A iniciativa soberana de Deus na salvação


Vladimir Chaves

Quando a Bíblia afirma que Deus amou o mundo e enviou o seu Filho, ela nos conduz ao coração da fé cristã. O envio de Jesus não foi um gesto impulsivo nem uma resposta tardia ao pecado humano, mas a maior e mais clara revelação do amor do Pai. Um amor que não depende de mérito, esforço ou merecimento, mas que nasce da própria natureza de Deus, pois “Deus é amor”.

Esse amor, chamado nas Escrituras de agápē, é profundo, constante e sacrificial. Ele se dirige a um mundo rebelde, ferido e distante, não para condená-lo, mas para resgatá-lo. O Pai não olhou para a humanidade buscando razões para amar; Ele amou porque amar é o que Ele é. Assim, o envio do Filho revela um amor que se inclina, que busca o bem do outro e que se entrega totalmente para que haja vida.

Desde antes da fundação do mundo, Deus já havia decidido agir em favor da humanidade caída. A salvação não começou com o arrependimento humano, mas com a iniciativa soberana de Deus. Antes que alguém o buscasse, Ele já havia planejado o caminho da redenção em Cristo. Isso nos lembra que a fé não é o ponto de partida da salvação, mas a resposta ao amor que primeiro nos alcançou.

O envio do Filho também revela a perfeita harmonia da Trindade. O Pai envia, o Filho se entrega voluntariamente e o Espírito Santo aplica essa obra aos corações. Não há competição, nem desigualdade, mas unidade de propósito e plenitude de amor. A missão de Jesus não diminui sua divindade, mas manifesta o plano eterno do Deus Triúno em ação.

Diante desse amor, resta-nos contemplar, agradecer e responder. O envio do Filho nos convida a viver não mais sob o peso da culpa, mas na certeza da graça. É um chamado para confiar, descansar e permitir que esse amor transforme nossa forma de viver, amar e servir. Afinal, quem foi alcançado por um amor tão grande não permanece o mesmo.

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