Uma igreja pode crescer e
continuar rasa por dentro. Pode ter muitos lugares ocupados, muitas atividades
acontecendo e, ainda assim, poucos discípulos verdadeiramente formados.
Uma igreja cheia de pessoas
não é, necessariamente, uma igreja cheia de discípulos. O auditório cheio
mostra quantas pessoas chegaram, mas não revela quantas aprenderam a seguir
Jesus, conhecer a Palavra, explicar a própria fé, servir ao próximo, cuidar de
alguém e ajudar outros a também seguirem a Cristo.
Jesus ensinou multidões, mas
nunca teve como objetivo simplesmente reunir multidões. Ele chamou pessoas para
perto, ensinou-as, corrigiu-as, enviou-as e preparou-as para continuar a
missão. Por isso, sua ordem foi clara: “Ide, portanto, fazei discípulos de
todas as nações” (Mateus 28:19).
O crescimento numérico não é
o problema. O problema começa quando o número passa a ser considerado o
principal sinal de sucesso. Uma multidão pode encher um templo, mas somente
discípulos maduros podem levar o Evangelho adiante.
Paulo orientou Timóteo a
fazer justamente isso: “E o que de minha parte ouviste através de muitas
testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir
a outros” (2 Timóteo 2:2). Observe a sequência: Paulo ensinou Timóteo;
Timóteo deveria ensinar homens fiéis; e esses homens ensinariam outros. Isso é
formação de discípulos.
Também é por isso que Efésios
4:12 fala sobre preparar os santos “para a obra do ministério, para
edificação do corpo de Cristo”. A igreja não deve apenas reunir pessoas para
assistir cultos; deve preparar pessoas para servir.
Precisamos, portanto, mudar
algumas perguntas. Não perguntar somente: “Quantos vieram?”, mas também: “Quem
está sendo formado?”
Não apenas: “Quantas pessoas
levantaram a mão?”, “quantos deram glória?” mas: “Quantas estão aprendendo a
viver a fé?”
Não apenas: “Quantos estão
sentados nos bancos?”, mas: “Quantos estão servindo, cuidando, ensinando e
formando outros?”
O verdadeiro crescimento da
igreja não aparece apenas na quantidade de pessoas que entram pela porta, mas
na qualidade de discípulos que saem por ela para viver e anunciar aquilo que
aprenderam.
Jesus não nos chamou
simplesmente para fazer admiradores, frequentadores ou espectadores. Ele disse:
“Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus
discípulos” (João 8:31).
Uma igreja saudável não deve
ter medo de multidões, mas também não pode fazer da multidão o seu destino
final. Multidões podem encher um auditório; discípulos transformados podem
alcançar uma geração.
No fim, talvez a pergunta
mais importante não seja: “Quantos temos?”, mas: “Quem estamos formando e quem
essa pessoa já começou a formar?”
É nesse processo de ensinar,
viver, servir e multiplicar discípulos que o crescimento deixa de ser apenas no
número de pessoas e passa a ser em maturidade, conhecimento e semelhança com
Cristo.



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