Há uma pergunta que a Igreja
precisa fazer constantemente: estamos realmente ouvindo a voz de Deus?
Somos cercados por muitas
vozes, opiniões, tendências e estratégias. Nesse cenário, existe o risco de
realizarmos muitas coisas e, ao mesmo tempo, perdermos o essencial: discernir
aquilo que Deus está dizendo.
Uma Igreja verdadeiramente
missionária começa aí. Antes de enviar, ela ouve; antes de agir, busca; antes
de elaborar seus planos, coloca-se diante de Deus.
A missão começa quando
deixamos de perguntar apenas “o que podemos fazer?” e passamos a perguntar: “o
que Deus quer que façamos?”
UMA IGREJA QUE OUVE DEUS SE
DISPÕE A OBEDECER
Atos 13 apresenta a igreja
de Antioquia reunida em oração, jejum e serviço ao Senhor. Foi nesse ambiente
que o Espírito Santo disse:
“Separai-me a Barnabé e a
Saulo para a obra a que os tenho chamado.” Atos 13.2
A missão não nasceu de uma
estratégia humana, mas de uma direção divina.
Antioquia não apenas ouviu.
Obedeceu. Depois de jejuar, orar e impor as mãos sobre Paulo e Barnabé, a
igreja os enviou.
Isso nos ensina que ouvir
Deus não é simplesmente receber uma informação espiritual. É estar disposto a
ajustar nossos planos à vontade dele.
Uma igreja pode ter muitas
atividades e pouca direção. Pode estar ocupada e, ainda assim, não perceber o
que Deus está dizendo.
O problema não está em
trabalhar; está em trabalhar sem ouvir.
A PALAVRA É O FUNDAMENTO DA
MISSÃO
Não podemos falar em ouvir a
Deus ignorando sua Palavra.
A Igreja precisa conhecer as
Escrituras para discernir sua vontade e permanecer fiel à mensagem do
Evangelho. Métodos podem mudar, ferramentas podem mudar e formas de comunicação
podem mudar, mas a mensagem de Cristo permanece.
Por isso, uma Igreja
missionária não é apenas uma comunidade que envia pessoas. É uma comunidade que
forma discípulos, conhece a Palavra e prepara homens e mulheres para servir.
A missão não pode ser
construída sobre tendências, mas sobre a verdade revelada por Deus.
QUEM ENVIA TAMBÉM PARTICIPA
DA MISSÃO
Paulo e Barnabé eram
importantes para Antioquia, mas a igreja não os reteve.
Ela compreendeu que seus
dons não existiam apenas para benefício da comunidade local. O Reino de Deus
era maior.
Essa atitude continua sendo
um desafio para a Igreja. Precisamos estar dispostos não apenas a receber
pessoas talentosas, mas também a prepará-las e enviá-las quando Deus as chamar.
E quem envia não fica
distante da missão.
Quem ora, contribui,
sustenta e encoraja também participa da obra missionária.
O missionário pode
atravessar fronteiras, mas leva consigo uma Igreja que intercede e sustenta seu
trabalho.
MISSÕES NÃO É UM
DEPARTAMENTO. É A IDENTIDADE DA IGREJA
Quando missões são tratadas
apenas como uma atividade do calendário, perdemos de vista sua verdadeira
natureza.
A Igreja existe para
glorificar a Deus, edificar seus membros e anunciar Cristo ao mundo.
Não importa se uma
congregação é grande ou pequena. Uma comunidade que ora, conhece a Palavra e
está disposta a obedecer pode tornar-se uma poderosa base para a expansão do
Evangelho.
Antioquia nos mostra isso.
Uma igreja local tornou-se
ponto de partida para uma obra que alcançaria povos e lugares em todo o mundo.
E NÓS, ESTAMOS OUVINDO?
Atos 13 nos apresenta uma
sequência simples e profunda:
A Igreja serviu.
A Igreja orou.
A Igreja jejuou.
A Igreja ouviu.
A Igreja obedeceu.
A Igreja enviou.
Talvez seja essa a pergunta
que precisamos levar para nossas igrejas hoje:
Estamos apenas realizando
atividades ou estamos discernindo a vontade de Deus?
Uma Igreja que ouve o Céu
não permanece fechada em si mesma. Ela olha para fora, enxerga os que precisam
ouvir o Evangelho e se dispõe a participar da missão.
Quando a Igreja realmente
ouve a voz de Deus, seus pés encontram o caminho da missão.


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