Paulo encontrou em Corinto
uma igreja que possuía dons, conhecimento e vida comunitária, mas ainda
apresentava um problema sério: seus membros estavam divididos em torno de
líderes. Uns diziam ser de Paulo, outros de Apolo. A igreja estava olhando para
os homens como se eles fossem o centro da fé. (1 Coríntios 3: 1-9)
Por isso Paulo os chama de
“carnais”. Não porque lhes faltasse religião, mas porque sua maneira de pensar
e agir ainda era marcada pela disputa, pela preferência pessoal e pela
imaturidade espiritual.
Esse problema continua
atual. É possível frequentar uma igreja, conhecer a Bíblia, participar de
ministérios e, ainda assim, colocar homens em um lugar que pertence somente a
Cristo. Quando nossa fé começa a depender mais de quem prega do que daquele que
é pregado, alguma coisa está fora do lugar.
Paulo corrige essa visão
dizendo: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus.” (1 Coríntios
3:6)
Uma frase simples e
profunda. Cada servo tem sua função, mas nenhum servo ocupa o lugar de Deus.
Paulo plantou. Apolo regou.
Outros poderiam continuar trabalhando. Mas o crescimento não estava nas mãos
deles. A obra pertencia a Deus.
Isso nos ensina a valorizar
aqueles que trabalham no Reino sem transformá-los em donos da obra. Pastor,
pregador, professor, evangelista e líder são instrumentos. Podem ensinar,
orientar, cuidar e servir, mas somente Deus transforma vidas.
A igreja não deve ser
construída em torno de personalidades. Quando um líder se torna mais importante
que a mensagem de Cristo, surgem partidos, comparações e disputas. A comunhão
dá lugar à competição.
Paulo vai ainda mais longe:
“Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós.”
(1 Coríntios 3:9)
A igreja pertence a Deus. Os
trabalhadores pertencem a Deus. E o resultado do trabalho também pertence a
Deus.
Isso muda nossa maneira de
servir. Não precisamos disputar reconhecimento, defender nosso nome ou provar
que somos melhores que outros. Nossa responsabilidade é cumprir fielmente
aquilo que Deus colocou em nossas mãos.
Também precisamos aprender a
reconhecer o trabalho de outros. Paulo não tratou Apolo como concorrente. Um
plantou, outro regou. Havia funções diferentes, mas o mesmo propósito.
Uma igreja madura entende
isso.
Nem todos terão a mesma
função, o mesmo estilo ou a mesma maneira de trabalhar. Mas, se Cristo é o
centro, as diferenças não precisam produzir divisão.
No fim, a pergunta não
deveria ser: “Quem é o melhor?”
A pergunta é: “Estamos
servindo ao propósito de Deus?”
Porque, no Reino de Deus,
ninguém cresce sozinho, ninguém trabalha para si mesmo e ninguém deve receber
aquilo que pertence a Cristo.
Somos apenas trabalhadores.
A lavoura é de Deus. O
crescimento vem de Deus. E a glória também é de Deus.
Vamos refletir:
Não podemos olhar para esse
texto apenas como uma correção feita aos cristãos de Corinto. A advertência é
para todos nós.
A quem pertence nossa
lealdade, nossa fidelidade, nossa reverência: a Cristo ou a homens?
Se ficamos ofendidos quando
alguém questiona nosso líder, mas não nos incomodamos quando a Palavra de Deus
é ignorada, precisamos rever nossas prioridades.
Se defendemos um pregador,
uma igreja ou um ministério com mais zelo do que defendemos a verdade das
Escrituras, estamos fazendo exatamente o que Paulo condenou em Corinto.
Também precisamos examinar
nossas disputas. Há pessoas que não conseguem ver o crescimento de outro irmão
sem sentir incômodo. Não suportam que outro pregador seja elogiado, que outro
ministério prospere ou que outra pessoa receba reconhecimento. Isso não é zelo
pela obra; isso é orgulho disfarçado de zelo.
Quem trabalha para Cristo
não precisa competir com quem também trabalha para Cristo.
Paulo não disputou espaço
com Apolo. Não tentou diminuir seu trabalho para destacar o próprio nome. Ele
reconheceu: “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.”
Essa palavra confronta nossa
necessidade de aparecer.
Se Deus usa outra pessoa,
agradeça.
Se outra pessoa é
reconhecida, não inveje.
Se seu trabalho não recebe
aplausos, continue fiel.
Se alguém diferente de você
está sendo usado por Deus, não transforme diferença em rivalidade.
E deixo uma pergunta ainda
mais séria:
Se Deus tirasse hoje nosso
nome, nossa posição e nosso reconhecimento, continuaríamos servindo com a mesma
disposição?
Essa resposta revela muito
sobre o nosso coração.
A igreja não precisa de
homens disputando quem será visto. Precisa de servos conscientes de que a
lavoura é de Deus.
Portanto, examine seu
coração. Abandone a competição, a idolatria de líderes, a necessidade de
reconhecimento e as divisões criadas por preferências pessoais.
Plante. Regue. Sirva. Mas
não tente ocupar o lugar de Deus.
Porque, no final, não
seremos avaliados pelo tamanho do nosso nome, trabalho ou posição dentro da
igreja, mas pela fidelidade com que cumprimos aquilo que Deus colocou em nossas
mãos.
Não precisa esperar melhores
condições.
Não precisa esperar uma
posição maior.
Não precisa esperar que a
vida fique diferente.
Se Deus o chamou, você deve
ser fiel onde está.
Essa é a ideia central: a
fidelidade não começa depois da mudança; ela começa agora.
Se um dia sua situação
mudar, seja fiel nela. Se permanecer como está, seja fiel também. A mudança de
circunstância pode acontecer, mas ela nunca deve ser a condição para sua
obediência a Deus.
Paulo não está dizendo que
você nunca deve mudar. Está dizendo que você não deve adiar sua fidelidade
esperando mudar de lugar.
O trabalho que você tem hoje
pode ser um lugar de testemunho.
A família que você tem hoje
pode ser um lugar de serviço e testemunho.
As responsabilidades que
estão em suas mãos hoje podem ser exercidas para a glória de Deus.
Não espere outra condição
para viver o chamado que Deus colocou diante de você.
A circunstância pode mudar,
a posição pode mudar.
Mas a fidelidade a Deus deve
ser nossa prioridade.
Seja fiel onde Deus o
chamou.
A graça do Senhor Jesus seja
com todos.


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