O discernimento espiritual
nunca foi tão necessário. Em meio à grande quantidade de pregadores, mensagens
e ensinamentos disponíveis, nem tudo o que é apresentado em nome de Deus
realmente procede d'Ele.
Por meio do profeta
Jeremias, o Senhor fez uma séria advertência:
"Portanto, eis que sou
contra esses profetas, diz o SENHOR, que furtam as minhas palavras, cada um ao
seu companheiro. Eis que sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que pregam a
sua própria palavra e afirmam: Ele disse." (Jeremias 23:30-31)
Essa advertência permanece
extremamente atual. É cada vez mais comum vermos líderes se afastando da sólida
doutrina bíblica e da fidelidade às Escrituras. Infelizmente, muitos têm
abandonado a verdade revelada na Palavra de Deus. Em vez de permanecerem firmes
no ensino bíblico, passaram a promover ideias, experiências e interpretações
sem respaldo nas Escrituras, trilhando um perigoso caminho de apostasia.
Também devemos estar atentos
àqueles que iniciam suas mensagens desvalorizando o conhecimento das
Escrituras, afirmando que "não é preciso conhecer a Bíblia de Gênesis a
Apocalipse para trazer a Palavra de Deus". Uma declaração como essa deve ser
prontamente rejeitada, pois revela uma compreensão equivocada do ministério da
pregação. Ninguém pode anunciar fielmente aquilo que não conhece. O próprio
Senhor Jesus, ao ser tentado no deserto, respondeu ao diabo citando as
Escrituras, dizendo: "Está escrito" (Mateus 4:4,7,10),
demonstrando que a autoridade da mensagem está na Palavra de Deus, e não na
opinião do pregador.
O apóstolo Paulo declarou
aos presbíteros de Éfeso: "Jamais deixei de vos anunciar todo o
desígnio de Deus" (Atos 20:27). O compromisso do ministro do Evangelho
não é selecionar apenas os textos que lhe agradam ou que produzem aplausos, mas
ensinar todo o conselho de Deus, de Gênesis a Apocalipse, anunciando tanto as
promessas quanto as exortações, tanto a graça quanto a santidade.
Da mesma forma, Paulo
orientou Timóteo: "Prega a palavra; insta, quer seja oportuno, quer
não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina",
alertando que chegaria o tempo em que muitos não suportariam a sã doutrina e
cercariam para si mestres conforme os seus próprios desejos (2 Timóteo 4:2-4).
Essa realidade é visível em nossos dias, quando muitos preferem mensagens
motivacionais e experiências pessoais em lugar da exposição fiel das
Escrituras.
Além disso, a Bíblia declara
que "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a
repreensão, para a correção e para a educação na justiça" (2 Timóteo 3:16).
Observe que o texto não diz "parte da Escritura", mas toda a
Escritura. Desprezar o conhecimento da Bíblia é desprezar o instrumento que
Deus concedeu para formar, corrigir e aperfeiçoar o seu povo.
O profeta Oséias registrou
uma das advertências mais solenes das Escrituras: "O meu povo está
sendo destruído porque lhe falta o conhecimento" (Oséias 4:6). Uma
igreja que desconhece a Palavra torna-se vulnerável aos falsos mestres, às
heresias e aos ventos de doutrinas que levam a apostasia.
Diante dessa realidade, todo cristão é chamado a exercer discernimento. Não devemos aceitar uma mensagem apenas porque ela é apresentada por alguém conhecido, eloquente ou popular. O verdadeiro teste de qualquer ensino continua sendo a Palavra de Deus.
Os cristãos de Bereia foram
elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para confirmar se aquilo
que ouviam era verdadeiro (Atos 17:11). Esse deve ser também o nosso
compromisso.
Portanto, ao ouvir qualquer
pregador, confronte suas palavras com a Bíblia. Se logo no início ele procura
minimizar a importância do conhecimento das Escrituras ou transmite a ideia de
que o estudo da Bíblia é secundário, acende-se um sério sinal de alerta. A
autoridade do pregador nunca pode estar acima da autoridade da Palavra de Deus.
Se o ensino não estiver em harmonia com a revelação das Escrituras, não lhe dê
crédito, por mais convincente que pareça. A verdade não muda com o tempo, nem
se adapta às tendências da sociedade.
A Bíblia permanece sendo a
infalível, suficiente e incontestável Palavra de Deus. Ela é o padrão para a
fé, para a vida cristã e para a identificação do erro. Quem permanece firme nas
Escrituras dificilmente será levado por ventos de falsas doutrinas.
Que o nosso compromisso seja
sempre amar a verdade, guardar a Palavra de Deus no coração e pedir ao Espírito
Santo sabedoria para discernir entre a voz do Bom Pastor e as vozes daqueles
que falam apenas de si mesmos.


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