Ao encontrar Deus em Betel,
Jacó viveu uma experiência marcante. Deus lhe fez promessas extraordinárias:
proteção, provisão, companhia e a garantia de que cumpriria tudo o que havia
prometido (Gn 28:13-15). Porém, a resposta imediata de Jacó revela muito
sobre o estado de seu coração naquele momento. Em vez de uma entrega completa,
ele apresentou condições:
"Se Deus for comigo, e
me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me
vista, de maneira que volte em paz para casa de meu pai, então, o Senhor será o
meu Deus" (Gn 28:20-21).
A linguagem de Jacó parece
mais uma negociação do que uma rendição. Ele não disse simplesmente: "Tu
és o meu Deus". Pelo contrário, estabeleceu termos para aceitar plenamente
o Senhor. Em outras palavras, sua devoção estava condicionada aos benefícios
que receberia.
Esse espírito ainda está
presente em muitos ambientes religiosos. Há pessoas que se aproximam de Deus
apenas pelo que podem receber. A oração deixa de ser comunhão e se transforma
em contrato. O dízimo deixa de ser expressão de gratidão e se torna um investimento
em busca de retorno garantido. O serviço cristão passa a depender de cargos,
títulos, reconhecimento ou vantagens pessoais.
Muitos só desejam servir se
houver uma posição de destaque. Outros permanecem fiéis enquanto as bênçãos
chegam, mas se afastam quando enfrentam dificuldades. Nesses casos, a relação
com Deus assume um caráter comercial: eu entrego algo, e Deus me devolve algo
maior. São transações revestidas de linguagem religiosa.
Entretanto, o Evangelho nos
apresenta uma realidade muito diferente. O apóstolo Paulo declarou:
"Sim, deveras considero
tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu
Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para
ganhar a Cristo" (Fp 3:8).
Paulo não servia a Cristo
pelo que poderia receber. Ele havia encontrado algo infinitamente superior a
qualquer benefício terreno: o próprio Cristo. Para ele, conhecer Jesus valia
mais do que prestígio, posição, riquezas ou conquistas pessoais.
A verdadeira fé não
pergunta: "O que Deus pode me dar?". Ela pergunta: "Como posso
glorificar Aquele que já me deu tudo em Cristo?". O verdadeiro discípulo
não segue Jesus por causa dos pães e dos peixes, mas porque reconhece que Ele é
o Senhor.
A jornada de Jacó mostra que
Deus trabalha em pessoas imperfeitas. O homem que começou tentando negociar com
Deus terminou sua vida apoiado em seu cajado, adorando e dependendo
inteiramente do Senhor. Essa também é a transformação que Deus deseja realizar
em nós: tirar-nos de uma fé baseada em interesses e conduzir-nos a uma fé
baseada em amor, gratidão e rendição.
Afinal, quando Cristo se
torna nosso maior tesouro, deixamos de negociar com Deus e começamos a viver
para Ele.



0 comentários:
Postar um comentário
Conteúdo é ideal para leitores cristãos interessados em doutrina, ética ministerial e fidelidade bíblica.