“Tenho-vos dito estas coisas
para que não vos escandalizeis.
Expulsar-vos-ão das
sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um
serviço a Deus.
E isto vos farão porque não conheceram ao Pai nem a mim.” João 16:1-3
Vivemos um tempo muito
parecido com o que Jesus Cristo descreveu em João 16:1-3. Ele avisou aos
discípulos que chegaria o momento em que servir a Deus não seria fácil, e que
muitos seriam rejeitados, criticados e até perseguidos por causa da fé. O mais
impressionante é que Ele disse que haveria pessoas que fariam isso pensando
estar agradando a Deus.
Hoje vemos algo semelhante.
Nem sempre a oposição vem de quem está longe da religião. Muitas vezes vem de
pessoas religiosas, de ambientes que deveriam defender a verdade, mas que
perderam o entendimento do que é realmente conhecer a Deus. Jesus ensinou que o
problema não está apenas na perseguição, mas na falta de conhecimento
verdadeiro do Pai. Quando a fé vira apenas tradição, costume ou interesse, ela
pode se tornar dura, pesada e até injusta.
Um fenômeno muito visível no
nosso tempo é o crescimento dos chamados “desigrejados”. São pessoas que
creram, que começaram a caminhar na fé, mas que se afastaram das igrejas porque
encontraram mais cobrança do que cuidado, mais regras do que ensino, mais peso
do que graça. Em muitos casos, não se afastaram de Deus, mas se afastaram de
ambientes religiosos que colocam fardos difíceis de suportar.
A religiosidade, quando
perde o equilíbrio, impõe cargas que nem ela mesma consegue carregar. Em vez de
acolher o convertido, discipular com paciência e ensinar com amor, acaba
exigindo mudanças rápidas, impondo tradições humanas e criando um clima de julgamento
constante. Isso fere, cansa e desanima.
Esse problema não é novo. No
tempo de Jesus também havia líderes religiosos que colocavam pesos sobre as
pessoas, mas não ajudavam a carregá-los. Por isso, as palavras de João 16
continuam atuais. Quando falta o verdadeiro conhecimento de Deus, a religião
pode se tornar um instrumento de afastamento, quando deveria ser um lugar de
restauração.
Seguir a Cristo nunca foi
sinônimo de viver sem dificuldades, mas também nunca foi para ser um caminho de
opressão espiritual. O evangelho chama ao arrependimento, mas também oferece
perdão. Chama à santidade, mas também ensina com misericórdia. Chama à obediência,
mas conduz com amor.
Por isso, o tempo atual nos
desafia a refletir.
Antes de perguntar por que
tantas pessoas estão deixando as igrejas, talvez seja necessário perguntar se a
igreja tem sido lugar de cura ou de peso, de ensino ou de imposição, de graça
ou apenas de cobrança.
Quem conhece o Pai de
verdade não afasta os que estão chegando.
Quem conhece Cristo não
transforma a fé em um fardo impossível.
E quem vive o evangelho sabe que a verdade liberta, mas deve ser ensinada com amor, para que ninguém se perca no caminho.



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