Há pessoas tentando resolver
hoje problemas que ainda não existem. Sofrem por possibilidades, perdem o sono
por cenários imaginários e transformam o “e se?” em uma sentença antecipada.
A ansiedade faz isso: coloca
o coração diante de um futuro que ainda não chegou e o obriga a enfrentar
batalhas que talvez jamais aconteçam.
Não é apenas preocupação. É
a tentativa humana de controlar aquilo que está fora do nosso alcance.
E aqui está uma verdade que
precisa ser dita: há momentos em que nossa ansiedade revela menos a dimensão do
problema e mais a nossa dificuldade de confiar em Deus.
Isso não significa tratar a
ansiedade com superficialidade, muito menos dizer que todo sofrimento emocional
é falta de fé. Significa reconhecer que a fé cristã nos chama a enfrentar
nossas inquietações de maneira diferente: não negando o que sentimos, mas
levando aquilo que sentimos para Deus.
Jesus foi direto: “Portanto,
não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta
ao dia o seu próprio mal.” Mateus 6:34
Cristo não está mandando o
ser humano viver de maneira irresponsável. Ele está colocando um limite na
preocupação.
O amanhã ainda não chegou.
Por que, então, entregar a
ele a paz que Deus concedeu ao presente?
A ansiedade quer controle. A
fé exige confiança.
Talvez seja justamente aqui
que esteja uma das maiores batalhas espirituais.
Queremos saber como será.
Queremos garantir que dará
certo.
Queremos prever todos os
riscos.
Queremos controlar pessoas,
circunstâncias, resultados e até o futuro.
Mas ninguém consegue
controlar tudo.
E quanto mais tentamos
controlar o incontrolável, mais inquieto fica o coração.
Pedro apresenta uma
alternativa: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem
cuidado de vós.” 1 Pedro 5:7
O verbo é significativo:
lançar.
Não é esconder, não é
disfarçar, não é fingir que não existe.
É colocar diante de Deus.
Aquilo que está sufocando
você precisa sair do território da preocupação e entrar no território da
oração.
Ore mais do que imagina
Paulo não oferece uma
fórmula complicada: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam
conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com
ações de graças.” Filipenses 4:6
A Bíblia não manda o cristão
simplesmente “parar de pensar”.
Ela ensina para onde levar
aquilo que pensamos.
A preocupação pergunta: “O
que eu vou fazer?”
A oração pergunta: “Senhor,
o que devo fazer?”
Parece uma pequena
diferença, mas muda tudo.
Quando a preocupação ocupa o
lugar da oração, carregamos sozinhos aquilo que deveríamos apresentar a Deus.
E Paulo continua: “E a
paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa
mente em Cristo Jesus.” Filipenses 4:7
Perceba: Paulo fala primeiro
de paz, não de solução.
Deus pode mudar a
circunstância. Mas, muitas vezes, antes de mudar a circunstância, Ele muda o
coração que está enfrentando a circunstância.
Nem todo “e se?” merece uma
resposta
Uma das armadilhas da
ansiedade é transformar possibilidades em certezas.
“E se acontecer?”
“E se eu perder?”
“E se der errado?”
“E se tudo piorar?”
O problema é que a mente
ansiosa frequentemente responde a essas perguntas como se elas já fossem fatos.
Mas não são.
São possibilidades.
E possibilidade não é
profecia.
Por isso Paulo aconselha: “Tudo
o que é verdadeiro... tudo o que é justo... tudo o que é amável... seja isso o
que ocupe o vosso pensamento.” Filipenses 4:8
A vida espiritual também
passa pela maneira como pensamos.
Precisamos aprender a
questionar nossos próprios pensamentos e submetê-los à verdade da Palavra.
Se o medo diz: “Você está
sozinho”, a Bíblia responde: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te
abandonarei.” Hebreus 13:5
Se o medo diz: “Você não
sabe o que vai acontecer”, a fé responde: Deus sabe.
Se o medo diz: “Você precisa
controlar tudo”, a Palavra de Deus responde: “Entrega o teu caminho ao
Senhor; confia nele, e o mais ele fará.” Salmo 37:5
Fazer a nossa parte não
significa controlar o resultado
Existe uma diferença enorme
entre responsabilidade e controle.
Responsabilidade é fazer
aquilo que está ao nosso alcance.
Controle é querer determinar
aquilo que está além dele.
Devemos trabalhar, planejar,
estudar, conversar, decidir, pedir ajuda quando necessário e enfrentar nossos
problemas.
Mas depois de fazer aquilo
que nos cabe, precisamos aprender a parar.
Há coisas que são
responsabilidade nossa. Há coisas que pertencem a Deus.
Confundir essas duas coisas
produz exaustão.
O salmista sabia disso: “Confia
os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá.” Salmo 55:22
Entregar os teus cuidados
não é demonstrar fraqueza.
É reconhecer limites.
É admitir que não somos
Deus.
E talvez uma das maiores
expressões de fé seja justamente esta: aceitar que não precisamos ter o
controle para continuar confiando.
O amanhã pertence a Deus
Talvez o que esteja tirando
sua paz ainda nem tenha acontecido.
Talvez você esteja sofrendo
por uma conversa que ainda não teve, por uma resposta que ainda não recebeu,
por uma porta que ainda não se fechou ou por um problema que talvez nem
aconteça.
Então pare, respire e ore.
Faça o que está ao seu
alcance.
E entregue a Deus aquilo que
está além dele.
Jesus disse: “Não vos
inquieteis com o dia de amanhã.” Mateus 6:34
Não é uma frase bonita para
colocar em uma imagem religiosa.
É uma ordem de Cristo.
Pare de tentar viver amanhã
com a força que Deus lhe deu para viver hoje.
O amanhã terá suas próprias
exigências.
Hoje, você tem apenas o
presente.
E é nele que Deus espera que
você confie.
A ansiedade pergunta: “E se
tudo der errado?”
A fé responde: “Mesmo que eu
não saiba o que acontecerá, sei em quem tenho confiado.”
Como escreveu o salmista: “Entrega
o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.” Salmo 37:5
O futuro pode ser incerto
para nós. Para Deus, não.
E talvez seja exatamente
isso que precisamos lembrar quando o coração começar a perder a paz: não
precisamos conhecer o caminho inteiro para dar o próximo passo; precisamos
apenas confiar naquele que já conhece o caminho.




