Paulo apresenta a Timóteo um
princípio simples, mas profundo: aquilo que aprendemos da Palavra de Deus não
deve terminar em nós. A verdade recebida precisa ser guardada, vivida e
transmitida.
Em 2 Timóteo 2:2,
Paulo diz: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a
homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.”
Paulo não estava preocupado
apenas em ensinar Timóteo. Ele queria que Timóteo ensinasse outros que, por sua
vez, também fossem capazes de ensinar. Havia uma continuidade: Paulo ensinou
Timóteo; Timóteo deveria ensinar homens fiéis; e esses ensinariam outros.
Isso nos faz pensar sobre
aquilo que temos feito com o conhecimento que recebemos.
Conhecer a Bíblia não
significa apenas acumular informações, memorizar versículos ou participar de
estudos. O conhecimento da Palavra precisa produzir transformação e
compromisso. Jesus disse:
“Se vós permanecerdes na
minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos.” (João 8:31)
A Palavra precisa permanecer
em nós antes de ser ensinada por nós.
Por isso, Paulo também chama
a atenção para o caráter daqueles que receberiam essa responsabilidade: “homens
fiéis”. Não bastava saber falar. Era necessário viver aquilo que ensinavam. Não
bastava conhecimento; era necessário fidelidade.
Existe um grande perigo
quando alguém deseja ensinar aquilo que ainda não está disposto a viver. A
autoridade do ensino não está apenas nas palavras que pronunciamos, mas também
na vida que apresentamos.
Por isso, estudar a Palavra
é tão importante. Quem não conhece aquilo que recebeu corre o risco de
transmitir opiniões no lugar da verdade. Paulo orientou Timóteo:
“Procura apresentar-te a
Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a
palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15)
A fé cristã precisa ser
transmitida com responsabilidade. Uma geração precisa ensinar a outra. Pais
precisam ensinar seus filhos; os mais experientes precisam discipular os mais
novos; aqueles que aprenderam precisam ajudar outros a aprender.
O conhecimento que fica
apenas na nossa mente pode não alcançar ninguém. Mas quando a verdade entra no
coração, transforma a vida e passa para outras pessoas.
Recebemos para guardar,
guardamos para viver e vivemos para ensinar.
Esse é um dos grandes
desafios da igreja: não permitir que a verdade seja apenas conhecida por uma
geração, mas que seja fielmente transmitida à próxima.
“Uma geração louvará as tuas
obras à outra geração e anunciará as tuas proezas.” (Salmos 145:4)
A pergunta, então, não é
somente: “O que eu tenho aprendido?”
Também precisamos perguntar:
“Quem está aprendendo comigo?”
Porque uma fé
verdadeiramente compreendida não fica parada. Ela é vivida, ensinada e
transmitida.
“Fiz-me, porventura, vosso
inimigo, dizendo-vos a verdade?” Gálatas 4:16
Gálatas 4:16
ensina que na vida cristã dizer a verdade não é ser inimigo
Paulo não queria ser inimigo
dos gálatas. Ele os amava e, por isso, não teve medo de adverti-los quando
percebeu que estavam se afastando da verdade do Evangelho.
Da mesma forma, alertar que
o papel principal da Igreja é formar discípulos para levar o Evangelho não é
ser inimigo de ninguém. É simplesmente lembrar a missão que Jesus deixou: “Ide,
portanto, fazei discípulos” (Mateus 28:19).
A Igreja não existe apenas
para reunir pessoas em cultos de adoração, mas para anunciar Cristo, ensinar a
Palavra e preparar discípulos para também anunciarem o Evangelho.
É melhor permanecer fiel à
missão de Deus do que buscar a aprovação das pessoas.
“Quem tem ouvidos, ouça o
que o Espírito diz às igrejas”









