O tempo de Deus e o arrependimento humano


Vladimir Chaves

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” 2 Pedro 3:9

Esse é um dos textos mais consoladores e, ao mesmo tempo, desafiadores do Novo Testamento. Ele nasce em um contexto de questionamento e zombaria. Havia pessoas que ridicularizavam a promessa da volta de Cristo, dizendo que tudo continuava como sempre foi e que, portanto, não haveria intervenção divina alguma.

O ponto central do versículo é que a percepção humana do tempo não define a fidelidade de Deus. Para nós, a passagem dos anos pode parecer longa demais. Nossa vida é breve, nossa espera é limitada e nossa paciência é curta.

Deus, porém, não está submetido à nossa cronologia. Ele age dentro de um plano eterno, no qual cada etapa tem propósito. A promessa não está atrasada; ela está sendo cumprida dentro do tempo perfeito de Deus.

Pedro revela que o que parece demora é, na verdade, longanimidade. Essa palavra carrega a ideia de paciência sustentada por amor, de alguém que poderia agir imediatamente, mas escolhe esperar por causa de um propósito maior.

Deus não está indiferente ao pecado nem omisso diante do mal. Ele está oferecendo tempo. Tempo para arrependimento, tempo para reconciliação, tempo para que vidas sejam alcançadas pela graça.

Quando o texto afirma que Deus não quer que alguns se percam, mas que todos venham ao arrependimento, ele revela o coração misericordioso do Senhor. O juízo é real e o “Dia do Senhor” virá, como o próprio capítulo afirma.

Porém, antes do juízo vem o convite. Antes da justiça plena, manifesta-se a misericórdia. A demora da promessa não é sinal de descuido, mas de compaixão. Cada novo dia que nasce é evidência de que a porta da graça ainda está aberta.

Isso nos leva a uma reflexão pessoal. Em vez de perguntar por que Cristo ainda não voltou, talvez devamos perguntar o que estamos fazendo com o tempo que Ele nos concede.

2 Pedro 3:9 nos ensina que o silêncio aparente de Deus não é ausência, e que a espera não é abandono. É o tempo da misericórdia operando.

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