Ouvir a Palavra de Deus não basta


Vladimir Chaves

Os judeus de Roma conheciam o cristianismo, mas ainda não haviam recebido de Jerusalém uma comunicação oficial a respeito de Paulo. Quando ele chegou, portanto, havia perguntas e incertezas. Mas o problema decisivo não estava na falta de informação. Estava na resposta que dariam à Palavra.

Paulo lhes anunciou o Evangelho e apresentou Cristo. Eles ouviram. Foram confrontados com a verdade. Contudo, ouvir não significa aceitar, e conhecer a mensagem não significa submeter-se a ela.

Por isso, Paulo recorre a Isaías 6.9-10: “Então, disse ele: vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo”.

Ele mostra que aquela resistência não era algo novo. O próprio Espírito Santo já havia anunciado em Isaías 6.9-10 que haveria pessoas que ouviriam sem compreender, veriam sem perceber e endureceriam o coração diante da revelação de Deus.

Aqui está uma verdade que não pode ser suavizada: o homem é responsável pela maneira como responde à Palavra que recebe.

Não podemos atribuir nossa desobediência à falta de conhecimento quando Deus já falou claramente. Não é falta de luz quando a Palavra foi ouvida, mas o coração decidiu permanecer nas trevas. Não é ausência de direção quando Deus revelou o caminho, mas resistência em segui-lo.

Ao mesmo tempo, a rejeição humana não altera a soberania de Deus. Alguns recusaram, mas o propósito de Deus continuou avançando: “Tomai, pois, conhecimento esta salvação de Deus foi enviada aos gentios.  E eles a ouvirão” (At 28.28).

Essa é a tensão que a Escritura mantém sem tentar eliminá-la: Deus permanece soberano, e o homem continua responsável. A soberania de Deus não transforma a desobediência humana em inocência; e a responsabilidade humana não coloca Deus fora do controle da história.

Portanto, o problema não é apenas se ouvimos a Palavra. A pergunta mais séria é: o que fazemos depois de ouvi-la?

A Palavra confronta, corrige, chama ao arrependimento e exige uma resposta. Podemos ouvi-la e continuar iguais. Podemos conhecer a verdade e insistir no erro. Podemos frequentar ambientes onde a Bíblia é ensinada e, ainda assim, resistir ao que Deus está dizendo.

No fim, não seremos confrontados apenas com aquilo que ouvimos, mas também com a maneira como respondemos ao que ouvimos.

Deus fala. O homem responde. E, enquanto alguns rejeitam, o propósito de Deus continua avançando.

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