Todos na vinha, todos pela graça


Vladimir Chaves

Na parábola dos trabalhadores na vinha (Mateus 20:1-16), Jesus nos convida a olhar para o Reino de Deus com novos olhos. Um dono sai cedo para chamar trabalhadores, mas não para por aí. Ele volta outras vezes ao longo do dia e continua chamando. Até no fim da tarde, quando quase não há mais tempo de trabalho, ele ainda encontra pessoas paradas e as convida para a vinha.

Isso nos ensina que Deus nunca desiste de chamar. Não importa se alguém começou a servi-lo cedo ou se só ouviu sua voz mais tarde na vida. O chamado é o mesmo, e a porta continua aberta.

No final do dia, todos recebem o mesmo pagamento. Para alguns, isso parece injusto. Para Deus, é graça. O dono não tirou nada de quem trabalhou mais; ele apenas decidiu ser bondoso com quem chegou depois. A insatisfação não nasceu da injustiça, mas da comparação. Quando olhamos para o que o outro recebeu, esquecemos de agradecer pelo que já temos.

Essa parábola confronta o coração humano. Muitas vezes achamos que o tempo de serviço, o esforço ou a posição nos tornam mais merecedores. Mas no Reino de Deus, ninguém entra por merecimento. Todos entram pela graça. O “denário” não é salário por esforço; é presente de amor.

Jesus nos lembra que servir a Deus não é uma competição. Não há primeiros e últimos quando o assunto é salvação. O que há é um Pai generoso, que cumpre suas promessas e se alegra em acolher todos os que respondem ao seu chamado.

Ao final, a pergunta que fica não é “quanto o outro recebeu?”, mas: sou grato por estar na vinha? Quem entende a graça aprende a se alegrar, não a reclamar. Aprende a servir por amor, não por recompensa.

No Reino de Deus, os últimos podem ser primeiros, e os primeiros precisam aprender a ser humildes. Porque tudo começa, continua e termina na bondade de Deus.

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