Os judeus de Roma conheciam
o cristianismo, mas ainda não haviam recebido de Jerusalém uma comunicação
oficial a respeito de Paulo. Quando ele chegou, portanto, havia perguntas e
incertezas. Mas o problema decisivo não estava na falta de informação. Estava
na resposta que dariam à Palavra.
Paulo lhes anunciou o
Evangelho e apresentou Cristo. Eles ouviram. Foram confrontados com a verdade.
Contudo, ouvir não significa aceitar, e conhecer a mensagem não significa
submeter-se a ela.
Por isso, Paulo recorre a Isaías
6.9-10: “Então, disse ele: vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não
entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste
povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, a ouvir com os ouvidos e a
entender com o coração, e se converta, e seja salvo”.
Ele mostra que aquela
resistência não era algo novo. O próprio Espírito Santo já havia anunciado em Isaías
6.9-10 que haveria pessoas que ouviriam sem compreender, veriam sem
perceber e endureceriam o coração diante da revelação de Deus.
Aqui está uma verdade que
não pode ser suavizada: o homem é responsável pela maneira como responde à
Palavra que recebe.
Não podemos atribuir nossa
desobediência à falta de conhecimento quando Deus já falou claramente. Não é
falta de luz quando a Palavra foi ouvida, mas o coração decidiu permanecer nas
trevas. Não é ausência de direção quando Deus revelou o caminho, mas resistência
em segui-lo.
Ao mesmo tempo, a rejeição
humana não altera a soberania de Deus. Alguns recusaram, mas o propósito de
Deus continuou avançando: “Tomai, pois, conhecimento esta salvação de Deus foi
enviada aos gentios. E eles a ouvirão” (At
28.28).
Essa é a tensão que a
Escritura mantém sem tentar eliminá-la: Deus permanece soberano, e o homem
continua responsável. A soberania de Deus não transforma a desobediência humana
em inocência; e a responsabilidade humana não coloca Deus fora do controle da
história.
Portanto, o problema não é
apenas se ouvimos a Palavra. A pergunta mais séria é: o que fazemos depois de
ouvi-la?
A Palavra confronta,
corrige, chama ao arrependimento e exige uma resposta. Podemos ouvi-la e
continuar iguais. Podemos conhecer a verdade e insistir no erro. Podemos
frequentar ambientes onde a Bíblia é ensinada e, ainda assim, resistir ao que
Deus está dizendo.
No fim, não seremos
confrontados apenas com aquilo que ouvimos, mas também com a maneira como
respondemos ao que ouvimos.
Deus fala. O homem responde.
E, enquanto alguns rejeitam, o propósito de Deus continua avançando.


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