A história de Abraão nos
ajuda a compreender, com muita clareza, o tipo de obediência que Deus espera do
cristão; uma obediência que nasce da fé e do relacionamento com Ele, e não da
submissão cega a regras humanas ou tradições religiosas.
Quando Deus chamou Abrão,
Ele não apresentou um mapa, nem deu explicações detalhadas. Apenas chamou. E
Abrão respondeu. Pela fé, saiu de sua terra, deixou sua segurança e caminhou
rumo a um destino que não conhecia. Essa atitude revela que obedecer a Deus é
confiar nEle acima da lógica, do conforto e das certezas humanas.
Abrão não conhecia a
definição bíblica de fé que hoje encontramos em Hebreus 11.1, mas viveu essa fé
na prática. Ele não sabia como seria sua vida naquela terra desconhecida, mas
sabia quem era o Deus que o estava chamando. Isso fez toda a diferença.
No entanto, a Palavra também
nos mostra que obediência parcial não é obediência completa. Deus havia
ordenado que Abrão deixasse sua terra e sua parentela, mas ele permitiu que Ló
o acompanhasse. Mais tarde, essa decisão gerou conflitos e dificuldades. O
texto nos alerta: sempre que escolhemos adaptar a vontade de Deus à nossa
conveniência, acabamos colhendo problemas.
Outro detalhe importante é
que Deus não conduziu Abrão diretamente ao destino final. Antes de chegar a
Canaã, ele passou por Harã. Esse tempo não foi perdido. Pelo contrário, foi um
período de preparo, amadurecimento e formação de caráter. A obediência verdadeira
aceita os processos de Deus, mesmo quando parecem atrasos aos nossos olhos.
Aqui está um ponto crucial
para os nossos dias:
Deus não busca uma
obediência meramente externa, ritualística ou religiosa. A Bíblia deixa claro
que Ele rejeita o serviço apenas da boca para fora, quando o coração está
distante. O Senhor prefere um coração obediente a sacrifícios vazios, como bem
declarou o profeta Samuel: “Obedecer é melhor do que sacrificar”.
Muitos hoje confundem
obediência a Deus com obediência irrestrita a homens, sistemas ou regras
religiosas que, muitas vezes, não têm base bíblica sólida. A Escritura nos
ensina que a obediência que agrada a Deus não é submissão a tradições humanas,
mas alinhamento sincero à Sua vontade revelada.
No Novo Testamento, essa
obediência ganha um foco ainda mais claro: obedecer a Jesus Cristo. Não se
trata mais de cumprir a Lei como um código frio, mas de seguir a Cristo em fé,
amor e verdade. É uma obediência que nasce do relacionamento, não do medo; do
coração transformado, não da imposição religiosa.
Assim como Abraão, o cristão
é chamado a obedecer mesmo sem ter todas as respostas. É essa obediência (simples,
profunda e sincera) que Deus continua esperando do Seu povo hoje.



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