Cientistas lançam desafio à FIFA para salvar o tatu-bola da extinção


Vladimir Chaves

Em artigo, pesquisadores sugerem que 1 mil hectares sejam declarados com área protegida na caatinga para cada gol marcado na Copa do Brasil.

Neste momento, imagino que está sendo (ou já foram) produzidos, em alguma fábrica da China, alguns milhões de bonecos do Fuleco, o simpático tatu-bola que foi escolhido como mascote da Copa do Mundo 2014 no Brasil. Infelizmente, o número de tatu-bolas de verdade que caminham hoje pelas florestas secas da caatinga brasileira é bem menor do que isso. A espécie, conhecida cientificamente como Tolypeutes tricinctus, está ameaçada de extinção (consta como “vulnerável” no Livro Vermelho do ICMBio), assim como o ambiente natural do qual ela depende para sobreviver.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores do Nordeste resolveu fazer um desafio à Fifa e ao governo brasileiro, bem mais modesto do que a construção de estádios e outras obras do tipo: destinar 1 mil hectares de caatinga como área protegida para cada gol que for marcado na Copa do Mundo no Brasil. Considerando que cerca de 150 gols são marcados em média por torneio, isso implicaria na criação de 1.500 km2 de áreas protegidas no bioma. E se você está achando muito, saiba que isso representaria míseros 0,002 % da área total de ocorrência da espécie.

Não é pedir demais, né? Pra quem está gastando (no caso do Brasil) ou ganhando (no caso da Fifa) bilhões de dólares com o futebol e a venda de souvenirs, não custa muito dar esse cachê para o coitado do tatu-bola.

A proposta dos pesquisadores está descrita em um artigo publicado na revista científica Biotropica. O autor principal é o biólogo Enrico Bernard, da Universidade Federal de Pernambuco, Laboratório de Ciência Aplicada à Conservação da Biodiversidade.


Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

sexta-feira, 25 de abril de 2014

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Presidente do PT de João Pessoa admite “dobradinha” com candidato do DEM


Vladimir Chaves

Em mais um exemplo de que o sistema politico partidário do Brasil está completamente falido, de que princípios políticos-ideológicos e Programas de partidos foram secundarizados, prevalecendo apenas o vale tudo pela conquista do voto através de acordos pragmáticos, o presidente municipal do Partido dos Trabalhadores de João Pessoa e pré-candidato a deputado federal, Lucélio Cartaxo, admitiu de publico uma dobradinha com o candidato a deputado estadual do “Democratas”, Lindolfo Pires.

Sem constrangimento, Cartaxo, disse que esse tipo de “aliança” é comum no PT da Paraíba, que os candidatos a deputados levam em conta a realidade dos “redutos eleitorais”.

“É muito comum dentro do PT, essa coisa já é uma rotina de saber que em eleição proporcional existe esse tipo de aliança levando a realidade das questões locais” disse o petista" disse o petista.


Em nível nacional e até então em nível estadual PT e DEM, apresentam-se para sociedade com projetos de poder completamente antagônicos. 

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PMCG promove conferência para elaboração da LDO 2015


Vladimir Chaves

A Prefeitura Municipal de Campina Grande (PMCG) realizará no próximo sábado (26), no Centro de Tecnologia Educacional Professor Severino Lopes Loureiro – CTE, a Conferência Municipal de Elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO 2015.

Com a participação dos secretários, coordenadores, dirigentes dos órgãos da administração indireta e dos conselheiros e delegados do orçamento participativo da cidade, a conferência será um espaço aberto para que cada setor possa entender e contribuir para a formatação da LDO, que deverá conter os projetos que acelerarão o crescimento econômico e social de Campina no ano que vem.

O evento será aberto às 8h pelo prefeito Romero Rodrigues. Em seguida, às 8h30, o secretário de Planejamento, Márcio Caniello, e a coordenadora de gestão, Madalena Márcia de Oliveira, apresentarão as ações e as metas da LDO 2015. Após o intervalo para o almoço, às 14hs, acontecerá a Plenária dos Conselheiros e Delegados do Orçamento Participativo.

Para o secretário Caniello, é importante que haja essa integração entre os membros da administração municipal. “É necessário termos esse contato para que possamos “acertar os ponteiros” e produzir uma LDO que atenda aos anseios da população de Campina Grande, já que na lei estarão as principais ações que iremos empreender em 2015”, explicou o gestor.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias é o instrumento por meio do qual o governo estabelece as principais diretrizes e metas da administração pública para o prazo de um exercício.


Ela estabelece um elo entre o Plano Plurianual de Ação Governamental e a Lei Orçamentária Anual, uma vez que reforça quais programas terão prioridade na programação e execução orçamentária. A PMCG deve enviar a LDO para apreciação da Câmara de Vereadores até o dia 30 de abril.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

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Brasil fica em 11º lugar em lista de impunidade do Comitê para Proteção dos Jornalistas.


Vladimir Chaves

Desde 2008, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas publica anualmente seu Índice de Impunidade, relatório que lista os países com maior índice de impunidade em casos de assassinatos de profissionais de imprensa. A organização considera apenas os ataques deliberados, em particular aqueles relacionados ao trabalho das vítimas. (O índice não inclui jornalistas mortos em combate ou enquanto realizavam tarefas de risco, como a cobertura de protestos violentos nas ruas).

Na edição de 2014, o Iraque figurou mais uma vez como o primeiro do ranking, com uma proporção média de três assassinatos não solucionados por cada milhão de habitantes. O país ocupa o topo da lista desde a publicação do primeiro relatório, há seis anos.

A Síria – que atualmente lidera como país mais perigoso do mundo para jornalistas – foi classificada como o quinto pior local em relação à impunidade, sendo a primeira sua vez no Índice anual. De acordo com o CPJ, a inclusão da Síria na lista destaca o crescente número de “assassinatos seletivos”, nos quais os jornalistas são alvos deliberados.

Somália, Filipinas e Sri Lanka ficaram em segundo, terceiro e quarto lugares, respectivamente. A classificação destes países reflete os altos índices de violência atuais, bem como o fracasso na solução de casos antigos.

O Brasil aparece na 11ª posição do ranking, com 0,045 casos não solucionados a cada milhão de habitantes. No ano anterior, o país ocupava a décima colocação, com média de 0,046 casos não solucionados por milhão de habitantes.

A listagem abaixo mostra os 13 primeiros lugares no ranking da impunidade. São assassinatos que permanecem sem solução, ocorridos no período entre janeiro de 2004 a dezembro de 2013.


Algumas observações importantes no Índice:

** 96% das vítimas de assassinato eram repórteres locais, sendo que a maioria realizava coberturas referentes a temas como política, corrupção e guerra.

** Houve novos casos de assassinatos em 2013 em oito dos países que aparecem repetidamente no ranking anual.

** Em quatro países da lista (Filipinas, Paquistão, Rússia e Brasil), houve pelo menos uma condenação em casos envolvendo o assassinato de um jornalista. No Brasil, por exemplo, foi notório o assassinato do jornalista Décio Sá em abril de 2012. A condenação do assassino confesso ocorreu em fevereiro deste ano.

** Em pelo menos 40% dos casos as vítimas receberam ameaças antes de serem mortas.

** Quase um terço dos jornalistas assassinados foi ou capturado ou torturado antes de ser morto.


** Os grupos políticos, incluindo facções armadas, são suspeitos em mais de 40% dos casos. Funcionários de governos e militares são considerados suspeitos principais em 26% dos casos.

Observatório da Imprensa

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Oposição ameaça denunciar Renan por crime de responsabilidade


Vladimir Chaves

O líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), afirmou nesta quinta-feira (24) que vai acionar a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, caso o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), descumpra a decisão que prevê a instalação imediata da CPI da Petrobras.

Ontem, Rosa Weber concedeu liminar a favor de uma CPI exclusiva para investigar irregularidades envolvendo a Petrobras. Em nota divulgada nesta quinta-feira, Renan anunciou que vai recorrer ao plenário do Supremo contra a liminar. O recurso deverá ser analisado pelo plenário do STF. De acordo com o líder do DEM, trata-se de mais uma manobra protelatória.

“Se não cumprir a decisão liminar da ministra Rosa Weber, o presidente do Congresso estará praticando crime de responsabilidade. Por isso, o DEM vai exigir a instalação imediata da CPI”, disse Mendonça Filho.

Na avaliação do parlamentar, a liminar pode ser estendida à instalação de uma CPI mista (com deputados e senadores), também alvo de embate entre governo e oposição no Congresso. Mendonça já indicou os deputados Rodrigo Maia (RJ) e Onyx Lorenzoni (RS) como representantes do DEM na CPI mista, cuja criação foi anunciada semana passada.


“A decisão do Supremo foi clara. Determina a imediata instalação da CPI e, nesse caso, vale também para a CPMI. Tenho firme convicção de que o plenário do STF vai respaldar a decisão liminar da ministra”, disse Mendonça Filho. O requerimento de criação da CPI mista foi lido pelo presidente do Congresso no último dia 15. Com isso, cabe a Renan Calheiros determinar a data da reunião para instalação da comissão.

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Em defesa dos agricultores bancada federal da PB é acionada contra BNB


Vladimir Chaves

Atendendo uma solicitação do deputado Guilherme Almeida (PSC), o plenário da Assembleia Legislativa da Paraíba, aprovou por unanimidade, requerimento solicitando a imediata interferência da Bancada Federal da Paraíba, junto ao Governo Federal, para que o Banco do Nordeste (BNB) cumpra a Lei Federal nº 12.844/2013, que autorizada o abatimento de até 85% para liquidação dos empréstimos de crédito rural, adquiridos por agricultores que sofreram impacto pela seca.

Na tribuna, o deputado Guilherme Almeida, destacou que, recentemente deixou a Secretaria de Agricultura de Campina Grande, por obediência à Legislação Eleitoral, mas, trouxe para a Assembleia Legislativa, o lamento e as preocupações de milhares de pequenos produtores rurais, que continuam sofrendo ameaças do BNB, mesmo após o Governo Federal ter sancionado a LF nº 12.844/13 que objetiva beneficia-los.

O Parlamentar destacou a necessidade da Bancada Federal se manifestar, em defesa dos nossos produtores rurais, pois, caso o BNB não recue e obedeça a Lei Federal, muitos agricultores e pequenos criadores, poderão perder suas terras e moradias, para o Banco que deveria incentivar a produção e não extingui-los. Segundo Guilherme, a nova Lei oferece condições especiais para quitar ou renegociar as dívidas de até 200 mil, bem como, os produtores que obtiveram empréstimos de até R$ 100 mil reais, poderão ter um abatimento de até 85% caso decidam saldar definitivamente a dívida.


Ainda na tribuna, o deputado Guilherme Almeida, destacou que “A Lei oferece diminuições nas dívidas dos agricultores que estão inadimplentes. Eles tentam aderir à nova legislação, mas na hora de fazer o encontro de contas do benefício, o banco alega que ainda não dispõe da regulamentação para que o empréstimo seja quitado ou parcelado. Corremos o risco de que até dezembro o benefício não seja implantado”, afirmou o parlamentar.

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“Petrobras virou um condomínio político de ladrões de primeira linha” empresário Caio Gorentzvaig.


Vladimir Chaves

O empresário Caio Gorentzvaig, ex-acionista da Petroquímica Triunfo, no Rio Grande do Sul, postou vídeo na internet no qual faz duras acusações de corrupção na Petrobras e ataca a presidente da República Dilma Rousseff, o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli e o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto da Costa, que está preso. Gorentzvaig, cujo pai, Boris, foi o fundador da petroquímica, afirma que a Petrobras “virou um condomínio político de ladrões de primeira linha”.


Ele diz que a Triunfo foi expropriada em maio de 2009, por decisão de Dilma, Gabrielli e Roberto da Costa, em uma operação que teria beneficiado a Odebrecht, por meio da sua empresa petroquímica, a Braskem, e cobra apuração do Ministério Público Federal.

Confira as denuncias:


sábado, 19 de abril de 2014

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PT se perdeu na velha política, diz Eliana Calmon


Vladimir Chaves

"Ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon deixou a magistratura no final de 2013 para se filiar ao PSB, partido do presidenciável Eduardo Campos, e concorrer a uma vaga no Senado nas eleições deste ano pela Bahia. Ela ganhou notoriedade quando se tornou a primeira mulher a ingressar na corte, em 1999. Em 2011, no posto de corregedora nacional de Justiça, apontou a existência de “bandidos de toga” e, por isso, virou alvo de críticas de magistrados.

Calmon diz que “ética na política” não está sendo o mote de sua campanha. Eleitora de Lula e Dilma Rousseff, ela argumenta que o PT já usou “inclusão social” e “ética” como temas. “Foi nisso que eles [petistas] se perderam”, afirmou a ex-ministra em entrevista ao Congresso em Foco, antes do início da solenidade que selou a chapa do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e da ex-senadora Marina Silva à presidência da República, na última segunda-feira (14).

“Eles [petistas] até conseguiram algumas vitórias na inclusão social. Mas deixaram a desejar em relação à ética na política. Então, o meu mote é o mesmo da campanha de Eduardo, que é ‘queremos mais’. Queremos mais, mais inclusão social. E, para isso, temos de combater a corrupção, o que requer princípios e ética”, disse Calmon. E arrematou: “A ideia é não darmos continuidade ao caminho em que o PT se perdeu”.

Eliana Calmon afirmou que é, sim, possível construir um governo sem corrupção. Segundo ela, a “nova política” prometida pela coligação PSB-Rede-PPS-PPL começa nas eleições, com poucos recursos. Veja os principais trechos da conversa com o site.

Congresso em Foco – Eduardo Campos e Marina Silva pregam uma “nova política”. Qual a diferença entre a “nova política” e o que consideram “velha política”?

Eliana Calmon
– A nova política é uma política onde nós temos efetivamente princípios e ética, onde vamos fazer as políticas sociais sem troca de favores. A ideia é não darmos continuidade ao caminho em que o PT se perdeu. Para sustentabilidade da governança, em nome da governabilidade, eles foram cedendo às elites que dominavam esse país e lamentavelmente não tiveram forças para recuar. E lamentavelmente se perderam naquilo que sempre condenamos, a velha política. Na nova política, vamos dar prosseguimento às políticas públicas iniciadas pelo PT, mas sem as transações e concessões que foram feitas, diz o PT, em nome da governabilidade.

No PSB, há políticos de perfil conservador, como o deputado federal Paulo Bornhausen [ex-DEM e ex-PSD] e o ex-senador Heráclito Fortes [ex-DEM]. Eles também fazem parte da “nova política”?

Eles têm de fazer parte. Se eles têm cabeça para assumir essa nova política, eu não sei. Mas nós temos essa nova política como linha mestra. E essa união de Marina com Eduardo fortaleceu exatamente essa linha de nova política. Por exemplo, vamos partir para uma eleição com poucos recursos, com pouco dinheiro, usando o que a sociedade tem de mais expressivo, que é exatamente a participação popular. Isso é uma nova forma de fazer política. E Marina tem experiências bem-sucedidas nessa nova política.

Na sua avaliação, o Brasil realmente está cansado da polarização PT e PSDB. Como convencer o eleitorado de que há outra alternativa?

O eleitorado está, sim, cansado da polarização. No momento em que partirmos para mostrar os novos caminhos, acredito que o eleitorado abraçará a causa, que é uma causa da cidadania.

As últimas pesquisas de intenção de voto apontaram estagnação dos pré-candidatos à sucessão presidencial Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos. Qual a sua avaliação sobre isso?

Só a presidente Dilma faz política. Não podemos fazer até a convenção. Marina e Eduardo aparecem de forma morna porque ainda não podem fazer política. A presidente faz política há mais de um ano, está com a máquina nas mãos. Todo dia está distribuindo políticas públicas, benesses. Então, tudo isso favorece esse imobilismo. A população está aguardando, não decidiu de que lado vai ficar.

Eduardo Campos guinou para a direita, como dito pelo ex-presidente Lula?

[Risos] Quem guinou para a direita? Eduardo Campos ou o PT? Quem está com José Sarney? Quem está com Renan Calheiros? Quem está com toda essa direita direitíssima que se abriga no PMDB? Eduardo Campos?

O PSB e a Rede Sustentabilidade [partido que Marina Silva tentou criar] têm divergências em alguns estados para formação das alianças. Como evitar que isso eventualmente atrapalhe a campanha presidencial?

Não atrapalha. Estamos costurando isso em nível regional de tal forma que permaneça a união em nível nacional e nós nos decidamos dentro da regional.

Como a senhora, que veio do Judiciário, está avaliando as denúncias de irregularidades envolvendo a Petrobras?

Preocupadíssima com o destino da estatal. Parece que já sabemos o suficiente para dizer o seguinte: é lamentável que a maior empresa brasileira esteja quebrada.

Em recente entrevista, Eduardo Campos declarou que pretende montar um governo sem corruptos, sem corrupção. Isso é possível?


É sim. Essa é a nossa proposta, a partir da própria eleição, estamos com poucos recursos, mas querendo fazer política com as forças vivas da sociedade. Pouco dinheiro, mas com a força da sociedade. O PT já usou o mote “inclusão social” e “ética”. E foi exatamente nisso que eles [petistas] se perderam. Eles até conseguiram algumas vitórias na inclusão social. Mas deixaram a desejar em relação à ética na política. Então, o meu mote é o mesmo da campanha de Eduardo, que é ‘queremos mais’. Queremos mais, mais inclusão social. E, para isso, temos de combater a corrupção, o que requer princípios e ética.

Congresso em Foco

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Ibope: após perder popularidade, agora Dilma perde eleitores.


Vladimir Chaves

Após ver sua popularidade diminuir 9 pontos desde dezembro, a presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu também eleitores. Pesquisa Ibope concluída esta semana mostra que a intenção de voto dela caiu em todos os cenários. Na hipótese mais provável, que inclui pré-candidatos dos pequenos partidos, Dilma foi de 40%, em março, para 37% em abril. No cenário em que enfrenta só dois rivais, a intenção de voto da presidente caiu de 43% para 39%.

É a maior perda acumulada de eleitores da presidente desde que sua popularidade entrou em queda, no começo deste ano, segundo o Ibope. Desde dezembro, eleitores de Dilma que haviam deixado de considerar seu governo ótimo ou bom começaram a deixar de declarar voto nela. A nova pesquisa mostra que essa tendência se intensificou ao longo de abril.

No cenário mais provável, com os chamados nanicos, Dilma caiu de 40% em março para 37% agora. Aécio Neves (PSDB) oscilou de 13% para 14%. Eduardo Campos (PSB) segue com 6%, e o pastor Everaldo (PSC), passou de 3% para 2%. A soma dos demais pré-candidatos que era de 1% em março, agora dá 3%.

As maiores quedas de Dilma ocorreram entre eleitores jovens (perdeu 8 pontos entre quem tem de 25 a 34 anos), nas cidades médias (menos 11 pontos nos municípios entre 20 mil e 100 mil habitantes), na região Sul (menos 6 pontos) e nos eleitores não-cristãos (perdeu 7 pontos).

Mesmo assim, se a eleição fosse hoje, a presidente seria reeleita no primeiro turno, pois seus 37% de intenção de voto superam a soma de todos os seus adversários (25%). Sua vantagem vem diminuindo a cada mês, porém. A diferença em favor da presidente caiu de 17 pontos em março para 12 pontos em abril.

Dilma ainda seria reeleita no primeiro turno porque as taxas de eleitores que declaram pretender votar em branco ou anular (24%) ou que não sabem dizer em quem votarão (13%) seguem muito altas.

No cenário reduzido, em que Dilma enfrenta apenas Aécio e Campos, a intenção de voto na presidente caiu, segundo o Ibope, de 43% em março para 39% agora. Ao mesmo tempo e no mesmo cenário, Aécio foi de 15% para 16%. Já Campos passou de 7% em março para 8% em abril. A taxa de branco e nulo foi de 25% para 26%.

Quando se troca Eduardo Campos por Marina Silva como candidata do PSB, a intenção de voto em Dilma também cai em abril. No cenário com os nanicos, a petista foi de 40% para 37%, Marina passou de 9% para 10% (Eduardo tem 6%), Aécio foi de 13% a 14%, o pastor Everaldo permaneceu com 2%, e a soma dos demais candidatos cresceu de 1% para 3%.

Nas simulações de segundo turno, a presidente continua ganhando de todos os adversários testados. Dilma venceria Aécio por 43% a 22%, bateria Marina por 41% a 25%, e derrotaria Eduardo Campos por 44% a 17%. Mas as taxas de não-voto (branco, nulo e não sabe) são excepcionalmente altas, indicando que muitos eleitores ainda não conhecem ou não se sentem representados pelos candidatos que estão no jogo.

Embora ainda vença todos, a vantagem de Dilma sobre os rivais no segundo turno também diminuiu desde março: de 27 pontos para 21 pontos no caso de Aécio; de 24 para 16 pontos no caso de Marina; e de 31 para 27 pontos no caso de Eduardo Campos.

A pesquisa Ibope foi feita entre os dias 10 e 14 de abril, em 140 municípios de todas as regiões brasileiras. Foram feitas 2.002 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%. Ela foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número protocolo BR-00078/2014.


Estadão

sexta-feira, 18 de abril de 2014

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“Agora, enquanto é tempo”, por Martiniano Cavalcante


Vladimir Chaves

A teimosia de uma parte do eleitorado brasileiro que insiste em apontar Marina Silva com algo próximo a 27% das intenções de votos para Presidente da República (última pesquisa Datafolha) — diante de uma queda abrupta de Dilma Rousseff, que caiu de 44% para 38%; um pré-coma persistente de Aécio Neves, congelado em 16%;  e o baixo crescimento de Eduardo Campos — precisa ser explicado pela correntes mais profundas que cortam a  vida política nacional.

Três caminhos políticos disputam o imaginário popular. Lula e os ventrículos do PT, inclusive Dilma, insistem na tese de que os progressos na área social, na educação, no plano internacional e na distribuição de riquezas precisam continuar. Usam o espantalho do legado de FHC e da aliança PSDB/DEM para praguejar contra a velha direita e espalhar o medo do retrocesso. FHC, hábil como toda velha raposa, empunha o estandarte da união das oposições para derrotar o descalabro petista. Ao mesmo tempo em que cobra da população uma autocrítica histórica pelo “gravíssimo erro de ter preterido os príncipes do tucanato em favor do sapo barbudo”, enfileira toda a oposição atrás de Aécio Neves, ungido pelo seu discurso como único oposicionista viável. A terceira tática vem das ruas saturadas de mal estar que elegeram Marina Silva expressão do seu descontentamento com a velha política. Essa identidade é que faz dela a maior força eleitoral dentre os oponentes do governismo.

Curiosamente a nossa aliança PSB/Rede Sustentabilidade padece do dilema hamletiano: Ser ou não Ser? Qual alternativa ser, com o que se identificar, que caminho seguir?  Enquanto Eduardo Campos não se livrar desta crise de identidade não conseguirá superar o bloco PSDB/DEM que hoje é o expoente de uma oposição previamente derrotada porque simboliza de fato o tempo passado.

Vejamos o caso de São Paulo: o presidente regional do PSB, Márcio França, insiste em dizer que, no maior colégio eleitoral do país, a melhor alternativa política para candidatura presidencial de Eduardo Campos é não ter palanque próprio, não ter candidato a governador e dividir o palanque de Geraldo Alckmin. Argumenta que há muita insatisfação na base do PSDB de São Paulo, vendendo a ilusão de que parte significativa da estrutura do governo tucano paulista poderia se empenhar em favor da eleição de Eduardo Campos. Imagine a pressão de Fernando Henrique e Aécio Neves numa campanha nacional polarizadíssima de um lado, e de outro lado, no plano regional, os efeitos do racionamento da água e da abundância do escândalo do metrô em pleno processo eleitoral. Nada mais falacioso do que esta ideia de que a candidatura de Eduardo Campos poderia se beneficiar deste palanque. Na melhor das hipóteses Eduardo se juntaria ao abraço dos afogados em São Paulo. Como plano “B”, Márcio França lançou seu próprio nome ao governo paulista. Reedita os tempos de Arena 1 e Arena 2 e se posiciona como sublegenda do PSDB paulista. Com esse conteúdo político, o PSB em vez de ter candidatura própria, tem na verdade uma candidatura imprópria que antecipa a aliança com os tucanos.

O que dizer de Minas Gerais onde o PSB promete coligar-se com Pimenta da Veiga, do PSDB, em plena terra de Aécio, segundo maior colégio eleitoral do país, transformando-se em sublegenda do tucanato. Como convencer o povo mineiro de que o governador de Pernambuco está disputando para valer a eleição presidencial?

Enquanto isso, a imensa parcela da população brasileira que caminha pelas ruas em busca de uma alternativa capaz de derrotar o PT segue olhando para frente, mesmo depois do enjoo, da náusea provocada pela combinação de desmando e escândalo que transborda de todos os poros da política. Por isso insiste em se identificar com Marina Silva. Os números da última pesquisa Datafolha deveriam levar o governador Eduardo Campos a refletir sobre sua tática eleitoral em São Paulo e Minas Gerais e escolher o caminho da disputa real agora, enquanto é tempo.  Se abandonar a procura de contato com esses milhões que não se identificam nem com o PT e nem com o PSDB, Eduardo estará jogando fora o que Marina Silva trouxe nas mãos como um gesto de clarividência para lhe entregar gratuitamente. Se quiser ganhar a eleição ele terá de decidir se é capaz de saltar do penhasco e voar, ou, se ao contrário será como o pássaro descrito por João Cabral de Melo Neto: “Nascido para inaugurar caminhos no campo azul do Céu e que, entretanto, no momento de alçar-se para viagem descobre com terror que não têm asas.”


Martiniano Cavalcante é engenheiro civil formado pela UnB, membro da Executiva Nacional e um dos fundadores da Rede Sustentabilidade.

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