa, mas transforme aquilo que você é.
Porque o objetivo do
Evangelho não é produzir pessoas simplesmente religiosas, mas discípulos que
conheçam a verdade, sigam a Cristo e vivam em liberdade.
A graça do Senhor Jesus seja
com todos.

