Desigrejados: fruto de igrejas que perderam o espírito do evangelho


Vladimir Chaves

“Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis.

Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus.

E isto vos farão porque não conheceram ao Pai nem a mim.” João 16:1-3

Vivemos um tempo muito parecido com o que Jesus Cristo descreveu em João 16:1-3. Ele avisou aos discípulos que chegaria o momento em que servir a Deus não seria fácil, e que muitos seriam rejeitados, criticados e até perseguidos por causa da fé. O mais impressionante é que Ele disse que haveria pessoas que fariam isso pensando estar agradando a Deus.

Hoje vemos algo semelhante. Nem sempre a oposição vem de quem está longe da religião. Muitas vezes vem de pessoas religiosas, de ambientes que deveriam defender a verdade, mas que perderam o entendimento do que é realmente conhecer a Deus. Jesus ensinou que o problema não está apenas na perseguição, mas na falta de conhecimento verdadeiro do Pai. Quando a fé vira apenas tradição, costume ou interesse, ela pode se tornar dura, pesada e até injusta.

Um fenômeno muito visível no nosso tempo é o crescimento dos chamados “desigrejados”. São pessoas que creram, que começaram a caminhar na fé, mas que se afastaram das igrejas porque encontraram mais cobrança do que cuidado, mais regras do que ensino, mais peso do que graça. Em muitos casos, não se afastaram de Deus, mas se afastaram de ambientes religiosos que colocam fardos difíceis de suportar.

A religiosidade, quando perde o equilíbrio, impõe cargas que nem ela mesma consegue carregar. Em vez de acolher o convertido, discipular com paciência e ensinar com amor, acaba exigindo mudanças rápidas, impondo tradições humanas e criando um clima de julgamento constante. Isso fere, cansa e desanima.

Esse problema não é novo. No tempo de Jesus também havia líderes religiosos que colocavam pesos sobre as pessoas, mas não ajudavam a carregá-los. Por isso, as palavras de João 16 continuam atuais. Quando falta o verdadeiro conhecimento de Deus, a religião pode se tornar um instrumento de afastamento, quando deveria ser um lugar de restauração.

Seguir a Cristo nunca foi sinônimo de viver sem dificuldades, mas também nunca foi para ser um caminho de opressão espiritual. O evangelho chama ao arrependimento, mas também oferece perdão. Chama à santidade, mas também ensina com misericórdia. Chama à obediência, mas conduz com amor.

Por isso, o tempo atual nos desafia a refletir.

Antes de perguntar por que tantas pessoas estão deixando as igrejas, talvez seja necessário perguntar se a igreja tem sido lugar de cura ou de peso, de ensino ou de imposição, de graça ou apenas de cobrança.

Quem conhece o Pai de verdade não afasta os que estão chegando.

Quem conhece Cristo não transforma a fé em um fardo impossível.

E quem vive o evangelho sabe que a verdade liberta, mas deve ser ensinada com amor, para que ninguém se perca no caminho.

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