Quando a religião deixa de
ser instrumento de restauração e passa a ser mecanismo de controle, exclusão e
julgamento. Julgar pessoas pelas vestes, impor padrões externos como sinal de
espiritualidade e condenar sem ouvir defesa não nasce do Evangelho, mas do
espírito dos fariseus que Jesus duramente repreendeu.
A Escritura é clara ao
afirmar que Deus não olha como o homem olha.
“O Senhor não vê como vê o
homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.” (1 Samuel 16:7)
Quando irmãos são atacados
por não se enquadrarem em um molde religioso (seja pela roupa, pela aparência
séria, pelo temperamento mais reservado) ignora-se que o Corpo de Cristo é
diverso. Nem todos expressam alegria da mesma forma, nem todos vivem a fé com o
mesmo gesto exterior.
“Há diversidade de dons, mas
o Espírito é o mesmo.” (1 Coríntios 12:4)
Ouvir fuxicos, acolher
acusações sem dar oportunidade de defesa e permitir que a difamação se espalhe
dentro da igreja é negar frontalmente o ensino bíblico. A Palavra condena a
língua maldosa e exige justiça nos julgamentos.
“Não aceites acusações
contra ninguém sem o depoimento de duas ou três testemunhas.” (1 Timóteo
5:19)
“O que encobre a
transgressão busca a amizade, mas o que revolve o assunto separa os maiores
amigos.” (Provérbios 17:9)
Mais grave ainda é o uso do
púlpito (lugar santo, destinado à edificação) como arma para humilhar, ferir e
constranger publicamente, impedindo qualquer defesa. Isso não é autoridade
espiritual; é abuso espiritual.
“Apascentai o rebanho de
Deus… não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo
ao rebanho.” (1 Pedro 5:2–3)
Quando líderes exigem
fidelidade absoluta a regras humanas, mas relativizam ou ignoram a própria
Palavra, repetem exatamente o erro que Jesus denunciou:
“Invalidais a palavra de
Deus por causa da vossa tradição.” (Marcos 7:13)
Acusar quem estuda, se
prepara e busca crescimento espiritual de “querer aparecer” revela insegurança
e medo, não zelo santo. A Bíblia, ao contrário, incentiva o estudo diligente e
responsável das Escrituras.
“Procura apresentar-te a
Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a
palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15)
Fechar a cara para quem
busca conhecimento, desprezar quem se dedica ao ensino sério e preferir textos
prontos e rasos não é sinal de espiritualidade, mas de acomodação.
“O meu povo foi destruído
por falta de conhecimento.” (Oséias 4:6)
Diante disso, a pergunta
final é inevitável: isso está correto? Isso vem de Deus?
À luz das Escrituras, a
resposta é não. O que vem de Deus produz humildade, justiça, misericórdia e
amor.
“Ele te declarou, ó homem, o
que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça,
ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8)
Onde há opressão, julgamento
precipitado, vaidade religiosa e desprezo pela verdade bíblica, ali não reina o
Espírito de Cristo, mas uma caricatura da fé. O Evangelho não veste máscaras,
não se alimenta de fuxico e não silencia consciências; ele liberta, transforma
e chama ao arrependimento, começando pela liderança e pela própria igreja.



0 comentários:
Postar um comentário
Conteúdo é ideal para leitores cristãos interessados em doutrina, ética ministerial e fidelidade bíblica.