O silêncio diante do erro é cumplicidade


Vladimir Chaves

O silêncio diante do erro nunca é neutro. Quando a verdade é abandonada e os valores estabelecidos por Deus são desprezados, a omissão acaba favorecendo o avanço das trevas. A família é desvalorizada, princípios morais são relativizados, crianças são expostas a ideias que confundem sua identidade, e a inversão de valores passa a ser tratada como algo normal. Diante disso, a Igreja não pode escolher o caminho do silêncio.

Jesus declarou: "Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, como lhe restaurar o sabor?" (Mateus 5:13)

O sal existe para impedir a deterioração. Da mesma forma, os cristãos foram chamados para influenciar a sociedade, preservando os princípios de Deus e confrontando aquilo que produz corrupção moral e espiritual.

O Senhor também disse: "Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte." (Mateus 5:14)

A luz não negocia com as trevas; ela as expõe. Por isso, a missão da Igreja não é apenas consolar os aflitos, mas também apontar o caminho da verdade e denunciar aquilo que se opõe à vontade de Deus.

O apóstolo Paulo escreveu: "E não sejais cumplices nas obras infrutíferas das trevas, antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha. Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz.” (Efésios 5:11-13)

O Evangelho acolhe pecadores, pois Cristo veio buscar e salvar os perdidos (Lucas 19:10). Entretanto, acolher o pecador não significa aprovar o pecado. Quando Jesus perdoou a mulher adúltera, também lhe disse: "Vai-te e não peques mais." (João 8:11)

A graça não anula a verdade. O amor de Deus não ignora o erro; ele chama ao arrependimento e à transformação.

A Escritura ainda adverte: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal." (Isaías 5:20)

Quando o certo passa a ser tratado como errado e o errado é celebrado como virtude, o povo de Deus não pode se conformar com a mentalidade dominante.

Ao profeta Ezequiel, o Senhor declarou: "Quando eu disser ao perverso: Certamente morrerás; e tu não o avisares... o seu sangue da tua mão o requererei." (Ezequiel 3:18)

Essa palavra nos lembra que a omissão também produz responsabilidade. O povo de Deus foi chamado para ser testemunha da verdade, não espectador da decadência moral.

Ser cristão não significa tolerar tudo. Significa amar as pessoas sem abrir mão dos princípios das Escrituras. Significa estender a mão ao pecador, mas permanecer firme contra aquilo que destrói a vida e se opõe aos mandamentos de Deus.

A Igreja de Cristo precisa ser uma voz profética, que anuncia a verdade com amor, que se indigna diante da injustiça, que não negocia seus valores e que aponta o caminho da salvação.

Como escreveu o apóstolo Paulo: "Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina." (2 Timóteo 4:2)

Que a Igreja nunca perca o sabor do sal nem esconda a sua luz, mas permaneça fiel à sua missão de proclamar a verdade de Deus em meio às trevas.

 

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