Quando o ego ocupa o lugar que pertence a Cristo


Vladimir Chaves

Há pecados que não fazem barulho quando nascem. Germinam em silêncio, escondidos nas profundezas do coração. Alimentam-se da vaidade, crescem na ambição e, quando finalmente aparecem, já produziram feridas profundas na vida de muitas pessoas. Assim foi com Diofrefes.

Em 3 João 9–11, João não descreve um homem que havia abandonado a fé ou negado o nome de Cristo. O que ele revela é algo ainda mais inquietante: um coração que passou a amar o primeiro lugar e a própria autoridade. Aos poucos, Cristo deixou de ser o centro, e o próprio Diofrefes tornou-se o centro de tudo.

Quando isso acontece, o serviço perde sua essência. A liderança deixa de ser um ministério para se tornar um instrumento de poder e opressão. O irmão deixa de ser alguém a quem devemos amar e passa a ser visto como uma ameaça ou um concorrente. A verdade deixa de ser defendida por amor a Deus e passa a ser usada para proteger interesses pessoais.

Foi por isso que Diofrefes rejeitou os missionários fiéis. Foi por isso que se opôs à autoridade apostólica. Foi por isso que expulsava da igreja aqueles que desejavam apenas obedecer à Palavra. O problema nunca esteve nos outros. O problema estava no altar invisível que ele havia erguido dentro do próprio coração.

Talvez seja justamente por isso que essa pequena carta continue falando tão alto aos nossos dias. Ela nos lembra de que o maior perigo para a Igreja nem sempre vem de fora. Muitas vezes, ele nasce dentro de nós, quando o desejo de sermos vistos se torna maior do que o desejo de vermos Cristo glorificado.

É fácil identificar um "Diofrefes": ele aparece quando alguém passa a ter uma necessidade constante de aprovação, quando se entristece por não receber o reconhecimento que o ego exige, quando acredita que apenas a sua opinião deve prevalecer ou quando confunde autoridade com domínio.

Jesus não disputou um lugar de honra. Sendo Senhor de todas as coisas, escolheu o caminho da humildade. Lavou os pés de seus discípulos, acolheu os pequenos, serviu sem buscar aplausos e entregou a própria vida por amor. Enquanto o ego deseja subir, Cristo nos ensina a descer. Enquanto o orgulho exige ser servido, Jesus nos convida a servir.

A Igreja não pertence aos seus líderes. Nunca pertenceu. Ela pertence exclusivamente a Cristo, que a comprou pelo preço do seu sangue. Todo ministério é passageiro. Toda posição é temporária. Todo título desaparecerá. Apenas Cristo permanecerá como o único Cabeça da Igreja.

Que o Senhor nos livre da necessidade de ocupar o primeiro lugar. Que Ele nos ensine a encontrar alegria no anonimato, fidelidade no serviço e contentamento em saber que toda glória pertence somente a Cristo.

E que, ao final de cada dia, nossa maior satisfação não seja ouvir o elogio dos homens, mas descansar na certeza de que servimos ao Deus que vê o que ninguém vê e recompensa aqueles que, em silêncio, permanecem fiéis.

Porque, quando Cristo cresce em nós, o ego inevitavelmente diminui. E, quando o ego diminui, a Igreja volta a refletir a beleza daquele que nunca veio para ser servido, mas para servir.

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