A igreja enviada sob a autoridade de Cristo


Vladimir Chaves

Enquanto a Igreja permanecer fiel à sua vocação, o Evangelho continuará avançando até os confins da terra. Jesus deixou essa missão de forma clara: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, [...] e até aos confins da terra” (At 1.8).

Evangelizar não é uma opção que a Igreja pode aceitar ou rejeitar conforme as circunstâncias. É uma ordem dada por Cristo. A Igreja existe para anunciar as boas-novas, testemunhar a respeito de Jesus e levar ao mundo a mensagem de salvação.

Essa missão, porém, não está fundamentada na capacidade humana. A Igreja não evangeliza porque se considera forte, preparada ou superior às dificuldades. Ela evangeliza porque foi enviada pelo próprio Senhor. A autoridade da missão vem de Cristo.

Por isso, diante da oposição, a Igreja não precisa se calar. Em Atos 4.12-13, Pedro e João demonstraram ousadia mesmo diante daqueles que tentavam impedir o testemunho cristão. A coragem dos discípulos não nasceu de uma posição de poder, mas da certeza de que estavam falando em nome de Jesus.

A mesma convicção aparece quando os apóstolos foram perseguidos. Depois de sofrerem por causa do nome de Cristo, eles saíram alegres por terem sido considerados dignos de sofrer por aquele nome (At 5.41). E, em vez de abandonar a missão, continuaram ensinando e anunciando Jesus Cristo (At 5.42).

Isso nos ensina uma verdade importante: as dificuldades não anulam a missão da Igreja. Pelo contrário, quando a Igreja reconhece que pertence a Cristo e que foi enviada por Ele, as adversidades não precisam determinar o seu silêncio.

O mundo continua necessitando ouvir o Evangelho. Há pessoas que precisam conhecer a esperança, o perdão e a salvação que estão em Cristo. Por isso, a Igreja não pode perder de vista sua vocação.

A missão não nasce simplesmente da iniciativa humana. Ela nasce da autoridade de Cristo e é sustentada pela sua soberania. Aquele que envia também acompanha, fortalece e capacita os seus servos.

Portanto, a Igreja não deve esperar condições perfeitas para cumprir sua missão. Enquanto houver pessoas que precisam ouvir, haverá uma razão para anunciar. Enquanto houver lugares onde Cristo ainda não é conhecido, haverá uma missão a cumprir.

Quem reconhece a autoridade de Cristo não permanece indiferente diante da necessidade espiritual do mundo.

A Igreja continua sendo uma Igreja enviada: enviada para testemunhar, anunciar, ensinar e proclamar que Jesus Cristo é o Senhor. E, enquanto permanecer fiel àquele que a enviou, continuará avançando, não pela força humana, mas sob a autoridade do Senhor do Universo.

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