Quando a Palavra confronta o nosso coração


Vladimir Chaves

“Quem não me ama não guarda as minhas palavras.”  João 14:24

Há uma pergunta que a Bíblia nos faz silenciosamente cada vez que a abrimos: estamos dispostos a ouvir Deus, mesmo quando sua Palavra diz aquilo que não queremos ouvir?

É fácil amar uma Palavra que nos consola, fortalece e confirma nossas expectativas. Difícil é recebê-la quando ela confronta nosso orgulho, corrige nossas escolhas ou revela aquilo que tentamos esconder até de nós mesmos.

Mas é justamente aí que percebemos o valor da Bíblia.

A Palavra de Deus não foi entregue para ser moldada às nossas opiniões. Nós é que precisamos ser moldados por ela. Quando usamos a Escritura apenas para encontrar versículos que sustentem aquilo que já decidimos pensar, deixamos de ouvi-la como Palavra de Deus e passamos a utilizá-la como instrumento das nossas próprias convicções.

Isso pode acontecer em qualquer área da vida. Podemos procurar na Bíblia argumentos para justificar nossas atitudes, defender nossos interesses ou até condenar os outros, enquanto ignoramos aquilo que Deus está tratando em nós.

Por isso, tanto ler como aplicar a Bíblia exige humildade. É preciso coragem para chegar diante dela não apenas dizendo: “Senhor, mostra-me o que preciso saber”, mas também: “Senhor, mostra-me o que preciso mudar.”

Paulo diz que toda a Escritura é útil para ensinar, repreender, corrigir e instruir na justiça (2 Timóteo 3:16). A Bíblia não foi dada para alimentar o nosso ego, mas para transformar o nosso caráter.

Talvez algumas das palavras mais importantes que Deus nos dirá sejam justamente aquelas que inicialmente não queremos ouvir.

Porque a Palavra que nos confronta também é a Palavra que nos conduz de volta ao caminho.

Abrir a Bíblia é importante. Mais importante ainda é permitir que ela abra o nosso coração.

0 comentários:

Postar um comentário

Conteúdo é ideal para leitores cristãos interessados em doutrina, ética ministerial e fidelidade bíblica.