“Quem pratica a verdade aproxima-se
da luz, a fim de que suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.” João 3:21
Algumas Igreja precisam
parar, olhar para dentro de si mesma e fazer uma pergunta incômoda: estamos
usando a política para defender os valores do Evangelho ou estamos usando o
Evangelho para promover interesses políticos?
A pergunta é necessária
especialmente nesse ano eleitoral de 2026.
A política faz parte da
sociedade. O cristão tem o direito de participar dela, votar, ser candidato,
defender ideias e discutir os rumos do país. Mas existe uma diferença enorme
entre um cristão participar da política e a Igreja ser transformada em instrumento
de promoção política.
Quando o púlpito deixa de
apontar para Cristo e começa a apontar para candidatos, é sinal de que tudo
está fora do lugar.
Quando a autoridade
espiritual de um líder é utilizada para orientar a consciência política dos
membros em favor de determinada candidatura, é preciso perguntar: onde termina
a orientação cristã e onde começa a instrumentalização da fé?
João 3:21
apresenta um princípio poderoso: quem pratica aproxima-se da a luz.
A luz não combina com
manipulação.
A luz não precisa de acordos
escondidos.
A luz não depende de troca
de favores.
A luz não transforma o
rebanho em massa eleitoral.
A Igreja não recebeu de
Cristo a missão de fabricar eleitores para candidatos. Recebeu a missão de
anunciar o Evangelho, ensinar a Palavra e formar discípulos.
É claro que os cristãos
podem e devem ter posições políticas diferentes. Podem discorrer sobre
economia, segurança, educação, saúde, impostos e tantas outras questões. Isso
faz parte da liberdade de consciência.
O perigo surge quando alguém
tenta transformar uma preferência política em obrigação espiritual.
É nesse momento que a
política começa a ocupar o espaço que pertence à consciência diante de Deus.
O púlpito não pode virar
palanque
Uma igreja deve ensinar
princípios bíblicos sobre justiça, honestidade, responsabilidade, autoridade,
defesa da vida, cuidado com o próximo e combate à corrupção. Isso faz parte da
formação cristã.
Mas outra coisa é utilizar o
culto, a pregação, os departamentos, eventos religiosos ou a autoridade
pastoral para fazer promoção de candidatos.
A diferença precisa ser
preservada.
O TSE estabelece regras
específicas para a propaganda eleitoral e considera os templos religiosos
dentro das restrições aplicáveis aos bens de uso comum para fins eleitorais.
Há, inclusive, decisões punindo manifestação de conteúdo eleitoral em templos.
Isso deveria provocar não
apenas preocupação jurídica, mas também reflexão espiritual.
Porque nem tudo que pode ser discutido politicamente deve ocupar o altar.
Cristo não precisa de
candidato para ser Cristo
A Igreja perde sua liberdade
quando começa a acreditar que precisa de determinado político para cumprir sua
missão.
Cristo não depende de
governo, o Evangelho não depende de partido e a verdade bíblica não precisa de
palanque.
A Igreja não deve trocar sua
liberdade profética por proximidade com o poder.
Se um governo estiver
fazendo o que é correto, a Igreja pode e deve reconhecer, se estiver fazendo o
que é errado, a Igreja pode e deve ter liberdade para questionar.
Essa liberdade desaparece
quando existe dependência política.
Quem recebe benefícios do
poder terá dificuldade para confrontar o poder.
E quando a Igreja deixa de
confrontar aquilo que precisa ser confrontado porque determinado grupo político
lhe oferece espaço, influência ou vantagens, a luz começa a dar lugar às trevas.
João 3:21
continua falando à Igreja
Jesus não disse que aquele
que pratica a verdade deve esconder suas obras.
Ele disse que deve vir para
a luz.
Isso significa
transparência.
Significa coerência.
Por isso, diante das
eleições de 2026, a pergunta não deveria ser simplesmente: “Qual candidato a
minha igreja está apoiando?”
Uma pergunta muito mais
importante seria: “Por que a minha igreja está apoiando esse candidato?”
Existe um princípio bíblico
por trás dessa pergunta.
É apoio baseado em valores e
consciência individual?
Existe interesse financeiro?
Existe troca de favores?
Existe busca por influência?
Existe medo de perder
espaço?
Existe promessa de
benefícios?
Ou simplesmente existe uma
compreensão sincera de que determinado candidato representa determinadas
ideias?
Essas coisas precisam ser
separadas.
O cristão não precisa
entregar sua consciência
A igreja pode ensinar
princípios, o pastor pode ensinar a Bíblia.
O cristão pode ouvir,
estudar, comparar propostas e formar sua própria convicção.
Mas a consciência não deve
ser sequestrada pelo discurso religioso.
Nenhum candidato deve ocupar
o lugar que pertence a Cristo.
Nenhum partido deve ocupar o
lugar da Igreja.
E nenhum líder religioso
deveria exigir uma fidelidade política que pertence somente à consciência do
cidadão.
As eleições de 2026 passarão,
candidatos passarão, partidos passarão, governos passarão, mas a Palavra de
Deus permanecerá.
Por isso, quanto mais
próximo estivermos das urnas, mais importante deveria ser manter a Igreja
próxima da Bíblia.
Porque quando o altar se
transforma em palanque, o Evangelho perde espaço.
Quando o pastor se
transforma em cabo eleitoral, o rebanho pode deixar de ser tratado como
discípulo e passar a ser tratado como eleitor.
E quando a fé é usada para
conquistar poder, aquilo que deveria conduzir pessoas à luz pode acabar
servindo aos interesses das trevas.
João 3:21
continua sendo um chamado à honestidade: quem pratica a verdade não teme a luz.
Que a Igreja permaneça
Igreja, que o púlpito permaneça púlpito, que a Bíblia permaneça acima dos
interesses partidários.
E que cada cristão tenha
liberdade para exercer sua cidadania com consciência, responsabilidade e temor
de Deus.
Porque o Evangelho não
precisa ser usado para eleger ninguém. O Evangelho precisa ser anunciado.


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