"Seis coisas o Senhor
aborrece, e a sétima a sua alma abomina: [...] e o que semeia contendas entre
irmãos." (Provérbios 6:16,19)
Existem pecados que produzem
consequências visíveis e imediatas, mas há outros que, silenciosamente,
destroem aquilo que Deus mais deseja preservar: a unidade do seu povo.
A fofoca, a intriga, a
maledicência e a manipulação de pessoas são exemplos de atitudes que podem
parecer pequenas aos olhos humanos, mas que a Bíblia trata com extrema
seriedade. Não é por acaso que, entre as sete coisas que Deus abomina, está
aquele que semeia contendas entre irmãos.
Ao estudarmos as Escrituras,
encontramos três palavras frequentemente associadas a esse comportamento:
pecado, transgressão e iniquidade. Embora pareçam sinônimas, cada uma revela um
estágio diferente do afastamento de Deus.
Compreender essas diferenças
nos ajuda a examinar o coração e a perceber como uma simples conversa pode
evoluir para um comportamento destrutivo, capaz de comprometer toda uma
comunidade cristã.
PECADO:
quando as palavras deixam de edificar
"Pois todos pecaram e carecem
da glória de Deus." (Romanos 3:23)
A palavra pecado significa,
literalmente, errar o alvo.
O alvo de Deus para sua
Igreja sempre foi a comunhão, o amor, a verdade e a paz. Quando nossas atitudes
deixam de refletir esse padrão, pecamos.
Imagine um irmão que escuta
uma informação sobre outro membro da igreja. Em vez de procurar a pessoa
envolvida ou buscar esclarecer os fatos, ele compartilha o assunto com
terceiros.
Talvez pense que esteja
apenas comentando algo que ouviu. Talvez nem perceba o tamanho do estrago que
suas palavras podem causar.
No entanto, cada comentário
desperta desconfiança, alimenta julgamentos precipitados e enfraquece
relacionamentos.
Esse é o PECADO.
Não porque houve apenas uma
conversa, mas porque essa conversa deixou de cumprir o propósito que Deus
estabeleceu para nossas palavras.
O apóstolo Paulo escreveu: "Não
saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para
edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmitir graça aos que ouve” (Efésios
4:29)
Toda palavra que destrói,
humilha ou divide está distante do alvo estabelecido por Deus.
O pecado começa quando
deixamos de edificar.
TRANSGRESSÃO: quando
a divisão passa a ser uma escolha
"Todo aquele que
pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da
lei." (1 João 3:4)
A transgressão é diferente.
Ela acontece quando alguém
conhece claramente a vontade de Deus e, mesmo assim, escolhe desobedecer.
Nesse estágio, não existe ignorância.
Existe decisão.
Imagine agora que aquele
mesmo irmão conhece perfeitamente os ensinamentos bíblicos sobre unidade, amor
e reconciliação.
Já ouviu sermões sobre
fofoca, conhece Provérbios 6, conhece Romanos 16 e conhece Efésios
4.
Mesmo assim, continua
levando fuxicos de um grupo para outro.
Conta versões diferentes da
mesma história, aumenta os fatos, omite detalhes importantes e insinua
intenções que nunca existiram.
Além disso, percebendo que
determinado pastor ou líder ainda não possui maturidade suficiente para
discernir toda a situação, procura conquistá-lo por meio de informações
parciais, criando uma imagem negativa de outros irmãos ou líderes.
Seu objetivo já não é
esclarecer; é influenciar, dividir e conquistar espaço.
Nesse momento, o
comportamento deixa de ser apenas um pecado ocasional.
Torna-se uma transgressão,
porque há desobediência consciente aos princípios estabelecidos por Deus.
A Palavra alerta: "Rogo-vos,
irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos em desacordo
com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não servem
a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre." (Romanos 16:17-18)
A transgressão acontece
quando atravessamos deliberadamente a linha que Deus traçou.
INIQUIDADE:
quando a divisão passa a fazer parte do caráter
"Eu nasci na iniquidade,
e em pecado me concebeu minha mãe." (Salmo 51:5)
A iniquidade é o estágio
mais profundo. Ela não descreve apenas um comportamento; descreve um coração
deformado pelo pecado repetido.
Imagine alguém que passou
anos vivendo dessa maneira.
Sempre há um comentário, uma
suspeita, uma conversa reservada e um grupo diferente ouvindo versões
diferentes dos mesmos fatos. E, quando um conflito termina, outro começa.
A pessoa sente necessidade
constante de participar dos bastidores, precisa estar no centro das informações
e busca influência sobre pessoas vulneráveis.
Valoriza mais sua capacidade
de convencer do que o compromisso com a verdade. Com o tempo, sua consciência
deixa de acusá-la, e ela passa a acreditar sinceramente que está prestando um
serviço à Igreja.
Passa a justificar suas
atitudes dizendo:
"Estou apenas
defendendo a obra."
"Alguém precisava
falar."
"Estou protegendo o
pastor."
Na realidade, porém, está
promovendo exatamente aquilo que Deus condena.
A iniquidade transforma o
pecado em hábito; o hábito molda o caráter; e o caráter passa a produzir
divisão naturalmente.
Por isso, Salomão afirma:
"O homem perverso espalha
contendas, e o difamador separa os maiores amigos." (Provérbios 16:28)
Esse é o perigo da
iniquidade.
Ela faz o pecador perder a
capacidade de perceber que está pecando.
Como esses três conceitos se
relacionam?
Observe como o mesmo
comportamento evolui:
No início, o irmão comenta
algo que não deveria. Esse é o pecado.
Depois, continua repetindo
esse comportamento, mesmo conhecendo a Palavra de Deus. Essa é a transgressão.
Com o passar do tempo, passa
a viver da intriga, da manipulação e da divisão, acreditando que suas atitudes
são justificáveis. Essa é a iniquidade.
O pecado produz
feridas; a transgressão produz rebelião; e a iniquidade produz a
corrupção do coração.
Segundo a Bíblia, o que Deus
espera da Igreja?
Cristo não chamou sua Igreja
para viver em disputas internas.
Ele orou para que seus
discípulos fossem um.
A unidade sempre foi um
testemunho do Evangelho.
Por isso, todo cristão deve se
perguntar diariamente:
As minhas palavras aproximam
ou afastam pessoas?
Estou levando paz ou
alimentando conflitos?
Quando converso sobre
alguém, estou edificando ou destruindo sua reputação?
São perguntas difíceis, mas
necessárias.
A esperança para quem deseja
recomeçar
A boa notícia é que Deus
oferece restauração.
Não existe pecado que Cristo
não possa perdoar.
Não existe transgressão que
seu sangue não possa apagar.
Não existe iniquidade que o
Espírito Santo não possa transformar quando há arrependimento sincero.
João escreve: "Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça." (1 João 1:9)
Observe que Deus não promete
apenas perdão; Ele promete purificação.
O Senhor deseja substituir a
língua que divide por palavras que edificam. O coração que manipulava pode
tornar-se um coração que serve, e a pessoa que antes espalhava discórdia pode
tornar-se um instrumento de reconciliação.
Esse é o poder transformador
do verdadeiro Evangelho de Cristo, nosso Senhor.
Conclusão
As maiores crises de uma
igreja raramente começam no púlpito. Elas costumam nascer na formação de
grupos, em conversas reservadas, em comentários maliciosos, em informações
distorcidas e em corações que perderam o compromisso com a verdade.
Por isso, a Bíblia trata com
tanta seriedade aqueles que promovem divisões entre irmãos.
O pecado é errar o
alvo de Deus.
A transgressão é
desobedecer conscientemente à sua vontade.
A iniquidade é
permitir que essa desobediência molde o caráter.
Que nossas palavras sejam
instrumentos de cura, e não de destruição; de comunhão, e não de divisão.
Afinal, onde Cristo reina, a
verdade caminha de mãos dadas com o amor, e a paz sempre fala mais alto do que
a intriga.
E você? Já conhecia a
diferença entre pecado, transgressão e iniquidade?
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