A Bíblia contra a ansiedade: Pare de sofrer por aquilo que ainda não aconteceu


Vladimir Chaves

Há pessoas tentando resolver hoje problemas que ainda não existem. Sofrem por possibilidades, perdem o sono por cenários imaginários e transformam o “e se?” em uma sentença antecipada.

A ansiedade faz isso: coloca o coração diante de um futuro que ainda não chegou e o obriga a enfrentar batalhas que talvez jamais aconteçam.

Não é apenas preocupação. É a tentativa humana de controlar aquilo que está fora do nosso alcance.

E aqui está uma verdade que precisa ser dita: há momentos em que nossa ansiedade revela menos a dimensão do problema e mais a nossa dificuldade de confiar em Deus.

Isso não significa tratar a ansiedade com superficialidade, muito menos dizer que todo sofrimento emocional é falta de fé. Significa reconhecer que a fé cristã nos chama a enfrentar nossas inquietações de maneira diferente: não negando o que sentimos, mas levando aquilo que sentimos para Deus.

Jesus foi direto: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” Mateus 6:34

Cristo não está mandando o ser humano viver de maneira irresponsável. Ele está colocando um limite na preocupação.

O amanhã ainda não chegou.

Por que, então, entregar a ele a paz que Deus concedeu ao presente?

A ansiedade quer controle. A fé exige confiança.

Talvez seja justamente aqui que esteja uma das maiores batalhas espirituais.

Queremos saber como será.

Queremos garantir que dará certo.

Queremos prever todos os riscos.

Queremos controlar pessoas, circunstâncias, resultados e até o futuro.

Mas ninguém consegue controlar tudo.

E quanto mais tentamos controlar o incontrolável, mais inquieto fica o coração.

Pedro apresenta uma alternativa: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” 1 Pedro 5:7

O verbo é significativo: lançar.

Não é esconder, não é disfarçar, não é fingir que não existe.

É colocar diante de Deus.

Aquilo que está sufocando você precisa sair do território da preocupação e entrar no território da oração.

Ore mais do que imagina

Paulo não oferece uma fórmula complicada: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” Filipenses 4:6

A Bíblia não manda o cristão simplesmente “parar de pensar”.

Ela ensina para onde levar aquilo que pensamos.

A preocupação pergunta: “O que eu vou fazer?”

A oração pergunta: “Senhor, o que devo fazer?”

Parece uma pequena diferença, mas muda tudo.

Quando a preocupação ocupa o lugar da oração, carregamos sozinhos aquilo que deveríamos apresentar a Deus.

E Paulo continua: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” Filipenses 4:7

Perceba: Paulo fala primeiro de paz, não de solução.

Deus pode mudar a circunstância. Mas, muitas vezes, antes de mudar a circunstância, Ele muda o coração que está enfrentando a circunstância.

Nem todo “e se?” merece uma resposta

Uma das armadilhas da ansiedade é transformar possibilidades em certezas.

“E se acontecer?”

“E se eu perder?”

“E se der errado?”

“E se tudo piorar?”

O problema é que a mente ansiosa frequentemente responde a essas perguntas como se elas já fossem fatos.

Mas não são.

São possibilidades.

E possibilidade não é profecia.

Por isso Paulo aconselha: “Tudo o que é verdadeiro... tudo o que é justo... tudo o que é amável... seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” Filipenses 4:8

A vida espiritual também passa pela maneira como pensamos.

Precisamos aprender a questionar nossos próprios pensamentos e submetê-los à verdade da Palavra.

Se o medo diz: “Você está sozinho”, a Bíblia responde: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” Hebreus 13:5

Se o medo diz: “Você não sabe o que vai acontecer”, a fé responde: Deus sabe.

Se o medo diz: “Você precisa controlar tudo”, a Palavra de Deus responde: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e o mais ele fará.” Salmo 37:5

Fazer a nossa parte não significa controlar o resultado

Existe uma diferença enorme entre responsabilidade e controle.

Responsabilidade é fazer aquilo que está ao nosso alcance.

Controle é querer determinar aquilo que está além dele.

Devemos trabalhar, planejar, estudar, conversar, decidir, pedir ajuda quando necessário e enfrentar nossos problemas.

Mas depois de fazer aquilo que nos cabe, precisamos aprender a parar.

Há coisas que são responsabilidade nossa. Há coisas que pertencem a Deus.

Confundir essas duas coisas produz exaustão.

O salmista sabia disso: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá.” Salmo 55:22

Entregar os teus cuidados não é demonstrar fraqueza.

É reconhecer limites.

É admitir que não somos Deus.

E talvez uma das maiores expressões de fé seja justamente esta: aceitar que não precisamos ter o controle para continuar confiando.

O amanhã pertence a Deus

Talvez o que esteja tirando sua paz ainda nem tenha acontecido.

Talvez você esteja sofrendo por uma conversa que ainda não teve, por uma resposta que ainda não recebeu, por uma porta que ainda não se fechou ou por um problema que talvez nem aconteça.

Então pare, respire e ore.

Faça o que está ao seu alcance.

E entregue a Deus aquilo que está além dele.

Jesus disse: “Não vos inquieteis com o dia de amanhã.” Mateus 6:34

Não é uma frase bonita para colocar em uma imagem religiosa.

É uma ordem de Cristo.

Pare de tentar viver amanhã com a força que Deus lhe deu para viver hoje.

O amanhã terá suas próprias exigências.

Hoje, você tem apenas o presente.

E é nele que Deus espera que você confie.

A ansiedade pergunta: “E se tudo der errado?”

A fé responde: “Mesmo que eu não saiba o que acontecerá, sei em quem tenho confiado.”

Como escreveu o salmista: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.” Salmo 37:5

O futuro pode ser incerto para nós. Para Deus, não.

E talvez seja exatamente isso que precisamos lembrar quando o coração começar a perder a paz: não precisamos conhecer o caminho inteiro para dar o próximo passo; precisamos apenas confiar naquele que já conhece o caminho.

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