Uma igreja pode estar cheia de pessoas e vazia de discípulos


Vladimir Chaves

Uma igreja pode crescer e continuar rasa por dentro. Pode ter muitos lugares ocupados, muitas atividades acontecendo e, ainda assim, poucos discípulos verdadeiramente formados.

Uma igreja cheia de pessoas não é, necessariamente, uma igreja cheia de discípulos. O auditório cheio mostra quantas pessoas chegaram, mas não revela quantas aprenderam a seguir Jesus, conhecer a Palavra, explicar a própria fé, servir ao próximo, cuidar de alguém e ajudar outros a também seguirem a Cristo.

Jesus ensinou multidões, mas nunca teve como objetivo simplesmente reunir multidões. Ele chamou pessoas para perto, ensinou-as, corrigiu-as, enviou-as e preparou-as para continuar a missão. Por isso, sua ordem foi clara: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19).

O crescimento numérico não é o problema. O problema começa quando o número passa a ser considerado o principal sinal de sucesso. Uma multidão pode encher um templo, mas somente discípulos maduros podem levar o Evangelho adiante.

Paulo orientou Timóteo a fazer justamente isso: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros” (2 Timóteo 2:2). Observe a sequência: Paulo ensinou Timóteo; Timóteo deveria ensinar homens fiéis; e esses homens ensinariam outros. Isso é formação de discípulos.

Também é por isso que Efésios 4:12 fala sobre preparar os santos “para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”. A igreja não deve apenas reunir pessoas para assistir cultos; deve preparar pessoas para servir.

Precisamos, portanto, mudar algumas perguntas. Não perguntar somente: “Quantos vieram?”, mas também: “Quem está sendo formado?”

Não apenas: “Quantas pessoas levantaram a mão?”, “quantos deram glória?” mas: “Quantas estão aprendendo a viver a fé?”

Não apenas: “Quantos estão sentados nos bancos?”, mas: “Quantos estão servindo, cuidando, ensinando e formando outros?”

O verdadeiro crescimento da igreja não aparece apenas na quantidade de pessoas que entram pela porta, mas na qualidade de discípulos que saem por ela para viver e anunciar aquilo que aprenderam.

Jesus não nos chamou simplesmente para fazer admiradores, frequentadores ou espectadores. Ele disse: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos” (João 8:31).

Uma igreja saudável não deve ter medo de multidões, mas também não pode fazer da multidão o seu destino final. Multidões podem encher um auditório; discípulos transformados podem alcançar uma geração.

No fim, talvez a pergunta mais importante não seja: “Quantos temos?”, mas: “Quem estamos formando e quem essa pessoa já começou a formar?”

É nesse processo de ensinar, viver, servir e multiplicar discípulos que o crescimento deixa de ser apenas no número de pessoas e passa a ser em maturidade, conhecimento e semelhança com Cristo.

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