Quando a tradição fala mais alto que a Palavra


Vladimir Chaves

Em Marcos 7:8-9, Jesus faz um alerta sério aos fariseus e líderes religiosos de seu tempo:

“Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda, Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a tradição humana.” (Mc 7:8-9)

Essas palavras continuam extremamente atuais.

Naquele tempo, os fariseus e líderes religiosos não haviam abandonado Deus de forma direta. Eles continuavam frequentando o templo, orando, ensinando e mantendo uma aparência de fé. O problema estava em algo mais profundo: trocavam a obediência à Palavra por costumes religiosos. Aquilo que começou como uma tradição útil acabou se tornando uma regra maior do que o próprio mandamento de Deus.

Nos dias atuais, o risco é o mesmo. Muitas vezes, seguimos práticas religiosas porque “sempre foi assim”, sem perguntar se elas realmente refletem o ensino bíblico. Costumes, métodos e regras ganham status de doutrina, mesmo sem fundamento claro nas Escrituras. Quando isso acontece, a fé deixa de ser viva e se torna mecânica.

Jesus nos lembra que Deus não se impressiona com rituais vazios. Ele olha para o coração. É possível cantar, participar de reuniões, repetir frases bonitas e, ainda assim, estar distante da vontade de Deus. Quando a tradição substitui a Palavra, a fé perde seu propósito.

Isso não significa que toda tradição seja errada. O erro está quando ela ocupa o lugar da Bíblia, quando é usada para controlar pessoas, justificar injustiças ou impedir a prática do amor, da misericórdia e da obediência verdadeira.

O chamado de Jesus é claro: voltar ao essencial. Colocar a Palavra de Deus acima de costumes humanos. Avaliar nossas práticas à luz das Escrituras. Ter coragem de corrigir caminhos quando percebemos que estamos defendendo tradições, e não a verdade.

Nos dias de hoje, mais do que aparência religiosa, Deus busca corações obedientes, fé sincera e vidas alinhadas com a sua Palavra. A tradição pode permanecer, desde que nunca silencie a voz de Deus.

A fé verdadeira não se sustenta no “sempre foi assim”, mas no “assim diz o Senhor”.


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