Antes de condenar o mal
praticado pelos outros, a Palavra de Deus nos leva a uma pergunta mais
profunda: o que fazemos quando sabemos o que é certo, mas escolhemos não agir?
É exatamente esse o peso de Tiago 4:17:
"Portanto, aquele que
sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando." (Tiago 4:17)
Esse versículo derruba a
falsa ideia de que o pecado consiste apenas em praticar o mal. A Escritura
também chama de pecado a omissão. O silêncio diante da injustiça, a covardia
diante da mentira e a indiferença diante do sofrimento não são virtudes; são escolhas
pelas quais Deus também pede contas.
Muitos preferem a segurança
da neutralidade ao compromisso com a verdade. São pessoas que enxergam a
corrupção, mas se calam. Veem a injustiça, mas desviam o olhar. Assistem ao
abuso do poder, à perversão dos valores e ao sofrimento dos inocentes, mas justificam
sua inércia dizendo: "Isso não é problema meu."
Contudo, a Bíblia ensina que
a omissão nunca é neutra. Quem pode impedir o mal e nada faz, acaba permitindo
que ele cresça. Quem tem voz e escolhe o silêncio fortalece o opressor. Quem
conhece a verdade, mas a esconde por medo, conveniência ou interesse pessoal,
torna-se cúmplice daquilo que condena em segredo.
O omisso raramente suja as
mãos, mas frequentemente lava as mãos. Prefere preservar sua reputação a
defender a justiça. Troca a consciência tranquila pelo conforto momentâneo. A
covardia veste muitas máscaras: prudência exagerada, diplomacia conveniente,
falsa humildade ou o desejo de agradar a todos. No entanto, diante de Deus,
nenhuma dessas máscaras esconde um coração que se recusou a fazer o bem quando
teve oportunidade.
A história mostra que
grandes injustiças prosperaram porque homens e mulheres de bem permaneceram em
silêncio. O mal não cresce apenas pela força dos perversos, mas também pela
passividade dos justos.
Tiago nos lembra que Deus
não julga apenas nossas ações, mas também nossas omissões. O cristão não foi
chamado apenas para evitar o pecado, mas para praticar a justiça. Não basta
rejeitar as trevas; é preciso acender a luz. Não basta condenar o erro em pensamento;
é necessário defender a verdade em atitude.
A fé que não se transforma
em coragem torna-se apenas discurso religioso. O discípulo de Cristo é chamado
a ser sal da terra e luz do mundo. Sal que perde o sabor torna-se inútil; luz
escondida deixa o ambiente nas trevas.
Que cada um examine sua
própria consciência. Em quais situações sabemos o que é certo, mas permanecemos
calados? Quantas vezes deixamos de agir por medo, comodismo ou interesse? Tiago
é direto e não deixa espaço para desculpas: quem sabe fazer o bem e não o faz,
peca.
O Reino de Deus não precisa
apenas de pessoas que conheçam a verdade; precisa de pessoas que tenham coragem
de vivê-la. Porque, muitas vezes, o maior triunfo da injustiça não é a força
dos maus, mas o silêncio daqueles que poderiam ter feito o bem e escolheram não
fazê-lo.


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