A Bíblia está presente em todas as igrejas, mas isso não significa que a Palavra de Deus
esteja ocupando o lugar que deveria ocupar. Há templos onde a programação é
intensa, os eventos se multiplicam, as atividades se sucedem e os cultos são
cuidadosamente organizados; mas o ensino das Escrituras recebe cada vez menos
espaço.
Essa inversão precisa ser
questionada.
Em muitas congregações, o
culto que deveria conduzir o povo à adoração, ao conhecimento de Deus, ao
arrependimento e à transformação pela Palavra acaba sendo preenchido por uma
sequência de apresentações, anúncios, homenagens, campanhas, eventos e outras
atividades. Não que essas coisas sejam necessariamente erradas. O problema
começa quando aquilo que é secundário passa a ocupar o espaço daquilo que é
essencial.
A Palavra não pode ser
apenas uma parte da programação. Ela precisa ser o fundamento da programação.
O autor de Hebreus apresenta
uma advertência que merece ser levada muito a sério:
“Pois, com efeito, quando
devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente,
necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios
elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de
leite e não de alimento sólido.” Hebreus 5:12
E acrescenta: “...vos tendes
tornado tardios para ouvir...” Hebreus 5:11
A expressão é significativa:
“tardios para ouvir”.
O problema não era falta de
tempo, nem ausência da Palavra. O problema era a negligência em ouvi-la e
amadurecer por meio dela.
Isso também pode acontecer
dentro da igreja. Uma pessoa pode frequentar cultos durante anos, participar de
congressos, conferências, encontros e eventos, mas continuar sem conhecimento
suficiente das Escrituras. Pode estar sempre presente na igreja e, ainda assim,
permanecer espiritualmente imatura.
Hebreus 5:13-14
mostra justamente essa diferença entre imaturidade e maturidade espiritual. O
autor relaciona o crescimento do cristão ao conhecimento e à prática da
“palavra da justiça”, mostrando que o discernimento é desenvolvido pelo
exercício.
Sem conhecimento da Palavra,
como o cristão poderá discernir?
Como reconhecerá um falso
ensino?
Como saberá quando uma
doutrina contradiz as Escrituras?
Como distinguirá a vontade
de Deus das opiniões humanas?
Como poderá obedecer a
aquilo que não conhece?
Hebreus 2:1
acrescenta: “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às
verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos”
A advertência é clara: a
negligência em ouvir pode levar ao desvio.
Por isso, reduzir o ensino
bíblico não é uma questão meramente de organização do culto. É uma questão
espiritual.
Quando a Palavra recebe
pouco espaço, o cristão perde oportunidades de conhecer mais profundamente a
Deus, compreender a doutrina, reconhecer o pecado, desenvolver discernimento e
fortalecer sua fé.
Hebreus 4:2
afirma: “Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com
eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido
acompanhada pela fé naqueles que a ouviram.”
Não basta ouvir a Palavra. É
necessário recebê-la com fé e obedecê-la.
E Hebreus 4:12 revela
por que a Escritura não pode ser tratada como um simples complemento do culto: “Porque
a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de
dois gumes...”
É a Palavra que confronta o
pecado, corrige o erro, revela o coração, produz arrependimento e conduz o
homem à verdade.
Por isso, não há evento que
possa substituir a exposição das Escrituras.
Não há apresentação que
substitua o ensino.
Não há entretenimento que
produza o mesmo efeito da Palavra.
Não há programação que possa
ocupar o lugar daquilo que Deus determinou para ensinar, corrigir, repreender e
instruir o seu povo.
Paulo escreveu: “Toda a
Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para repreensão, para
correção, para a educação na justiça.” 2 Timóteo 3:16
Isso não significa que
eventos, música, comunhão ou atividades sejam inúteis. Eles podem ter seu
lugar. A questão é outra: o que está no centro?
Quando o secundário toma o
lugar do essencial, a igreja pode continuar movimentada, mas o povo deixa de
crescer na mesma proporção.
Uma agenda cheia não é prova de maturidade espiritual.
Um templo cheio não é
necessariamente sinal de conhecimento bíblico.
Uma grande quantidade de
eventos não significa, por si só, uma igreja forte.
A verdadeira maturidade
aparece quando homens e mulheres conhecem a Palavra, discernem o erro, rejeitam
o pecado e vivem em obediência a Cristo.
É exatamente por isso que
Hebreus 3:7-8 diz: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos
corações...”
Deus continua falando. A
questão é se estamos dispostos a ouvir.
A igreja precisa recuperar a
centralidade das Escrituras.
Não para abandonar a
adoração, a comunhão ou as atividades, mas para colocar cada coisa no seu
devido lugar.
Menos superficialidade. Mais
ensino.
Menos distração. Mais
Escritura.
Menos preocupação em
preencher a agenda. Mais compromisso em formar discípulos.
Porque uma igreja ocupada
pode produzir espectadores.
Mas uma igreja fundamentada
na Palavra produz discípulos.
E discípulos que conhecem a
Palavra estão mais preparados para permanecer firmes, discernir o erro e
obedecer a Deus.


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