Quando a nossa liberdade precisa dar lugar ao amor


Vladimir Chaves

A igreja é formada por pessoas diferentes, com histórias, experiências e níveis de compreensão da fé diferentes. Por isso, é natural que existam opiniões diferentes entre os cristãos.

O problema surge quando nossa opinião se torna maior do que o amor pelo nosso irmão.

Em Romanos 14, Paulo trata de diferenças relacionadas a alimentos, dias especiais e questões de consciência. Alguns tinham liberdade para comer determinados alimentos; outros preferiam não comer. Alguns consideravam certos dias especiais; outros entendiam que todos os dias eram iguais.

Paulo não transforma essas diferenças em motivo de guerra. Ele ensina que devemos receber uns aos outros e não transformar questões secundárias em divisão.

Não despreze nem julgue

Paulo apresenta dois perigos: o forte desprezar o fraco e o fraco julgar o forte.

Quem tinha maior liberdade poderia pensar: “Ele ainda não entende.” Já aquele que não se sentia livre poderia condenar quem fazia algo diferente.

Assim, os dois lados poderiam cometer o mesmo erro: julgar o irmão.

“Quem és tu que julgas o servo alheio?” Romanos 14:4

Todo cristão pertence ao Senhor. Por isso, nem toda diferença precisa se transformar em divisão.

Respeitando a consciência

Paulo afirma: “Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente.” Romanos 14:5

Isso não significa que qualquer comportamento esteja certo. A Bíblia continua sendo a autoridade para determinar o pecado e a vontade de Deus.

Precisamos, portanto, distinguir entre aquilo que a Bíblia claramente condena e aquilo que pertence à consciência cristã. Não devemos transformar nossas preferências pessoais em mandamentos de Deus.

A liberdade deve ser usada com amor

Em vez de perguntar somente: “Eu posso fazer isso?”

Devemos perguntar: “Isso vai edificar o meu irmão?”

Paulo ensina: “Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.” Romanos 14:13

Ter liberdade não significa que precisamos usar toda a liberdade que temos.

Às vezes, por amor, abrimos mão de algo que poderíamos fazer. Não porque seja pecado, mas porque o amor pelo irmão é mais importante do que o nosso direito.

Liberdade cristã também significa responsabilidade.

O Reino de Deus é maior

Paulo declara: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” Romanos 14:17

Às vezes, gastamos muita energia discutindo questões secundárias e deixamos de lado aquilo que realmente importa: justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

O Reino de Deus não cresce porque vencemos discussões, mas quando Cristo é visto em nossa maneira de viver.

O forte deve ajudar o fraco

Romanos 15:1 diz: “Ora, que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos.”

Essa é uma marca da maturidade cristã.

O forte não usa sua força para humilhar o fraco, mas para ajudá-lo.

O conhecimento deve servir para edificar.

A liberdade deve servir para amar.

A maturidade deve servir para carregar.

A experiência deve servir para ensinar.

Cristo é o nosso exemplo

Paulo aponta para Jesus: “Porque também Cristo não agradou a si mesmo...” Romanos 15:3

Cristo não viveu pensando em seus próprios interesses. Ele serviu, suportou, ensinou, acolheu e carregou sobre si aquilo que nós não poderíamos carregar.

Por isso, seguir Cristo significa aprender a olhar para o outro.

A pergunta deixa de ser: “O que eu ganho com isso?”

E passa a ser: “Como posso edificar meu irmão?”

Unidade não significa uniformidade

Romanos 14:1–15:7 não ensina que todos precisam pensar exatamente da mesma maneira.

Podemos ter diferenças de opinião e continuar amando.

Podemos discordar sem desprezar.

Podemos ensinar sem humilhar.

Podemos corrigir sem destruir.

Podemos exercer nossa liberdade sem ferir a consciência do outro.

Podemos abrir mão de um direito por amor.

Isso é maturidade cristã.

Edificar, e não destruir

Paulo resume: “Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.” Romanos 14:19

Devemos perguntar: Aquilo que estou fazendo está construindo ou destruindo?

Minha liberdade está ajudando ou fazendo alguém tropeçar?

Estou defendendo a verdade com amor ou apenas tentando provar que estou certo?

Nem sempre estar certo é suficiente. Precisamos aprender a amar enquanto estamos certos.

Romanos 14:1–15:7 nos chama a não transformar toda diferença em batalha.

Não somos chamados para vencer nossos irmãos, mas para edificá-los.

Não somos chamados a viver para agradar a nós mesmos, mas a seguir o exemplo de Cristo.

A verdadeira maturidade espiritual não aparece apenas no quanto conhecemos da Bíblia, mas também na maneira como tratamos as pessoas.

Quem é forte na fé não pisa sobre quem é fraco. Ele o ajuda a caminhar.

Quando a igreja aprende isso, suas diferenças deixam de ser motivo de destruição e se tornam uma oportunidade de demonstrar o amor de Cristo.

“Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para glória de Deus.” Romanos 15:7

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