Poucos temas bíblicos
revelam tão claramente a profundidade da condição humana e a grandeza da obra
de Cristo quanto a justificação. Para compreendê-la, é preciso antes encarar
nossa realidade espiritual: todos pecaram e estão destituídos da glória de
Deus (Rm 3:23). Diante do tribunal divino, todo ser humano é réu,
culpado, sem defesa possível.
A lei não foi dada para
salvar, mas para expor o pecado. Por isso, qualquer tentativa de se justificar
por obras, moralidade ou religiosidade fracassa inevitavelmente. A necessidade
da justificação nasce do fato de que ninguém consegue alcançar justiça diante
de Deus por si mesmo.
Deus é perfeitamente justo e
santo. Isso significa que Ele não pode agir como um juiz corrupto que fecha os
olhos diante de um crime. Ignorar o pecado seria negar sua própria natureza.
Sua justiça exige que a culpa seja punida: “o salário do pecado é a morte”
(Rm 6:23).
Se Deus punisse cada pecador conforme merece, ninguém seria salvo. Mas se simplesmente absolvesse sem punição, deixaria de ser justo. É nesse ponto que a justificação se apresenta como o coração do plano de salvação.
Cristo, o fundamento da
justificação
A resposta divina ao dilema
foi enviar o Filho. Jesus viveu sem pecado, cumpriu toda a lei, e
voluntariamente tomou sobre si a condenação que nos cabia. Na cruz, Ele não
apenas morreu fisicamente: Ele assumiu sobre si a ira divina destinada à
humanidade caída. Como escreveu Isaías: “o castigo que nos traz a paz estava
sobre Ele” (Is 53:5).
Paulo resume esse mistério
com clareza: “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós,
para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21). Em Cristo, a
justiça de Deus não é anulada, mas plenamente satisfeita. E, ao mesmo tempo, a graça
é revelada em sua forma mais pura.
Graça, não é mérito
A justificação não é uma
conquista humana. Não depende de boas obras, disciplina moral ou esforços
religiosos. É dom gratuito, fruto exclusivo da graça divina: “pela graça
sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2:8-9).
A graça não ignora a
justiça, mas a cumpre em Cristo. A punição foi aplicada, mas não sobre nós, e
sim sobre o Filho. Essa é a essência da justificação: Deus nos declara justos
porque alguém pagou em nosso lugar.
A fé
Se a justificação é obra de
Deus, como ela chega até nós? Pela fé. Mas é importante compreender: não somos
justificados pela intensidade da nossa fé, mas pelo objeto dela. Não é a força
do crer que salva, mas Aquele em quem cremos. A fé é o canal pelo qual
recebemos a justiça imputada de Cristo.
Assim, a justificação é o
ponto de encontro entre a justiça rígida de Deus e a sua graça abundante. E
somente em Cristo esse encontro se torna possível.
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