A espiritualidade que condena em nome de Deus


Vladimir Chaves

Quando a religião deixa de ser instrumento de restauração e passa a ser mecanismo de controle, exclusão e julgamento. Julgar pessoas pelas vestes, impor padrões externos como sinal de espiritualidade e condenar sem ouvir defesa não nasce do Evangelho, mas do espírito dos fariseus que Jesus duramente repreendeu.

A Escritura é clara ao afirmar que Deus não olha como o homem olha.

“O Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.” (1 Samuel 16:7)

Quando irmãos são atacados por não se enquadrarem em um molde religioso (seja pela roupa, pela aparência séria, pelo temperamento mais reservado) ignora-se que o Corpo de Cristo é diverso. Nem todos expressam alegria da mesma forma, nem todos vivem a fé com o mesmo gesto exterior.

“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.” (1 Coríntios 12:4)

Ouvir fuxicos, acolher acusações sem dar oportunidade de defesa e permitir que a difamação se espalhe dentro da igreja é negar frontalmente o ensino bíblico. A Palavra condena a língua maldosa e exige justiça nos julgamentos.

“Não aceites acusações contra ninguém sem o depoimento de duas ou três testemunhas.” (1 Timóteo 5:19)

“O que encobre a transgressão busca a amizade, mas o que revolve o assunto separa os maiores amigos.” (Provérbios 17:9)

Mais grave ainda é o uso do púlpito (lugar santo, destinado à edificação) como arma para humilhar, ferir e constranger publicamente, impedindo qualquer defesa. Isso não é autoridade espiritual; é abuso espiritual.

“Apascentai o rebanho de Deus… não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho.” (1 Pedro 5:2–3)

Quando líderes exigem fidelidade absoluta a regras humanas, mas relativizam ou ignoram a própria Palavra, repetem exatamente o erro que Jesus denunciou:

“Invalidais a palavra de Deus por causa da vossa tradição.” (Marcos 7:13)

Acusar quem estuda, se prepara e busca crescimento espiritual de “querer aparecer” revela insegurança e medo, não zelo santo. A Bíblia, ao contrário, incentiva o estudo diligente e responsável das Escrituras.

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15)

Fechar a cara para quem busca conhecimento, desprezar quem se dedica ao ensino sério e preferir textos prontos e rasos não é sinal de espiritualidade, mas de acomodação.

“O meu povo foi destruído por falta de conhecimento.” (Oséias 4:6)

Diante disso, a pergunta final é inevitável: isso está correto? Isso vem de Deus?

À luz das Escrituras, a resposta é não. O que vem de Deus produz humildade, justiça, misericórdia e amor.

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8)

Onde há opressão, julgamento precipitado, vaidade religiosa e desprezo pela verdade bíblica, ali não reina o Espírito de Cristo, mas uma caricatura da fé. O Evangelho não veste máscaras, não se alimenta de fuxico e não silencia consciências; ele liberta, transforma e chama ao arrependimento, começando pela liderança e pela própria igreja.

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