Quando a tempestade chega e Jesus está no barco


Vladimir Chaves

“Então, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia.” Mateus 8:23-24

Essa passagem nos apresenta uma cena comum na vida daqueles que creem em Cristo Jesus. Os discípulos estavam seguindo Jesus quando a tempestade começou. Eles estavam no barco com Ele, mas isso não os impediu de enfrentar ventos fortes e ondas que ameaçavam suas vidas.

Aqui encontramos uma primeira lição: seguir Jesus não significa estar livre de tempestades.

Podemos estar no caminho certo, obedecendo a Deus e procurando fazer a sua vontade, e ainda assim enfrentar momentos difíceis. A presença de uma tempestade não significa, necessariamente, que Deus nos abandonou ou que estamos no lugar errado.

A tempestade também faz parte da caminhada

Os discípulos não esperavam aquela tempestade. O mar, que parecia calmo, tornou-se perigoso. As ondas começaram a cobrir o barco, e aquilo que estava sob controle passou a ser uma situação desesperadora.

Enquanto os discípulos lutavam contra as águas, Jesus dormia.

Para muitos, talvez essa seja uma das partes mais difíceis de compreender. Como Jesus podia dormir enquanto seus discípulos enfrentavam uma situação tão perigosa?

Mas essa cena nos ensina algo importante:

O silêncio de Jesus não significa ausência de Jesus.

Ele estava no barco.

E, mesmo dormindo, continuava presente.

Da mesma forma, existem momentos em nossa vida em que parece que Deus está em silêncio. Oramos, pedimos ajuda e esperamos uma resposta, mas, aparentemente, nada acontece.

Nessas horas, precisamos lembrar:

Deus pode estar em silêncio, mas nunca está ausente.

O medo pode mudar nossa maneira de enxergar

Diante daquela situação, os discípulos acordaram Jesus e disseram: “Senhor, salva-nos! Perecemos!” Mateus 8:25

Eles estavam com medo porque perceberam que não tinham controle sobre a situação.

O problema não era apenas a tempestade. Era também o que a tempestade estava produzindo dentro deles.

O medo estava falando mais alto do que a fé.

Isso também pode acontecer conosco.

Quando enfrentamos problemas maiores do que nossa capacidade, podemos começar a olhar mais para as ondas do que para Jesus.

O problema cresce, a esperança diminui e começamos a pensar que não haverá saída.

Mas Jesus perguntou: “Por que sois tímidos, homens de pequena fé?” Mateus 8:26

Jesus não estava ensinando que um cristão nunca deve sentir medo. Ele estava ensinando que o medo não pode ocupar o lugar da confiança em Deus.

Ter fé não significa não sentir medo. Ter fé significa não permitir que o medo seja maior do que a nossa confiança em Deus.

Jesus tem autoridade sobre a tempestade

Depois de ouvir os discípulos, Jesus se levantou e repreendeu os ventos e o mar. Então aconteceu algo extraordinário: “E fez-se grande bonança.” Mateus 8:26

Aquilo que os discípulos não conseguiam controlar estava completamente debaixo da autoridade de Jesus.

O vento obedeceu, o mar se acalmou e a tempestade cessou.

Mas existe algo ainda mais importante nessa lição.

Jesus não estava apenas resolvendo um problema. Ele estava revelando quem Ele era.

Por isso, os discípulos ficaram admirados e perguntaram:

“Quem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?” Mateus 8:27

Essa pergunta é a chave de toda a passagem.

Talvez, quando enfrentamos uma tempestade, nossa primeira pergunta seja:

“Quando isso vai acabar?”

Mas a passagem nos ensina a fazer uma pergunta ainda mais profunda: “Quem é Jesus para mim enquanto estou atravessando essa tempestade?”

Nem sempre a tempestade termina imediatamente

Existem momentos em que pedimos a Deus que retire imediatamente determinada situação de nossa vida.

Queremos que Ele acalme o mar, pare o vento e faça desaparecer o problema.

E, muitas vezes, Ele faz isso.

Mas nem sempre a resposta acontece no momento que desejamos.

Às vezes, Deus acalma a tempestade; outras vezes, Ele nos fortalece para atravessá-la.

Em ambos os casos, uma coisa permanece: Jesus continua no barco.

A nossa segurança não está na ausência de tempestades, mas na presença de Cristo.

O que a tempestade pode nos ensinar?

As tempestades revelam coisas que a calmaria, muitas vezes, esconde.

Elas revelam nossa fragilidade.

Revelam os limites de nossa própria força.

Mostram que não temos controle sobre todas as circunstâncias.

Mas também podem nos ensinar a confiar mais profundamente em Deus.

Os discípulos entraram naquela situação conhecendo Jesus de uma maneira. Depois de verem o vento e o mar obedecerem à sua voz, saíram dela conhecendo-o de uma maneira mais profunda.

Talvez algumas tempestades da nossa vida também tenham algo a nos ensinar sobre Deus.

Não devemos desejar a tempestade, mas podemos aprender com ela.

Quando a tempestade chegar

Se hoje você estiver passando por uma tempestade, lembre-se dos discípulos.

Eles estavam com medo, o barco estava sendo coberto pelas ondas e eles não sabiam o que fazer.

Mas Jesus estava no barco.

Talvez você também não saiba como essa situação vai terminar.

Talvez não consiga enxergar uma saída. Talvez Deus pareça estar em silêncio.

Mesmo assim, continue confiando.

Não permita que o tamanho da tempestade faça você esquecer quem está com você.

O vento pode ser forte, as ondas podem ser grandes e o medo pode ser real. Mas Jesus continua sendo maior do que tudo isso.

A tempestade pode até balançar seu barco, mas não precisa destruir a sua fé.

E, quando não souber o que fazer, faça como os discípulos: Clame por Jesus.

Porque aquele que tem autoridade para acalmar o mar também tem autoridade para sustentar você enquanto atravessa a tempestade.

A tempestade pode ser grande, mas aquele que está no barco é maior.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

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Unidos a Cristo: A fonte de uma nova vida que produz frutos


Vladimir Chaves

Existem duas palavras que aparecem com muita força nos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos: permanecer e estar unido.

Jesus disse: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podereis fazer.” João 15:5

E Paulo declarou: “Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele.” 1 Coríntios 6:17

Esses dois textos nos levam a uma verdade simples, mas profunda: a vida cristã não consiste apenas em conhecer Cristo, mas em permanecer unido a Ele.

Não somos a fonte

Jesus apresenta uma imagem muito fácil de entender: Ele é a videira e nós somos os ramos.

Um ramo não possui vida independente da videira. É dela que recebe aquilo que necessita para continuar vivo e produzir frutos.

Da mesma maneira, o cristão não encontra em si mesmo a fonte da vida espiritual.

Podemos ter conhecimento, experiência, capacidade, inteligência e até muita disposição para trabalhar na obra de Deus. Mas tudo isso não substitui uma coisa fundamental: a comunhão com Cristo.

Por isso Jesus afirma: “Sem mim nada podereis fazer.”

Podemos fazer muitas coisas sem Cristo, mas não podemos produzir, por nossa própria força, o verdadeiro fruto espiritual que Deus deseja encontrar em nossa vida.

Estar unido é mais do que acreditar

Paulo diz que aquele que se une ao Senhor é “um espírito com ele”.

Isso não significa que o homem se transforma em Deus. Significa que existe uma união espiritual, uma comunhão profunda entre Cristo e aquele que pertence a Ele.

É possível conhecer muitas coisas sobre Jesus e, ainda assim, viver distante dele.

Podemos conhecer versículos, frequentar uma igreja, cantar louvores e falar sobre Deus. Mas a pergunta fundamental é:

Estamos realmente permanecendo em Cristo?

Porque conhecer sobre Cristo é diferente de viver com Cristo.

O fruto revela a ligação

Jesus não disse apenas que o ramo deve permanecer ligado à videira. Ele mostrou o resultado: “Esse dá muito fruto.”

O fruto é aquilo que começa a aparecer na vida de quem permanece em Cristo.

Amor onde antes havia ódio.

Perdão onde antes havia ressentimento.

Paciência onde antes havia irritação.

Domínio próprio onde antes havia impulsividade.

Humildade onde antes havia orgulho.

Santidade onde antes havia uma vida dominada pelos desejos da carne.

Amor à Palavra, onde antes havia frieza espiritual

Devoção à Palavra onde antes havia apenas religiosidade

Verdade no coração onde antes havia apenas aparência.

O fruto não é produzido simplesmente pelo esforço humano. Ele nasce da vida que flui da videira para o ramo.

Por isso, quando Cristo ocupa verdadeiramente o centro da nossa vida, alguma coisa começa a mudar.

Permanecer é continuar

Permanecer em Cristo significa não abandonar a comunhão com Ele.

É continuar confiando quando as circunstâncias são difíceis.

É continuar obedecendo quando a vontade humana quer seguir outro caminho.

É continuar buscando a Palavra quando não estamos com vontade.

É continuar orando mesmo quando parece que Deus está em silêncio.

É continuar escolhendo Cristo todos os dias.

Permanecer não significa que nunca teremos fraquezas. Significa que, mesmo quando caímos, voltamos para a fonte.

O ramo não vive olhando para si mesmo. Ele permanece ligado à videira.

O corpo também pertence ao Senhor

O contexto de 1 Coríntios 6 acrescenta outra dimensão importante.

Paulo ensina que nosso corpo pertence ao Senhor e que somos templo do Espírito Santo.

Isso significa que nossa união com Cristo não fica restrita aos pensamentos ou às palavras. Ela alcança nossa maneira de viver.

Se estamos unidos a Cristo, nossas escolhas precisam refletir essa união.

Nossa boca, nossos pensamentos, nossos relacionamentos, nossas atitudes e nosso corpo devem expressar a quem pertencemos.

Não podemos dizer que estamos unidos à videira e, ao mesmo tempo, viver deliberadamente como se não pertencêssemos a ela.

A pergunta que precisamos fazer

Talvez a questão mais importante não seja: “Quanto estou fazendo para Deus?”

Mas: “Quanto estou permanecendo em Cristo?”

Porque existe uma diferença entre trabalhar para Cristo e viver em Cristo.

Podemos fazer muitas coisas para Deus e, ainda assim, deixar a comunhão com Ele em segundo plano.

Jesus nos chama primeiro para permanecer.

Depois vem o fruto.

Uma vida que aponta para Cristo

Quando o ramo está ligado à videira, o fruto aparece naturalmente.

Da mesma maneira, quando permanecemos unidos a Cristo, sua presença começa a ser percebida em nossa maneira de viver.

Não somos perfeitos.

Ainda enfrentamos lutas, tentações, fraquezas e momentos de queda.

Mas existe uma diferença: não queremos mais viver separados da fonte.

Cristo passa a ser nossa referência, nossa força e nossa direção.

Por isso, João 15:5 e 1 Coríntios 6:17 podem nos conduzir a uma mesma reflexão: Quem está unido a Cristo precisa permanecer nele; e quem permanece nele começa a produzir frutos que revelam essa união.

Para refletir

Talvez hoje precisemos parar por alguns minutos e perguntar: Estou apenas conhecendo Cristo ou realmente permanecendo nele?

Minha vida revela o fruto dessa união?

Minhas escolhas demonstram que pertenço ao Senhor?

Tenho buscado a fonte ou estou tentando viver pela minha própria força?

A resposta para uma vida cristã frutífera não está em simplesmente fazer mais.

Está em permanecer mais perto da fonte.

Porque Jesus continua dizendo: “Quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto.”

E também: “Sem mim nada podereis fazer.”

O ramo não precisa fabricar a vida. Precisa permanecer ligado à videira. Assim também é o cristão: não fomos chamados para viver de nós mesmos, mas para viver unidos a Cristo.

 

domingo, 30 de agosto de 2026

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Proclamar a Palavra de Deus com fidelidade


Vladimir Chaves

Proclamar a Palavra de Deus é uma grande responsabilidade. Não se trata simplesmente de falar sobre a Bíblia, ensinar versículos ou ocupar um púlpito. Quem anuncia a Palavra assume o compromisso de transmitir aquilo que Deus revelou com verdade, reverência e integridade.

Paulo nos apresenta uma imagem significativa ao dizer que devemos ser considerados “ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus”. E acrescenta: “o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1 Co 4.1,2).

O despenseiro não é dono daquilo que administra. Ele recebeu algo que pertence a outro e deve cuidar e entregar corretamente. Da mesma forma, quem anuncia a Palavra não pode modificá-la segundo interesses pessoais, conveniências ou preferências humanas.

Fidelidade exige não adulterar a Palavra

Muitas mensagens são adaptadas para agradar às pessoas ou, em outros momentos, para atacá-las. Há uma tendência de selecionar apenas aquilo que interessa ao pregador, enquanto textos que confrontam o pecado, chamam ao arrependimento e exigem mudança de vida são deixados de lado.

Entretanto, a fidelidade bíblica não permite a “pesca de versículos” para atender aos interesses de quem está no púlpito.

Jesus declarou: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4). Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, repreender, corrigir e instruir em justiça (2 Tm 3.16,17).

Proclamar a Palavra com fidelidade significa não acrescentar o que Deus não disse, nem retirar aquilo que preferimos não dizer. A mensagem precisa permanecer acima do mensageiro.

A Palavra precisa ser anunciada e vivida

Existe uma dimensão ainda mais profunda da fidelidade: não basta falar corretamente sobre a Palavra; é necessário viver de acordo com ela.

Nossa vida também é uma mensagem.

De pouco adianta falar sobre santidade enquanto cultivamos uma vida distante de Deus. Não faz sentido ensinar sobre perdão e permanecer dominado pelo ressentimento. Não é coerente proclamar a fé enquanto nossas atitudes revelam incredulidade.

O testemunho cristão começa quando a Palavra que anunciamos também transforma nossa própria vida.

Isso não significa perfeição, mas disposição para obedecer, corrigir os próprios caminhos, arrepender-se dos erros e permanecer fiel mesmo quando isso custa alguma coisa.

Fidelidade também é permanecer firme nas tentações

A fidelidade de Deus não significa ausência de dificuldades e tentações. A Bíblia afirma que seremos provados, mas Deus permanece conosco.

Paulo escreve: “Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1 Co 10.13).

Essa verdade precisa fazer parte da nossa proclamação. Quando anunciamos a Palavra, não estamos oferecendo uma vida sem problemas, mas anunciando um Deus que permanece fiel no meio deles.

A fé cristã não promete ausência de lutas; promete a presença de Deus durante elas.

É preciso preparo e reverência

Proclamar a Palavra também exige preparo. Jeremias apresenta um contraste entre a palavra humana e a Palavra de Deus:

“O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? Diz o Senhor” (Jr 23.28).

A pergunta de Deus continua atual.

Nem tudo aquilo que emociona vem de Deus. Nem toda opinião religiosa possui autoridade bíblica. Nem toda mensagem bonita é necessariamente verdadeira.

Por isso, quem ensina a Bíblia precisa estudá-la, conhecê-la e tratá-la com reverência. O mensageiro fiel não procura fazer a Bíblia dizer aquilo que deseja; procura compreender e transmitir aquilo que Deus realmente disse.

A fidelidade começa no coração

Antes de perguntarmos se estamos proclamando corretamente a Palavra aos outros, devemos perguntar se estamos permitindo que ela confronte a nós mesmos.

A Palavra que pregamos precisa primeiro passar pelo nosso próprio coração. Precisamos ouvir antes de ensinar, obedecer antes de exigir obediência e permitir que Deus transforme nossa vida antes de tentar transformar a vida dos outros.

A verdadeira proclamação não acontece apenas diante de uma igreja. Ela acontece também dentro de casa, no trabalho, nas amizades, nas decisões e na maneira como tratamos as pessoas.

Nossa conduta deve confirmar aquilo que nossos lábios anunciam.

Proclamar a Palavra de Deus com fidelidade é muito mais do que repetir textos bíblicos. É assumir a responsabilidade de ser um fiel despenseiro daquilo que Deus confiou a nós.

É anunciar a verdade sem adulterá-la, ensiná-la sem omissões, estudá-la com seriedade e, acima de tudo, vivê-la com sinceridade.

O mundo não precisa de mais mensagens moldadas para agradar aos homens. Precisa da verdade de Deus anunciada com amor, coragem e fidelidade.

E, no final, a grande pergunta não será quanto falamos, quantas pessoas nos ouviram ou quanto reconhecimento recebemos. A pergunta será:

Fomos fiéis àquilo que Deus colocou em nossas mãos?

sábado, 29 de agosto de 2026

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Quando a igreja ouve o céu, o mundo é alcançado


Vladimir Chaves

Há uma pergunta que a Igreja precisa fazer constantemente: estamos realmente ouvindo a voz de Deus?

Somos cercados por muitas vozes, opiniões, tendências e estratégias. Nesse cenário, existe o risco de realizarmos muitas coisas e, ao mesmo tempo, perdermos o essencial: discernir aquilo que Deus está dizendo.

Uma Igreja verdadeiramente missionária começa aí. Antes de enviar, ela ouve; antes de agir, busca; antes de elaborar seus planos, coloca-se diante de Deus.

A missão começa quando deixamos de perguntar apenas “o que podemos fazer?” e passamos a perguntar: “o que Deus quer que façamos?”

UMA IGREJA QUE OUVE DEUS SE DISPÕE A OBEDECER

Atos 13 apresenta a igreja de Antioquia reunida em oração, jejum e serviço ao Senhor. Foi nesse ambiente que o Espírito Santo disse:

“Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.” Atos 13.2

A missão não nasceu de uma estratégia humana, mas de uma direção divina.

Antioquia não apenas ouviu. Obedeceu. Depois de jejuar, orar e impor as mãos sobre Paulo e Barnabé, a igreja os enviou.

Isso nos ensina que ouvir Deus não é simplesmente receber uma informação espiritual. É estar disposto a ajustar nossos planos à vontade dele.

Uma igreja pode ter muitas atividades e pouca direção. Pode estar ocupada e, ainda assim, não perceber o que Deus está dizendo.

O problema não está em trabalhar; está em trabalhar sem ouvir.

A PALAVRA É O FUNDAMENTO DA MISSÃO

Não podemos falar em ouvir a Deus ignorando sua Palavra.

A Igreja precisa conhecer as Escrituras para discernir sua vontade e permanecer fiel à mensagem do Evangelho. Métodos podem mudar, ferramentas podem mudar e formas de comunicação podem mudar, mas a mensagem de Cristo permanece.

Por isso, uma Igreja missionária não é apenas uma comunidade que envia pessoas. É uma comunidade que forma discípulos, conhece a Palavra e prepara homens e mulheres para servir.

A missão não pode ser construída sobre tendências, mas sobre a verdade revelada por Deus.

QUEM ENVIA TAMBÉM PARTICIPA DA MISSÃO

Paulo e Barnabé eram importantes para Antioquia, mas a igreja não os reteve.

Ela compreendeu que seus dons não existiam apenas para benefício da comunidade local. O Reino de Deus era maior.

Essa atitude continua sendo um desafio para a Igreja. Precisamos estar dispostos não apenas a receber pessoas talentosas, mas também a prepará-las e enviá-las quando Deus as chamar.

E quem envia não fica distante da missão.

Quem ora, contribui, sustenta e encoraja também participa da obra missionária.

O missionário pode atravessar fronteiras, mas leva consigo uma Igreja que intercede e sustenta seu trabalho.

MISSÕES NÃO É UM DEPARTAMENTO. É A IDENTIDADE DA IGREJA

Quando missões são tratadas apenas como uma atividade do calendário, perdemos de vista sua verdadeira natureza.

A Igreja existe para glorificar a Deus, edificar seus membros e anunciar Cristo ao mundo.

Não importa se uma congregação é grande ou pequena. Uma comunidade que ora, conhece a Palavra e está disposta a obedecer pode tornar-se uma poderosa base para a expansão do Evangelho.

Antioquia nos mostra isso.

Uma igreja local tornou-se ponto de partida para uma obra que alcançaria povos e lugares em todo o mundo.

E NÓS, ESTAMOS OUVINDO?

Atos 13 nos apresenta uma sequência simples e profunda:

A Igreja serviu.

A Igreja orou.

A Igreja jejuou.

A Igreja ouviu.

A Igreja obedeceu.

A Igreja enviou.

Talvez seja essa a pergunta que precisamos levar para nossas igrejas hoje:

Estamos apenas realizando atividades ou estamos discernindo a vontade de Deus?

Uma Igreja que ouve o Céu não permanece fechada em si mesma. Ela olha para fora, enxerga os que precisam ouvir o Evangelho e se dispõe a participar da missão.

Quando a Igreja realmente ouve a voz de Deus, seus pés encontram o caminho da missão.

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Quem é fiel a Palavra não teme oposição


Vladimir Chaves

A Palavra de Deus não foi feita para alcançar apenas quem está disposto a ouvi-la. Ela também confronta, desperta, transforma e, muitas vezes, encontra resistência. Por isso, quem recebeu a missão de anunciá-la precisa compreender que seu compromisso não é com a reação das pessoas, mas com a fidelidade àquilo que Deus confiou.

Há pessoas que receberão a mensagem com o coração aberto; outras poderão rejeitá-la, questioná-la ou até tentar impedir sua propagação. Ainda assim, o mensageiro não deve abandonar sua missão. A oposição não significa fracasso, assim como a aceitação não é motivo para orgulho. O resultado pertence ao Senhor.

Ser fiel à Palavra é mais do que falar sobre a Bíblia. É permitir que a própria vida confirme aquilo que os lábios anunciam. O verdadeiro servo não adapta a mensagem para agradar pessoas, conquistar aplausos ou evitar conflitos. Ele procura transmitir a verdade com amor, equilíbrio e integridade.

Deus pode usar uma única palavra para alcançar alguém que parecia completamente distante. Por isso, não devemos decidir antecipadamente quem merece ouvir, quem irá acreditar ou quem será transformado. Nossa responsabilidade é anunciar; a ação no coração pertence ao Espírito Santo.

A missão começa quando permanecemos fiéis, mesmo quando o caminho se torna difícil. Quem carrega a Palavra não precisa temer a oposição, porque a obra não depende da força humana. Quando Deus confirma aquilo que está sendo feito segundo a Sua vontade, os frutos aparecem; e aquilo que nasce de Deus pode permanecer muito além do momento em que a mensagem foi anunciada.

Que sejamos encontrados como servos fiéis: firmes na verdade, corajosos diante da oposição e dispostos a levar a Palavra a todos, confiando que Deus continua realizando sua obra por meio daqueles que permanecem fiéis.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

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Quando a autoridade pastoral vira dominação espiritual


Vladimir Chaves

Quando o pastor deixa de conduzir as ovelhas a Cristo e começa a exigir que as ovelhas se submetam a ele

“Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” Atos 5:29

A autoridade pastoral é bíblica. A dominação espiritual, não.

Deus estabeleceu líderes para cuidar do seu povo, ensinar a Palavra, proteger o rebanho e conduzir os cristãos ao amadurecimento espiritual. Porém, quando o líder deixa de ser servo e passa a exigir submissão pessoal, quando o púlpito se transforma em instrumento de autopromoção, quando discordar do pastor passa a ser tratado como rebelião contra Deus e quando pessoas são expulsas simplesmente porque não se submetem aos caprichos da liderança, estamos diante de uma grave distorção da autoridade espiritual.

O pastor foi chamado para servir ao rebanho, não para ser servido pelo rebanho.

Pedro foi muito claro: “Nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos para o rebanho” 1 Pedro 5:3

A expressão é contundente: “nem como dominadores”.

O pastor não recebe das Escrituras autorização para controlar consciências, intimidar membros ou exigir uma lealdade que ultrapasse a lealdade a Cristo.

Quando isso acontece, a autoridade deixa de ser pastoral e começa a se transformar em dominação espiritual.

E onde existe dominação, frequentemente aparece o medo.

Medo de questionar.

Medo de discordar.

Medo de interpretar a Bíblia de maneira diferente.

Medo de perder amizades.

Medo de ser exposto no púlpito.

Medo de ser chamado de rebelde.

Medo de ser expulso.

Uma igreja pode estar cheia de pessoas aparentemente obedientes e, ainda assim, estar espiritualmente doente.

Porque silêncio não é necessariamente submissão a Deus.

Às vezes, é apenas medo de um homem.

Jesus, porém, não morreu na cruz para substituir a escravidão do pecado pela escravidão psicológica a líderes religiosos.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32

A verdade liberta inclusive da manipulação religiosa.

O cristão deve respeitar seu pastor, mas não pode colocar o pastor acima da Palavra.

Pode ouvir o pastor, mas precisa examinar aquilo que ele ensina.

Pode reconhecer sua liderança, mas jamais deve entregar a ele a própria consciência.

Os bereanos foram considerados nobres justamente porque examinavam as Escrituras para verificar se aquilo que Paulo ensinava era verdadeiro: “Examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” Atos 17:11

Se os bereanos examinaram até mesmo o ensino de Paulo, por que um pastor moderno exigiria que ninguém examinasse suas palavras?

Quem realmente confia na verdade não tem medo de ser examinado pela Palavra.

O problema começa quando o líder precisa impedir o exame.

Quando precisa desqualificar quem pergunta.

Quando chama de rebelde aquele que pensa.

Quando usa versículos isolados para silenciar seus críticos.

Quando transforma sua opinião pessoal em “revelação”.

Quando utiliza o púlpito para atacar pessoas que não podem responder.

Quando cria uma cultura na qual ele sempre está certo e os demais sempre estão errados.

Isso não é maturidade espiritual.

É culto à personalidade religiosa.

Paulo declarou: “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor.” 2 Coríntios 4:5

Essa deveria ser a regra de ouro de todo púlpito:

Não pregar a si mesmo.

Não promover a si mesmo.

Não glorificar a si mesmo.

Não exigir reverência para si mesmo.

Mas anunciar Cristo.

O púlpito não é um trono.

É um lugar de serviço.

O pastor não é o dono da igreja.

Jesus disse: “Edificarei a minha igreja.” Mateus 16:18

“Minha igreja.”

A igreja pertence a Cristo.

As ovelhas pertencem a Cristo.

O rebanho pertence a Cristo.

E só Cristo tem autoridade para julgar seu rebanho

E o pastor é apenas um administrador daquilo que pertence ao Senhor.

Por isso, quando um líder passa a agir como proprietário da igreja, ele está ultrapassando os limites de sua função.

E quando exige uma reverência que pertence somente a Deus, o problema se torna ainda mais grave.

Jesus ensinou: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” Mateus 4:10

Pastor não é objeto de adoração.

Pastor não é mediador absoluto entre Deus e os homens.

Pastor não é infalível.

Pastor não está acima das Escrituras.

Pastor não é o senhor da consciência dos fiéis.

Cristo é o Senhor.

E quando existe conflito entre aquilo que um líder determina e aquilo que Deus estabeleceu, a resposta dos apóstolos permanece atual:

“Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” Atos 5:29

Essa frase deveria ser suficiente para destruir qualquer pretensão de autoridade absoluta dentro da igreja.

O verdadeiro pastor não teme perder o controle

Um pastor verdadeiramente comprometido com Cristo não precisa manter as pessoas presas pelo medo.

Ele ensina.

Ele orienta.

Ele aconselha.

Ele corrige com mansidão.

Ele aceita ser questionado.

Ele reconhece quando erra.

Ele conduz as pessoas às Escrituras.

E, acima de tudo, ele aponta para Cristo.

João Batista compreendeu perfeitamente sua missão: “Convém que ele cresça e que eu diminua.” João 3:30

Essa deveria ser a oração silenciosa de todo verdadeiro pastor: “Senhor, que as pessoas não dependam de mim. Que elas dependam apenas de Ti.”

O líder narcisista, porém, deseja o contrário.

Ele precisa ser lembrado.

Precisa ser elogiado.

Precisa ser obedecido.

Precisa ser reverenciado.

Precisa ser defendido.

Precisa controlar.

E quando alguém deixa de alimentar seu ego, transforma o discordante em inimigo.

Mas o Evangelho não chama o pastor para construir um império pessoal.

Chama-o para cuidar das ovelhas de Cristo.

E um dia, todos os líderes terão de prestar contas ao verdadeiro Pastor: “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória” 1 Pedro 5:4

Portanto, a pergunta não é simplesmente:

“O pastor tem autoridade?”

Sim, tem.

A pergunta correta é:

“Como ele está usando a autoridade que recebeu?”

Para servir ou para dominar?

Para ensinar ou para manipular?

Para aproximar as pessoas de Cristo ou para torná-las dependentes dele?

Para proteger o rebanho ou para proteger o próprio ego?

Para glorificar Jesus ou para construir sua própria imagem?

Porque existe uma diferença gigantesca entre autoridade espiritual e autoritarismo religioso.

A primeira serve.

A segunda controla.

A primeira aponta para Cristo.

A segunda aponta para o líder.

A primeira produz maturidade.

A segunda produz dependência.

A primeira conduz pela verdade.

A segunda governa pelo medo.

E onde Cristo é verdadeiramente o centro, nenhum homem precisa ocupar o lugar que pertence somente a Ele.

A graça do Senhor Jesus seja com todos.

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