O valor da alma à luz da eternidade


Vladimir Chaves

“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mt 16:26)

Jesus faz uma das perguntas mais impactantes de todo o Evangelho: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

Hoje as pessoas medem o sucesso pelas conquistas visíveis. Desde cedo, somos incentivados a buscar reconhecimento, estabilidade financeira, influência, conforto e realização pessoal. Nada disso, em si, é errado. O problema começa quando essas coisas ocupam o lugar que pertence a Deus e passam a definir o sentido da vida.

Quando Jesus fala em “ganhar o mundo inteiro”, Ele não se refere apenas a riquezas materiais. O “mundo” representa tudo aquilo que pode capturar o coração humano e afastá-lo do propósito eterno: ambições desordenadas, vaidade, orgulho, poder, prazer sem limites e uma vida vivida sem referência ao Criador. É possível ter muito e, ainda assim, estar espiritualmente vazio.

Já “perder a alma” é um processo silencioso. A alma se perde quando Deus deixa de ser prioridade, quando a comunhão é trocada pela pressa, quando a consciência é calada para acomodar escolhas erradas, quando o coração se acostuma a viver longe da presença divina. A pessoa continua vivendo, produzindo, sorrindo, mas por dentro vai se afastando da fonte da vida.

Jesus então aprofunda a reflexão com outra pergunta:

“Ou que dará o homem em troca da sua alma?”

Aqui, Ele nos lembra que a alma tem um valor incalculável. Tudo neste mundo pode ser substituído: bens, cargos, títulos, até oportunidades perdidas. Mas a alma não pode ser recomprada com dinheiro, nem restaurada por status ou aplausos humanos. Ela só encontra redenção em Deus.

Essa palavra nos convida a olhar para a vida com os olhos da eternidade. O que hoje parece essencial pode, amanhã, perder completamente o sentido. O que hoje é invisível (fé, obediência, comunhão com Deus) é justamente o que permanece para sempre. Jesus não está condenando o trabalho, o crescimento ou os sonhos, mas está ensinando que nada deve ser buscado à custa da alma.

Seguir a Cristo, como o próprio contexto do texto ensina, envolve renúncia. Não uma renúncia vazia, mas consciente. É escolher dizer “não” ao que destrói a vida espiritual para dizer “sim” ao que produz vida eterna. É entender que perder para Deus nunca é perda, e que ganhar sem Deus sempre será prejuízo.

Mateus 16:26 nos chama a reorganizar prioridades. Ele nos lembra que a vida não termina aqui e que cada decisão carrega peso eterno. No fim, a grande pergunta não será quanto acumulamos, mas quem fomos diante de Deus.

A alma é o bem mais precioso do ser humano.

Cuidar dela é sabedoria.

Preservá-la é obediência.

Entregá-la a Deus é o maior investimento que alguém pode fazer.

Porque tudo passa, mas a alma permanece.

E somente em Deus ela encontra descanso.

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