“Porventura, procuro eu,
agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se
agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.” Gálatas 1.10
Existe uma diferença
profunda entre ser uma pessoa agradável e viver para agradar pessoas. A
primeira pode revelar educação e maturidade; a segunda revela uma perigosa
dependência da aprovação alheia. Quando a necessidade de ser aceito se torna
maior que o compromisso com Deus, a fidelidade começa a ser negociada.
Paulo sabia disso. Em Gálatas
1.10, ele não está defendendo uma postura arrogante ou indiferente às
pessoas. Está afirmando que o servo de Cristo não pode colocar a aprovação
humana acima da vontade de Deus. Afinal, quem foi chamado para servir ao Senhor
não pode permitir que o medo da rejeição determine sua obediência.
Essa é uma questão
especialmente séria dentro da vida cristã. Há momentos em que dizer a verdade
custará amizades; manter princípios provocará críticas; corrigir um erro
produzirá resistência; recusar determinados comportamentos fará com que alguns
nos considerem inconvenientes. Nesses momentos, surge uma escolha: preservar a
aprovação das pessoas ou permanecer fiel àquilo que Deus estabeleceu.
A Bíblia mostra que essa
tensão não é nova. Jesus não adaptou sua mensagem simplesmente para manter
multidões. Quando muitos se escandalizaram com seu ensino e deixaram de
segui-lo, ele não suavizou a verdade para recuperá-los. Perguntou aos
discípulos: “Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?” (João
6.67).
Isso deveria nos fazer
refletir sobre o tipo de cristianismo que estamos construindo. Quando a
preocupação em agradar supera a preocupação em obedecer, a fé corre o risco de
se transformar em uma busca por aceitação. E uma igreja que se distância da
verdade de Deus, corre o risco de perder sua essência.
É preciso reconhecer, porém,
que obedecer a Deus não significa tratar as pessoas com desprezo. O cristão não
foi chamado para ser agressivo, insensível ou deliberadamente desagradável. A
verdade deve caminhar acompanhada do amor. Paulo escreveu: “Seguindo a
verdade em amor” (Efésios 4.15). Portanto, firmeza sem amor pode se
transformar em dureza; mas amor sem verdade pode se transformar em omissão.
O problema não está em
querer fazer o bem às pessoas. O problema está em precisar da aprovação delas
para continuar fazendo aquilo que Deus mandou.
Há cristãos que silenciam
suas convicções para não serem rejeitados por amigos, familiares ou grupos. Aos
poucos, a pergunta deixa de ser “O que Deus espera de mim?” e passa a ser “O
que preciso fazer para que continuem gostando de mim?”
Essa troca de referência é
perigosa.
Quem vive para agradar a
todos acaba prisioneiro das expectativas de todos. Hoje precisará agradar uma
pessoa; amanhã, outra. Uma exigirá silêncio, outra exigirá posicionamento. Uma
pedirá concessão, outra cobrará coerência. E, tentando satisfazer todas as
expectativas, a pessoa perde a capacidade de permanecer firme.
O chamado de Deus não é para sermos populares, mas fiéis.
Nem toda crítica significa
que estamos errados, assim como todo elogio não significa que estamos certos. A
aprovação humana é uma referência instável. Pessoas mudam de opinião, multidões
mudam de lado e circunstâncias mudam rapidamente. A Palavra de Deus, porém,
permanece.
Por isso, o cristão precisa
aprender a suportar a incompreensão sem abandonar a obediência. Haverá momentos
em que você será mal interpretado justamente porque decidiu fazer o que é
correto. Haverá pessoas que não compreenderão suas escolhas, outras que discordarão
de sua postura e algumas que talvez se afastem.
Nem sempre será agradável.
Mas fidelidade nunca foi sinônimo de facilidade.
Jesus afirmou: “Se alguém
quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus
16.24). Seguir Cristo envolve renúncia. E uma das renúncias mais difíceis é
abandonar a necessidade constante de ser aprovado.
No final, a pergunta mais
importante não será quantas pessoas aplaudiram nossas escolhas, mas se
permanecemos fiéis ao Senhor. Não será quantos nos admiraram, mas se nossa vida
honrou aquele que nos chamou.
Por isso, não permita que o
medo da rejeição determine sua obediência. Seja humilde para ouvir, sábio para
reconhecer quando estiver errado e amoroso ao tratar as pessoas. Mas, quando
souber que Deus exige de você uma determinada postura, não abandone a verdade
apenas para preservar sua popularidade.
Você não foi chamado para
agradar a todos.
Foi chamado para obedecer a Deus.
E, se em algum momento precisar escolher entre a aprovação dos homens e a fidelidade ao Senhor, lembre-se das palavras de Paulo: “Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.” (Gálatas 1.10)






