Há pecados que não fazem
barulho quando nascem. Germinam em silêncio, escondidos nas profundezas do
coração. Alimentam-se da vaidade, crescem na ambição e, quando finalmente
aparecem, já produziram feridas profundas na vida de muitas pessoas. Assim foi
com Diofrefes.
Em 3 João 9–11, João
não descreve um homem que havia abandonado a fé ou negado o nome de Cristo. O
que ele revela é algo ainda mais inquietante: um coração que passou a amar o
primeiro lugar e a própria autoridade. Aos poucos, Cristo deixou de ser o
centro, e o próprio Diofrefes tornou-se o centro de tudo.
Quando isso acontece, o
serviço perde sua essência. A liderança deixa de ser um ministério para se
tornar um instrumento de poder e opressão. O irmão deixa de ser alguém a quem
devemos amar e passa a ser visto como uma ameaça ou um concorrente. A verdade
deixa de ser defendida por amor a Deus e passa a ser usada para proteger
interesses pessoais.
Foi por isso que Diofrefes
rejeitou os missionários fiéis. Foi por isso que se opôs à autoridade
apostólica. Foi por isso que expulsava da igreja aqueles que desejavam apenas
obedecer à Palavra. O problema nunca esteve nos outros. O problema estava no altar
invisível que ele havia erguido dentro do próprio coração.
Talvez seja justamente por
isso que essa pequena carta continue falando tão alto aos nossos dias. Ela nos
lembra de que o maior perigo para a Igreja nem sempre vem de fora. Muitas
vezes, ele nasce dentro de nós, quando o desejo de sermos vistos se torna maior
do que o desejo de vermos Cristo glorificado.
É fácil identificar um
"Diofrefes": ele aparece quando alguém passa a ter uma necessidade
constante de aprovação, quando se entristece por não receber o reconhecimento
que o ego exige, quando acredita que apenas a sua opinião deve prevalecer ou
quando confunde autoridade com domínio.
Jesus não disputou um lugar
de honra. Sendo Senhor de todas as coisas, escolheu o caminho da humildade.
Lavou os pés de seus discípulos, acolheu os pequenos, serviu sem buscar
aplausos e entregou a própria vida por amor. Enquanto o ego deseja subir,
Cristo nos ensina a descer. Enquanto o orgulho exige ser servido, Jesus nos
convida a servir.
A Igreja não pertence aos
seus líderes. Nunca pertenceu. Ela pertence exclusivamente a Cristo, que a
comprou pelo preço do seu sangue. Todo ministério é passageiro. Toda posição é
temporária. Todo título desaparecerá. Apenas Cristo permanecerá como o único
Cabeça da Igreja.
Que o Senhor nos livre da
necessidade de ocupar o primeiro lugar. Que Ele nos ensine a encontrar alegria
no anonimato, fidelidade no serviço e contentamento em saber que toda glória
pertence somente a Cristo.
E que, ao final de cada dia,
nossa maior satisfação não seja ouvir o elogio dos homens, mas descansar na
certeza de que servimos ao Deus que vê o que ninguém vê e recompensa aqueles
que, em silêncio, permanecem fiéis.
Porque, quando Cristo cresce
em nós, o ego inevitavelmente diminui. E, quando o ego diminui, a Igreja volta
a refletir a beleza daquele que nunca veio para ser servido, mas para servir.



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