“Para liberdade foi que
Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a
jugo de escravidão.” Gálatas 5:1
Paulo deixa claro que Cristo
não veio apenas para mudar o destino eterno do homem, mas para libertá-lo de
toda forma de escravidão espiritual. E isso nos leva a uma questão séria: é
possível estar dentro de uma religião e continuar preso.
O sistema religioso pode
transformar a fé em regras, a santidade em aparência e o relacionamento com
Deus em uma busca constante pela aprovação dos homens. A pessoa deixa de viver
pela graça e passa a viver pelo medo de não cumprir exigências, tradições e
padrões impostos por outros.
O Evangelho, porém, não
chama para a escravidão religiosa. Chama para a liberdade em Cristo.
Essa liberdade não significa
licença para pecar. Significa não viver dominado pelo pecado, pela culpa, pelo
medo ou pela necessidade de conquistar a aprovação de Deus por méritos humanos.
Existe, porém, uma prisão
religiosa ainda mais sutil: quando questionar, examinar e pensar biblicamente
passa a ser tratado como falta de espiritualidade.
Há religiosos que, quando
alguém questiona uma tradição ou uma imposição, em vez de responderem pela
Palavra, atacam a pessoa: dizem que ela é rebelde, carnal, que não é espiritual
ou até que nunca foi verdadeiramente convertida. Depois, procuram colocar toda
a comunidade contra aquele que ousou examinar.
Mas a Bíblia diz: “Examinai
tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).
Examinar não é rebeldia.
Questionar não é falta de fé. Discordar de uma tradição humana não significa
rejeitar Cristo. A verdade não precisa ter medo de ser examinada.
O problema começa quando
homens colocam suas interpretações, costumes e regras no mesmo nível da Palavra
de Deus. Nesse momento, a fé deixa de apontar para Cristo e passa a exigir
submissão ao sistema.
Cristo não nos libertou para
sermos escravos do mundo, nem para sermos escravos da religião. Ele nos
libertou para pertencermos a Deus.
“Se, pois, o Filho vos
libertar, verdadeiramente sereis livres.” João 8:36
Não fomos libertos para
viver sem Cristo, mas para viver em Cristo. Não fomos libertos da santidade,
mas do legalismo que transforma a santidade em instrumento de controle.
Por isso, permaneçamos
firmes. A igreja deve conduzir pessoas a Cristo, não aprisioná-las em homens,
tradições e imposições.
Cristo não morreu para criar
prisioneiros religiosos. Morreu para libertar pecadores.
A cruz não é uma nova
corrente. É o lugar onde as correntes são quebradas.
O cristão precisa discernir
quando a fé está sendo substituída por formalismo, quando a graça está sendo
substituída por cobrança, quando a Palavra está sendo substituída por tradições
humanas e quando Cristo está sendo colocado em segundo plano para que um
sistema religioso ocupe o centro.


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