O lamento de Jesus sobre Jerusalém


Vladimir Chaves

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e não quiseste! Eis que a vossa casa ficará deserta. Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor! ” Mateus 23:37–39

Jesus estava em Jerusalém. A cidade santa, o centro da fé, o lugar do templo e das promessas. Ali haviam sido proclamadas as Escrituras, ensinada a Lei e enviados os profetas. Mesmo assim, foi ali que muitos rejeitaram a voz de Deus. Diante dessa realidade, Jesus não grita, não acusa com dureza; Ele lamenta.

“Jerusalém, Jerusalém… quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e não quiseste.”

Essas palavras revelam um coração ferido pelo amor recusado. O problema não era a ausência de Deus, mas a resistência do povo em se deixar alcançar por Ele.

A imagem usada por Jesus é simples e profunda. A galinha abre as asas para proteger os pintinhos do perigo, do frio e dos predadores. Assim é o cuidado de Deus: próximo, constante e cheio de compaixão. O abrigo estava disponível, mas muitos escolheram ficar fora dele.

Jerusalém simboliza um povo religioso, conhecedor da Lei, mas endurecido espiritualmente. Conheciam as Escrituras, mas não reconheceram o cumprimento delas em Cristo. Isso nos ensina que informação espiritual não substitui um coração quebrantado.

O lamento de Jesus também traz um alerta. Quando a graça é rejeitada repetidas vezes, chega o momento em que Deus permite que o homem colha as consequências de suas escolhas. “Vossa casa ficará deserta” não é uma ameaça vazia, mas o resultado de uma separação voluntária entre o homem e Deus.

Mesmo assim, o texto não termina sem esperança. Jesus aponta para um futuro em que ainda haverá reconhecimento e restauração. O lamento não fecha portas; ele revela que o amor de Deus permanece, mesmo diante da rejeição.

Hoje, esse lamento ecoa para todos nós. Cristo continua abrindo os braços, oferecendo refúgio, perdão e salvação. A pergunta que permanece não é se Deus quer nos acolher, mas se estamos dispostos a ir para debaixo de suas asas.

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