“Quem não me ama não guarda
as minhas palavras.” João 14:24
Há uma pergunta que a Bíblia
nos faz silenciosamente cada vez que a abrimos: estamos dispostos a ouvir Deus,
mesmo quando sua Palavra diz aquilo que não queremos ouvir?
É fácil amar uma Palavra que
nos consola, fortalece e confirma nossas expectativas. Difícil é recebê-la
quando ela confronta nosso orgulho, corrige nossas escolhas ou revela aquilo
que tentamos esconder até de nós mesmos.
Mas é justamente aí que
percebemos o valor da Bíblia.
A Palavra de Deus não foi
entregue para ser moldada às nossas opiniões. Nós é que precisamos ser moldados
por ela. Quando usamos a Escritura apenas para encontrar versículos que
sustentem aquilo que já decidimos pensar, deixamos de ouvi-la como Palavra de
Deus e passamos a utilizá-la como instrumento das nossas próprias convicções.
Isso pode acontecer em
qualquer área da vida. Podemos procurar na Bíblia argumentos para justificar
nossas atitudes, defender nossos interesses ou até condenar os outros, enquanto
ignoramos aquilo que Deus está tratando em nós.
Por isso, tanto ler como aplicar
a Bíblia exige humildade. É preciso coragem para chegar diante dela não apenas
dizendo: “Senhor, mostra-me o que preciso saber”, mas também: “Senhor,
mostra-me o que preciso mudar.”
Paulo diz que toda a
Escritura é útil para ensinar, repreender, corrigir e instruir na justiça (2
Timóteo 3:16). A Bíblia não foi dada para alimentar o nosso ego, mas para
transformar o nosso caráter.
Talvez algumas das palavras
mais importantes que Deus nos dirá sejam justamente aquelas que inicialmente
não queremos ouvir.
Porque a Palavra que nos
confronta também é a Palavra que nos conduz de volta ao caminho.
Abrir a Bíblia é importante.
Mais importante ainda é permitir que ela abra o nosso coração.


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