Nem tudo o que a igreja proíbe, Deus proibiu


Vladimir Chaves


“E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens.”  
Marcos 7:7-8

Existe uma diferença fundamental entre os mandamentos de Deus e as regras estabelecidas pelos homens em nome da religião. Uma proibição não se torna bíblica simplesmente porque é ensinada na igreja, transmitida de geração em geração ou praticada há muitos anos.

Em Marcos 7:7-8, Jesus repreendeu os religiosos que colocavam suas tradições acima da Palavra de Deus. O problema não estava na existência de costumes, mas em atribuir autoridade divina a regras humanas, como se elas fossem mandamentos do próprio Deus. Dessa forma, tradições criadas pelos homens podiam acabar ocupando o lugar daquilo que o Senhor realmente havia ordenado.

Isso, porém, não significa que tudo seja permitido ao cristão. Mesmo quando a Bíblia não proíbe expressamente determinada prática, nossas escolhas devem ser orientadas pelos princípios das Escrituras. Por isso, é necessário discernir entre aquilo que Deus ordena, aquilo que a Palavra condena e aquilo que pertence aos costumes e às tradições de uma comunidade religiosa.

Respeitar a igreja e suas orientações não significa considerar infalíveis todas as suas regras. Toda proibição apresentada como vontade de Deus deve ser examinada à luz das Escrituras. Antes de declarar que algo é pecado, precisamos verificar se existe fundamento bíblico para essa afirmação, evitando tanto o desprezo pelos mandamentos divinos quanto a condenação de pessoas com base em tradições humanas.

Diante disso, cabe uma reflexão: estamos submetendo nossas tradições à autoridade da Palavra de Deus ou tentando submeter a Palavra de Deus às nossas tradições?

A diferença é essencial. Uma coisa é obedecer ao Senhor; outra é confundir normas humanas com a vontade divina. A verdadeira fidelidade a Deus exige mais do que repetir aquilo que aprendemos no ambiente religioso: exige conhecer as Escrituras, examinar os ensinamentos que recebemos e buscar discernimento para distinguir os mandamentos de Deus das tradições dos homens.

A questão não é rejeitar os costumes da igreja, mas não atribuir a eles uma autoridade que pertence exclusivamente à Palavra de Deus. Afinal, nossa fé deve estar fundamentada naquilo que o Senhor realmente ensinou, e não simplesmente naquilo que nos acostumamos a ouvir e praticar.

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