A igreja evangélica vem
enfrentado um dilema silencioso e perigoso: Pois o louvor se tornou, em muitos
lugares, decoração de culto ou preenchimento do tempo. Bonito, emocionante, mas
vazio de propósito. Canta-se muito, mas proclama-se pouco. O que deveria ser
testemunho vivo do Evangelho frequentemente se reduz a uma lista aleatória de
músicas, selecionadas sem critério, sem direção bíblica e sem a clareza do
porquê.
O salmista nos alerta:
“Louvai ao Senhor, invocai o
seu nome; fazei conhecidas as suas obras entre os povos. Cantai-lhe, cantai-lhe
salmos; falai de todas as suas maravilhas.” (Salmo 105:1-2)
Se o louvor não narra a
história de Deus e não aponta para a obra de Cristo, torna-se apenas som. A
congregação canta, mas não é edificada; repete versos, mas não contempla o
Evangelho.
O perigo das preferências pessoais
Quando não olhamos para a
Escritura, escolhemos músicas que agradam ao nosso gosto musical, à moda do
momento ou, em contrapartida, nos prendemos ao legalismo da tradição, cantando
sempre as mesmas canções, sem reflexão. O resultado é um culto moldado por
conveniências humanas, não pela Palavra.
Isaías já denunciava esse
culto aparente, mas vazio:
“Este povo se aproxima de
mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe
de mim.” (Isaías 29:13)
Não basta saber cantar, ter
técnica ou popularidade. Se o coração não aponta para Cristo, tudo não passa de
performance religiosa.
Uma igreja sem direção
Um louvor sem propósito é
como uma bússola quebrada: até pode se movimentar, mas não indica o caminho
certo. Hebreus lembra que o verdadeiro louvor nasce do sacrifício
espiritual e da confissão de fé:
“Por meio dele, pois,
ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que
confessam o seu nome.” (Hebreus 13:15)
Quando o repertório não
conduz a igreja ao reconhecimento de Cristo, cria-se uma comunidade que canta
muito, mas caminha sem direção.
Tradição e popularidade não são
critérios
Outra armadilha comum é o
costume de cantar “o que sempre cantamos” ou simplesmente aderir ao que é
popular no meio gospel. Mas tradição e popularidade não são critérios de
adoração. O chamado de Pedro é outro:
“Vós, porém, sois geração
eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a
fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz.” (1 Pedro 2:9)
Se nossa música não proclama
as virtudes de Deus, não cumpre sua missão.
As disputas absurdas entre líderes
O cenário se agrava quando o
louvor deixa de ser serviço a Deus e se transforma em arena de vaidades. Não
são poucas as igrejas marcadas por disputas entre líderes de ministério,
vocalistas e músicos que disputam espaço, microfone e prestígio. Alguns brigam
para “aparecer mais”, outros competem por quem escolhe as músicas ou quem tem
mais influência sobre a congregação.
Essas disputas absurdas
revelam um problema ainda mais profundo: o coração que busca palco e não cruz,
reconhecimento humano e não a glória de Deus. Nesse contexto, até chamamos de
louvor, mas muitas vezes o que oferecemos é apenas alimento para o nosso próprio
ego.
O louvor que conta a história
de Deus
O louvor verdadeiro não é
sobre nós. Ele não existe para massagear nossos sentimentos ou agradar nosso
paladar espiritual. Ele é testemunho da salvação e participação na obra do
Senhor. O Salmo 96 nos convida a um cântico novo, não no sentido de
novidade musical, mas de renovação da mensagem que aponta para Cristo:
“Cantai ao Senhor um cântico
novo; cantai ao Senhor, todas as terras. Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome;
anunciai a sua salvação dia após dia.” (Salmo 96:1-2)
Cantar sem refletir é
perigoso, porque molda uma fé superficial. Mas cantar com consciência,
proclamando o Evangelho, molda uma comunidade que aprende a viver em adoração.
Um chamado à reflexão
Se o louvor que entoamos não
conduz a igreja ao Evangelho, estamos apenas embelezando o culto com melodias
passageiras. Se músicos e líderes se consomem em disputas por palco e
influência, estamos proclamando a nós mesmos, não a Cristo.
A grande questão que fica é:
O que nossa igreja tem
cantado aponta para Cristo ou para o ego humano?
Nosso louvor tem ensinado a
congregação a viver o Evangelho, ou apenas preenchido o silêncio com belas
canções?
Estamos cultivando
adoradores ou apenas formando plateias?
Enquanto essas perguntas não
forem respondidas à luz da Escritura, seguiremos correndo o risco de chamar de
“louvor” aquilo que, na verdade, não passa de entretenimento religioso.
Somos chamado a viver e
falar a verdade, mesmo que isso cause desconforto.
“Eis as coisas que deveis fazer:
Falai a verdade cada um com o seu companheiro; executai juízo de verdade e de
paz nas vossas portas.” Zacarias 8:16
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