Há uma frase atribuída a
Billy Graham, dita no final de sua jornada, que resume uma profunda confiança
na Palavra de Deus: “Eu já li a última página da Bíblia. No fim, tudo vai
dar certo.”
Essas palavras não vieram de
alguém que conhecia apenas alguns versículos ou cuja fé estivesse baseada em
frases bonitas. Billy Graham dedicou décadas ao estudo das Escrituras e à
pregação do evangelho. Ao chegar ao fim de sua vida, sua segurança não estava
no número de sermões que havia pregado nem na quantidade de pessoas que havia
alcançado. Sua confiança estava em algo muito maior: ele conhecia a história
que a Bíblia conta.
E essa é uma reflexão
importante para todos nós: conhecer versículos não é necessariamente o mesmo
que conhecer a Bíblia.
Alguns conhecem determinados
assuntos, mas têm dificuldade para explicar como a mensagem bíblica se
desenvolve de Gênesis a Apocalipse. Leem versículos, grifam passagens,
compartilham frases e memorizam textos. Porém, quando alguém pergunta: “Qual é
o contexto desse versículo? Quem o escreveu? Para quem foi escrito? Por que foi
escrito? O que estava acontecendo naquela época? Como essa passagem aponta para
Cristo?”, muitas vezes não sabem responder.
É justamente nesse ponto que
precisamos levar a sério a advertência de Jesus: “Errais, não conhecendo as
Escrituras, nem o poder de Deus.” Mateus 22:29
Conhecer a Bíblia não
significa apenas decorar versículos. Significa compreender sua mensagem, seu
contexto e a maneira como suas diferentes partes se relacionam.
A Bíblia conta uma grande
história
Em todas as páginas das
Escrituras existe uma história que atravessa gerações, povos, acontecimentos e
alianças: a história da redenção realizada por Deus e consumada em Jesus
Cristo.
Por isso, depois de sua
ressurreição, Jesus explicou aos discípulos as Escrituras e mostrou como elas
apontavam para Ele:
“E, começando por Moisés,
discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em
todas as Escrituras.” Lucas 24:27
Essa declaração é
extraordinária. Jesus mostrou que as Escrituras não eram uma coleção de
histórias isoladas, frases soltas ou ensinamentos desconectados. Elas faziam
parte de um grande plano de Deus.
Por isso, ao abrir qualquer
livro da Bíblia, vale a pena fazer algumas perguntas: Quem escreveu? Quando foi
escrito? Para quem foi escrito? Qual era o propósito? O que estava acontecendo
naquela época? Como esse livro se relaciona com os demais? O que ele revela
sobre Deus e sobre o plano da salvação?
Essas perguntas podem
transformar completamente nossa maneira de estudar a Bíblia.
Imagine alguém recebendo uma
carta sem saber quem a escreveu, para quem foi enviada ou qual situação motivou
sua escrita. É possível compreender algumas frases, mas dificilmente se
entenderá toda a mensagem.
Com a Bíblia acontece algo
semelhante. O contexto não substitui a fé; ele nos ajuda a compreender
corretamente aquilo que Deus revelou.
De Gênesis a Apocalipse
Quando começamos a enxergar
a Bíblia como uma história completa, muitos textos passam a adquirir um
significado mais profundo.
Gênesis apresenta a criação,
a entrada do pecado no mundo e a necessidade da redenção. Ao longo do Antigo
Testamento, Deus revela seu caráter, estabelece alianças, conduz seu povo e
anuncia, por meio dos profetas, a esperança da salvação.
Nos Evangelhos, encontramos
Jesus Cristo, o Salvador prometido, que anuncia o Reino de Deus, entrega sua
vida na cruz e ressuscita.
Nas cartas do Novo
Testamento, os apóstolos explicam o significado da obra de Cristo e suas
implicações para a vida daqueles que creem.
E, finalmente, Apocalipse
aponta para a consumação da história, quando Deus estabelecerá definitivamente
sua vitória.
Mas qual é o centro de toda
essa história? Quem é o personagem principal? Jesus Cristo.
O apóstolo Paulo resumiu a
essência do evangelho desta maneira:
“Antes de tudo, vos
entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo
as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo
as Escrituras.” 1 Coríntios 15:3-4
Observe a expressão
repetida: “segundo as Escrituras”.
A morte e a ressurreição de
Cristo não foram acontecimentos desconectados da história bíblica. Faziam parte
do plano de Deus anunciado e desenvolvido ao longo das Escrituras.
Talvez um dos grandes
desafios de nossa geração seja justamente este: voltar a conhecer a Bíblia como
um todo.
Não precisamos abandonar
nossos versículos favoritos, mas precisamos ir além deles.
Não basta conhecer uma
frase; precisamos compreender a mensagem.
Não basta defender uma
doutrina; precisamos conhecer Aquele para quem toda a Escritura aponta.
Não basta abrir a Bíblia
somente quando precisamos de uma resposta; precisamos permitir que ela forme
nossa maneira de pensar, viver e enxergar Deus.
Paulo escreveu: “Toda a
Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para repreensão, para
correção, para educação na justiça.” 2 Timóteo 3:16
A Bíblia não foi dada apenas
para nos fornecer frases de conforto ou argumentos para serem usados contra
outras pessoas. Ela foi dada para ensinar, corrigir, transformar e conduzir-nos
à verdade.
Por isso, talvez seja hora
de fazermos uma pergunta sincera a nós mesmos: Eu conheço a Bíblia ou apenas
conheço partes dela?
Conheço versículos, mas
conheço a história?
Conheço doutrinas, mas
conheço o Salvador?
Conheço palavras sobre Deus,
mas conheço o Deus revelado nas Escrituras?
Se aprendermos a enxergar a
grande história da Bíblia, compreenderemos melhor por que alguém como Billy
Graham podia olhar para o futuro com tanta confiança.
Ele havia “lido a última
página”.
E a última página nos lembra
que a história não termina no sofrimento, no pecado, na morte ou no fracasso
humano. A história termina com a vitória de Cristo.
É por isso que nossa
esperança não está nas circunstâncias do presente, mas naquele que conhece o
começo, sustenta o meio e já declarou o fim.
Conheça a Bíblia. Leia seus
livros. Estude seus contextos. Compreenda sua mensagem. Não se contente apenas
em colecionar versículos ou frases de efeito.
Leia a Bíblia para conhecer
a história. Estude-a para compreender a verdade. Viva-a para experimentar sua
transformação.
E, acima de tudo, procure
enxergar em suas páginas a grande história de Deus e o Salvador que é o centro
dessa história

