Obediência que nasce da fé, não da religião


Vladimir Chaves

A história de Abraão nos ajuda a compreender, com muita clareza, o tipo de obediência que Deus espera do cristão; uma obediência que nasce da fé e do relacionamento com Ele, e não da submissão cega a regras humanas ou tradições religiosas.

Quando Deus chamou Abrão, Ele não apresentou um mapa, nem deu explicações detalhadas. Apenas chamou. E Abrão respondeu. Pela fé, saiu de sua terra, deixou sua segurança e caminhou rumo a um destino que não conhecia. Essa atitude revela que obedecer a Deus é confiar nEle acima da lógica, do conforto e das certezas humanas.

Abrão não conhecia a definição bíblica de fé que hoje encontramos em Hebreus 11.1, mas viveu essa fé na prática. Ele não sabia como seria sua vida naquela terra desconhecida, mas sabia quem era o Deus que o estava chamando. Isso fez toda a diferença.

No entanto, a Palavra também nos mostra que obediência parcial não é obediência completa. Deus havia ordenado que Abrão deixasse sua terra e sua parentela, mas ele permitiu que Ló o acompanhasse. Mais tarde, essa decisão gerou conflitos e dificuldades. O texto nos alerta: sempre que escolhemos adaptar a vontade de Deus à nossa conveniência, acabamos colhendo problemas.

Outro detalhe importante é que Deus não conduziu Abrão diretamente ao destino final. Antes de chegar a Canaã, ele passou por Harã. Esse tempo não foi perdido. Pelo contrário, foi um período de preparo, amadurecimento e formação de caráter. A obediência verdadeira aceita os processos de Deus, mesmo quando parecem atrasos aos nossos olhos.

Aqui está um ponto crucial para os nossos dias:

Deus não busca uma obediência meramente externa, ritualística ou religiosa. A Bíblia deixa claro que Ele rejeita o serviço apenas da boca para fora, quando o coração está distante. O Senhor prefere um coração obediente a sacrifícios vazios, como bem declarou o profeta Samuel: “Obedecer é melhor do que sacrificar”.

Muitos hoje confundem obediência a Deus com obediência irrestrita a homens, sistemas ou regras religiosas que, muitas vezes, não têm base bíblica sólida. A Escritura nos ensina que a obediência que agrada a Deus não é submissão a tradições humanas, mas alinhamento sincero à Sua vontade revelada.

No Novo Testamento, essa obediência ganha um foco ainda mais claro: obedecer a Jesus Cristo. Não se trata mais de cumprir a Lei como um código frio, mas de seguir a Cristo em fé, amor e verdade. É uma obediência que nasce do relacionamento, não do medo; do coração transformado, não da imposição religiosa.

Assim como Abraão, o cristão é chamado a obedecer mesmo sem ter todas as respostas. É essa obediência (simples, profunda e sincera) que Deus continua esperando do Seu povo hoje.

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