Pregar a Palavra a tempo e fora de tempo


Vladimir Chaves

Muitos se calam diante das pressões sociais, políticas e até religiosas. Falar de fé tornou-se, para alguns, “fora de moda” ou até motivo de perseguição. Mas o conselho de Paulo a Timóteo permanece como um chamado urgente: “Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo” (2Tm 4:2).

Essa ordem confronta nossa tendência natural de só abrir a boca quando nos sentimos seguros, aceitos ou apoiados. Pregar “a tempo” é fácil. Mas e “fora de tempo”? É aí que se prova a fidelidade.

O cristianismo contemporâneo, em boa parte, corre o risco de se tornar um evangelho de conveniência. Prega-se quando agrada, quando o auditório aplaude, quando há benefícios. Mas quando a mensagem bíblica confronta o pecado, quando chama à responsabilidade, quando exige renúncia… o silêncio parece mais confortável.

Paulo já previa essa crise: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina” (2Tm 4:3). O problema não é apenas a resistência do mundo, mas também a omissão de quem deveria anunciar a verdade.

Pregadores, líderes e cristãos comuns precisam entender: o evangelho nunca será totalmente “bem-vindo” num mundo que prefere a escuridão à luz. O chamado para pregar “fora de tempo” é, na prática, um convite à coragem. É falar quando o discurso dominante diz para calar. É permanecer firme quando tudo ao redor grita por relativismo.

Pregar a Palavra, em qualquer tempo, é mais do que falar em púlpitos. É testemunhar com integridade no trabalho, na família, na política, nas redes sociais. É resistir à tentação de suavizar o evangelho para torná-lo “aceitável”. A verdade de Cristo não precisa de maquiagem.

Pregar a Palavra a tempo e fora de tempo é um ato de obediência radical. É afirmar que a mensagem de Cristo não está condicionada às circunstâncias. É entender que o evangelho é urgente demais para ser silenciado.

Em dias de discursos vazios, hipócritas e de verdades descartáveis, ousar anunciar a Palavra é, talvez, o maior ato de rebeldia santa que podemos praticar.

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