O joio também prega, ora e canta


Vladimir Chaves

Jesus contou uma parábola que continua sendo um alerta para a Igreja de hoje.

Em Mateus 13:24-30, na parábola do joio, Jesus falou de um campo onde foram semeados trigo e joio. A mensagem destaca a semelhança entre o joio e o trigo, uma diferença que, no começo, não era facilmente percebida.

O joio crescia no mesmo campo, recebia a mesma chuva, era aquecido pelo mesmo sol e estava no meio da mesma plantação.

E talvez esteja aí uma das maiores advertências de Jesus: nem tudo o que parece verdadeiro é verdadeiro.

O joio pode estar dentro da plantação.

Joio também prega.

Joio também ora.

Joio também canta.

Joio também abre a Bíblia.

Joio também fala de Deus.

Joio também pode emocionar uma multidão.

E é justamente aí que mora o perigo.

Porque aparência espiritual não é prova de transformação.

Há quem saiba falar de amor, mas viva alimentando divisão.

Há quem pregue humildade, mas não consiga viver sem aplausos.

Há quem fale de santidade, mas faça amizade com o pecado.

Há quem use o nome de Jesus, mas coloque a própria imagem, o próprio poder e os próprios interesses no centro da mensagem.

Por isso, Jesus disse: “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” Mateus 7:16

Jesus não mandou avaliar apenas a eloquência. Não mandou medir a espiritualidade pelo volume da voz. Não mandou contar o tempo de igreja. Não mandou medir a unção pela emoção da multidão.

Ele falou de frutos.

Fruto é transformação do caráter.

Fruto é verdade.

Fruto é amor.

Fruto é fidelidade.

Fruto é obediência à Palavra de Deus.

Fruto é humildade.

Fruto é arrependimento.

Fruto é uma vida que aponta para Cristo, e não para o próprio homem.

E o verdadeiro trigo não vive de aparência. Ele produz fruto porque há vida nele.

O joio pode enganar as pessoas por algum tempo.

Pode ocupar o mesmo espaço na igreja.

Pode usar a mesma linguagem.

Pode citar os mesmos versículos.

Pode cantar os mesmos hinos.

Pode até exercer funções religiosas.

Mas não pode enganar o Senhor da plantação.

E aqui existe uma advertência importante.

Jesus não nos chamou para arrancar pessoas segundo o nosso próprio julgamento. Na própria parábola, os servos são orientados a não arrancar o joio antes do tempo, para que o trigo não seja prejudicado. A separação definitiva pertence ao Senhor e acontecerá no tempo determinado por Ele.

Nossa responsabilidade é ter discernimento, examinar aquilo que ouvimos, comparar toda mensagem com as Escrituras e não aceitar qualquer discurso simplesmente porque vem acompanhado de uma Bíblia, de um púlpito ou de uma linguagem religiosa.

Nem todo discurso religioso vem de Deus, e nem toda mensagem que emociona produz transformação. Nem todo aquele que fala sobre Cristo pertence verdadeiramente a Cristo.

E nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor” está vivendo de acordo com a vontade do Senhor.

Por isso, talvez devêssemos fazer perguntas diferentes.

Não apenas: “Ele prega bem?”

Mas: “Que frutos essa pregação produz? É uma palavra que nos conduz ao amor de Cristo?”

Não apenas: “Ele cita a Bíblia?”

Mas: “Ele está sendo fiel ao que a Palavra de Deus diz?”

Não apenas: “Quanto tempo ele tem de igreja?”

Mas: “Ele está levando as pessoas para Cristo ou para si mesmo?”

Porque o tempo revela aquilo que a aparência tenta esconder.

Mas, atenção! Essa advertência não deve servir apenas para examinar os outros.

Ela precisa começar em nós.

Antes de perguntar quem é o joio no campo dos outros, precisamos permitir que Deus examine o nosso próprio coração.

Pergunte-se: “Senhor, eu estou produzindo frutos?”

Saiba que, no final, não serão os aplausos que provarão quem somos.

Não será o cargo de liderança que ocupamos.

Não será a quantidade de vezes que subimos ao púlpito.

Não será a roupa que vestimos.

Não será a placa da igreja à qual pertencemos.

Não será a aparência religiosa.

Será o fruto.

Porque Deus não olha apenas para a aparência da plantação. Ele conhece a raiz; Ele conhece o coração.

E, quando chegar o tempo da colheita, aquilo que hoje parece misturado será separado.

O joio continuará sendo joio.

O trigo continuará sendo trigo.

E o Senhor da plantação fará a separação e recolherá o trigo.

Mateus 13 continua sendo um alerta para a Igreja:

Não viva de aparências.

Examine os frutos.

Permaneça na Palavra.

Vigie a sua própria vida.

E lembre-se: O Senhor conhece aqueles que verdadeiramente lhe pertencem.

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