Quando o Evangelho deixa de ser Cristo e passa a ser o homem


Vladimir Chaves

Por Vladimir Chaves

Há uma pergunta que precisa ser feita com coragem, especialmente em uma época em que a palavra “evangelho” é usada para justificar quase todo tipo de mensagem religiosa:

O evangelho que estamos ouvindo e pregando é realmente o Evangelho de Jesus Cristo?

A pergunta não é exagerada.

Em muitos ambientes religiosos, a mensagem da cruz parece estar sendo substituída por uma mensagem centrada no sucesso pessoal, na prosperidade financeira, no poder, na influência, no status e na realização dos desejos humanos.

A cruz sendo trocada pelo conforto.

A renúncia sendo trocada pela conveniência.

O arrependimento sendo trocado pela autoestima.

O serviço sendo trocado pelo poder.

A humildade sendo trocada pelo status.

E, talvez mais grave ainda, Cristo correndo o risco de deixar de ser o centro para se tornar apenas um meio de alcançar aquilo que o homem deseja.

O Evangelho não foi criado para massagear o ego

O verdadeiro Evangelho não existe para dizer ao pecador tudo aquilo que ele gostaria de ouvir.

Ele existe para revelar a verdade, conduzir ao arrependimento e transformar vidas.

Jesus não disse: “Venha a mim e você terá todos os seus sonhos realizados.”

Ele disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.” (Lucas 9:23)

Essa talvez seja uma das mensagens menos populares do nosso tempo.

Negar a si mesmo não combina com uma cultura que ensina que nossos desejos devem estar sempre em primeiro lugar.

Tomar a cruz não combina com um cristianismo que promete eliminar qualquer sofrimento.

Seguir Jesus não significa colocar Deus a serviço dos nossos projetos.

Significa colocar nossa vida à disposição de Deus.

O problema não é a prosperidade, mas transformar prosperidade em evangelho

É importante fazer uma distinção.

A Bíblia não ensina que possuir recursos materiais seja pecado. Há pessoas de Deus nas Escrituras que possuíam bens e recursos.

O problema começa quando a prosperidade material passa a ser apresentada como principal evidência da bênção de Deus, ou quando a fé é transformada em uma espécie de mecanismo para alcançar riqueza e sucesso.

Nesse modelo distorcido, Deus deixa de ser amado por quem Ele é e passa a ser procurado principalmente pelo que pode oferecer.

A pergunta deixa de ser: “Senhor, como posso servir?”

E passa a ser: “Senhor, o que podes me dar?”

Jesus advertiu: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui.” (Lucas 12:15)

Se a própria Bíblia nos alerta contra a avareza, não podemos transformar a busca por riqueza em centro da vida cristã.

A bênção nunca pode ocupar o lugar do Abençoador.

Quando a fé vira ferramenta para conquistar poder

Outro sinal preocupante é a aproximação entre fé e desejo de poder.

O Reino de Deus passa a ser tratado como uma estrutura de influência. O púlpito vira plataforma. O ministério vira carreira. O título vira símbolo de importância. A liderança deixa de ser serviço e passa a ser instrumento de domínio.

Mas Jesus ensinou exatamente o contrário.

Quando os discípulos discutiam sobre quem seria o maior, Jesus disse: “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos.” (Marcos 9:35)

Essa declaração deveria ser suficiente para nos fazer repensar a maneira como enxergamos liderança cristã.

No Reino de Deus, grandeza não significa estar acima dos outros. Significa estar disposto a servir.

Jesus tinha autoridade, mas não usou sua autoridade para explorar pessoas.

Ele tinha poder, mas não construiu um império pessoal.

Ele era Senhor, mas lavou os pés dos discípulos.

“Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.” (João 13:14)

O exemplo de Cristo é devastador para qualquer modelo de liderança baseado em orgulho, superioridade e domínio.

O Evangelho do status e da aparência

Existe também uma espiritualidade preocupada demais com aparência.

Temos ambientes onde o tamanho do templo, a posição ocupada, o título recebido, a quantidade de seguidores e a visibilidade pública parecem ter adquirido uma importância que a Bíblia não lhes atribui.

Mas Deus não mede uma pessoa pelos mesmos critérios dos homens.

Jesus denunciou uma religiosidade que valorizava a aparência enquanto escondia problemas no coração.

“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Mateus 15:8)

É possível falar muito sobre Deus e estar distante de Deus.

É possível carregar uma Bíblia e não obedecer à Bíblia.

É possível ocupar uma posição religiosa e continuar dominado pelo orgulho.

É possível receber aplausos dos homens e não receber aprovação de Deus.

Por isso Jesus ensinou: “Pois todo o que se exaltar será humilhado, e o que se humilha será exaltado.” (Lucas 14:11)

Quando a bênção se torna mais importante que Deus

Talvez esse seja um dos maiores problemas de uma fé excessivamente centrada na prosperidade.

Quando a pessoa aprende a buscar mais as mãos de Deus do que a presença de Deus, sua fé começa a depender das circunstâncias.

Se Deus dá, ela agradece.

Se Deus não dá, ela se decepciona.

Se tudo vai bem, ela diz que Deus está presente.

Se surgem dificuldades, começa a questionar sua fé.

Mas a verdadeira fé não depende apenas daquilo que recebemos.

Jó nos oferece uma das maiores lições sobre isso. Depois de experimentar perdas profundas, declarou:

“O Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1:21)

A fé verdadeira permanece mesmo quando as circunstâncias não correspondem às nossas expectativas.

Deus continua sendo Deus quando recebemos aquilo que pedimos e também quando não recebemos.

O Evangelho não promete uma vida sem sofrimento

Um dos maiores problemas de determinadas mensagens religiosas é criar a expectativa de que seguir Jesus significa viver livre de dificuldades.

Mas Jesus foi muito honesto com seus discípulos:

“No mundo, passais por aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16:33)

Observe que Jesus não disse “vocês não terão aflições”.

Ele disse que teríamos aflições.

A diferença está na promessa seguinte: “Eu venci o mundo.”

O Evangelho não é uma garantia de ausência de problemas.

É a certeza da presença de Cristo em meio aos problemas.

A cruz não foi um acidente na trajetória de Jesus.

A cruz faz parte da mensagem do Evangelho.

Por isso Paulo declarou: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Gálatas 6:14)

Um evangelho que agrada demais precisa ser examinado

Precisamos ter cuidado com uma mensagem que nunca confronta.

Se o sermão nunca fala sobre pecado, algo está errado.

Se nunca fala sobre arrependimento, precisamos perguntar por quê.

Se nunca fala sobre santidade, precisamos examinar a mensagem.

Se fala muito de dinheiro, mas pouco de generosidade e contentamento, precisamos prestar atenção.

Se fala muito de poder, mas pouco de serviço, precisamos questionar.

Se fala muito do sucesso do homem, mas pouco da cruz de Cristo, precisamos voltar às Escrituras.

Paulo já havia alertado: “Pois haverá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, se cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças.” (2 Timóteo 4:3)

O falso evangelho diz aquilo que queremos ouvir.

O verdadeiro Evangelho diz aquilo que precisamos ouvir.

Cristo precisa voltar ao centro

Não precisamos de um Evangelho adaptado ao mercado.

Não precisamos transformar a fé em produto.

Não precisamos fazer da igreja uma empresa, do púlpito um palco, do pregador uma celebridade e da bênção uma mercadoria.

Precisamos voltar ao Evangelho de Cristo.

O Evangelho que chama ao arrependimento.

Que anuncia graça.

Que oferece perdão.

Que exige renúncia.

Que ensina humildade.

Que confronta o orgulho.

Que condena a avareza.

Que ensina a servir.

Que chama à santidade.

Que aponta para a cruz.

E que coloca Cristo no centro de todas as coisas.

Paulo resumiu sua mensagem de maneira extraordinariamente simples: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.” (1 Coríntios 2:2)

Essa declaração deveria nos fazer refletir.

Cristo não morreu para transformar pecadores em consumidores de bênçãos.

Ele morreu para nos reconciliar com Deus e transformar nossa vida.

Paulo escreveu: “E, assim que, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Coríntios 5:17)

Afinal, qual Evangelho estamos seguindo?

Talvez essa seja a pergunta mais importante.

Não basta perguntar se uma mensagem fala de Deus.

Precisamos perguntar:

Ela está de acordo com as Escrituras?

Ela conduz ao arrependimento?

Produz humildade?

Ensina a servir?

Confronta o pecado?

Aponta para Cristo?

Valoriza a santidade?

Ensina contentamento?

Ou apenas alimenta a busca por dinheiro, poder, status, influência e reconhecimento?

Porque uma mensagem pode usar o nome de Jesus, citar versículos e falar sobre bênçãos e, ainda assim, estar muito distante do Evangelho que Jesus e os apóstolos anunciaram.

O maior problema não é uma igreja pequena.

Não é um templo simples.

Não é a falta de recursos.

O maior problema é ter igrejas cheias, grandes estruturas, multidões, influência e muita aparência religiosa — mas Cristo já não ser o centro da mensagem.

Jesus fez uma pergunta que continua atual: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8:36)

Essa pergunta deveria ecoar em todos os púlpitos.

Em todas as igrejas.

Em todos os ministérios.

E, principalmente, dentro de cada coração.

Que a Igreja volte à cruz.

Que os púlpitos voltem às Escrituras.

Que os líderes voltem a ser servos.

Que os cristãos voltem ao arrependimento.

E que Cristo volte a ocupar o lugar que nunca deveria ter deixado: o centro de tudo.

Porque o verdadeiro Evangelho não existe para fazer o homem parecer grande.

Existe para revelar a grandeza de Cristo.

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas; A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (Romanos 11:36)

sábado, 8 de agosto de 2026

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Não desista da fé por causa dos julgamentos humanos


Vladimir Chaves

“E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.” Lucas 23:43

Quem tem um chamado de Deus não deve abandonar a fé por causa dos julgamentos de pessoas religiosas. A caminhada cristã não pode ser sustentada pela aprovação dos homens, mas pela graça de Deus.

Infelizmente, muitos acabam se cansando da hipocrisia religiosa. Pessoas que procuravam na igreja um lugar de acolhimento, crescimento e comunhão encontram, às vezes, julgamentos, cobranças excessivas e pessoas mais preocupadas em apontar os erros dos outros do que em examinar o próprio coração. O crescimento do número de pessoas que se afastam das instituições religiosas nos faz pensar seriamente sobre isso.

Mas existe uma verdade que não podemos esquecer: a igreja não é uma reunião de pessoas perfeitas; é uma comunidade de pessoas imperfeitas que dependem da graça.

O próprio Cristo nos ensinou isso de maneira poderosa. O primeiro homem a ouvir de Jesus a promessa do Paraíso não foi um religioso admirado por sua aparência espiritual, mas um ladrão arrependido que reconheceu sua condição e voltou-se para Cristo. Isso nos lembra que a salvação não é prêmio para quem se considera perfeito, mas graça concedida a quem reconhece que precisa de Deus.

A graça escandaliza os arrogantes porque ela não funciona segundo a lógica do mérito humano.

Quando colocarem em dúvida a sua fé ou questionarem a sinceridade da sua conversão, não permita que essas palavras destruam aquilo que Deus está construindo em sua vida. É claro que devemos ouvir críticas quando elas são feitas com amor e fundamento na Palavra. Mas não precisamos viver escravizados pela opinião de quem decidiu medir a espiritualidade dos outros pela aparência, por regras humanas ou por seus próprios padrões.

Quem coloca a fé em uma vitrine viverá preocupado com a avaliação dos homens. Mas quem coloca a fé no coração buscará, acima de tudo, a aprovação de Cristo.

Isso não significa que devemos ignorar nossos erros. Pelo contrário. Quem conhece verdadeiramente a Palavra sabe que precisa vigiar, reconhecer suas falhas, confessar seus pecados e buscar arrependimento. A graça não é uma autorização para permanecer no pecado; é o caminho pelo qual o pecador encontra perdão e recomeço.

Podemos cair, mas não precisamos permanecer caídos. Podemos errar, mas podemos nos arrepender. Podemos ser feridos, mas podemos continuar caminhando.

Nossa esperança não está na nossa perfeição, mas em Cristo, que morreu por pecadores. O céu não é o destino daqueles que nunca erraram; é a esperança daqueles que foram alcançados pela graça, se arrependeram e confiaram em Cristo.

Por isso, não permita que o julgamento de outras pessoas faça você desistir daquilo que Deus colocou em seu coração. Não abandone Cristo por causa das falhas de pessoas que também precisam da graça.

Ao mesmo tempo, precisamos ter cuidado para não transformar aqueles que nos julgam em nossos inimigos. Eles também são seres humanos imperfeitos e precisam da mesma graça que nós. Em vez de alimentar ressentimento, devemos orar por eles. Talvez um dia também percebam que ninguém permanece de pé por seus próprios méritos.

A verdadeira maturidade cristã não está em acreditar que somos melhores que os outros. Está em reconhecer diariamente: “Eu também preciso da graça.”

Quem conhece Cristo não precisa viver tentando provar sua fé a todo momento. A perseverança, o testemunho, o arrependimento e os frutos de uma vida transformada falarão por si mesmos.

Não permita que a religiosidade de alguns apague a beleza do Evangelho. Não permita que o julgamento humano faça você esquecer a misericórdia de Deus.

Continue caminhando. Continue buscando a Palavra. Continue olhando para Cristo.

Porque o nosso chamado não é sustentado pela aprovação dos homens, mas pela graça daquele que nos chamou.

E que nunca nos falte humildade para reconhecer que, assim como aqueles que nos julgam, também somos dependentes da misericórdia de Deus.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” Apocalipse 2:7

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A oposição não anula o propósito de Deus


Vladimir Chaves

Nem sempre cumprir a vontade de Deus significa caminhar por lugares tranquilos. Muitas vezes, aqueles que decidem permanecer fiéis a Cristo encontram oposição, incompreensão, críticas e até momentos de desânimo. Porém, existe uma verdade que precisa permanecer firme em nosso coração: a oposição humana não é capaz de anular o propósito divino.

Em Atos 18:9-10, Paulo estava em Corinto enfrentando um ambiente difícil. Foi então que o Senhor lhe disse: “Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porque eu estou contigo.” Deus não prometeu a Paulo a ausência de problemas. Prometeu algo muito maior: a sua presença.

Essa diferença é fundamental. Deus nem sempre remove os obstáculos imediatamente, mas nos sustenta enquanto atravessamos os obstáculos. A missão não depende da ausência de oposição, mas da presença daquele que chamou.

Quantas vezes pensamos em desistir porque encontramos resistência? Às vezes, fazemos o que é certo e, mesmo assim, somos criticados. Procuramos servir, mas somos incompreendidos. Tentamos testemunhar de Cristo, mas encontramos pessoas que não querem ouvir. Nessas horas, podemos pensar que estamos sozinhos ou que nosso trabalho perdeu o sentido.

Mas a Palavra de Deus nos lembra que a resistência dos homens não pode interromper aquilo que Deus determinou realizar.

Paulo precisava continuar falando, porque havia pessoas em Corinto que ainda precisavam ouvir a mensagem. Deus estava trabalhando mesmo quando Paulo não conseguia enxergar todo o resultado de sua missão.

Isso também nos ensina que a nossa responsabilidade é permanecer fiéis. O resultado pertence a Deus; a fidelidade pertence a nós. Não somos chamados a convencer todas as pessoas, mas a testemunhar fielmente. Não precisamos vencer todas as discussões, mas precisamos permanecer firmes na verdade. Não devemos abandonar nossa missão simplesmente porque encontramos oposição.

A graça de Deus é suficiente para sustentar seus servos em qualquer circunstância. Quando nossas forças diminuem, sua graça nos fortalece. Quando o medo aparece, sua presença nos encoraja. Quando pensamos em parar, sua Palavra nos lembra: “Eu estou contigo.”

Por isso, não permita que a oposição determine o rumo da sua caminhada. Pessoas podem se levantar contra você, portas podem se fechar e circunstâncias podem parecer desfavoráveis, mas nenhuma dessas coisas é maior do que o Deus que o chamou.

Continue. Fale. Testemunhe. Permaneça fiel.

A missão pode encontrar resistência, mas o propósito de Deus permanece de pé. Quem caminha na presença de Deus não precisa depender das circunstâncias para continuar; pode depender da graça daquele que prometeu estar presente.

A oposição pode dificultar o caminho, mas não pode impedir o propósito de Deus.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

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A Palavra de Deus: a principal arma contra os espíritos enganadores


Vladimir Chaves

A espiritualidade tem sido frequentemente confundida com intensidade emocional, manifestações extraordinárias ou a capacidade de impressionar multidões. No entanto, a Bíblia ensina que nem toda manifestação espiritual procede de Deus. Pelo contrário, ela alerta repetidas vezes sobre a existência de espíritos enganadores, espíritos imundos, espíritos de demônios e do espírito do anticristo, cuja missão é afastar as pessoas da igreja e da verdade do Evangelho.

Por essa razão, o apóstolo João faz uma advertência que continua extremamente atual:

"Amados, não deis credito a qualquer espírito; antes, provai se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora." (1 João 4:1)

Essa recomendação mostra que o discernimento espiritual nunca deve ser baseado em emoções, experiências pessoais ou na reputação de um pregador. O verdadeiro teste sempre será a Palavra de Deus. Toda manifestação espiritual deve ser examinada à luz das Escrituras.

Quando a espiritualidade se coloca acima da Palavra

Um dos maiores perigos enfrentados pela Igreja não é apenas a perseguição vinda de fora, mas a corrupção da verdade que nasce dentro dela.

Satanás sabe que dificilmente conseguirá arrancar a Bíblia das mãos dos cristãos. Por isso, sua estratégia costuma ser mais sutil: convencer que existe uma espiritualidade superior às Escrituras.

Quando alguém afirma que sua experiência espiritual, suas revelações ou suas palavras possuem autoridade acima da Bíblia, já se afastou do fundamento estabelecido por Deus.

A verdadeira obra do Espírito Santo jamais diminui a autoridade das Escrituras. Pelo contrário, Ele conduz o povo à verdade revelada na Palavra.

Jesus declarou: "Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade." (João 17:17)

Onde a Palavra perde sua centralidade, o terreno torna-se fértil para o engano.

O púlpito existe para alimentar o rebanho, não para feri-lo

O púlpito foi estabelecido para anunciar Cristo, ensinar a sã doutrina, exortar com amor e edificar a Igreja.

Infelizmente, existem situações em que versículos bíblicos são retirados de seu contexto para humilhar irmãos, constrangê-los publicamente, promover divisões ou transformar a pregação em um instrumento de intimidação.

Usar a Palavra como arma contra pessoas, em vez de instrumento para conduzi-las ao arrependimento e ao crescimento espiritual, é uma grave distorção do propósito das Escrituras.

A Bíblia afirma: "Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para o ensino, para repreensão, para correção, para educação na justiça." (2 Timóteo 3:16)

A repreensão bíblica nunca teve como objetivo destruir pessoas, mas restaurá-las.

Da mesma forma, Tiago adverte: "Esta não é a sabedoria que desce do alto, antes, é terrena, animal e demôniaca." (Tiago 3:15)

Quando uma mensagem produz orgulho, humilhação deliberada, ódio, divisão ou exaltação do homem, ela precisa ser examinada cuidadosamente à luz das Escrituras.

Somente Deus conhece verdadeiramente o coração

Outro erro frequente ocorre quando alguém afirma possuir autoridade espiritual para determinar quem é ou quem não é verdadeiramente convertido.

A Bíblia ensina que os frutos da vida cristã são importantes e devem ser observados (Mateus 7:16-20). Ela também orienta a Igreja a exercer disciplina bíblica quando necessário. Contudo, o julgamento definitivo do coração pertence somente a Deus.

As Escrituras afirmam: "O Senhor não vê como vê o homem; o homem vê o exterior, porém o Senhor vê o coração." (1 Samuel 16:7)

Quem conhece perfeitamente o íntimo do ser humano é Deus.

Por isso, toda pretensão de alguém declarar possuir conhecimento absoluto sobre a condição espiritual de um irmão ultrapassa aquilo que Deus revelou.

O perigo dos espíritos enganadores

Paulo advertiu: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e ensinos de demônios." (1 Timóteo 4:1)

O grande problema do engano é justamente sua aparência de verdade.

Por isso Paulo também escreveu: "O próprio Satanás se transforma em anjo de luz." (2 Coríntios 11:14)

Nem todo milagre confirma uma mensagem, nem todo poder sobrenatural vem de Deus. E Nem todo discurso revestido de autoridade espiritual procede do Espírito Santo.

Jesus expulsava espíritos imundos (Marcos 1:23-26; Lucas 4:33-36), demonstrando que existem manifestações espirituais malignas. Em Atos 16:16-18, uma jovem possuía um espírito de adivinhação que produzia manifestações sobrenaturais, mas que não procediam de Deus.

O livro do Apocalipse ainda revela que espíritos demoníacos realizarão sinais para enganar as nações (Apocalipse 16:13-14). Paulo confirma essa realidade ao dizer que a manifestação do homem da iniquidade ocorrerá "com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira" (2 Tessalonicenses 2:9).

Assim, o sobrenatural, por si só, nunca deve ser considerado prova da aprovação divina.

A guerra espiritual mais perigosa

Muitos imaginam que a maior ameaça à Igreja seja a perseguição. Contudo, existe um perigo ainda mais silencioso.

Se a perseguição procura destruir a Igreja de fora para dentro, a acomodação espiritual procura destruí-la de dentro para fora.

Satanás não precisa fechar templos. Basta esvaziar os cultos da centralidade das Escrituras.

Não precisa impedir que existam sermões. Basta fazer com que Cristo deixe de ser o centro da pregação.

Não precisa arrancar a Bíblia das mãos dos cristãos. Basta convencê-los de que experiências espirituais são mais importantes do que a Palavra.

Não precisa calar os púlpitos. Basta transformá-los em plataformas para alimentar o ego humano, promover divisões, espalhar medo, constranger irmãos ou difundir mensagens que exaltam homens em lugar de Cristo.

Essa é uma das formas mais sutis pelas quais espíritos enganadores procuram enfraquecer a Igreja.

A única maneira de permanecer firme

Jesus comparou a Palavra à boa semente lançada em terra fértil e completou dizendo: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça”. Mateus 13: 1-9

O único caminho para não fraquejar espiritualmente é regar diariamente a Palavra de Deus no coração.

Quando ela é recebida com fé, obedecida e cultivada, fortalece a alma, renova a mente e sustenta o cristão nas provações.

Uma fé alimentada apenas por emoções pode desaparecer rapidamente.

Uma fé edificada sobre as Escrituras permanece firme, mesmo quando tudo ao redor parece desmoronar.

Como discernir se algo vem de Deus?

A própria Bíblia apresenta critérios claros para discernir a verdadeira ação do Espírito:

Confessa Jesus Cristo como Senhor encarnado (1 João 4:2).

Está em conformidade com toda a Palavra de Deus (Isaías 8:20).

Glorifica a Cristo, e não o homem (João 16:13-14).

Produz o fruto do Espírito (Gálatas 5:22-23).

Não contradiz a sã doutrina revelada nas Escrituras (2 Timóteo 3:16-17).

Sempre que uma mensagem diminui a autoridade da Bíblia, promove orgulho espiritual, exalta pessoas acima de Cristo, incentiva divisões ou contradiz o ensino das Escrituras, ela deve ser rejeitada, independentemente de quem a proclame.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz as igrejas”:

A maior segurança da Igreja nunca esteve em líderes carismáticos, manifestações extraordinárias ou experiências emocionantes. Sua segurança sempre esteve na Palavra de Deus.

A Bíblia permanece sendo o padrão pelo qual toda doutrina, toda pregação, toda profecia e toda manifestação espiritual devem ser examinadas.

Cristãos maduros não seguem cegamente homens; seguem a Cristo revelado nas Escrituras.

Por isso, a maior necessidade da Igreja de nossos dias não é buscar uma espiritualidade desligada da Bíblia, mas retornar ao lugar onde sempre esteve a verdadeira vida espiritual: aos pés da Palavra de Deus.

Somente uma Igreja firmada nas Escrituras será capaz de discernir os espíritos, permanecer fiel ao Evangelho e resistir aos enganos que caracterizam os últimos dias.

“A graça do Senhor Jesus seja com todos” Apocalipse 22:21

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Quando seguir a Cristo custa tudo


Vladimir Chaves

"Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmo em pessoa fôsseis os maltratados." (Hebreus 13:3)

Há verdades que não podem ser compreendidas apenas com a mente; precisam ser sentidas pelo coração. A perseguição à Igreja é uma delas.

Quando ouvimos que cerca de 388 milhões de cristãos vivem sob altos níveis de perseguição por causa de sua fé, somos tentados a enxergar apenas uma estatística. Mas o Reino de Deus não é contado em números; é formado por pessoas compradas pelo sangue de Cristo. Cada número possui um nome, uma família, uma história. São homens e mulheres que pagam um alto preço por permanecerem fiéis ao Senhor.

Há pais que saem para um culto sem saber se voltarão para casa. Mães que escondem páginas da Bíblia para que seus filhos conheçam a Palavra. Pastores que pregam sabendo que aquela pode ser sua última mensagem. Crianças que aprendem, desde cedo, que confessar Jesus pode lhes custar a própria vida.

Enquanto isso, nós caminhamos livremente para nossos templos, temos várias Bíblias em nossas casas e liberdade para anunciar o Evangelho. A pergunta inevitável é: estamos valorizando aquilo pelo qual milhões de irmãos estão dispostos a morrer?

A perseguição nunca foi um acidente na história da Igreja. Ela acompanha o povo de Deus desde o princípio. Os profetas foram rejeitados. Os apóstolos foram presos, açoitados e executados. O próprio Senhor Jesus advertiu:

"Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós." (João 15:20)

Cristo não prometeu uma caminhada sem sofrimento. Prometeu sua presença em meio à tribulação. O discípulo não segue um caminho diferente do Mestre.

Nos países onde a perseguição é mais intensa, possuir uma Bíblia pode levar à prisão. Reunir-se para um culto pode significar a morte. Ser batizado pode representar a perda da família e da liberdade. Ainda assim, a Igreja continua crescendo.

Porque ninguém pode prender a Palavra de Deus.

Nenhum governo consegue impedir a ação do Espírito Santo.

Nenhuma perseguição pode destruir uma Igreja edificada sobre Cristo.

O sangue dos mártires jamais foi o fim da Igreja; tornou-se semente para novas vidas.

Mas, enquanto contemplamos a coragem desses irmãos, o Espírito Santo também dirige seu olhar para a Igreja brasileira.

Nossa realidade é diferente, mas não está livre de desafios.

No Brasil ainda existe liberdade religiosa, porém cresce a pressão para que o cristão silencie suas convicções. Em universidades, empresas e até nas redes sociais, permanecer fiel aos princípios bíblicos pode significar rejeição, ridicularização e isolamento.

Entretanto, talvez exista um perigo ainda maior.

Se a perseguição procura destruir a Igreja de fora para dentro, a acomodação espiritual procura destruí-la de dentro para fora.

Satanás nem sempre tenta arrancar a Bíblia das mãos dos cristãos; muitas vezes basta mantê-la fechada.

Nem sempre precisa impedir os cultos; basta esvaziá-los da centralidade das Escrituras.

Nem sempre precisa calar os púlpitos; basta transformar a pregação em entretenimento.

Talvez essa seja uma das maiores tragédias do nosso tempo.

Há igrejas cheias de atividades, mas vazias de quebrantamento.

Muito movimento, pouca oração, muito espetáculo, pouca Palavra, muito entusiasmo, pouca santidade.

Há, porém, uma contradição que deveria constranger profundamente a Igreja.

Muitas igrejas realizam cultos de missões. Os templos se enchem, os louvores são entoados com entusiasmo, fala-se sobre evangelização, levantam-se ofertas e celebram-se os avanços missionários. Tudo isso é importante.

Entretanto, não é raro que o culto termine sem uma única oração pelos milhões de irmãos que, naquele mesmo instante, estão sendo perseguidos por causa de Cristo.

Não se intercede pelos presos.

Não se lembram das viúvas e dos órfãos deixados pela perseguição.

Não se mencionam os pastores encarcerados, as igrejas destruídas, as famílias expulsas de suas casas ou os cristãos que se reúnem às escondidas para adorar a Deus.

Cantamos sobre o amor de Cristo, mas esquecemos daqueles que sofrem justamente por amá-lo.

Celebramos nossa liberdade, enquanto milhares perderam a sua por permanecerem fiéis ao Evangelho.

A exortação do autor de Hebreus permanece tão atual quanto no primeiro século:

"Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus-tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados." (Hebreus 13:3)

Não se trata apenas de conhecer a realidade da perseguição, mas de sentir sua dor. A Igreja é um só corpo. Quando um membro sofre, todo o corpo deveria sofrer com ele.

Uma igreja que canta, mas não intercede; que celebra, mas não se compadece; que promove missões, mas ignora os missionários e cristãos perseguidos, ainda não compreendeu plenamente o coração de Cristo.

Enquanto milhões de cristãos arriscam tudo para ouvir um único sermão, muitos de nós tratamos a exposição das Escrituras como algo comum. Enquanto irmãos escondem pequenos trechos da Bíblia para não serem mortos, deixamos exemplares inteiros acumulando poeira em nossas estantes.

Os cristãos perseguidos nos lembram de que Cristo vale mais do que a liberdade, mais do que a segurança e mais do que a própria vida.

A grande pergunta não é se um dia a perseguição chegará ao Brasil.

A pergunta é outra: Se amanhã nossa liberdade fosse retirada, permaneceríamos fiéis?

Se possuir uma Bíblia fosse considerado crime, sentiríamos sua falta ou apenas perceberíamos a ausência de um livro que raramente abrimos?

Se confessar Cristo custasse nossa reputação, nosso emprego ou nossa própria vida, continuaríamos dizendo, como os apóstolos:

"Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens." (Atos 5:29)

Que o testemunho da Igreja perseguida desperte a nossa consciência.

Que suas lágrimas fortaleçam nossas orações.

Que sua fidelidade confronte nossa acomodação.

"Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida." (Apocalipse 2:10)

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

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A Bíblia ou os usos e costumes: quem tem a última palavra?


Vladimir Chaves

Uma das maiores dificuldades da Igreja ao longo da história tem sido distinguir o que Deus ordenou daquilo que os homens estabeleceram como forma de aplicar os princípios bíblicos. Essa diferença parece pequena, mas suas consequências são profundas. Quando é ignorada, a fé perde o equilíbrio e a comunhão da igreja é comprometida.

Os usos e costumes surgem como formas culturais de colocar princípios bíblicos em prática. O problema nunca esteve em sua existência, mas em atribuir-lhes uma autoridade que a própria Bíblia jamais lhes concedeu.

As Escrituras ensinam claramente a modéstia, a decência e a sobriedade (1Tm 2.9; 1Pe 3.3-4), mas não determinam um modelo único de roupa, tecido, cor ou padrão universal de adorno. O princípio é permanente; sua aplicação pode variar conforme a cultura e o contexto, desde que preserve a santidade, a modéstia e o testemunho cristão.

Essa distinção aparece em diversos costumes bíblicos. O beijo santo era uma saudação comum entre os cristãos (Rm 16.16). Lavar os pés dos visitantes era um gesto de hospitalidade próprio do Oriente (Jo 13.1-17). Em Corinto, Paulo tratou do uso do véu dentro de uma realidade cultural específica (1Co 11). Nenhum desses costumes foi apresentado como requisito para a salvação ou fundamento da fé cristã.

O perigo começa quando um costume recebe o mesmo peso de uma doutrina bíblica. Então passa-se a afirmar: "Quem não pratica isso está em pecado", mesmo sem existir um mandamento claro das Escrituras. Foi exatamente esse erro que Jesus denunciou:

"Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens." (Marcos 7.7)

Cristo não condenou toda tradição, mas a transformação de tradições humanas em mandamentos divinos, colocando a palavra dos homens acima da Palavra de Deus. Quando isso acontece, a espiritualidade passa a ser medida por regras externas, enquanto aquilo que Deus considera essencial é negligenciado.

Esse é o caminho do legalismo. Roupas, penteados, aparência e costumes locais tornam-se critérios para julgar a fé das pessoas, enquanto as evidências da verdadeira transformação (amor, humildade, arrependimento, misericórdia, perdão e obediência a Cristo) deixam de ocupar o centro.

Jesus ensinou que a santidade nasce no interior. Em Mateus 15.19, afirma que é do coração que procedem os pecados. A transformação começa dentro e depois se manifesta no exterior. Nunca acontece o contrário. Mudanças externas sem regeneração produzem apenas religiosidade.

Paulo também tratou desse equilíbrio. Em Romanos 14, ao abordar questões que dividiam os cristãos, perguntou:

"Quem és tu que julgas o servo alheio?" (Romanos 14.4)

Nem toda diferença de prática deve tornar-se motivo de divisão. Existem questões ligadas à consciência cristã e à maturidade espiritual, e não ao núcleo do evangelho. Quando tudo passa a ser tratado como questão de salvação, perde-se a capacidade de distinguir entre o essencial e o secundário.

É importante compreender três níveis distintos.

A doutrina bíblica reúne as verdades fundamentais e imutáveis da fé: a pessoa de Cristo, sua morte e ressurreição, a salvação pela graça mediante a fé, a autoridade das Escrituras e a santificação.

A doutrina apostólica corresponde ao ensino transmitido pelos apóstolos sob inspiração do Espírito Santo, preservando fielmente a mensagem de Cristo.

Já os usos e costumes são aplicações culturais desses princípios. Podem ser úteis e edificantes, mas jamais devem ser elevados à condição de mandamentos universais.

Uma igreja espiritualmente saudável preserva essas distinções. Permanece firme na doutrina bíblica, persevera na doutrina apostólica e respeita seus costumes, sem confundir uma coisa com outra. Assim preserva tanto a santidade quanto a unidade do Corpo de Cristo.

O grande desafio continua sendo o mesmo: estamos defendendo a Palavra de Deus ou apenas as nossas tradições?

Essa pergunta exige honestidade. Muitas vezes defendemos com firmeza costumes herdados de nossa tradição denominacional, enquanto demonstramos pouca disposição para obedecer aos ensinamentos claros das Escrituras. É possível ser rigoroso com práticas externas e, ao mesmo tempo, negligenciar o amor, a justiça, a misericórdia e a fidelidade, exatamente como fizeram os fariseus.

Isso não significa abandonar toda tradição. Boas tradições ajudam a preservar a reverência, a ordem no culto e a identidade da igreja. Seu valor, porém, depende de permanecerem debaixo da autoridade das Escrituras.

O legalismo transforma costumes em doutrinas. O liberalismo abandona a doutrina para adaptar-se à cultura. O evangelho rejeita ambos os extremos. O verdadeiro cristianismo permanece firmado na verdade revelada por Deus, valorizando a boa tradição sem permitir que ela ocupe o lugar da Palavra.

Paulo exortou Timóteo:

"Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste, com fé e com o amor que está em Cristo Jesus." (2 Timóteo 1.13)

Essa continua sendo a orientação para a Igreja de todas as épocas. Toda tradição deve conduzir as pessoas a Cristo, nunca substituí-lo. Somente a Palavra de Deus possui autoridade absoluta, perfeita e imutável. Tudo o mais deve permanecer sob seu julgamento.

Quando a Escritura ocupa o lugar de autoridade máxima, a igreja permanece livre do legalismo, protegida do liberalismo e fiel ao seu verdadeiro Senhor. Afinal, a fé cristã não é sustentada pelas tradições dos homens, mas pela Palavra eterna de Deus.

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