Nova criatura ou apenas uma nova aparência?


Vladimir Chaves


E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Coríntios 5:17)

Estar em Cristo não significa apenas mudar alguns hábitos, frequentar uma igreja ou aprender uma nova linguagem religiosa. Paulo fala de algo muito mais profundo: uma transformação que começa no interior e alcança a maneira de pensar, escolher e viver.

“As coisas antigas já passaram” não significa que o passado foi apagado da memória ou que o cristão nunca mais errará. Significa que aquilo que antes governava sua vida não deve continuar governando. O pecado pode ainda ser uma luta, mas já não pode ser tratado como senhor.

É justamente aqui que a verdadeira transformação se distingue da aparência religiosa. É possível conhecer doutrinas, decorar versículos, defender costumes e ainda permanecer preso às mesmas atitudes, ao orgulho, à falta de perdão, à mentira e à resistência à verdade.

Ser nova criatura não é tornar-se perfeito de um dia para o outro. É passar a viver sob uma nova direção. Quem está em Cristo começa a abandonar aquilo que antes justificava e passa a confrontar em si mesmo aquilo que a Palavra de Deus condena.

A nova vida também produz discernimento. O cristão não precisa aceitar tudo simplesmente porque alguém religioso afirmou. A própria Escritura ensina: “Examinai tudo. Retende o bem.” (1 Tessalonicenses 5:21). A fé verdadeira não teme a verdade, não foge do questionamento sincero e não precisa de manipulação para permanecer de pé.

Cristo não veio apenas reformar a velha criatura. Ele veio fazer novas todas as coisas. Por isso, a pergunta mais séria não é quanto tempo alguém está dentro de uma igreja, mas quanto da velha vida ainda continua sendo defendido, alimentado e preservado.

Quem está em Cristo não vive de aparência nova sobre uma vida antiga. Vive uma nova realidade produzida por Cristo.

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