Religião não abre a porta estreita


Vladimir Chaves

“Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.” Lucas 13:24

Há palavras de Jesus que confortam, e há palavras que despertam. Lucas 13:24 pertence a segunda opção. Quando Cristo diz: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita”, Ele não está tentando assustar, mas acordar consciências adormecidas.

A pergunta feita a Jesus era curiosa: “Senhor, são poucos os que se salvam?” Em vez de responder com números, Ele devolve a responsabilidade ao coração de quem pergunta. É como se dissesse: “A questão não é quantos entram, mas se você está entrando.” Isso muda tudo. A fé deixa de ser um debate teórico e se torna uma decisão pessoal e urgente.

A tal porta estreita não é estreita porque Deus quer excluir, mas porque não permite excessos que nos afastam d’Ele. Por ela não passa o orgulho, a hipocrisia, nem uma fé apenas de fachada. Também não passam desculpas do tipo “sempre estive na igreja” ou “sempre ouvi a Palavra”, “sempre obedeci aos meus líderes”. A porta é estreita porque exige arrependimento sincero e entrega verdadeira.

Quando Jesus afirma que muitos tentarão entrar e não conseguirão, Ele confronta uma ilusão comum: a ideia de que basta querer, no fim da vida, ou basta estar por perto, para ser aceito. A fé não é algo que se improvisa na última hora. Ela é construída no cotidiano, nas escolhas simples, no compromisso silencioso, na obediência quando ninguém está olhando.

Lucas 13:24 também nos lembra que o tempo importa. Existe um “agora” da graça. A porta está aberta hoje, mas não permanecerá aberta para sempre. Adiar decisões espirituais é um risco que muitos assumem, acreditando que sempre haverá outra chance. Jesus, porém, ensina que chega um momento em que a porta se fecha; não por falta de amor, mas por falta de resposta.

Lucas 13:24 nos chama a uma fé viva, consciente e prática. Não uma fé herdada, uma fé imposta pelas regras humanas das religiões ou cultural, mas uma fé que transforma atitudes, molda o caráter e redefine prioridades. Entrar pela porta estreita não é fácil, mas é necessário. E, no fim, descobrimos que essa porta, embora estreita, conduz à verdadeira vida.

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