A liberdade do Evangelho e a prisão do sistema religioso


Vladimir Chaves

“Para liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.”  Gálatas 5:1

Paulo deixa claro que Cristo não veio apenas para mudar o destino eterno do homem, mas para libertá-lo de toda forma de escravidão espiritual. E isso nos leva a uma questão séria: é possível estar dentro de uma religião e continuar preso.

O sistema religioso pode transformar a fé em regras, a santidade em aparência e o relacionamento com Deus em uma busca constante pela aprovação dos homens. A pessoa deixa de viver pela graça e passa a viver pelo medo de não cumprir exigências, tradições e padrões impostos por outros.

O Evangelho, porém, não chama para a escravidão religiosa. Chama para a liberdade em Cristo.

Essa liberdade não significa licença para pecar. Significa não viver dominado pelo pecado, pela culpa, pelo medo ou pela necessidade de conquistar a aprovação de Deus por méritos humanos.

Existe, porém, uma prisão religiosa ainda mais sutil: quando questionar, examinar e pensar biblicamente passa a ser tratado como falta de espiritualidade.

Há religiosos que, quando alguém questiona uma tradição ou uma imposição, em vez de responderem pela Palavra, atacam a pessoa: dizem que ela é rebelde, carnal, que não é espiritual ou até que nunca foi verdadeiramente convertida. Depois, procuram colocar toda a comunidade contra aquele que ousou examinar.

Mas a Bíblia diz: “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).

Examinar não é rebeldia. Questionar não é falta de fé. Discordar de uma tradição humana não significa rejeitar Cristo. A verdade não precisa ter medo de ser examinada.

O problema começa quando homens colocam suas interpretações, costumes e regras no mesmo nível da Palavra de Deus. Nesse momento, a fé deixa de apontar para Cristo e passa a exigir submissão ao sistema.

Cristo não nos libertou para sermos escravos do mundo, nem para sermos escravos da religião. Ele nos libertou para pertencermos a Deus.

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.”  João 8:36

Não fomos libertos para viver sem Cristo, mas para viver em Cristo. Não fomos libertos da santidade, mas do legalismo que transforma a santidade em instrumento de controle.

Por isso, permaneçamos firmes. A igreja deve conduzir pessoas a Cristo, não aprisioná-las em homens, tradições e imposições.

Cristo não morreu para criar prisioneiros religiosos. Morreu para libertar pecadores.

A cruz não é uma nova corrente. É o lugar onde as correntes são quebradas.

O cristão precisa discernir quando a fé está sendo substituída por formalismo, quando a graça está sendo substituída por cobrança, quando a Palavra está sendo substituída por tradições humanas e quando Cristo está sendo colocado em segundo plano para que um sistema religioso ocupe o centro.

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