Existem duas palavras que
aparecem com muita força nos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos: permanecer
e estar unido.
Jesus disse: “Eu sou a
videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto;
porque sem mim nada podereis fazer.” João 15:5
E Paulo declarou: “Mas aquele
que se une ao Senhor é um espírito com ele.” 1 Coríntios 6:17
Esses dois textos nos levam
a uma verdade simples, mas profunda: a vida cristã não consiste apenas em
conhecer Cristo, mas em permanecer unido a Ele.
Não somos a fonte
Jesus apresenta uma imagem
muito fácil de entender: Ele é a videira e nós somos os ramos.
Um ramo não possui vida
independente da videira. É dela que recebe aquilo que necessita para continuar
vivo e produzir frutos.
Da mesma maneira, o cristão
não encontra em si mesmo a fonte da vida espiritual.
Podemos ter conhecimento,
experiência, capacidade, inteligência e até muita disposição para trabalhar na
obra de Deus. Mas tudo isso não substitui uma coisa fundamental: a comunhão com
Cristo.
Por isso Jesus afirma: “Sem
mim nada podereis fazer.”
Podemos fazer muitas coisas
sem Cristo, mas não podemos produzir, por nossa própria força, o verdadeiro
fruto espiritual que Deus deseja encontrar em nossa vida.
Estar unido é mais do que
acreditar
Paulo diz que aquele que se
une ao Senhor é “um espírito com ele”.
Isso não significa que o
homem se transforma em Deus. Significa que existe uma união espiritual, uma
comunhão profunda entre Cristo e aquele que pertence a Ele.
É possível conhecer muitas
coisas sobre Jesus e, ainda assim, viver distante dele.
Podemos conhecer versículos,
frequentar uma igreja, cantar louvores e falar sobre Deus. Mas a pergunta
fundamental é:
Estamos realmente
permanecendo em Cristo?
Porque conhecer sobre Cristo
é diferente de viver com Cristo.
O fruto revela a ligação
Jesus não disse apenas que o
ramo deve permanecer ligado à videira. Ele mostrou o resultado: “Esse dá muito
fruto.”
O fruto é aquilo que começa
a aparecer na vida de quem permanece em Cristo.
Amor onde antes havia ódio.
Perdão onde antes havia
ressentimento.
Paciência onde antes havia
irritação.
Domínio próprio onde antes
havia impulsividade.
Humildade onde antes havia
orgulho.
Santidade onde antes havia
uma vida dominada pelos desejos da carne.
Amor à Palavra, onde antes
havia frieza espiritual
Devoção à Palavra onde antes
havia apenas religiosidade
Verdade no coração onde
antes havia apenas aparência.
O fruto não é produzido simplesmente pelo esforço humano. Ele nasce da vida que flui da videira para o ramo.
Por isso, quando Cristo
ocupa verdadeiramente o centro da nossa vida, alguma coisa começa a mudar.
Permanecer é continuar
Permanecer em Cristo
significa não abandonar a comunhão com Ele.
É continuar confiando quando
as circunstâncias são difíceis.
É continuar obedecendo
quando a vontade humana quer seguir outro caminho.
É continuar buscando a
Palavra quando não estamos com vontade.
É continuar orando mesmo
quando parece que Deus está em silêncio.
É continuar escolhendo
Cristo todos os dias.
Permanecer não significa que
nunca teremos fraquezas. Significa que, mesmo quando caímos, voltamos para a
fonte.
O ramo não vive olhando para
si mesmo. Ele permanece ligado à videira.
O corpo também pertence ao
Senhor
O contexto de 1 Coríntios 6
acrescenta outra dimensão importante.
Paulo ensina que nosso corpo
pertence ao Senhor e que somos templo do Espírito Santo.
Isso significa que nossa
união com Cristo não fica restrita aos pensamentos ou às palavras. Ela alcança
nossa maneira de viver.
Se estamos unidos a Cristo,
nossas escolhas precisam refletir essa união.
Nossa boca, nossos
pensamentos, nossos relacionamentos, nossas atitudes e nosso corpo devem
expressar a quem pertencemos.
Não podemos dizer que
estamos unidos à videira e, ao mesmo tempo, viver deliberadamente como se não
pertencêssemos a ela.
A pergunta que precisamos
fazer
Talvez a questão mais
importante não seja: “Quanto estou fazendo para Deus?”
Mas: “Quanto estou
permanecendo em Cristo?”
Porque existe uma diferença
entre trabalhar para Cristo e viver em Cristo.
Podemos fazer muitas coisas
para Deus e, ainda assim, deixar a comunhão com Ele em segundo plano.
Jesus nos chama primeiro
para permanecer.
Depois vem o fruto.
Uma vida que aponta para
Cristo
Quando o ramo está ligado à
videira, o fruto aparece naturalmente.
Da mesma maneira, quando
permanecemos unidos a Cristo, sua presença começa a ser percebida em nossa
maneira de viver.
Não somos perfeitos.
Ainda enfrentamos lutas,
tentações, fraquezas e momentos de queda.
Mas existe uma diferença:
não queremos mais viver separados da fonte.
Cristo passa a ser nossa
referência, nossa força e nossa direção.
Por isso, João 15:5 e
1 Coríntios 6:17 podem nos conduzir a uma mesma reflexão: Quem está
unido a Cristo precisa permanecer nele; e quem permanece nele começa a produzir
frutos que revelam essa união.
Para refletir
Talvez hoje precisemos parar
por alguns minutos e perguntar: Estou apenas conhecendo Cristo ou realmente
permanecendo nele?
Minha vida revela o fruto
dessa união?
Minhas escolhas demonstram
que pertenço ao Senhor?
Tenho buscado a fonte ou
estou tentando viver pela minha própria força?
A resposta para uma vida
cristã frutífera não está em simplesmente fazer mais.
Está em permanecer mais
perto da fonte.
Porque Jesus continua
dizendo: “Quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto.”
E também: “Sem mim nada
podereis fazer.”
O ramo não precisa fabricar
a vida. Precisa permanecer ligado à videira. Assim também é o cristão: não
fomos chamados para viver de nós mesmos, mas para viver unidos a Cristo.





